terça-feira, setembro 22, 2020

Peneireiro vulgar em Sagres

Sim, é verdade que o cume aqui só apresenta um céu azul grego, o que não espanta, pois esta é a Finisterra. Mas é também o local onde um bando de peneireiros vulgares vogava ao sabor do vento norte, como a navegação à bolina de Corto Maltese. No dia anterior, pelo menos 7 casais desafiavam a forte aragem da manhã.
 

domingo, setembro 20, 2020

Portimão, Estremal e o 'comboio parado'

                                                          (publicada no jornal Barlavento)

Ao dar a habitual vista de olhos pela imprensa regional, que destaco no meu blog, dei com o título "comboio parado" no jornal de Portimão - «barlavento» - e isso trouxe-me à memória a chamada classificação do outro sobre o bairro onde nasci. O artigo de opinião de Ricardo Camacho, arquiteto (não conheço, pelo menos não me diz nada), também me cita, sobre temas do bairro que já abordei em vários locais (jornais, blog...), mas não me recordo da totalidade de referências que o autor arrola. Como é assunto do tema da minha tese de doutoramento, talvez tenha respirado alguma coisa por essa via. De qualquer modo, apesar de misturar vários assuntos e cruzar apressadamente as fontes, vale a pena ler o artigo neste link.
 

sexta-feira, setembro 18, 2020

Louis-Ferdinand Céline

Esta capa limpa não é a do meu livro; a minha está bem usada e sem películas e carregada de bagos de areia. A obra está comigo desde 2 de dezembro de 1983, quando ainda assinava com os dois nomes pegados e com maiúsculas no H e no R. Tempos de crise e de rutura, quando abandonei a ortodoxia leninista e dediquei-me a pensar como um neo-marxista. Herman Hesse, tem grandes culpas no cartório, sobretudo com as obras de autonomia do rebanho, «Siddharta» e «O Lobo das Estepes» (este, nome do blog dos meus arquivos). Mas a música tradicional e a pop portuguesa, as artes plásticas, as viagens imaginárias e a descoberta da natureza selvagem, deram alguns empurrões. Este é um livro desse tempo, comprado para exorcizar os fantasmas do anti-semitismo e da apologia do nacional-socialismo, de que Céline foi acusado e bem. Mas, para o peditório da sobreposição entre artista e arte, já dei o que tinha a dar. Viagem ao Fim da Noite foi prémio Goncourt em 1932, quando foi editado, mas Céline não se escaparia dos seus textos panfletários, «Bagattelles pour un massacre», de 1937, dois anos antes da guerra, que criou a resistência francesa e as acusações ao médico da periferia e escritor por acaso. Nas palavras do seu magnífico tradutor, que é Aníbal Fernandes, lemos, no prefácio a outra obra:

O espanto que as fortes personalidades provocam anda sempre de mistura com a surpresa indignada. Houve quem decidisse difícil de engolir tanto talento, ainda por cima chegado por caminho lateral às letras, ainda por cima a passar sobre cadáveres repentinos de escrita encartada, a deixar velha - e velha de vez - a sintaxe de bom-senso da 'boa' literatura francesa.

 

Zivkovic

Aqui, com a camisola da Sérvia, Zivkovic o carrasco do Benfica na disputa pela liga milionária com o Paok. Ele foi dispensado e, na verdade, como a vingança se serve fria, foi o autor do golo que eliminou e correu com o clube da Luz para a liga dos suplentes da Europa. Copiando a falsa modéstia da tradição, o jogador não comemorou e parece que até pediu desculpa. Quem o devia ter feito era o gabarola do Jesus, que inchou com o período do Brasil, numa equipa ganhadora num país que é uma miragem do futebol que exibia há anos.

 

quarta-feira, setembro 16, 2020

Edital da casa: Celine e Ana Gomes

Tudo muito calmo por aqui, tal como nesta manhã de agosto, muito cedo no Esteiro dos Azeites na península do Ancão. Entretanto, muitas leituras, dos clássicos da banda desenhada como «Maus», até aos clássicos imperdíveis das leituras de uma vida, como «Viagem ao Fim da Noite». Falarei deles um dia destes. Também por estes dias, comprovou-se que o medo e a arrogância dos cuidadores da pandemia afinal são ideológicos, que preferem Fátima ao Avante e que o PS apoia mesmo Marcelo contra a sua militante indesejada, Ana Gomes. Em breve escrevinharei sobre o tema. Até logo!

sexta-feira, setembro 04, 2020

MemóriaMedia, e-museu do Património Cultural Imaterial

A propósito do post abaixo, sobre o projeto da Casa da Cultura de Loulé de registo de testemunhos vídeo sobre o período dos Quinze Anos de várias gerações, gostaria de destacar aqui um dos projetos mais interessantes sobre a memória cultural do país, um verdadeiro e completo inventário do património cultural imaterial, gerido pela cooperativa Memória Imaterial e enquadrado cientificamente pelo IELT-Instituto de Estudos de Literatura e Tradição, com quem em tempos colaborei e onde em breve depositarei algum do meu acervo. Para saber + clicar na imagem em destaque no sidebar.

Desta vez, os meus quinze anos!

O projeto da Casa da Cultura de Loulé (CCL), intitulado Os Meus Quinze Anos, de que já falei aqui, pretende registar testemunhos de gerações diversas sobre os períodos decisivos das adolescências, em contextos sociais e políticos diferentes. A CCL já disponibilizou mais registos, entre os quais o meu. Podem ser vistos no site da associação.