domingo, outubro 30, 2011
segunda-feira, outubro 24, 2011
Catálogo da criatividade anti-austera
terça-feira, outubro 18, 2011
Uma petição popularmente participada
Mesmo com a ameaça da dita 'inevitabilidade', afirmada pelos autarcas e responsáveis algarvios, que passivos e de braços cruzados esperam a queda no precipício da economia do Algarve, o que é certo é que os utentes da Via já ganharam muitos meses de não cobrança: desde 15 de outubro de 2010, quando se iniciou a cobrança das scut já portajadas; desde 15 de abril deste ano, ainda no governo PS; desde todas as datas que governo e media lançam sistematicamente como isca para os algarvios.
Por isso, a presença do maior número de utentes na AR, na 6ª feira dia 28 de outubro, é decisiva como forma de mostrar a deputados e governo que os algarvios não se calam, como aliás sempre fizeram perante as ditaduras da capital, do reino, de Salazar e da democracia totalitária dos nossos dias.
Amigos e Utentes do Algarve. A petição n.º 125, "Contra a introdução de portagens na Via do Infante", subscrita por 13.389 cidadãos, irá ser discutida no próximo dia 28 de Outubro, sexta-feira, em sessão plenária da Assembleia da República. Será mais uma oportunidade para exigir ao Governo que desista de introduzir portagens na Via do Infante. As entidades promotores estão a organizar uma viagem a Lisboa no sentido dos Utentes estarem presentes e assistirem ao que será discutido e protestar junto da assembleia da República e palácio de São Bento. Temos um autocarro com lugar para 50 pessoas. Partidas Faro - Garagem da Rodoviária 6h. Albufeira - Vale Paraíso 6.30h. Regresso 18h. Reservas - 934126705, 963172608, 913017881. Partilhem sff.
Obrigado.
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sexta-feira, outubro 07, 2011
domingo, agosto 14, 2011
segunda-feira, agosto 08, 2011
Conto
O e-scravo subversivo
[5]
A água do rio estava tépida, vinte graus de temperatura era pouco para um verão quente, mas talvez fossem as águas frias da serra que ainda desciam pelos calcários do barrocal. Próximo da foz do rio, de certeza que a água convidaria a um banho de mar, como aqueles que, com as suas amigas de infância, dava nas pedras, os blocos de protecção da costa urbanizada da estância balnear, que a burguesia romântica da cidade acrescentara ao seu já farto lazer de todos os dias. Fora uma escolha indefinida que a tinha trazido de volta ao bairro. Não, não era nenhuma saudade, em que não acreditava, mas talvez o pagamento de uma dívida social que não queria deixar morrer. Fora aquela gente que tratara da sua mãe, amparando-a na desgraça e na insídia. Sabia que, quando chegasse, os seus passos a levariam primeiro às areias que agora acariciava, e depois ao pátio de entrada da fábrica, onde estava o escritório do pai do Dulcério, o mestre que ditava, há muitos anos, o horário e o esforço impiedosos das mulheres, homens e adolescentes do bairro. Por isso, não tinha respondido aos agravos do mestre. Sabia que a fábrica estava sem mestra, a mulher que geria, sob as ordens do chefe de fabrico, o trabalho de todas as mulheres, manipuladoras, azeitadeiras, visitadeiras, batedeiras, e outras designações do mesmo grupo de trabalho. Mesmo que ele o sugerisse, sem a conhecer de lado nenhum, ela recusaria. Também a sua mãe, escudando-se numa falta de jeito em que ninguém acreditava, se tinha esquivado a exercer um mando que considerava desfavorável para com as suas velhas amigas, adolescentes de vestidos compridos e de cabelos frisados.
Naquela manhã, tinha preferido comer apenas uma sandes de queijo fresco de cabra, coberto com uma pequena folha de manjericão, que colhera de um vaso do seu quintal minúsculo. Sabia que algo iria acontecer. Um acontecimento que talvez mudasse a sua vida para sempre. Depois de tantas mudanças nas suas relações profissionais e sociais, estava agora na iminência de uma viragem decisiva da sua história. Descontente com aquele controlo desmedido, e estúpido, sobre o horário de entradas e saídas da fábrica, marcado pela ditadura da sirene da caldeira a vapor do século vinte, tinha proposto o aproveitamento do e-scravo, um moderno gadget que o governo tinha vendido a toda a população, em troca de um dia de salário para a nação. Aquela coisa servia para tudo. Para perguntar a toda a gente onde estava, marcar a hora do cabeleireiro, copiar nos testes da e-escola, ouvir os hinos da república e das claques de futebol, filmar os professores a tirar macacos do nariz. Mas também era arma de vigilância nas casas de banho das empresas, proto-industriais ou de inovação, conselheiro contábil para debitar avisos sobre datas de pagamento dos impostos, indicador do dia de início do período menstrual, ou banco de estatísticas do número de hamburgueres comidos no dia anterior. Por que razão não serviria também para avisar os homens e as mulheres daquela fábrica, da sua hora de entrada e de saída?
domingo, julho 31, 2011
Enrique Vila-Matas



