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quinta-feira, maio 20, 2021

Querem greves boazinhas?

Hoje decorre uma greve dos trabalhadores em funções públicas. Os media traduzem o habitual: outros trabalhadores queixam-se da ausência de trabalho que lhes permitam viajar, usar serviços, receber educação, etc. Ora, não há greves sem implicações e é para isso mesmo que esta forma de luta foi criada. É natural que os patrões ou o governo protestem; agora, que trabalhadores se manifestem contrários a direitos inalienáveis é preocupante para a cidadania.

sexta-feira, fevereiro 05, 2021

Tele-trabalho, o eu contra o nós de Hobsbawm


Muitas das entrevistas, feitas pelos media a ativos em tele-trabalho, mostram queixas da falta de condições logísticas, ou da falta de apoios conjugados que permitam a sua função de pais, ou mesmo a grande pressão dos patrões que adiam a saída das fábricas e de escritórios. Na verdade, são situações justas. Mas gostaria de ver uma leitura interpretativa mais profunda: a de que a imersão no espaço doméstico de milhares de trabalhadores, retira-os do seu espaço funcional de agregação e de reivindicação, uma oferenda para o patronato ou para o estado.

sábado, outubro 12, 2019

Trabalho em revista



Ocupado com outras investigações e eventuais artigos - entretanto a próxima revista do Arquivo Municipal de Loulé, Al-Uliã, trará dois artigos meus, um deles em co-autoria com antigas alunas minhas - não tenho podido publicar na revista brasileira Trabalho necessário. Mas o facto não me iliba de chamar a atenção para a excelência dos artigos dos dois  mais recentes números, cujas capas estão acima. Para ler é só clicar sobre o nome da revista que está sublinhado.

domingo, novembro 10, 2013

para que servem as estatísticas?

A resposta seria: para enganar os incautos! Marinús Pires de Lima, precursor da Sociologia em Portugal, caía em cima das análise estatísticas revelando a sua pouca fiabilidade sociológica. Um amigo meu, advogado e escritor, escreveu numa das suas crónicas que abominava o facto de dizerem que ele comia 5 frangos por ano, quando ele não gosta mesmo nada do galináceo. As estatísticas de emprego e desemprego também servem para o governo aldrabar os incautos. Com os dados do desemprego a descer no 3º trimestre de 2013, o jovem ministro do emprego vem falar-nos de milagre económico. O que sabemos é que o 3º trimestre (julho, agosto e setembro) viveu do verão turístico e dos seus complementos. Deixem lá chegar os dados do 4º trimestre para vermos onde vai parar a curva do desemprego. Aliás, bastou ver na televisão a vergonha dos serviços do centro de emprego de Portimão - com filas desesperadas dias a fio na semana que passou - de desempregados a tentar a sua rápida inscrição, para percebermos onde está a ideologia (sim, a ideologia) deste governo de direita austeritária.

sábado, março 23, 2013

1900

1900 é um dos filmes mais emblemáticos de Rossellini. Filmado em 1976, reproduz a primeira centúria do século XX, contrabalançando a ascensão do fascismo mussoliniano com a organização sistemática das ligas camponesas e operárias da Itália e da Europa. Vi-o em Portimão, no Cine Teatro, em 1977, provavelmente, pois no ano seguinte já estava a viver em Faro. Recordava-me de muitas das cenas marcantes do romantismo (mais do que do neorealismo) do realizador, sobretudo das paixões, dos conflitos e das festas camponesas, entre o bucolismo dos campos e a paleta multicromática dos cenários reais. Mas, ao tempo, uma das marcas identitárias da luta antifascista, a morte do gato preto e branco - perpetrado pelo camisa azul representado pelo ainda jovem ator Donald Sutherland - foi uma das representações simbólicas mais evidentes.
No passado sábado a RTP apresenta a primeira parte do filme (que tem cerca de seis horas) a altas horas da noite. Dou por ele por acaso, no zapping à espera do Eixo do Mal, e vejo-o a partir do momento em que o descobri, anunciando-se a segunda parte para hoje. Uma busca incessante encontra a 2ª parte do filme prevista a partir das 01:30 da madrugada, a desoras portanto. Um mau serviço público é o que cabe dizer.

sábado, dezembro 15, 2012

Algum trabalho para desenjoar



Trabalho de animação dos meus alunos de Animação Comunitária (2º ano de licenciatura), com Tiago Romana, Rita Gomes e David Wert (aluno Erasmus, de Espanha). A equipa tem 15 minutos para conceber guião, encenação e cenografia. O resto é o improviso do laboratório de aprendizagem.

sexta-feira, maio 20, 2011

PSD contra a qualificação do trabalho

O PSD ataca, de forma sobranceira e reaccionária, a iniciativa Novas Oportunidades. Passos Coelho quer o povo analfabeto a votar no seu partido e a submeter-se a salários de miséria das baixas qualificações. Apesar das minhas críticas ao funcionamento escolarizado da educação de adultos praticada nos Centros de Novas Oportunidades, é justo defender a qualificação dos trabalhadores e trabalhadoras portuguesas, a partir da certificação dos seus adquiridos experienciais.
Vale a pena ler algum debate aqui.

terça-feira, novembro 02, 2010

Azenhas do Mar


Também no Alentejo, as Azenhas do Mar são local de pescadores, que quando o mar se revolta e enche de vagas os xistos da costa limitam-se a esperar: que o mar se acalme, que as redes se limpem de 'porqueira', que as batatas e os tomates cresçam nas hortas arenosas. Depois, logo se verá como está a lua e as estrelas...

domingo, outubro 17, 2010

Operário protesta nu na 125

A luta dos operários contra a fome, ao longo da história, já deu muitos exemplos de criatividade e de desespero. Na 6ª passada um operário imigrante ucraniano protestou nu, contra os 6 meses de salário que a empresa VDV Protrata (responsável pela construção do Hotel Conrad Algarve Palácio da Quinta, na Quinta do Lago) lhes deve, bem como a mais operários que também protestaram em Almancil, junto da sede da empresa (ler notícia).
Já se percebeu que a situação de crise económica e financeira que o país vive é sobretudo uma crise estrutural do capitalismo, que tem vivido da exploração de mão de obra dos trabalhadores no mundo inteiro. Por outro lado, sabemos que as respostas às situações de desemprego, fome e exploração, se começam em pequenos laivos de protesto, localizado e individualizado, rapidamente engrossam para explosões sociais incontroláveis. A tendência presente pode ser espontânea e desorganizada, mas depressa surgirão organizações e movimentos que aglutinam e organizam a revolta latente em muita gente explorada. Todos os trabalhadores conhecem (ou conhecerão) esta história.
Adenda de 21/10/2010:
Ler o excelente contributo do João Martins para a melhor compreensão do meu post acima. Aliás, aconselho vivamente uma atenção redobrada ao que o autor tem vindo a escrever, que considero do melhor que se escreve na blogosfera em termos de análise sobre fenómenos contemporâneos.

domingo, novembro 08, 2009

O capital é sempre igual

[foto Público]

O acidente do viaduto, em Andorra, que vitimou trabalhadores portugueses mostra, sobretudo, que o capitalismo é igual em toda a parte. A morte de cinco trabalhadores e os ferimentos de outros seis é reveladora de como o capital internacional e a competitividade neoliberal das empresas os tratam: mais de 12 horas diárias de trabalho, roubo do descanso semanal e condições perigosas de trabalho. Neste caso não há argumentos de segurança que valham. Acresce que, no caso dos imigrantes portugueses, as suas deslocações regulares entre Portugal e Espanha – por ausência de trabalho no seu país – obrigam a condições psicológicas de trabalho muito mais atentas. Por isso, não vale a pena os sindicatos colocarem os trabalhadores espanhóis como estando numa relação de vantagem sobre os portugueses. O capital trata-os da mesma maneira. Só que, neste caso, os portugueses para além de operários são também emigrantes. Alguns deles não o serão mais.


quarta-feira, novembro 21, 2007

Prestar contas

Há uns dias que não venho aqui. Agora que estou a ouvir o podcast de um dos programas de Francisco José Viegas na Antena 1, "Escrita em dia", devo dizer-vos que o meu tempo tem andado por aí: estudando podcasts, vídeos e outros multimedia que conto usar no meu trabalho de pesquisa e de docência (o raio do teclado é lento e tenho que esperar para ver). Deixo aqui alguns exemplos do trabalho das últimas semanas: 1 e 2.
Entretanto, estou a criar um catálogo de música tradicional, de registos pessoais que tenho em diversos suportes magnéticos, do qual darei breve informação. Já que a Câmara de Loulé não os disponibiliza online, fá-lo-ei, como autor da pesquisa/espólio. A propósito, aproveito para vos dar a conhecer um registo de 1962, de Adolfo Contreiras, em plena guerra colonial, a partir de um monocórdico de trabalhadores africanos nas roças. Imperdível, ainda se pensarmos que, nesse ano, Giacometti, o corso romântico, andava pelo Algarve a gravar romances e instrumentais de flauta de cana (ouvir aqui).
Também a investigação para o Grupo Folclórico de Alte me tem ocupado muitos dias. Nas últimas semanas, à volta do jornal Folha de Alte (1922-1934), aparecem-me verdadeiras pérolas que conto mostrar-vos nos próximos dias. Se houver tempo.
Contas prestadas, até já.

terça-feira, outubro 16, 2007

quinta-feira, outubro 04, 2007

Unicer

Ouvi a notícia esta noite (escrevo de madrugada): a Unicer, de Loulé, vai fechar ainda este mês e com ela ficam desempregados 62 trabalhadores. Na SicNotícias, Ana Drago do BE, picou Nuno Melo do CDS, porque Pires de Lima, um dos seus dirigentes, é o homem forte (o velhaco, diria eu) da Unicer. Alguns blogues de Loulé dão notícia do encerramento da fábrica da velha cerveja Marina: ler Sebastião e Covil dos Filipes.
Realmente vale a pena perguntar: a Câmara fará alguma coisa, neste Allgarve?
Adenda às 23.50h: como noticia o barlavento online o presidente da Câmara de Loulé esteve presente no plenário de trabalhadores hoje efectuado, no qual foi decidido fazer vigílias em data a anunciar.

sexta-feira, julho 27, 2007

?

O que é que tenho andado a fazer? A arrumar papéis na secretária, a dar notas aos alunos, a guardar livros e fotocópias da tese de mestrado (ah Umberto, como te compreendo), a pôr papelada em ordem. Não imaginam o que fica na ressaca de leituras, escritas e boa vida. Imaginem o resto...