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segunda-feira, novembro 11, 2013

Memórias do Minho

A RTP2 está a passar esta semana, na altura do jantar, um conjunto de documentários sobre tradições do Alto Minho. Trata-se de uma obra da Associação de Produção e Animação Audiovisual 'Ao Norte', com sede em Viana do Castelo, e mostra um leque de práticas culturais significantes da tradição cultural e económica do norte. A avaliar pelo documento de hoje, sobre a técnica e a estética da produção do 'ouro popular', bem filmado e testemunhado e fugindo a uma abordagem romantizada e folclorizada, temos pela frente documentários de muito interesse. Amanhã (3ª) passa um dos que me interessa preferencialmente. 'Desafios' aborda a prática do canto ao desafio, uma explosão de crítica pessoal e social, um exorcismo de poesia popular assente no improviso. A não perder, até sábado (linque).

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Presépio

Este ano, passados mais de 30 anos, a minha irmã convenceu-me a montar o nosso presépio, que em tempos de infância, em Portimão, era visitado por muita gente. Recuperámos as velhas peças de barro que restaram, guardadas durante este tempo, e depois foi só carregar areia e procurar erva, que o musgo juntou-se à crise. Os meus filhos ajudaram e a esposa fotografou. Mais tarde falar-vos-ei da tradição simbólica do presépio. Para já aconselho a leitura do meu conto de Natal "Um Chalé na Praia da Rocha", lido no programa "História Devida" da Antena Um e que se encontra no sidebar ali ao lado direito.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

O Entrudo e o Carnaval

Agora que , finalmente, se questiona o figurino do chamado carnaval (ver editorial de Luís Guerreiro na Voz de Loulé de 1 Fevereiro), ou se propõem novos formatos de comemoração ritual das tradições populares do entrudo, acho importante repescar o meu pequeno ensaio publicado na coluna Contrasenso, em A Voz de Loulé, de 1 de Março de 2004. Quatro anos depois, fico contente por ver que se discutem estas questões.

O Entrudo e o Carnaval
O Carnaval de Loulé costuma ser separado entre o carnaval dito “civilizado” e o outro que não o seria. São pouco conhecidos os epítetos sob os quais seriam designadas as práticas dos carnavais anteriores a 1906 – data em que a comissão de festejos, decide fazer do carnaval um recurso financeiro para a Misericórdia local – mas Freitas (1991: 166, 176) dá-nos muitas respostas. Expressões como “a brutalidade do velho carnaval”; “a machadada de morte no velho «Momo»”; “se jogava agressiva e grosseiramente ao indecoroso Entrudo”, são exemplos da transformação do Entrudo no chamado Carnaval civilizado. Esse mecanismo de transformação, assumiu desde sempre a ideologia da normalidade, da hierarquia, da disciplina, da contenção, como princípios da monarquia e, mais tarde, do Estado Novo. A própria expressão de carnaval, é de origem erudita e importada dos festejos urbanos de países centrais da Europa.


Ler ensaio integral-->

segunda-feira, outubro 01, 2007

terça-feira, julho 17, 2007

Modéstia à parte

Hoje, de manhã, realizei as provas públicas de defesa da minha dissertação de mestrado na Universidade de Sevilha. A tese, com o título "Encruzilhadas do desenvolvimento comunitário. Memória social numa aldeia do barrocal do Algarve (Portugal)", obteve do júri internacional a classificação máxima de sobresaliente. Como passei muitas horas a vogar por aqui, a blogosfera merece também o meu agradecimento particular.

quarta-feira, junho 27, 2007

domingo, junho 17, 2007

Tradições III

O que disse aqui, há uns dias, começa a perceber-se. Por esta via soube do texto sobre as "marchas populares" de Quarteira, encenadas como representativas e genuínas das localidades ribeirinhas. O interessante é verificar que os dois pontos de vista - apesar de diferentes - são farinha do mesmo saco: tradições bem, ou mal, inventadas, não deixam de ser construções culturais. E qualquer que seja a sua tipologia, esta servirá sempre os interesses de qualquer poder.

quarta-feira, junho 13, 2007

Tradições II

Também cá no sul, chovem os cartazes das marchas populares, de Quarteira ou de Salir, agora elegidas em lugares da "grande tradição lisboeta", inventada pelo estado novo. Daqui a uns anos também serão grandes tradições genuínas e marcas da identidade local e regional. Estão aí muitos politiqueiros, da educação, do turismo e das autarquias, para inventar estas tradições. Aguardem.

Adenda de 15 de Junho: ler os poemas "As curiosidades etnográficas" e "Termos em desuso", de José Carlos Barros, que parece terem sido escritos para que o que disse se perceba.

Que raio de tradições

Também os candidatos à Câmara de Lisboa desfilaram nas marchas populares, por enquanto, ainda só na de Santo António, "um senhor careca, de bata castanha, com um filho ao colo e um livro...", como disseram as criancinhas entrevistadas. Todos eles manifestaram a certeza de que com eles, a tradição mais genuína de Lisboa não acaba. É verdade que estes homens não são obrigados a saber um pouquinho de antropologia. Mas ficava-lhes bem, uma vez por outra, não se armarem em popularuchos de bairro, a falar a "voz do povo".