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quinta-feira, maio 19, 2022

Três degraus para o céu

Caminhando pelas veredas entre muros de pedra seca, aprendemos as técnicas ancestrais dos seus construtores. Apesar da modernidade do cimento e da tinta (infelizmente o uso da cal foi abandonado), o fazedor de muros não perdeu a oportunidade de deixar três pedras calcárias, sobrepujadas de forma oblíqua, que permitirão a qualquer um aceder ao cimo baixo do muro largo e branco da vereda.

 

quinta-feira, maio 05, 2022

JADE Algarve: uma marca indelével numa micro-estória

Há 35 anos atrás um conjunto de jovens, selecionado no Algarve, iniciava a primeira experiência de formação à la carte, conceito que muito deve ao filósofo da educação Guy Le Boterf, num programa nacional designado Jovens Agentes de Desenvolvimento em Regiões de Emigração, com o acrónimo JADE. Para além do Algarve, também as regiões de planeamento Centro (Coimbra) e Norte (Porto), a cargo das suas próprias Comissões de Coordenação, selecionaram jovens até aos 30 anos de idade que, durante três anos, desenvolveram um regime de formação em alternância, com aulas em sala, visitas ao terreno, trabalho de campo e projetos de desenvolvimento local. No caso do Algarve, que é o que aqui me interessa (até porque a história do Jade tem muitas outras ramificações que não cabem neste pequeno hectare), o grupo construiu entre si um novelo de interações e de afinidades eletivas, algumas delas vindas de trás, dos movimentos associativos – os mais velhos – ou desenvolveu posteriormente histórias de trabalho e de vivência que se reforçaram no campo da profissão, da política, do lazer, que até hoje perdura. Claro que os almoços, os encontros, as fotografias, as boutades, contribuíram para tal. Mas foram aqueles meses, entre maio de 1987 e fevereiro de 1990, que deixaram a marca indelével.  

(na foto o grupo do Algarve, com formandos e tutores, no pátio do Grande Hotel de Caldelas/Amares para o 1º Encontro Nacional do JADE e, diga-se, no qual o Algarve deu cartas).

domingo, novembro 14, 2021

Um pouco de história jacobina

Quase sempre escrevemos sobre as memórias. Elas são tão enraizadas que nos permitem elaborar pensamento interpretativo sobre determinados acontecimentos. Quem havia de dizer que Rui Bebiano, a propósito da observação de uma velha tia-avó a rasgar cartazes do PS em 1976, pudesse escrever o resumo de uma pequena lição de história sobre jacobitas, jacobeus e jacobinos. A elogiar, portanto.

domingo, agosto 08, 2021

A Revolução e a Hotelaria caseira

Loulé é um jornal de promoção do executivo da Câmara de Loulé. Cada partido no poder tem, nas suas mãos, a oportunidade de o manter e a imprensa – aparelho ideológico por excelência, ainda por cima de borla – é um meio de manipulação política usado por quem sabe. No seu último número (4/julho 21) o destaque vai para a entrevista a João Soares, diretor do Hotel Dom José, de Quarteira. A certa altura o entrevistado conta a sua história empresarial e reafirma o mito da desgraça do PREC: «Durante o período da revolução, em que a hotelaria ficou completamente parada, passamos por dificuldades» (p. 15). Ora, não só a teoria o desmente, como também o método empírico. Acontece que nessa altura, entre 1978-1980, trabalhei na contabilidade do hotel vizinho, o Quarteira-Sol, que mesmo com as reivindicações justas dos  trabalhadores, conseguiu ser um exemplo para outros capitalistas. Como delegado sindical, e candidato ao Sindicato da Hotelaria, pude testemunhar a dinâmica de outros empreendimentos, casos do Hotel Dona Filipa ou da Aldeia do Mar, entre tantos. Culpar a  revolução pela desgraça da gestão do hotel Dom José não é de bom tom e indica uma reescrita perigosa da história.

 

quarta-feira, julho 07, 2021

Tradições inventadas e manipuladas

Vale a pena ler, apesar de andarmos sempre a bater em pedra dura, o que escreve o historiador Rui Bebiano, a propósito da manipulação do conceito de ‘tradição’, usado por políticos conservadores, ou por ignorantes responsáveis ou ingénuos. Bebiano dá o exemplo das chamadas ‘tradições académicas’ e eu poderia dar o exemplo da ‘aldeia mais portuguesa de Portugal’, em que Alte/Loulé, é afirmada como sendo a 2ª ou a 3ª mais portuguesa, do célebre concurso do Estado Novo de 1938. Na verdade, Alte nem sequer foi à final e a história mostra que ficou na fase das melhores seis.

domingo, abril 25, 2021

25 de Abril de 2021

                                           

              À sombra de uma azinheira, que já não sabia a idade...

 

quarta-feira, abril 21, 2021

Arquivo Municipal de Loulé Joaquim Romero Magalhães

A Câmara de Loulé atribuiu o nome do investigador e professor louletano Joaquim Romero Magalhães ao Arquivo Municipal de Loulé. Fecha-se assim um ciclo de homenagens ao distinto investigador, a quem dediquei o meu último artigo publicado na revista al-ulià (nº 22, 2020), sobre histórias de resistência popular no Algarve. Dele, li com prazer os livros sobre o Algarve económico dos séculos XVI-XVIII, recordando-me do seu pai Joaquim Magalhães, com quem privei muito em Faro, nas lides culturais.

segunda-feira, fevereiro 08, 2021

No depósito do Arquivo Municipal

O projeto do Arquivo Municipal de Loulé (AML), intitulado No Depósito do Arquivo Municipal, no qual colaborei com um texto sobre as comemorações do 1º de maio de 1964, em Alte, pode ser encontrado no site do AML, em Área Cultural/Notas de Estudo. Também se mantém, aqui ao lado, na minha secção ‘Leituras online’.