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sábado, abril 17, 2021

Vacinação atrasada em Portimão?

Parece que a presidente da Câmara de Portimão se manifestou contra o atraso do processo de vacinação no concelho que dirige. A julgar pela sua prática de abuso de antecipação da sua própria vacina, percebemos bem o que a senhora quer dizer. Ou não.

quinta-feira, abril 08, 2021

Os estranhos crivos do PSD na escolha de candidatos

José Silvano, responsável da estratégia autárquica do PSD (parece) apresentou mais um lote de candidatos. Apressou-se a justificar, com argumentos, a candidatura de uma desconhecida Suzana Garcia (declaro que não vejo programas da manhã, deste tipo claro) à Câmara da Amadora. Argumento principal? O de que, se ela fosse candidata a deputada, o crivo seria maior. Ou seja (como agora toda a gente diz), os eleitores do concelho da Amadora são uns ignorantes, que merecem uma desbocada-mor. Mas se as eleições fossem para a Assembleia, em quem votariam os eleitores do concelho? Argumento estúpido aquele, não?


 

quarta-feira, março 31, 2021

As eleições autárquicas em Loulé

 

Parece que o PSD/Loulé abandonou a ideia, referida pela comunicação social algarvia, de realizar uma sondagem (não sei se interna, se pública) de primárias entre três dos seus aparentemente melhores candidatos: Rui Cristina, Miguel Madeira e Bruno Inácio. Alguém, de dentro, tinha dito que seria uma estupidez acordar que o candidato escolhido para a candidatura à presidência da Câmara, mesmo que fosse derrotado, deveria ser o candidato nas próximas eleições. Sem perceber o quadro de mudanças locais que ocorrem em quatro anos entre eleições, seria deitar à rua os anos de travessia do deserto. Entretanto, não sei por que motivo, Rui Rio antecipou-se, validou e apresentou a candidatura de Rui Cristina à Câmara de Loulé, contra Vítor Aleixo, que já anunciou a sua última candidatura, esquecendo os outros dois putativos candidatos.

O PS está fragilizado em Loulé e a falta de uma estratégia coerente de gestão da CML, marcada por gestão à vista, muito show off baseado nos conceitos vácuos de ecologia climática e ambientalismo virtual, deixam Aleixo à deriva, sem poder. Tudo dependerá, como sempre, do populismo das obras dos restantes meses e dos resultados da gestão da pandemia. Acrescentando o proselitismo, que o PS introduziu na Câmara, com ofertas de cargos de responsabilidade para toda a gente que cola cartazes e envia mensagens, talvez a luta seja mais equilibrada, contra um candidato de direita desconhecido da população e fechado na sua bolha de deputado nacional.

Espera-se uma palavra do Bloco de Esquerda, a oposição que tem defendido uma política séria de defesa dos direitos locais na Assembleia Municipal, mas sem força para se intrometer no jogo bipartidário do concelho.

terça-feira, março 30, 2021

João Ferreira, o eterno candidato a secretário geral do PCP

Ontem, João Ferreira - candidato da CDU à Câmara de Lisboa -, respondia aos jornalistas, sobre a sua repetida candidatura. E questionava se não seriam as outras forças políticas, que queriam sempre mudar de candidato, a mostrar a sua fraqueza por alcançarem sempre maus resultados. Bom, mas a questão não me parece essa. João Ferreira, não só repete a sua candidatura à autarquia da capital, como foi candidato da mesma força política ao Parlamento Europeu e à Presidência da República. Como não se acredita que o PCP (ou Os Verdes, já agora) não tenha outro ou outra candidata, confirma-se o que muita gente sabe: João Ferreira será o próximo secretário geral do PCP, entronizado nestas permanentes candidaturas de antecipação.

 

quarta-feira, dezembro 02, 2020

Aleixo: de desleixo a obrigado!


O marketing político usa, de entre muitas, duas medidas de ataque ou de oposição: a crítica direta ou velada, quase sempre provocatória e propagandista (repare-se nas campanhas presidenciais americanas, sobretudo nas últimas); ou, menos vezes, no elogio transmutado de humor, ou gozo literário, colocando-se como proselitista do acusado.  A campanha do PSD em Loulé, traz estes exemplos para a próxima eleição autárquica: num momento algo distante, titulava numa tela a palavra «desleixo», no início da renovada Rua do Cemitério, a partir da rotunda dos Bombeiros, assumindo claramente a negatividade do presidente em exercício, Aleixo, Vitor. Há dias, num outdoor colocado no início da Avenida Costa Mealha, a mensagem titulava «Obrigado Aleixo», agradecendo as putativas e não executadas obras dos últimos sete anos; e terminava: «É obra!».

Temos aqui uma inflexão de agitprop política, resultado de novas análises ou de novos agentes políticos. A acompanhar!

segunda-feira, agosto 17, 2020

As placas de toponímia de Loulé

A Câmara de Loulé insiste em colocar o tipo de placas topónimas, como a da imagem, nas suas artérias. Desta vez foi a placa da Rua Fábrica da Cerveja Marina (acesso ao supermercado LIDL pelas traseiras) que se desfez na vertical, partindo ao meio o azulejo, que corresponde a um protótipo interessante de design, usado na cidade. Também a placa da minha Rua (Natália Correia não merecia) e de outras ali perto, já foi substituída algumas vezes. Há alguém que pense numa melhor estrutura de suporte, ou é preciso ensinar?

sexta-feira, novembro 08, 2013

Serão os comunistas coerentes?

Ontem, na SIC Notícias, o deputado comunista António Filipe (AF) aproveitava o seu 1º minuto de debate para contestar o acordo entre o PS e o PSD na direção da Junta Metropolitana de Lisboa. A declaração parece pertinente, porquanto critica a 'aliança anti-comunista' num importante órgão de gestão autárquica. Mas, na verdade, aquilo que AF contestou é exatamente a prática do PCP nas autarquias e noutros órgãos de gestão política, por exemplo nas entidades regionais de turismo. Sabemos que, por exemplo em Loures, cuja presidência o PCP através de Bernardino Soares ganhou sem maioria absoluta, a forma de governar implicou um acordo com o PSD. Aliás os comunistas são useiros e vezeiros nestes acordos com a direita. Também nas juntas de freguesia do concelho de Loulé, os eleitos do PCP aliam-se à direita do PSD para fazer maioria de governo em troco de uns patacos que decorrem de um cargozito de meia tigela. Onde está a apregoada coerência do PCP?

domingo, novembro 03, 2013

Em defesa da escola pública

A propósito da manifestação de protesto dos alunos e das alunas da Escola Secundária João de Deus em Faro, o João Martins sugere o uso mais justo de dinheiros do orçamento da Câmara de Loulé para as obras da Escola Secundária de Loulé, ao invés de gastos culturalmente supérfluos. Tem toda a razão. A Câmara deve dispor-se a defender a escola pública, tal como enunciado pelo seu presidente na tomada de posse, e deve exigir do atual governo que termine as obras necessárias ao funcionamento da escola. E pode começar por mostrar como se faz, fazendo uma vistoria às suas instalações.

segunda-feira, setembro 30, 2013

Em Loulé o povo é quem + ordena

Tal como tinha previsto, o PSD perde a Câmara de Loulé, resultado das políticas de austeridade do governo PSD/CDS e da ausência de qualquer estratégia de defesa das condições de vida dos louletanos da parte do atual executivo, acrescido do perfil errático e conservador do candidato laranja. O Bloco de Esquerda deu um claro contributo para isso, ao não apresentar candidatura à Câmara. Todavia para a Assembleia Municipal o BE foi alvo de uma clara viragem à esquerda, mantendo o seu deputado municipal, mas não reforçando a sua presença. No entanto, deve destacar-se a saída do CDS da Assembleia e a entrada de um representante do PCP/PEV, reforçando claramente a esquerda no órgão consultivo.

sexta-feira, setembro 27, 2013

PSD perde em Loulé

As eleições do próximo domingo marcarão uma viragem decisiva na política e no poder autárquico. Os eleitores vão penalizar os partidos do governo, que teem aplicado a austeridade mais dura sobre aqueles que vivem do trabalho e das reformas. Nunca umas eleições tiveram um significado político tão importante na resistência ao totalitarismo democrático, e os resultados vão mostrar isso mesmo. É esperada uma pequena hecatombe no poder autárquico do PSD no país, determinado pela perca de muitas câmaras, incluindo no Algarve. Em Loulé, os últimos dados mostram um descontentamento enorme nas hostes dos militantes e eleitores do PSD, e um contagiante protesto contra o 'putativo presidente para todos'. A convergência de votos à esquerda levará o PS à gestão da Câmara, dado que o Bloco de Esquerda assumiu a concentração de votos, não apresentando candidato ao órgão. No entanto, só o reforço do BE na Assembleia Municipal onde conta com um eleito, poderá permitir o controlo das medidas propostas pelo PS na campanha eleitoral. E sobre isso os eleitores louletanos não terão dúvidas.

domingo, agosto 04, 2013

Independentes, de quem?

A corrupção dos profissionais da atividade política - treinados nos aparelhos partidários, nalgumas universidades e empresas monopolistas - tem vindo a afastar muitos cidadãos da intervenção política e cívica. A resposta à falta de participação é encontrada, por um lado nos movimentos sociais, quase sempre exógenos e de rejeição aos principais partidos e, por outro lado, numa negação e desconfiança da ação política nacional ou local. A profusão de movimentos de cidadãos independentes, candidatos às próximas eleições autárquicas é disso um exemplo. Só que temos um problema de análise: saber se por si só um movimento independente dá garantias de cidadania, e melhor, de independência dos poderes corruptos que diz combater. Loulé tem um desses casos: o MICA (Movimento de Intervenção e Cidadania Ativa). Dele nada se conhece nem se viu, em termos de intervenção cívica na cidade ou no concelho de Loulé, quer seja nas manifestações locais de protesto nacional contra a  austeridade, quer seja na ação local contra o encerramento do serviço de urgência do Centro de Saúde de  Loulé; ou uma participação, tímida que fosse, na luta contra as portagens, contra a destruição da Fundação António Aleixo, por exemplo. Deste movimento não se conhece qualquer ideia, pensamento ou medida concreta, para mudar a política de direita da governação da Câmara de Loulé. Aliás, é esse vazio ideológico que preocupa. Na lista que se conhece vê-se lá a preocupação elitista da competência técnica ou académica, como se essa só por si resolvesse os problemas das pessoas, não tendo por detrás um pensamento humanista, solidário, socialista. Por isso meus amigos, "tenham medo, muito medo".

terça-feira, julho 30, 2013

PSD Loulé: + com + é igual a menos

O candidato do PSD à Câmara de Loulé, Helder Martins, esconde-se por trás de um símbolo matemático (+). Como mais vale estar acompanhado do que só, acrescenta ainda outro sinal + (Seruca Emídio, o atual presidente). Portanto, mais com mais é igual a menos, nesta candidatura do governo de Passos à autarquia louletana. O slogan é explícito: "Juntos. Avançamos". Para onde? pergunta-se. Os eleitores louletanos podem responder: "Para o abismo, claro". A resposta só pode ser uma: a direita tem que ser vencida em Loulé, e no país já agora.


terça-feira, julho 12, 2011

Do ritual do saudosismo

Loulé só podia ser uma terra de contrastes. A partir dum cosmos rural que encontra a modernidade ao virar da esquina - com os banhos de cosmopolitismo do turismo e a inovação cultural de jovens urbanos ou urbanizados -, Loulé não sabe o que fazer. O mais fácil é procurar uma cultura de massas, gerida por uma elite administrativa, com assento na vereação e nas chefias técnicas da Câmara, mas uma cultura assente num neo-romantismo da comunidade perdida, que no concelho tem ainda expoentes marcantes. Por isso, retirar o conceito de 'artesanato' da iniciativa de defesa e da promoção do interior rural do concelho, e ofuscá-lo com o termo perigoso de 'popular', não é só uma forma de revivalismo saloio. É mais do que tudo, uma opção cultural populista. E nós sabemos porquê.

quinta-feira, outubro 21, 2010

Dendrofobia

Não é de agora o desprezo pelas árvores em meio urbano, a ‘dendrofobia’ como lhe chamam os botânicos. Nos Petits Poèmes en Prose, Baudelaire dizia sobre Lisboa que «É uma cidade à beira da água; dizem que está edificada em mármore e que o povo tem um ódio tal à vegetação que arranca todas as árvores» (ver Filomena Mónica em Turista à Força). Em Loulé tivemos um exemplo paradigmático desta dendrofobia institucional, quando a Câmara mandou abater 16 tílias, com mais de 50 anos, na Praça da República, exatamente no Dia da Árvore de 2010 (ver link).

Curioso foi o facto de, na minha investigação de doutoramento, vir a encontrar na acta de uma reunião de Câmara Municipal de Portimão, uma nota dizendo que os moradores da Rua João Lúcio tinham pedido a substituição das amoreiras «por outras que não prejudiquem o asseio local». A Câmara deliberou mandar saber quantas árvores seriam, para a sua imediata substituição (Acta de 22 dezembro 1976). Uns dias antes do Natal, portanto. A tradição ainda é o que foi.