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terça-feira, fevereiro 02, 2021

Familismo e padralhismo na vacinação

 

No processo de oportunismo da vacinação contra a Covid-19 (que muitos apelidam de chico-espertismo ou tendência da natureza humana, conceitos que não querem dizer nada), eu vejo o poder a ser verdadeiramente exercido com absoluta estratégia, por quem o detém. Em geral, é o compadrio das redes de vizinhança ou o familismo, ainda ruralista, que originam os despautérios de vacinações indevidas. Algumas ridículas, como as dos padres que justificam as suas doses, como recompensa de apoios morais e médico-religiosos a idosos, mostrando o quanto está contente um ateu que os despreza, como puros padrecos que são.

quarta-feira, maio 13, 2020

O 13 de maio em Fátima

Pela primeira vez desde 1917, a Igreja Católica se submeteu ao Estado, cancelando as peregrinações dos crentes à Cova da Iria. Talvez não! Durante a 1ª República e sobretudo no Estado Novo, a Igreja sempre teve a indiferença primeiro e o estímulo depois, dos vários governos de Salazar e de Cerejeira, para consolidar e alargar o dogma das chamadas aparições. Fátima foi a maior construção católica inventada pelo poder da Igreja, como forma de restabelecer padrões de conservadorismo, atraso secular e subdesenvolvimento em Portugal. Se acrescermos a data de 1917, se percebe como a revolução bolchevique obrigou a igreja de Leiria/Fátima a acelerar o culto.
O livro acima é uma obra de leitura obrigatória, uma tese para os ignorantes e para os não sabedores, que mostra como Fátima se tornou um aparelho ideológico fundamental para o fascismo e também para a democracia.
Antes, muito antes, já tinha lido o célebre «Fátima Desmascarada» de João Ilharco que, sem rebuço, dizia em 1971 (Coimbra, 2ª edição do autor):
O sobrenatural de Fátima foi obra de um pequeno grupo de eclesiásticos, inteligentes e ousados, que tinham contra o regime republicano, implantado em 1910, grandes ressentimentos...(do preâmbulo)
Claro que já li também a obra pouco canónica de Fina D'Armada, «Fátima, O Que Se Passou Em 1917?», tese inscrita na ideia de aparições extra-terrestres, que tem sido muito desenvolvida pelo especialista da área Joaquim Fernandes. E ainda o grande manifesto, e desabafo, do padre da Lixa, Mário de Oliveira, «Fátima Nunca Mais», que num dos capítulos intitula mesmo: "Coloco este livro nas mãos de Maria, a mãe de Jesus, contra a senhora de Fátima" (Campo das Letras, 2000).
A língua portuguesa, a língua toda ela, não é só para comemorar num dia qualquer!

Nota: O livro de Fina D' Armada emprestei-o a um amigo para a sua tese de licenciatura e perdeu-se...
 

sábado, março 28, 2015

Tolerância religiosa

Já há algum tempo que gostaria de ter escrito aqui o exemplo de ecumenismo, ou poderia dizer de tolerância religiosa, dado pela Câmara de Loulé ao anunciar, na sua Agenda mensal, as liturgias de confissões religiosas que não as católicas. Cumpre-se assim o dever de aceitar e divulgar, ao mesmo nível, as orientações de pendor religioso dos municípes, tal como regula a Constituição, que define o estado laico e a aceitação da diversidade religiosa. Pena que outras instâncias, a começar pela escola pública, não o façam, mantendo a disciplina de Educação Moral e Religiosa, apenas entregue à confissão católica.

sexta-feira, novembro 06, 2009

Crucifixos laicos?

Volto à carga. Em tempos tinha manifestado o meu desagrado pela presença de símbolos religiosos nas salas de aula (link). O que está em causa nesta posição é simplesmente a defesa do conceito de tolerância e a prática de respeito pela diversidade cultural e religiosa. Acrescenta-se o facto de o estado - essa invenção da modernidade - ser, entre outras coisas, definido como laico. Portanto, insuspeito de qualquer referência religiosa. Se o crucifixo é ou não uma marca cultural, respondo que sim. Contudo, ele deve ser visto sobretudo como marca religiosa, símbolo de uma religião específica e, por isso, a sua presença numa escola pública contraria os princípios atrás enunciados. Vem esta conversa a propósito da deliberação do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos relativa à queixa de uma cidadã em Itália. Ler mais aqui.

domingo, janeiro 27, 2008

O sagrado e o profano de mãos dadas

Os pais-natal que pejam, ainda, a cidade, nas muralhas, nas rotundas ou em simples habitações, ficaram mais umas semanas, já que o carnaval está para breve e não vale a pena separar o sagrado do profano. Sobretudo, quando as duas faces da cultura religiosa judaico-cristã se misturam, hoje, tão bem na política nacional.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

sexta-feira, outubro 26, 2007

sábado, outubro 13, 2007

13

O 13 de Outubro na Casa de Cacela: amarelos e vermelhos outonais. Não perca.

quarta-feira, julho 04, 2007

Lodge

Estou lendo, pela primeira vez, David Lodge, apesar de ter quase todos os seus romances. "O Museu Britânico ainda vem abaixo" é uma obra de 1965, da altura da revolução sexual. Uma das melhores leituras de verão, à inglesa: parágrafos curtos, sem empáfia e cheios de dados culturais fundamentais. Ah, se Mário Cláudio soubesse escrever assim!

domingo, abril 22, 2007

Ouvido no café

-Então, a santa não sai?
-Não, hoje parece que não quer saír da igreja!
Não há nada mais prosaico, do que a religião.
[a propósito da romaria da Mãe Soberana, em Loulé, manhã de domingo, 22 de Abril]