segunda-feira, dezembro 31, 2007

Best of: música de 2007 [the end]

O vídeo:



Katie Melua, Picture, 2007.


Não é preciso explicação pois não?

domingo, dezembro 30, 2007

Best of: media de 2007


O jornal Público nasceu no 2º semestre de 2007, em Espanha (Madrid). Começou na rede, a partir de colaborações espalhadas pelo país, sobretudo na Andaluzia e na Catalunha. Rápido ganhou o carinho e a participação dos leitores, principais pilares do jornal. Hoje, está disponível também em papel, ao preço de 50 cêntimos na sua edição diária, já que em linha não se pode falar de uma regularidade clássica, como se sabe: as notícias não se compadecem com intermitências de 24h e o Público soube entender a diferença. Engraçado, que um dos leitores do jornal do dia 21/12 tenha dito: “No me gustó que sea en papel y de pago”.

O jornal conta com excelentes colunistas e comentadores, para além de se preocupar com áreas sociais que, em geral, os periódicos não ligam. Mesmo falando de Espanha, que conta com um dos melhores diários do mundo, o El País, como todos sabem.

Benazir ao espelho

A morte de Benazir Bhutto desencadeou uma onda de protesto e de violência no Paquistão e um carinho por todo o mundo democrático. Mas convém não alardear muito, pois o Paquistão é um país culturalmente muito complexo e politicamente muito incerto. O ponto de vista ocidental cai, com facilidade, no etnocentrismo de análise e não percebe vários aspectos:

1. Tal como os restantes partidos, o PPP (Partido do Povo do Paquistão) é pertença da família Bhutto há muito tempo, e funciona com sucessões dinásticas; veja-se como a presidência foi entregue ao filho primogénito de Benazir (19 anos) que, sendo jovem e indo estudar para o Ocidente, deixa a gestão corrente nas mãos do pai, há tempo afastado da mãe.

2. A pretensa responsabilidade do presidente paquistanês no atentado também é de acautelar, sobretudo quando se conhecem as históricas redes de compadrio, o exacerbado familismo e os conúbios entre hierarquias militares, grupos fundamentalistas e organizações criminosas, a nível internacional. Complexidade não falta no país. Pede-se complexidade na análise, também.

3. Para conhecer melhor o assunto, entre muitas outras possibilidades, ver o post de Miguel Portas, A incomparável assassinada.

4. Indispensável, é o ensaio de Christopher Hitchens, colunista da revista Vanity Fair e da Slate Magazine. Nesta última publicou uma análise muito conhecedora e acutilante sobre o caso, transcrita no El País de ontem. O artigo intitula-se “Una hija del destino”. Deixo um extracto, traduzido por mim:

Nem o mais severo crítico de Benazir Bhutto seria capaz de negar que possuía um valor físico extraordinário. (...) Resulta grotesco, desde logo, que o assassinato se tenha produzido em Rawalpindi, a cidade onde vive entrincheirada a classe militar dirigente do país. (...) Mas custa fazer uma análise cui bono cuja conclusão seja que o general Perez Musharraf, o presidente actual, seja o beneficiário de sua morte. A culpa é provavelmente do eixo Al Qaeda/Talibãs, talvez com alguma ajuda de seus numerosos simpatizantes encobertos e não tão encobertos no organismo inter-serviços das forças de inteligência paquistanesas.

Contrafacção cultural

O consumismo cultural tem destas coisas. São conhecidas as imagens simbólicas dos magotes de turistas japoneses, deslocando-se sem pisar o chão (são tantos e tão apertados que a sua deslocação é feita pelo suporte dos corpos dos mais altos), nas salas do Museu do Louvre, em Paris.

Oiçam esta agora: o Museu de Hamburgo fechou as suas portas depois de ter verificado que a sua exposição “O Poder da Morte” era composta por guerreiros Xian de terracota falsificados, e não obras construídas dois séculos antes de cristo. Os 10.000 visitantes da exposição podem receber o dinheiro das entradas de volta, por terem visto oito guerreiros de terracota, com dimensões, materiais e técnicas da altura da dinastia Qin. Só que não são os originais. E então, qual é o problema da contrafacção cultural?

sábado, dezembro 29, 2007

Ler em zapping

Uma das conclusões do estudo abaixo referido, é a de que cada vez mais se lê ao ritmo e de acordo com a metodologia do zapping. Sobretudo as crianças e os adolescentes, gente criada ao ritmo dos jogos de vídeo e da leitura em diagonal. Assim, a tecnologia tanto pode ser um estímulo e uma ferramenta para quem tem competências de leitura, como, ao invés, um obstáculo que convida os maus leitores a ler cada vez menos. Alberto Manguel, ensaísta argentino e autor do livro “Uma História da Leitura” defende a preparação do leitor e não o desejo de muitos facilitistas: simplesmente infantilizar os textos para que possam ser lidos sem esforço.

Best of: tecnologia de 2007

1. Em 2007, o portal português Sapo arrastou para as suas hostes muitos blogues. Quer por estímulo, quer por convite directo, a plataforma conquistou muitos adeptos da blogosfera, disputando com o Blogger um estatuto de primazia em Portugal. Isto lembra-me que foi nos blogues do Sapo que iniciei as minhas lides nestes terrenos.

2. O ano de 2007 também foi o ano dos podcasts. Eu viciei-me neles, pelo simples facto de que posso gerir o meu tempo a bel-prazer. E como eu gosto de ouvir rádio!

Ai Portugal, Portugal...

O El País traz um estudo indicativo do índice de leitura infantil que interessa comentar. Tomando como base o índice 300 e considerando a média em 500, vê-se o posicionamento dos países acima e abaixo da média. Lá por cima estão Rússia, Hong-Kong, Canadá, Singapura, etc. Acima da média, ainda aparecem Espanha (513), França (522), Dinamarca (546) e por aí. Abaixo da média, Noruega (498), Irão (428), Indonésia (425), Marrocos (323) e por aí. Portugal não aparece, até ao 45º lugar e, como não tenho tempo, nem o vou procurar.