quinta-feira, agosto 25, 2005

Causas estruturais dos fogos

Agora toda a gente anda a descobrir a pólvora: o problema dos incêndios não se resolve com mais meios e melhores prevenções. Finalmente as causas do problema são equacionadas pelo presidente da república e pelo governo. Até os jornais começam a aceitar que a floresta precisa ser reordenada, talvez até mesmo repensada se necessitamos dela ou não. Sem atacarmos as causas estruturais - que passam por plantar floresta, com as espécies adequadas e descontinuada de regadio e sequeiro, limpa e ordenada - não se resolverá nunca os incêndios e o país continuará a plantar combustível para queimar bens e vidas. Mas perante isto, a direita já vem bradar que o estado tem medo e está sem soluções. Este é um conflito permanente entre esquerda e direita. A direita pretende atacar as consequências com meios e vidas. A esquerda pretende atacar as causas, poupando bens e vidas. É uma grande diferença que há muito vimos defendendo, sobre este e outros problemas sociais.

3 comentários:

francisco ricardo disse...

Tenho lido com muito interesse posts e artigos seus, subordinados a este temática. Acho que o seu dignóstico está certo. Acrescentaria só, agora, o que o HR escreveu há tempos, cito de memória, "uma das causas é a desertificação do espaço rural", espaço ocupado hoje por uma população envelheciada, filhos na emgração, netos nas escolas e cidades.
Mais difícil será a terapia. Julgo que nada mais há a fazer à área não ardida, senão a prevenção, a abertura de caminhos, aquisição de eficazes meios aéreos para o combate eficaz.. Tarefa enorme, mas...a propósito de "combate", para que queremos nós uma Força Aérea que não voa,utilmente, um Exército aquartelado, uma Marinha de fragatas sofisticadas? Para combater o inimigo no Iraque e no Afeganistão, deixando livre o inimigo que arde florestas, casas, ameaça cidades, desfigura populações? Seria este um verdadeiro e útil serviço militar: defender o país da maior ameaça que sobre ele paira agora.

francisco ricardo disse...

( continuação). Quanto à área ardida, é preciso uma reflorestação equilibrada , como disse,descontinuada, sazonalmente linpa e "aparada". Quem a fará? Por certo não será o proprietário idoso, reformado, pensionista.Sem usurpação da propriedade, sem a sua nacionalização, sem exproprieções, porque não o Exército e um novo conceito de serviço militar, esse, sim, útil ao país, a reflorestar, a deascontinuar sequeiro, regadio e floresta,numa ideia de que, ajudando o proprietário incapaz, se está a fazer uma país organizado.

Anónimo disse...

E por cá não ardeu mais, porque simplesmente não há mais para arder. Na terrivel semana dos fogos aqui por Alte 2 anos atras, nos dias que se seguiram, a farmácia vendeu mais tranquilizantes e anti-depressivos que durante 19 anos da sua existencia, tal o terror que populações sofrem com este flagelo anual. Há que ter coragem e fazer alguma coisa e não resumir isto ao ser de esquerda ou direita.

José Canelas
www.folhadalte.com