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quarta-feira, novembro 17, 2021

O efémero do tempo fixo

Escrever semanalmente nos jornais, seria tão efémero quanto as fotografias reveladas pelos fotojornalistas dos momentos de ocasião. Tal poderia ser a  explicação, usada contra si própria na última crónica do Expresso, na qual Djaimilia Pereira de Almeida (DPA) analisa as reinterpretações da foto de James Joyce, fotografada por Berenecie Abbott, e analisada por John Szarkowski. Mas talvez as crónicas de DPA - ‘A Cara do Nosso Tempo’ - sejam apenas enganadoramente efémeras, pois a sua substância obriga-nos a pensar, a olhar mais fundo, até à busca do momento de então, do tempo em que se fixou o olhar que agora se espraia em reflexividade. A ler todas as  semanas, se possível em conjunto com as de Gonçalo M. Tavares - ‘Os Cadernos e os Dias’.

 

quinta-feira, fevereiro 25, 2021

A facécia contra o conservadorismo brasileiro

Regressar a Gregorio Duvivier, e ao seu livro de crónicas «Caviar é uma Ova» (belo título), é uma experiência interpretativa interessante. Por que razão regressamos a alguns livros, é uma boa questão. Pragmatismo, acesso ao livro, escolha casual para o estímulo noturno do sono? O livro, editado em 2015 pela Tinta da China, reúne as crónicas do humorista no jornal Folha de S. Paulo, entre julho de 2013 e agosto de 2015 e é uma escrita cuidada mas coloquial, vernacular mas ideológica. Já conhecia o autor do coletivo Porta dos Fundos, crítica inteligente e teatro do absurdo, que lembrava, nalguns ‘sketchs’, os Monty Python. O coletivo deixou a direita e os neofascistas brasileiros em polvorosa e, há alguns meses, um dos seus argumentistas colaboradores foi mesmo assassinado. Interessante é verificar as premonições das crónicas sobre o regresso da nomenclatura conservadora e ditatorial nas instituições democráticas brasileiras. Bolsonaro, ainda imberbe e desconhecido politicamente, é um dos visados pelo humor corrosivo de Gregorio. Talvez por tudo isto a sua releitura nos tenha parecido menos inovadora!

 

sexta-feira, maio 30, 2008

Os patriotismos do Euro

A crónica, que publicarei na minha coluna Treinador de Bancada em A Voz de Loulé, do próximo dia 1 de Junho, tem muito de similitude com isto:
O Público de segunda-feira trazia uma interessante reportagem que juntava especialistas em futebol, como Humberto Coelho ou Bruno Prata, e completos leigos que pouco ou nada sabem sobre bola, como José Diogo Quintela ou Artur Jorge. Afinal de contas, já só faltam 23 dias para o jogo de abertura. Não temos muitos dias para iniciar a nossa preparação, enquanto adeptos. Em meados de Junho, teremos de estar com os níveis de patriotismo no ponto certo para apoiar os jogadores da selecção nacional e suportar com denodo a desilusão que eles vão proporcionar-nos desta vez. Todo o tempo é pouco. Ler +

sexta-feira, abril 18, 2008

Cronistas

Uma excelente novidade: os textos dos cronistas do Público estão em linha aberta e disponíveis à leitura (link),

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Nicotinas

Faço, pois, votos que os fumadores descompensados acabem de ressacar rapidamente, para o bom senso regressar e nós podermos voltar a lê-los com gosto.
É por estas e por outras que nós gostamos de o ler. -->

domingo, dezembro 30, 2007

Benazir ao espelho

A morte de Benazir Bhutto desencadeou uma onda de protesto e de violência no Paquistão e um carinho por todo o mundo democrático. Mas convém não alardear muito, pois o Paquistão é um país culturalmente muito complexo e politicamente muito incerto. O ponto de vista ocidental cai, com facilidade, no etnocentrismo de análise e não percebe vários aspectos:

1. Tal como os restantes partidos, o PPP (Partido do Povo do Paquistão) é pertença da família Bhutto há muito tempo, e funciona com sucessões dinásticas; veja-se como a presidência foi entregue ao filho primogénito de Benazir (19 anos) que, sendo jovem e indo estudar para o Ocidente, deixa a gestão corrente nas mãos do pai, há tempo afastado da mãe.

2. A pretensa responsabilidade do presidente paquistanês no atentado também é de acautelar, sobretudo quando se conhecem as históricas redes de compadrio, o exacerbado familismo e os conúbios entre hierarquias militares, grupos fundamentalistas e organizações criminosas, a nível internacional. Complexidade não falta no país. Pede-se complexidade na análise, também.

3. Para conhecer melhor o assunto, entre muitas outras possibilidades, ver o post de Miguel Portas, A incomparável assassinada.

4. Indispensável, é o ensaio de Christopher Hitchens, colunista da revista Vanity Fair e da Slate Magazine. Nesta última publicou uma análise muito conhecedora e acutilante sobre o caso, transcrita no El País de ontem. O artigo intitula-se “Una hija del destino”. Deixo um extracto, traduzido por mim:

Nem o mais severo crítico de Benazir Bhutto seria capaz de negar que possuía um valor físico extraordinário. (...) Resulta grotesco, desde logo, que o assassinato se tenha produzido em Rawalpindi, a cidade onde vive entrincheirada a classe militar dirigente do país. (...) Mas custa fazer uma análise cui bono cuja conclusão seja que o general Perez Musharraf, o presidente actual, seja o beneficiário de sua morte. A culpa é provavelmente do eixo Al Qaeda/Talibãs, talvez com alguma ajuda de seus numerosos simpatizantes encobertos e não tão encobertos no organismo inter-serviços das forças de inteligência paquistanesas.

sábado, dezembro 22, 2007

Recortes de imprensa

J.L. Saldanha Sanches, no caderno de economia do Expresso, 15 Dezembro 2007:

As aparências iludem: as máfias a trovejarem violência e morte são plantas muito delicadas; só conseguem crescer em certos climas. Depois de crescerem ganham raízes e tornam-se mais fortes. Mas serão sempre plantas de estufa que não suportam o frio ou os ventos fortes (...)

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Girando o dedinho

As crónicas de Luís Fernando Veríssimo, no Expresso, são obrigatórias. Para além de um humor inteligente o cronista é um excelente contador de histórias, quer sejam de ficção quer sejam de realidades bem presentes. Da última – que aborda os gestos relacionados com o acto de telefonar – respigo este excerto:

Outro gesto datado é girar o dedo no ar. Do tempo em que os telefones tinham discos, lembra? Você introduzia o dedo no buraco correspondente ao número desejado e rodava o disco. Fazer isso em forma de mímica deixava claro para a pessoa distante que você se referia ao telefone (…) a não ser que você a estivesse convidando para dançar. (…) Já existe toda uma geração que nasceu, cresceu e se tornou adulta na era pós-disco e para a qual o dedo girando no ar também perdeu qualquer sentido.

Lendo isto, veio-me à cabeça que o telefone do meu gabinete na Escola Superior de Educação, em Faro, é um telefone de disco. Seja por falta de dinheiro ou por qualquer outro motivo trivial, o que é certo é que ele respeita a minha geração: a que usava o dedo girando no ar para convidar a moça para dançar.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Das esquerdas

O "realismo" político da esquerda tem sido o do cumprimento das regras, sem contrariar o domínio do capitalismo global, cada vez mais selvático. A esquerda tem, somente, tentado salvar a mobília com que ataviou a sua história, aceitando, como mal menor, as imposições do "mercado".
Excerto da excelente coluna de Baptista Bastos, hoje, no Diário de Notícias.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Rir da credibilidade

“O PSD voltou a ser um partido com credibilidade institucional e política. O descrédito do Governo e do PS tornou-se óbvio. O eleitorado já começou a compreender que Marques Mendes tinha razão e porquê. E vai haver mais ranger de dentes socialistas com a moção de estratégia que ele acaba de apresentar.”. Vasco Graça Moura no DN.
Pois é, mesmo vindo do intelectual mais sorumbático, dá vontade de rir não acham?

sexta-feira, junho 08, 2007

Maldade de sexta-feira

Muitos jovens de hoje, nos quais luz algum talento, tentam ser reaccionários. Pobres coitados! Eles bem tentam ser eixosos do Mal, mas de más intenções, lamento informar, está o Paraíso cheio. E são tantos: o Beto Gonçalves, o Pereira Coutinho, a Helena Matos, o Padre Mexia… Infelizmente para eles (mas não para nós), não é reaccionário quem quer. Só quem não pode ser outra coisa. (Rui Zink, com nova imagem)

quarta-feira, junho 06, 2007

Livros da blogosfera


A prova de que a blogosfera não apaga a presença do livro, está aqui. De borla, com a revista Sábado, para ler neste tempo de raios ultra, sem sol. Sopesar nas mãos, abrir ao acaso para ler um post qualquer do autor, ou iniciar em A e terminar, um dia destes, em V.

segunda-feira, maio 14, 2007

Prenúncios

(…) No entanto, não há nada que intrigue mais os sociólogos que se dão ao trabalho de estudar esta charada que é o Brasil: por mais que cariocas, paulistas, mineiros, gaúchos, baianos ou nordestinos sejam diferentes uns dos outros, há qualquer coisa que os identifica em qualquer parte do mundo como brasileiros: a sua alegre rebeldia, o seu espírito de independência, o seu apego à liberdade, que um dia acabarão fazendo realmente do Brasil um grande país. E talvez de maneira inédita, capaz de deixar perplexos os futuros estudiosos da História.
Só não lhe falei na mulher brasileira. Não me arrisco a tanto. Prefiro dar por encerrada esta carta, vestir um calção e ir vê-la na praia. Indescritível. Sugiro a você que tome imediatamente um avião, venha para cá e faça o mesmo.

*
Fernando Sabino, O Brasileiro, se eu fosse Inglês, finais dos anos 50.
Conversa de Burros, Banhos de Mar, Cotovia, 2006.

segunda-feira, abril 30, 2007

Reler em intriga

Já acompanhava as crónicas, e outros textos, de Eduardo Pitta, na velha Ler, dirigida por Francisco José Viegas. Desde que a voz de Pitta surgiu na blogosfera, ela é uma das que leio com muita regularidade. Sobretudo pelo seu desassombro. Dois anos depois, aí está o livro, que compila muitos desses textos.

quinta-feira, abril 12, 2007

DN, o novo Correio da Manhã

Afinal, a purga dos cronistas do Diário de Notícias não pára. Para além do que disse abaixo, o nóvel director do jornal continua a fazer uma limpeza à esquerda, nunca vista com outros directores.
Ler aqui.