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terça-feira, abril 28, 2020

Vital em causas nossas

É um blogue antigo, mas que dá pouco nas vistas. Leio-o há muito, desde o tempo em que era um blogue coletivo, de Ana Gomes, Vicente Jorge Silva, entre outros. Há tempo sozinho Vital Moreira, constitucionalista dos mais ágeis, vai dando cartas e ensinamentos aos órgãos de estado. Eis um exemplo de ontem:
Ora, a liberdade de movimento, ou seja, de não estar confinado a um lugar, mesmo em casa, constitui um direito essencial numa sociedade livre. Havendo que defender o direito à saúde, próprio e alheio, justifica-se a restrição da liberdade de circulação, mas não o seu aniquilamento, que a Constituição, aliás, proíbe.
Por isso, nada pode justificar a condenação dos idosos a uma espécie de "prisão domiciliária" por via legislativa ou administrativa. Ainda não é proibido ser velho. E, como diziam os antigos, nós também somos gente.
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sexta-feira, maio 02, 2008

Maio 68

O "Maio de 68", em França, foi há 40 anos. Uma apresentação de imagens, de cartazes marcantes desse tempo de mudança radical, pode ser vista em slideshow na plataforma do Sapo (link).

domingo, janeiro 06, 2008

Morreu Luiz Pacheco, o libertino

(...)
Cá em casa a nossa cama é a nossa liberdade imediata. Tem os nomes que quiserem. É a cama do pai de família, austero e mandão, ou do dorminhoco pesado quando regressa embriagado para casa. É a cama do libertino. É o leito (suponhamos!) Luís-Qualquer-Coisa, XV ou XVI, do milionário, porque nela somos reis e milionários de ternura e de abraços, de palavras ciciadas; e é o catre sem lençóis, fracas mantas, e mau cheiro, do maltês que não sabe para onde o destino o manda (e somos isto, e que de longes terras viemos! quantos naufrágios! quanta coisa fomos largando para facilitar a marcha até aqui!), a enxerga do pedinte (e nós o somos também: porque temos falta de tudo e porque acordamos de manhã sem uma bucha de pão para dar às crianças e sem saber ainda onde o ir buscar). Podia ser (dava para) um bom título de uma comédia picante, bulevardesca; UMA CAMA PARA CINCO; idem para um filme neo-realista, onde nem cama houvesse, só umas palhas podres e mijadas, com gaibéus ensonados, embrutecidos do calor e do vinho, fedor de pés, talvez um harmónio desafiando as cigarras e os grilos na cálida noite da planície alentejana. Uma cama para cinco, em herança, constituía um demorado caso de partilhas. Nós dormimos. As vezes, muitas vezes, beijos e abraços.
(...)
Extracto de Comunidade, de Luiz Pacheco, Contraponto, 1964

sábado, janeiro 05, 2008

As religiões assassinas

Élie Barnavi é historiador. Nasceu na Roménia, estudou em Israel, foi embaixador deste país em França e director do Centro de Estudos Internacionais da Universidade de Telavive. Hoje, é director científico do Museu da Europa em Bruxelas e escreveu um manifesto em oito teses. O panfleto, como lhe chama Andrés Rojo, chama-se “As religiões assassinas” e está editado em Espanha, pela Turner e em França pela Flammarion. A tese principal é a de que todas as religiões têm vocação de poder e que os fundamentalismos religiosos que se convertem em ideologias políticas têm tendência totalitária e são inimigos profundos das liberdades. Por isso, defende, a única forma de evitar perigos totalitários é dar ao Ocidente (para o autor o único corpus de pensamento que coloca a dúvida e a reflexão no centro da sua filosofia) a primazia da ideia sobre a civilização. Uma civilização baseada no laicismo e na herança do Iluminismo. A ler, sem dúvida.

quinta-feira, setembro 20, 2007

o país mais livre do mundo...

Sim, também vi na TV. Um estudante, da Universidade da Florida, a questionar criticamente o senador John Kerry e a polícia a não permitir e, mais tarde, a produzir descargas eléctricas no jovem. Mas o mais arrepiante foi observar a impavidez e a moleza dos assistentes, que não mexeram um dedo para intervir na defesa do colega. Um nojo.