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quarta-feira, abril 06, 2022

Propostas do BE contra a crise atual

Ao invés de alinhar pela moção de rejeição que só serve para colar o PSD à extrema-direita, o Bloco de Esquerda faz jus à sua obrigação de valer os votos que os eleitores lhe atribuíram. Não se percebe, por que razão a SIC estranha que o BE, antes da discussão sobre o programa de governo, apresente um conjunto de medidas de valorização de quem trabalha, ou vive na precariedade eterna, sobretudo os milhares de jovens qualificados sem emprego decente ou qualquer trabalho. Ler as propostas clicando nas palavras sublinhadas.

 

sexta-feira, abril 01, 2022

Cristina Rodrigues, sem coluna vertebral ou coerente?

Daniel Oliveira chama-a oportunista, mulher sem coluna vertebral (crónica no «Expresso», de 30/3/22). Quem viu Cristina Rodrigues, primeiro na bancada parlamentar do PAN, ignorando qualquer medida do partido onde se elegeu, depois como independente, afetada pela arrogância, mais tarde como comentadora da SIC Notícias – competindo na moda dos comentadores de batatas e lugares comuns – percebia logo onde o seu caminho iria continuar: como assessora jurídica do grupo parlamentar do Chega. Coerências, diria eu!

quinta-feira, março 31, 2022

Democracia funciona no Parlamento

Ventura afirmou, há minutos, que o parlamento aprisionou a democracia ao chumbar a dupla eleição dos seus candidatos a vice-presidentes da Assembleia da República. Mas quem defendia o fascismo contra a democracia era o seu ex- militante do MDLP, movimento da extrema direita do pós Abril de 1974. Lembro-me bem desses tempos, de consolidação da democracia, que as votações de hoje mostram que os deputados e deputadas que elegemos, exerceram o seu dever democrático.

quarta-feira, fevereiro 09, 2022

Não ceder à vitimizacao

Após a conferencia de lideres já está, neste momento nas televisões, a queixar-se da eventual recusa  dos seus deputados para o lugar de uma das vice-presidências da assembleia da república. A consciência dos deputados eleitos, que prevalece ao voto dos eleitores, deve montar um cordão sanitário e democrático aos deputados do Chega, que defendem o racismo e a xenofobia, e não ceder à estratégia da vitimizacao (post em telemovel).

sexta-feira, fevereiro 04, 2022

Boaventura Sousa Santos

Confesso que, quando ouvi Boaventura Sousa Santos criticar, de forma torpe, as esquerdas do PS e sobretudo o Bloco, cheirou-me de imediato a incoerência de sociólogo e mais, a errância de esquerdista do momento. Sem tempo a perder, por ora, recorro a Fernando Rosas, que explica bem na sua opinião no site esquerda.net este ziguezague. Aqui ao lado, nas leituras.

sábado, janeiro 15, 2022

Chicão e as citações do neoliberal Ronald Reagan

Não se pede que o jovem dirigente do CDS Francisco, traga para os debates Noam Chomsky, Pierre Bourdieu, ou mesmo Raymond Aron ou Francis Fukuyama. Não! Ele parece só ter lido o conservador e piloto do neoliberalismo Ronald Reagan, que antes de ser presidente dos EUA foi ator mediano, muito mediano. Contra a esquerda, Chicão arremessa um conjunto de citações anti-comunistas de Reagan, já useiras e vezeiras, mas que não deixam de ter alguma piada. Tanto como a piada parva, que quis mostrar como brincadeira - aquela de Rui Rio sobre a votação em mobilidade. 

quinta-feira, janeiro 13, 2022

A diarreia da comunicação social antes do debate do centrão

Hoje, sabemos do papel dos media na construção política e ideológica das sociedades. Mas quando esse papel raia a diarreia de horas e horas a fio de emissões em todos os canais de televisão, ouvindo a vox populi e todos os comentadores (alguns deles saídos debaixo de uma pedra), gasta-se a paciência antes do debate entre os lideres dos partidos do centrão. O objetivo, então, parece ser o de construir uma solução governativa através da comunicação social, ao arrepio do voto popular.

quinta-feira, dezembro 09, 2021

A ideologia do PAN: o poder a todo o custo!

O PAN nasceu da dinâmica animalista de putativa defesa dos animais e, por acrescento, da natureza, seja lá o que isso for. A avaliar pelo caso das estufas da sua atual líder, talvez se perceba o que é a demagogia da ecologia (ou como a mesma referiu ontem, a visão ‘ecocêntrica), que se esconde por detrás do combate às ideologias. A resposta que merece, quando a mesma líder debita sobre a ultrapassada dicotomia esquerda/direita, é dizer que o PAN o que quer é o pote do poder, seja a que custo for. Ao assumirem que querem ser parte de governo, quer seja com o PS ou com o PSD, o partido animalista está a marimbar-se para os seus eleitores e, acima de tudo, para os verdadeiros defensores da ecologia.

quarta-feira, outubro 27, 2021

Rio reconhece que perde o PSD

Em declarações, à momentos na AR, Rui Rio engana-se e chama a Rangel líder da oposição, a propósito da reunião deste com o presidente da república para definir calendários eleitorais. Para além de percebermos as escolhas de Marcelo, fica entendido o subconsciente de Rio.

terça-feira, outubro 26, 2021

Ao PS interessa o chumbo do Orçamento! E a esquerda?

Diogo Martins tem toda a razão. O PS está enredado na sua velha ideologia liberal, que hoje é predominante nas suas fileiras. Daí que o interesse claro de Costa seja neste momento enterrar o arco de governação parlamentar com a esquerda. O PS pretende claramente ver chumbado o Orçamento e deixar a direita ganhar as legislativas, governar com o seu programa neoliberal e assim culpar a esquerda. A esta, pelo contrário, apenas resta intensificar as lutas organizadas, procurando aproximações partidárias entre si; o Bloco e o PCP são obrigados nos próximos tempos a caminhar juntos.

segunda-feira, outubro 25, 2021

PCP não tinha outra escolha

Afinal o PCP vota contra o Orçamento de Estado para 2022. Não podia fazer outra coisa, depois da pressão interna de muitos militantes e no momento em que a lider da GCTP se encontrava com a lider do Bloco, a justificar as lutas e greves que aí vêm. Quanto às putativas eleições e os resultados da esquerda na altura, ainda muita água irá correr.

domingo, outubro 24, 2021

Afinal, só o Bloco tem coragem

Está toda a oposição de esquerda à espera do menino Jesus ou de D. Sebastião. PCP, PAN e PEV,  como se previa, titubeiam sem saber o que fazer. Toda não! Porque o Bloco, depois de reunida a sua Mesa Nacional, tomou de imediato a sua posição contra o OE apresentado pelo Governo do PS. A esquerda agarrada ao Parlamento tem realmente medo de se submeter ao voto popular. Por isso o BE merece respeito pela coerência assumida. E não confundi-la com teimosia.

sexta-feira, outubro 22, 2021

César, o arauto

É o habitual. Carlos César, dito presidente do PS, sai sempre da toca como se fosse o teórico do partido, desta vez para acusar a oposição de esquerda de ser responsável pela aprovação do seu orçamento.  Mas, quem acredita num homem rodeado de familiares no estado e que debita mensagens no facebook?

quarta-feira, outubro 13, 2021

Para onde vai o 'Poder Local?'

 

No dia 29 de setembro, dias após as eleições autárquicas, a Casa da Cultura de Loulé organizou mais uma tertúlia ‘Então e agora?’, desta feita dedicada ao tema do Poder Local. Das intervenções que lá fiz, resultou um pequeno texto, que aqui deixo:

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A questão do ‘poder local’ deve ser vista à luz do histórico da democracia portuguesa, nos períodos pré 25 de Abril de 1974 e na construção democrática do PREC e dos anos 1974-1984.

Por razões históricas, já estudadas por historiadores deste período (eu próprio, a partir da minha investigação de doutoramento em Portimão, mas Loulé também é bom exemplo), sabemos que nos dias imediatos ao 25 de abril de 1974 as autarquias, e outras instituições locais do estado, foram tomadas, ocupadas, pelos partidos organizados a nível local ou regional, sobretudo o PCP/MDP, o PS e membros simpatizantes da ala liberal que mais tarde dará origem ao PPD. Os comunistas estavam organizados numa frente eleitoral recente, vinda das eleições de 1969 e 1973, no MDP/CDE, e tinham já algum poder sindical. O PS tinha algumas estruturas ou ativos locais. Os liberais alinharam com aqueles partidos nas primeiras comissões administrativas, criadas após as ocupações das câmaras.

Entretanto, a extrema-esquerda queria era fazer a revolução e a luta de classes, numa visão internacionalista que não apostava nada no poder que se construía nas autarquias. Em vez disso, preferia apostar na dinamização das organizações populares de base, as comissões de moradores e cooperativas de trabalho e de habitação, para além das comissões de trabalhadores, já existentes ou em criação. Tratou-se de um duplo poder que colocou o poder na rua e paralisou o poder de estado, como bem refere Boaventura Sousa Santos.

Esta história determinou, até hoje, a história do poder local, e é por isso que defendo que as autarquias serão sempre dominadas pelos partidos tradicionais do centro, incluindo o CDS, ou mesmo os independentes que saíram dos referidos partidos. Julgo, assim, que a esquerda à esquerda do PS (exceto PCP) nunca terá qualquer poder nas autarquias, a não ser integrada nas suas listas.

Talvez esta questão explique, entre outras questões, a crescente ausência de votantes nas eleições autárquicas, sendo mais do que aqueles que votam. O dito poder local está cada vez mais afastado dos cidadãos e vai governando a partir dos diretórios partidários locais ou nacionais. Por isso, será bom reconsiderar o conceito de poder local, já que o termo ainda mantém um misto de hegemonia dos cidadãos que não existe, e que remete para um período democrático mais representativo e participativo, já ultrapassado.

Perante este quadro, e considerando o definhamento do papel do PCP nas autarquias e na luta sindical – as suas duas principais frentes de luta fora do parlamento –, posso arriscar dizer que no futuro, a médio/longo prazo, teremos três grandes blocos partidários: liberais, social-democratas  e socialistas (incluindo aqui os atuais Bloco de Esquerda, PCP e Verdes, entre alguns outros residuais). A configuração partidária na Europa tem mostrado esse caminho.

Então, se o dito poder local está cada vez mais afastado dos cidadãos e se as autarquias limitam, coartam e manipulam a participação das pessoas, pode prever-se que essa mesma participação só poderá desenvolver-se fora das autarquias, ou pelo menos partir daí em busca de outra construção de poder local.

Talvez o caminho passe por enquadramentos livres e autónomos, fora da profissionalização dos candidatos, cada vez menos competentes e reconhecidos, partindo de focos materiais e concretos, que misturem alguma inorganicidade com dinâmicas representativas, e lideranças que se constroem nas aprendizagens dos movimentos informais: fóruns, observatórios, provedorias, cidadanias, etc. Algum caminho existirá!

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Entretanto, hoje realiza-se mais um encontro, dedicado ao tema das Pandemias. Vamos lá!