Mostrar mensagens com a etiqueta algarve. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta algarve. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, fevereiro 03, 2022

Água no Algarve

As televisões estão a passar recorrentemente o problema da falta de água no Algarve. Os dados mostram que a agricultura anda a beber a maior percentagem, e esta sabemos tem a ver com a exploração canibal das culturas de abacate. Sobre isso o presidente da AMAL nada disse. Quanto aos milhões para executar a dessalinizacao da água do mar - de que se fala há anos - quando temos experiências internacionais de décadas e mesmo experiência-piloto nas Berlengas, continuam a marinar nas contas bancárias. [postado no telemóvel]

quarta-feira, janeiro 12, 2022

O promontório de Sagres visto da praia da Mareta

Ao fundo a falésia, dito promontório, na linha do horizonte entre o céu e o mar oceano, no lugar de onde se diz terem partido caravelas e marinheiros, que sabemos ser apenas um mito da história pátria do estado novo, já desmontado por muitos dos historiadores que aprenderam a interpretar os factos à luz da Nova História, quando a cultura científica ainda vinha de França. Nestes dias, entre os blocos fragmentados dos calcários que o tempo ainda não fragmentou mais, e as águas frias e nuas, as areias esperam-nos ainda frias e finas, meses antes do verão.


 

segunda-feira, dezembro 06, 2021

O Algarve rendido ao turismo contagiante

O Algarve está nas ruas da amargura quanto a número de infeções por Covid19. A delegada regional de saúde, não querendo melindrar o monopólio do turismo, afirma com cuidado que o grande número de mobilidade relacionada com o fenómeno, que traz à região o dobro da população residente (de 500 mil habitantes para 1 milhão e 500 mil, na época alta) pode ser a grande causa do problema. Sei que muita gente depende da dita indústria, mas que é esta intensa entrada de turismo nacional e não nacional que promove e potencia os contactos e as infeções, isso é mais do que certo.

 

quarta-feira, julho 15, 2020

Silly Season no Algarve

Um dos exemplos que mostra a entrada da silly season no Algarve, é ver os homens carregarem as suas pochettes, de várias cores berrantes, carregadas de telemóveis e documentos, presas entre o polegar e o indicador, caminhando junto da maré, ao lado das suas companheiras de trajeto. Ao contrário do choradinho de empresários e capitalistas da região, secundado pelo lamento eleitoralista dos autarcas do Algarve, as praias, hoje, dia de início da quinzena mais silly das férias, encheram-se desta gente. Portanto, temos os cofres do capital a amealharem euros e os trabalhadores da hotelaria a aguardarem ainda, salários devidos de março.

domingo, julho 05, 2020

Praias desertas de ingleses no Algarve, mas com muitos lusos

A comunicação social - aquela que chega repetidamente às nossas casas, repetindo até à exaustão as mesmas palavras do teleponto - dá-nos a entender a desgraça da economia do turismo no Algarve, com os coitadinhos dos ingleses a ter que decidir entre vir até cá, com a sujeição de duas semanas de quarentena no Reino Unido, ou usar a Transportadora Ibéria até Espanha e viajar de carro alugado até às 'nossas praias'. Este meio é interessante, dado o capital britânico investido na transportadora do país vizinho, sem problemas com o Covid-19. A mim, dá-me gozo voltar a ter as praias quase só para mim, como nas outras estações menos silly, mas acontece que os banhistas nacionais sabem muito bem substituir os britânicos na ocupação desenfreada das areias, como se pode ver na imagem da Praia da Falésia, hoje pelas 11:30 h, nas arribas da Rocha Baixinha Poente-Nascente.

quarta-feira, maio 06, 2020

Uma imagem por dia 34

Ainda em maré de 'alfarrabismo', trago aqui alguns exemplares de guias que foram resguardados na minha biblioteca. Estes pequenos guias turísticos, sobre algumas das cidades e vilas do Algarve, propõem passeios e descanso naquilo que designam de «grandiosidade empolgante». Impressos a preto e branco, em formato A6 desdobrável em três laudas, não contêm data, mas presumo serem dos anos 1950. Apenas consta a referência aos desenhos de Manuela e às fotos de Beleza e Castelo Branco. No de Portimão, uma nota a lápis prova que me custou 50$00.

domingo, abril 26, 2020

Uma imagem por dia 24

Entre 1984 e 1988 vivi em Tavira. Foi lá, numa livraria junto do Rio Gilão, que comprei uma boa trintena de obras a preço baixo, antes do senhor Trindade fechar a sua velha livraria. Entre esses livros, dei hoje com a obra «Fronteiriços», primeiro romance do algarvio Vicente Campinas, escrito em 1947, mas só editado pelo autor em 1952, exatamente no dia 26 de abril. Por coincidência ou premonição a primeira parte intitula-se 'Domingo, dia de liberdade'. O livro é dedicado ao Ti Currito "contrabandista valente e honesto..." e alma das histórias de contrabando da raia do Guadiana. Para ilustrar a capa - que aqui nos interessa - Campinas escolheu outro dos grandes artistas do Algarve, Roberto Nobre, cineasta e um dos artistas plásticos mais importantes da 1ª metade do século XX, que ilustrou muitas capas de obras de Ferreira de Castro.

sábado, janeiro 04, 2020

Sagrado

Dias sem  vento, coisa estranha e inexplicável.  Aqui onde a terra acaba e o mar começa num canto da Europa que é a minha casa,  muitas vezes por ano.

segunda-feira, outubro 21, 2019

AMAL: para que serve?



Parece que o atual presidente da Câmara de Loulé vai candidatar-se à presidência da AMAL (Área Metropolitana do Algarve), agora que o seu ex-presidente rumou à Assembleia da República e parece que à Secretaria de Estado das Autarquias. 
É verdade que, há dias, ouvi o antigo presidente Jorge Botelho falar da dificuldade de instalar, de uma vez por todas, a Ciclovia do Algarve, uma via ciclável que conheço bem e sei do estado miserável em que se encontra. Ainda por cima sem aparentar sequer qualquer sensibilidade para a questão, como se fora alguém que nunca pisou os pedais de uma bicicleta. Se é para isto que serve a AMAL, vou ali e já volto...

terça-feira, outubro 30, 2018

Algarve, livre de petróleo?

 
O consórcio GALP/ENI desistiu da exploração do furo de petróleo no Algarve. Após várias ações de luta da Plataforma Algarve Livre de Petróleo, do descontentamento de autarcas e populações e da providência cautelar aceite no Tribunal Administrativo de Loulé, cessa mais um dos negócios de exploração de hidrocarbonetos no país. Acontece que a utilização de combustíveis fósseis continua a disparar, seja  pela industrialização crescente dos países emergentes, seja pelo uso descontrolado da mobilidade automóvel. Como dizia uma colega minha num pequeno debate performativo: «Estamos muito contentes e somos contra a exploração de petróleo no Algarve, mas ele continua a ser explorado e a servir-nos, vindo dos países explorados do terceiro-mundo». Meditemos pois, em tempos de recordar o que foi o internacionalismo das causas, e o que tem sido a prática nacionalista das mesmas.
Nota: Este tema merece ser acompanhado aqui.

domingo, setembro 30, 2018

Tangas e sungas

Foi a D que me chamou a atenção. Chegados a setembro, a praia enche-se de banhistas de tanga de piscina e sunga brasileira. Às vezes parecem cuecas, coloridas, às riscas verticais ou horizontais; quando são pretas enganam e disfarçam melhor. Talvez agosto, cheia de famílias e muitos bebes à beira da água, com a maré vazia, não deixe notar tanto o fenómeno. Ou talvez seja uma impressão crítica nossa que acha que a estética da praia impõe calção até ao joelho, com forro...Não, talvez seja apenas a constatação de um facto aleatório.

domingo, agosto 30, 2015

Cidade lacustre de Vilamoura: milhões de destruição



A 'velha' cidade lacustre de Vilamoura tinha caído por terra, sobretudo pelo impacte ambiental de destruição das dunas, praias e mar entre as Falésias de Vilamoura e de Albufeira. Os novos donos, o Fundo norte-americano Lone Star - mais expeditos e competentes do que os antigos patrões da Catalunya Banc, que já se sabe serem uns abeclas a fazer dinheiro - mudaram a paisagem, e agora em vez do mimetismo do Dubai teremos os lagos de Vilamoura. Os argumentos são dois: o primeiro foi para satisfazer os críticos do impacte ambiental ou os cidadãos e políticos que se opuseram à destruição da interface que resta naquela área. O outro é financeiro, claro. Sempre seriam 100 milhões de euros para infraestruturas. Mas o que irão os promotores fazer? Bom, 315 mil metros quadrados de construção, 1900 unidades residenciais e uma área hoteleira com 3600 camas. Uma área quase igual à que já lá está construída e a que eu fujo sempre (ver com olhos de ver, aqui). 
Para + informações vale a pena ler o Expresso/Economia de 29 agosto 2015.

quarta-feira, julho 29, 2015

O IKEA a criar empregos em Loulé

A avaliar pela campanha intermitente de marketing, o IKEA já deve ter criado 15 mil empregos na sua nova instalação junto do Parque das Cidades em Loulé/Faro (ler + no «sul informação»). Razão tinha eu, quando escrevi no «barlavento» que se tratava de um case study do capitalismo global (não há outro capitalismo!). Para não vos maçar mais com análises já feitas, deixo-vos aqui o que escrevi (ler+).

domingo, julho 26, 2015

Olha, golfinhos!


A costa do Algarve era o caminho habitual para a navegação do atum, do roaz corvineiro e de espécies semelhantes. As empresas capitalistas do século XVIII instalaram-se em tudo o que era baía e praia acessível, com as companhas das almadravas atuneiras sedimentadas nas areias e  nos arraiais durante meses a fio. O aquecimento das águas e a captura excessiva de atuns obrigou-os a correr a desova noutros mares e paragens. Por ora, avistam-se os golfinhos em grupos mais ou menos numerosos, à volta dos cardumes de carapau e sardinha ou juvenis de outras espécies, com os pais a ensinarem os filhos a pescar a safra diária. Em frente da costa algarvia, na península do Ancão, a espécie tem demonstrado a sua proximidade e afetividade a cada um de nós, por estes dias mais quentes de sueste (ver+).

quarta-feira, abril 01, 2015

Metoposaurus algarvensis


 

Sim, a boca dela parece uma sanita, capaz de engolir tudo, em disputa com crocodilos e outros anfíbios. A sua ossada foi descoberta aqui próximo, no concelho de Loulé (local desconhecido), num antigo lago de há alguns milhões de anos. A salamandra gigante (para os tamanhos que hoje conhecemos) vai permitir colocar o Algarve na rota da ciência paleontológica a nível mundial. Daí a designação de metoposaurus algarvensis, para a bela salamandra. Ver aqui a referência científica. E ler a notícia que dá o Observador.

quinta-feira, março 19, 2015

Zé Francisco, músico do mar do Algarve

O Zé já não me surpreende. Ao ouvir a Rua Fm, no caso o programa Socializar Por Aí (do curso de Educação Social), dei com o 1º álbum do Zé Francisco, velho amigo das lides musicais (Borda d'Água, Entre Aspas, Mare Nostrum, and so on), na sua velha veia de cantautor. O Zé escreve com a alma de pescador da borda dágua, cheio da maresia de Santa Luzia. Para além disso é um grande músico, que herdou as sabedorias dos lídimos instrumentistas do eixo entre Cabanas de Tavira e Fuzeta. O Zeca sabia-o bem.

quinta-feira, fevereiro 12, 2015

Homenagem a José Cavaco Vieira

A Federação do Folclore Português homenageou, no passado dia 8 de fevereiro, alguns dos mais lídimos representantes do folclore algarvio. O Grupo Folclórico de Alte, na pessoa do seu diretor Joaquim Figueiredo, solicitou-me um trabalho de homenagem a José Cavaco Vieira, fundador e diretor do GFA, falecido em 2002. O resultado foi um vídeo com imagens e texto em voz-off que pode ser lido abaixo:

Nasceu na aldeia de Alte, no concelho de Loulé, no ano de 1903.
No palco da sua juventude, representou as peças do Grupo Dramático Altense e nos concertos e serenatas ilustrou-se no violino e na guitarra portuguesa, no Grupo Musical Altense.
Quando rumou a Lisboa, decidiu tirar o curso de guarda-livros e aprendeu as línguas da correspondência internacional, o francês e o inglês, os saberes que permitiram o seu excecional trabalho profissional de mais de 30 anos, na Caixa de Crédito Agrícola de Alte.
De regresso à sua aldeia natal foi eleito para secretário da Junta de Freguesia e mais tarde para seu presidente, durante vários mandatos.
Quando em 1938, António Ferro e o Secretariado de Propaganda Nacional lançaram o Concurso da Aldeia Mais Portuguesa de Portugal, ele viu muito mais longe, do que um simples programa de recuperação dos valores etnográficos nacionais.
A sua capacidade organizativa levou a aldeia de Alte até à fase final do concurso, destacando a cultura tradicional como trampolim para a defesa da identidade cultural local e como uma forma educativa de participação social e empenhamento coletivo do povo da sua terra.
Nos anos 30 e 40 do século vinte, lançou as bases de uma etnografia popular,  baseada em princípios científicos sérios de recolha e de divulgação e dotou o Grupo Folclórico de Alte de uma visão educativa que facilitou a transmissão da aprendizagem da memória local.
Entre os anos quarenta e noventa do século passado escreveu mais de uma centena de crónicas, primeiro no Boletim Paroquial de Alte e depois no seu célebre Conversando, no jornal Ecos da Serra.
Nos seus momentos mais íntimos colocou em telas improvisadas, a pintura que lhe complementava a alma: a natureza agreste, mas benfazeja, as noites de reflexão à luz da lua, as casas brancas e o seu povo, que muito respeitava.
Da sua visão artística e ecológica nasceram também algumas obras, que amava muito pessoalmente: a escultura de pedra camoniana da Fonte Grande, e o Cristo de madeira que expõe em sua casa.
Até nas coisas mais simples da vida, ele foi sabedor. Respeitava a natureza, as árvores do seu quintal e as coloridas plantas da sua aldeia.
Todos os dias passeava junto à ribeira para ver se ela se mantinha livre e vívica como ele gostaria.
Cozia a sua fruta e tocava sempre o seu violino antes de dormir, lembrando a sua esposa.
Alguém lhe chamou o patriarca de Alte. Ele foi patriarca e matriarca, símbolo vivo e emblema, como lhe chamaram diversos amigos e concidadãos.
Ele foi alma e coração de Alte. Todos o ouviam com prazer e escutavam as suas palavras sabedoras e profundas sobre a vida.
Recordamo-lo à porta soalheira da sua casa das Valinhas, sentado a comer, deliciado, um cacho de uvas das suas parreiras.
Tinha acabado de tocar, no seu violino, “Tens a parreirinha à porta”, cansado do trabalho de gravação de um disco sobre a tradição musical de Loulé.
Era fim de tarde de setembro quando percorria, pausadamente, as sombras inclinadas das figueiras e alfarrobeiras, olhando o horizonte prenhe de luz e calor.
Acariciou as palhas secas, as uvas brancas e os figos carnudos da figueira onde se deixou fotografar, ao fim do dia, com o seu colete de linho alvo e o seu negro chapeirão.
Depois, disse, com a sua sabedoria: “Vamos para casa!”.
Morreu num dia de fevereiro de 2002, quando contava 98 anos de idade.
No centenário do seu nascimento, em 2003, uma comissão alargada de instituições e personalidades homenageou devidamente a pessoa que hoje aqui também lembramos com amizade: José Cavaco Vieira.

terça-feira, janeiro 06, 2015

Tempo de Avançar no Algarve


A candidatura cidadã avança no Algarve. No próximo sábado, dia 10, encontramo-nos todos e todas 
na Sociedade Os Artistas, em Faro.

segunda-feira, dezembro 29, 2014

Demolições na Ria Formosa. E depois?

[Foto de Rui Ochôa no Expresso]

Sim, começaram as demolições de casas nas ilhas e ilhotes da Ria Formosa. Há mais de 20 anos que os sucessivos governos apregoam as demolições de construções em regiões dunares nas ilhas barreira da costa central do Algarve. E por onde começaram as demolições? Pelos ilhotes do Ramalhete (que teve a presença dos sapatos e gravata do ministro da tutela) e pelo ilhote da Cobra, pequenos resíduos de areia nos esteiros da Ria. Agora é só esperar que as máquinas cheguem às ilhas do Farol e de Faro, onde estão as casas de muitos responsáveis políticos, ex-autarcas, ex-governadores, ex-presidentes. Então vamos ver!

quarta-feira, julho 30, 2014

Mexilhões com alecrim e pimentos


Depois de ter retirado as areias da praia do Tonel, as marés da invernia deste ano depositaram-nas no Beliche. Há dois invernos esta praia mostrava as rochas de que são feitas as suas costas e o estaminé de madeira tinha ido à vida. Dois anos depois a natureza troca as voltas a banhistas e apanhadores de marisco. Das rochas do lado direito da baía vieram dos melhores mexilhões que já comi, cozinhados no parque de campismo, com pimentos, caldo de carne e alecrim. À noite, foi a vez do arroz basmati fazer as honras de envolver gostosamente as vulvas que sobraram do almoço.