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sexta-feira, março 12, 2021

LULA LIVRE


Só quem não está a par da política brasileira – por afinidade, leituras ou senso comum – é que não percebe a anulação da condenação de Lula da Silva. Com o impeachment de Dilma Roussef, já se tinha percebido que ao arrepio da corrupção de todos os partidos no Brasil, Lula seria impedido de concorrer às eleições presidenciais. Agora, passado o tempo do argumento da corrupção do Partido dos Trabalhadores e com o desenrolar da desgraça da pandemia naquele país, é tempo de correr Bolsonaro do poder miserável que governa o Brasil.

terça-feira, abril 28, 2020

Brasil, quase, quase...

Alguns posts abaixo referia a chamada de alerta de Eduardo Pitta, sobre a situação de estranheza política do Brasil. Neste momento é o país da América Latina com mais casos conhecidos de Covid19. Isto, confiando apenas nos números oficiais, já que vozes conhecedoras dizem que os dados devem ser multiplicados por 3 ou 4. Aliás, os enterramentos feitos a céu aberto no Rio, em São Paulo e sobretudo na região da Amazónia (Manaus), mostram a dimensão do caos. Entretanto o presidente Bolsonaro, incapaz de gerir uma situação de pandemia longa, mostra cada vez mais o seu caos mental, nas respostas políticas e aos media, ao mesmo tempo que nomeia amigos para dirigir a Polícia Federal, aquela que pode vir a ser decisiva no controlo da oposição ou da resistência da democracia brasileira. Sérgio Moro, ministro da Justiça já se demitiu, depois de ter sido o pragmático da vitória do seu ex-presidente. A ver vamos...

quinta-feira, novembro 01, 2018

A prosa de Rosa contra as balas


Li, por estes dias, entre muita prosa sobre a eleição do fascista Bolsonaro para presidente do Brasil, um extrato de Grande Sertão:Veredas, a obra prima de João Guimarães Rosa, um dos 100 livros mais importantes de sempre. O excerto era este:
-Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram da briga de homem não, Deus esteja. Alvejei mira em árvore, no quintal, no baixo do córrego. Por meu acêrto. Todo dia isso faço, gosto; desde mal em minha mocidade. Daí vieram me chamar.
O excerto é do início do romance. Fui ver ao meu livro e confirmei, como a ficção prevê a realidade; e por arrasto fui ao fim do livro, após as suas belas 594 páginas:
Nonada. O diabo não há! É o que eu digo se fôr... Existe é homem humano. Travessia.
O livro, um testemunho da invenção literária e do arrojo de criação linguística do sertão brasileiro, é um testemunho do poder da palavra e do ser humano. Uma prosa que liberta, uma Rosa que se une, contra o regresso da maldade.

quinta-feira, outubro 11, 2018

Paulo Freire e Bolsonaro


O Brasil é um barril de pólvora. País enorme nas desigualdades sociais e na permanente luta de classes, de géneros e de gostos, está em permanente ebulição. Hoje, dominado pela tríade dos 3B (Boi, Bala e Bíblia), percorre um tempo de angústias com o horizonte da ditadura militar, tempos de fome, miséria e exílio que o regime dos militares impôs de 1964 a 1985. Conhecemos bem este mundo, ou não tivéssemos vivido a ditadura de Salazar e Caetano durante 48 anos. Por agora, e até ao segundo turno das eleições presidenciais, escutemos as palavras avisadas do pedagogo brasileiro Paulo Freire, na sua obra de 1996 (uma das últimas), Pedagogia da Autonomia, que estou lendo: «Não posso proibir que os oprimidos com quem trabalho numa favela votem em candidatos reacionários, mas tenho o dever de adverti-los do erro que cometem, da contradição em que se emaranham. Votar no político reacionário é ajudar a preservação do 'status quo'. Como posso votar, se sou progressista e coerente com minha opção, num candidato em cujo discurso, faiscante de desamor, anuncia seus projetos racistas?».
Belas palavras que deveriam ser escutadas pelos milhões de brasileiros que vão escolher entre o coiso e Haddad.

Atualização: O blog Ladrões de Bicicletas posta um excelente e informado texto de Brian Winter, no Americas Quartely, sobre o que esperar de Bolsonaro, aqui traduzido.

domingo, maio 29, 2016

Miniconto publicado no Brasil

A morte
Quando o pai dele morreu, levei-o silencioso. Andamos sem destino, mas a estranheza da morte levou-me a caminhar para a mata, uma pequena floresta de eucaliptos, onde lembro de ter disposto alguns sacos pretos com sementes.
Ali, sentia-me protegido das desgraças inapercebidas do mundo. Parando junto a um eucalipto, já muito alto e magro, o meu amigo chorou. Teríamos nove, dez anos? Não me lembro bem.
Mas sei que depois de termos olhado o rio, ali mesmo à nossa frente, ele voltou a lembrar-se de como era a vida. Só muito mais tarde compreenderia o seu regresso. A noite passada tinha dormido debaixo do mesmo teto, perto de um pai morto. A mãe mantivera-se acordada ao lado do pai morto, sem apelar aos vizinhos a dor da alma; e ele cumprira o prometido: só chorar no dia seguinte.

[publicado na revista brasileira de minicontos VEREDAS (aqui) ]

sábado, janeiro 25, 2014

Os Gatos

 (desenho de Daniel Oliveira)
A revista minicontos, do Brasil, acaba de publicar um dos meus minicontos, intitulado Os Gatos. Para ler, clicar aqui (na página principal  abrir o linque 'mais minicontos'). Boa leitura!

sábado, março 31, 2012

Olha o Millôr!

Clicar na imagem para recordar o Millôr

Ele foi um dos responsáveis pelo meu gosto de leitura e por ter ficado apaixonado pela banda desenhada.
Nas páginas do velho Diário Popular, que o meu pai comprava quase todos os dias, lá estavam elas, as piadas desenhadas do Millôr Fernandes, um homem cáustico, livre e não alinhado. Morreu há dias e eu lembro-o aqui.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Lula

No blogue de Reinaldo Azevedo, a impossibilidade de Portugal:
Brian McCan, chefe do Brazil Institute da Georgetown, historiador competentíssimo, colocou como um das obras obrigatórias para a aula que ele dá de história contemporânea do Brasil o livro Lula É Minha Anta.
Ler mais -->


sexta-feira, dezembro 28, 2007

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Acuerdo

O acordo ortográfico entre Portugal e Brasil volta a atacar. E bem. Depois das palhaçadas com a língua que muitos dos nossos escritores fizeram (lembro textos de Baptista Bastos) agora, Graça Moura mantém a defesa da honra, explicando que quem ganha com isso é a indústria do livro brasileiro. And so what? Não estamos todos fartos de desperdiçar letrinhas que bem poderiam ir parar a uma bela sopa? Ação pois, na direção de um acordo moderno.
Entretanto, enquanto alguns portugueses defenderem Eça como o maior escritor da língua portuguesa e “Os Maias” como a melhor obra da língua, estaremos mal. Peguem lá n’ “As Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis e vejam se aprendem.

quinta-feira, novembro 22, 2007

Este burro sempre aprende

E eu é que sou burro, eu é que sou burro?- afirmou Scolari, abespinhado com os jornalistas, após o miserável jogo com a Finlândia, que acabou no zero a zero. Há anos que andámos a dizê-lo: é burro e mal educado e só ele para deixar os jornalistas a falar sózinhos. E ninguém percebeu que o homem nos chamou pacóvios? Eu explico: não fez no país dele o que anda a fazer no nosso. Pois não! E vêm agora dizer-me que o público, no Dragão, portou-se bem. Uma ova! Deviam era ter-lhe atirado um trapo à cara. Uma bandeira do pagode encharcada em vinho do Porto. Vintage.

sábado, novembro 10, 2007

País banana

Diogo Mainardi sobre a Copa do Mundo de 2014, no Brasil.
Podcast da Veja, aqui.

sexta-feira, julho 13, 2007

Machado

......Quem......precisa.........de............explicações............(à moda de Brás Cubas)?

terça-feira, julho 03, 2007

No mínimo


Era uma das minhas revistas online favoritas e estava ali no sidebar há muito tempo. Lia-a com muita regularidade. Finou-se no dia 29 de Junho, com muita pena nossa (soube-o pelo FJV).

segunda-feira, maio 14, 2007

Prenúncios

(…) No entanto, não há nada que intrigue mais os sociólogos que se dão ao trabalho de estudar esta charada que é o Brasil: por mais que cariocas, paulistas, mineiros, gaúchos, baianos ou nordestinos sejam diferentes uns dos outros, há qualquer coisa que os identifica em qualquer parte do mundo como brasileiros: a sua alegre rebeldia, o seu espírito de independência, o seu apego à liberdade, que um dia acabarão fazendo realmente do Brasil um grande país. E talvez de maneira inédita, capaz de deixar perplexos os futuros estudiosos da História.
Só não lhe falei na mulher brasileira. Não me arrisco a tanto. Prefiro dar por encerrada esta carta, vestir um calção e ir vê-la na praia. Indescritível. Sugiro a você que tome imediatamente um avião, venha para cá e faça o mesmo.

*
Fernando Sabino, O Brasileiro, se eu fosse Inglês, finais dos anos 50.
Conversa de Burros, Banhos de Mar, Cotovia, 2006.