domingo, março 27, 2005

Manuel Teixeira Gomes

Ontem conversava com um amigo sobre as suas recentes leituras. Dizia-me ele – que organiza as suas leituras melhor do que as suas aulas – que nos últimos dias andou a ler os poetas e escritores algarvios, ou que escreveram sobre o Algarve, do princípio do século: João de Deus, Raul Brandão, Emiliano da Costa e Teixeira Gomes. A propósito deste último autor conversámos sobre o seu excelente conto (cheio de humor, inteligentemente anti-clerical, moderno) “Gente Singular”, uma história mágica e verdadeiramente esotérica, passada no centro histórico da cidade de Faro. Nesta sequência, lembrei-me de quanta pouca gente conhece este belíssimo autor, de origem portimonense, negociante de frutos secos e presidente da república entre 1921 e 1923. E de como seria importante a Missão Faro, Capital Nacional da Cultura, em 2005, promover um congresso sobre Manuel Teixeira Gomes, ao invés de o fazer sobre António Judeu da Silva “O Judeu”. A mania de fugir das figuras algarvias e procurar uma dimensão pseudo-nacional é uma prova de vera saloice, isso sim!

4 comentários:

francisco disse...

Oportuno e pertinente ( talvez impertinente para os visados ). Se a ideia de "Capitais de Cultura" é promover as culturas de cada sítio, nas suas diferenças e riquezas, faz todo o sentido, se não quisermos repetir uma "Capital de "... padronizada, trazer à luz os valores regionais e seus agentes, obras e criadores ). Cumprimentos. fcr.

Unknown disse...

Humor bem algarvio o de Teixeira Gomes!
Nunca esqueço os episódios dos figos lampos e do laxante para a inauguração da nova retrete.

HFR disse...

Francisco: é verdade que a ideia de universalismo é quase sempre confundida com a negação cultural autóctone. Como se comemorar Teixeira Gomes não fosse muito mais universal, por exemplo.
António: o que tem piada é que esses episódios foram os mesmos lembrados pelo meu amigo. Incrível, não?
Abraço aos dois.

HR disse...

Remetente: "O Melhor Blog do Mundo"
(www.melhorblogmundo.blogspot.com)

Dediquei-me nos últimos dias à leitura de "Michael Kohlhaas, o Rebelde", de Heinrich Von Kleist, livro único sobre a necessidade e perversidade da justiça privada.

Com os melhores cumprimentos,
HR

P.S.: Deixei (encerrei) o "Quarto com Vista sobre a cidade", dirigindo-me para
www.melhorblogmundo.blogspot.com e para www.espantosasaventuras.blogspot.com