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quarta-feira, maio 11, 2011

Tal como Borges

Primeiro conheci-o como nome de blog. Depois, comprei-o em Sevilha há uns anos. Só por estes dias, manchados de economês, soltei-lhe as amarras da estante e dei-lhe um poiso na cabeceira. Faltava-me esta ilha fantástica e fantasmática criada por Casares e que o velho Borges prefaciou magistralmente e gostou. Eu bebo-lhe as palavras, lentamente em castelhano.

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

A Costa dos Murmúrios


A Costa dos Murmúrios, 4º livro de Lídia Jorge, tem comigo uma relação de amor-ódio. Explico. Li entusiasmado, assim que foram editados, os seus dois primeiros livros, O Dia dos Prodígios e O Cais das Merendas. A Costa dos Murmúrios deixou o contexto barroco do Algarve e entrou na cena problemática das feridas da guerra colonial. A abordagem da autora era muito simbólica e metafórica, como se esperaria, mas os gritos de repulsa da guerra eram ténues e muito femininos. E a narrativa, em duas partes, perdia-se em rodriguinhos de muito pensamento, sem base de ação que a suportasse. Por isso o livro ficou parado, ali a páginas cinquenta, durante muitos anos na minha estante. Por estes meses, e em tempo de comemorações louletanas, vinte anos após (os mesmos que separam a noiva Evita, da narradora Eva Lopo) peguei e larguei o livro, de novo. Terceira tentativa, por culpa do filme homónimo da Margarida Cardoso, que esquece as memórias adultas de Eva Lopo, e filma cruamente a ação colonial dos anos 60. E acrescenta o que faltava no livro: uma crítica simbólica mas expressionista da guerra, que matou e feriu muita gente dos dois lados da barricada. Talvez fosse preciso esperar pelo século XXI para olhar de outra forma A Costa dos Murmúrios e para me obrigar a terminar a leitura da obra.

sábado, dezembro 05, 2009

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Ai Timor...

Uma tentativa de golpe, (ou vingança) em Timor Leste, colocou o presidente Ramos Horta em coma e assustou o primeiro ministro Xanana Gusmão. O major Reinado, foragido há muito, comandou o ataque e foi morto no mesmo. Entretanto Alkatiri, ex-primeiro-ministro, afirma que a força da ONU reagiu apenas 30 minutos depois e só após a GNR ter tomado a iniciativa. Ler -->

terça-feira, janeiro 22, 2008

sábado, janeiro 05, 2008

As religiões assassinas

Élie Barnavi é historiador. Nasceu na Roménia, estudou em Israel, foi embaixador deste país em França e director do Centro de Estudos Internacionais da Universidade de Telavive. Hoje, é director científico do Museu da Europa em Bruxelas e escreveu um manifesto em oito teses. O panfleto, como lhe chama Andrés Rojo, chama-se “As religiões assassinas” e está editado em Espanha, pela Turner e em França pela Flammarion. A tese principal é a de que todas as religiões têm vocação de poder e que os fundamentalismos religiosos que se convertem em ideologias políticas têm tendência totalitária e são inimigos profundos das liberdades. Por isso, defende, a única forma de evitar perigos totalitários é dar ao Ocidente (para o autor o único corpus de pensamento que coloca a dúvida e a reflexão no centro da sua filosofia) a primazia da ideia sobre a civilização. Uma civilização baseada no laicismo e na herança do Iluminismo. A ler, sem dúvida.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Benazir

O fundamentalismo e a estupidez matou Benazir Buttho e mais umas dezenas de apoiantes. Ler ->

quarta-feira, novembro 07, 2007

Ah, ah, a Finlândia, enfim!

Como sabemos, não há modelos inexpugnáveis de educação e cidadania. A globalização não deixa e o you tube é a prova disso. A Finlândia, país de brandos costumes e paradigma educacional, tem destas coisas: um aluno mata 11 colegas e tenta suicidar-se. Conhecemos o padrão. Ler aqui.

terça-feira, outubro 23, 2007

Poesia de Casimiro de Brito

O poeta louletano - e nosso amigo - Casimiro de Brito estará presente no festival de Poesia Sidaja/Trieste, entre os dias 25 e 28 de Outubro próximos. Num tributo a Umberto Saba e Virgilio Giotti, Casimiro lerá o poema 363, fragmento da obra Arte de Bem Morrer, a editar ainda este ano:

363

Ascendo à falésia interior do meu corpo
tal uma canção perdida, um ritmo cantando na manhã
que na fonte amada irrompe
mas sou eu quem arde e crepita. O amor
é um lugar cintilante onde, por vezes,
a dor cai; um insecto, sob a luz,
basta; e pedras que foram diamante
desmoronam-se diante dos teus ossos
embaciados. E pesa como chumbo
o que foi água; e resvala como a água
a pedra que em repouso parecia. Ó escola de enredos
e de jogos que precedem a febre do amor,
ó saudade nocturna de quem bebeu o vinho e perdeu
a boca. Nas andanças do corpo a canção
ora vai na onda, ora apodrece
na praia deserta. E esse que foi lume e se funde
com os fungos da terra
já não se deita para o amor mas apenas
no júbilo da morte silenciosa
se deita.

domingo, julho 29, 2007

Sem muros

Já é madrugada de domingo e mais logo quero estar cedo nas Dunas com a família, mas queria deixar-vos a leitura de Miguel Portas, mais um amigo nóvel na blogosfera.

quinta-feira, junho 28, 2007

Amos Oz

Amos Oz, escritor e ensaista israelita, jerosilimitano como gosta de se definir, acaba de ganhar o Prémio Príncipe das Astúrias. Há dias falamos dele a propósito de "Contra o Fanatismo", ensaio sobre a estupidez de todos os fundamentalistas. Congratulamo-nos.

sábado, junho 23, 2007

Amos Oz

Lendo, na praia das Dunas, porque é pequenino e cabe no bolso dos calções, claro. Amos Oz, israelita, melhor jerosolimitano, "contra o fanatismo":
Há uma desordem mental muito arreigada, uma conhecida doença mental chamada "síndrome de Jerusalém": uma pessoa chega, inala o ar puro e maravilhoso da montanha e, de repente, inflama-se e pega fogo a uma mesquita, a uma igreja ou a uma sinagoga. Ou então, tira a roupa, sobe a um rochedo e começa a fazer profecias. Já ninguém escuta.