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segunda-feira, junho 20, 2022

França, Macron & Mélenchon

Sim, tenho andado fora daqui estes dias, já são muitos, mas outros afazeres me afastaram da tela. Tenho querido falar de muita coisa, literatura, cinema, ou por exemplo a França, que nas eleições legislativas (duas voltas), destronou a maioria absoluta do liberal Macron. Ganhos? Bem, de Mélenchon, claro, e da sua Nova União Popular Ecologista e Social, e porra, da extremista Le Pen, que a França nunca foi de extremos…Aguardamos as negociações, no parlamento, entre Macron e os republicanos sem coroa.

quarta-feira, maio 18, 2022

Macron e o 'socialismo' francês

Macron nomeou uma ex-socialista para o cargo de primeira ministra. Assim, tenta matar dois coelhos com uma única cajadada: escolhe alguém quase desconhecido que não fará sombra à sua presidência; e dá um sinal, falso, de que a sua governação será social e mais popular. Objetivo? Impedir a vitória da União Popular, construída por Mélenchon, nas legislativas de junho.

sábado, maio 14, 2022

A França Insubmissa

A França Insubmissa, partido dirigido por Jean-Luc Mélenchon, que obteve o terceiro lugar nas recentes presidenciais francesas, vai agora a jogo, menos insubmissa mas mais inteligente. Os acordos assinados com vários partidos e movimentos da esquerda verde e popular, que deram origem a um novel partido (Nova União Popular Ecologista e Social), podem disputar a hegemonia triste e liberal do partido unipessoal de Macron, mostrando que os centros só definem circunferencias e deixam de fora toda a pobreza das desigualdades sociais.

segunda-feira, abril 25, 2022

O pecado da esquerda francesa

A esquerda francesa benzeu-se com a vitória do liberal Macron, ou com a derrota da direita racista e xenófoba. As manifestações de protesto que se sucederam não mostram só o desagrado pela vitória do presidente dos ricos, mas também a premência da unidade de uma esquerda que atenue a radicalidade de Melonchon, o terceiro candidato mais votado. Mas, ao mesmo tempo, só ele tem condições para trazer socialistas e republicanos a uma luta comum, contra a extrema direita. E isso é já nas próximas legislativas.

sexta-feira, março 25, 2022

O sorriso Golgate da ministra Ana Mendes Godinho

A ministra Ana Mendes Godinho tem o direito a sorrir ‘Golgate’, para a fotografia em pose de viagem rumo à Polónia e à Roménia, com a oferta de empregos para os refugiados. É justo e compreende-se o exagero hiperbólico daqueles sorrisos de jovens em viagem de férias. Mas a ministra, agora reconduzida no mesmo cargo, não sorrirá tanto, quando tiver que lançar verdadeiras ofertas de emprego para os milhares de desempregados em Portugal. Apesar das estatísticas estarem abaixo dos dois dígitos, 25% desses desempregados são jovens qualificados à procura do primeiro emprego, decente e não precário. E o Algarve é uma das piores regiões nesses números. A ministra e o governo deveriam rir menos!

(na imagem recorte da Visão de 17.3.22, p.19 > clicar na imagem para ler)

segunda-feira, maio 10, 2021

Pablo Iglésias, fenómeno da cultura de massas

Pablo Iglésias é um fenómeno político nascido dos movimentos sociais de esquerda em Espanha, mas também do capital cultural e social que proveio da sua presença na televisão e noutros media. Na altura, há cerca de seis anos, quando o Podemos já era uma força de interesse na esquerda anticapitalista, lembro-me que discutia com os meus companheiros o fogo fátuo que poderia ser aquela força política e, em especial, o seu líder incontestado. Estas forças políticas, heterodoxas e multi-ideológicas, naturalmente desenvolvem ciclos de cisões, conflitos e ascensões seguidas de queda. Depois da subida ao poder em Espanha, na coligação com o PSOE e com o lugar de vice primeiro-ministro, eis que Iglésias cai no seu desafio mais difícil: ganhar ao PP na Comunidad de Madrid. Agora sai de cena, do Unidas Podemos e da política institucional. Mas é importante dizer que, durante os últimos anos, Pablo Iglésias e a sua família sofreram um permanente assédio das forças ultradireitistas, com as piores ameaças de violência. Apesar dos erros, normalmente cometidos, o ciclo de rutura do bipartidarismo no país vizinho, que agora pode ser revertido, foi um momento de saúde para a democracia espanhola e o gesto de Iglésias deve ser louvado e compreendido.


 

quarta-feira, abril 07, 2021

À esquerda de Lula, visões 'autonomistas' e 'conselhistas'

A libertação de Lula e a sua potencial recandidatura à presidência da república, no Brasil, trouxe um debate importante na América Latina e em Portugal. Depois, ou ainda no contexto, da desgraça política e sanitária da governação Bolsonaro, como se esperava, os ventos de democracia sopram de novo a oeste. Mas será que Lula é o que já foi, noutras vidas de operário, sindicalista ou presidente? A questão coloca-se com ênfase para a esquerda e extrema esquerda brasileiras, que caem entre dois abismos: apoiar o velho Lula, primus sine pares como indica João Bernardo, ou um estadista como titula Cristiano Fretta; ou encontrar no deserto do Brasil alguém que derrote Bolsonaro e abra o anticapitalismo da vanguarda dos movimentos sociais brasileiros, cooptados pelo capitalismo do ex-governante Lula. O debate no «Passa Palavra» é assim que se faz!

Atualização: o debate continua, com o conselhismo de Fagner Henrique e o desconstrutivismo de Leo Vinicius.


 

quinta-feira, janeiro 21, 2021

Escócia de volta à União Europeia?


Depois da saída do Reino Unido da União Europeia, já sabíamos que os defensores da presença dos países da ilha na UE voltariam à carga, sobretudo quando já tinham assumido uma votação referendária de não saída. É o caso da Escócia que, segundo o artigo de opinião da sua primeira ministra (Nicola Sturgeon), no caderno principal do Expresso, deseja a sua reentrada na federação europeia em breve.

segunda-feira, abril 20, 2020

Brasil em rutura política?

Atenção ao post de Eduardo Pitta no seu blogue. Sabemos que os contextos de rutura social, económica ou outra qualquer, quando o poder está a cair na rua, podem configurar o momento chave para golpes ou revoluções. No Brasil de Bolsonaro, com Lula preso e a covid a alastrar escondida nos números, pode ser este o tempo certo que há muito se previa. O próprio presidente já fala do célebre Acto Institucional nº 5 (AI-5) fascista do tempo da ditadura militar.

Filosofia à portuguesa - José Gil

Nesta crise de saúde pública e de política, temos lido nomes conceituados da filosofia e de outras ciências sociais, quase todos pensadores reconhecidos há muito (quase todos já velhos) no pensamento moderno: Touraine, Chomsky, Morin, Harvey, etc. Em Portugal, José Gil tem pensado a idiossincracia portuguesa na esteira de antigos antropólogos, no caso no seu livro «Medo de Existir». O seu recente ensaio, publicado no jornal Público de há uma semana, traz um pensamento interessante, com base nos conceitos de desterritorialização social, que muitos sociólogos em Portugal têm estudado, mas a sua novidade é a articulação daquele com a subjetividade digital, no contexto da pandemia atual. A sua conclusão encaminha-se para a ideia de um capitalismo numérico, como sucedâneo do capitalismo financeiro que hoje adapta novos caminhos de recuperação, por via dos seus monopólios tecnológicos e do controlo da economia dos dados. O melhor é conhecer todo o ensaio de Gil que pode ser lido aqui.