quarta-feira, maio 13, 2020

O 13 de maio em Fátima

Pela primeira vez desde 1917, a Igreja Católica se submeteu ao Estado, cancelando as peregrinações dos crentes à Cova da Iria. Talvez não! Durante a 1ª República e sobretudo no Estado Novo, a Igreja sempre teve a indiferença primeiro e o estímulo depois, dos vários governos de Salazar e de Cerejeira, para consolidar e alargar o dogma das chamadas aparições. Fátima foi a maior construção católica inventada pelo poder da Igreja, como forma de restabelecer padrões de conservadorismo, atraso secular e subdesenvolvimento em Portugal. Se acrescermos a data de 1917, se percebe como a revolução bolchevique obrigou a igreja de Leiria/Fátima a acelerar o culto.
O livro acima é uma obra de leitura obrigatória, uma tese para os ignorantes e para os não sabedores, que mostra como Fátima se tornou um aparelho ideológico fundamental para o fascismo e também para a democracia.
Antes, muito antes, já tinha lido o célebre «Fátima Desmascarada» de João Ilharco que, sem rebuço, dizia em 1971 (Coimbra, 2ª edição do autor):
O sobrenatural de Fátima foi obra de um pequeno grupo de eclesiásticos, inteligentes e ousados, que tinham contra o regime republicano, implantado em 1910, grandes ressentimentos...(do preâmbulo)
Claro que já li também a obra pouco canónica de Fina D'Armada, «Fátima, O Que Se Passou Em 1917?», tese inscrita na ideia de aparições extra-terrestres, que tem sido muito desenvolvida pelo especialista da área Joaquim Fernandes. E ainda o grande manifesto, e desabafo, do padre da Lixa, Mário de Oliveira, «Fátima Nunca Mais», que num dos capítulos intitula mesmo: "Coloco este livro nas mãos de Maria, a mãe de Jesus, contra a senhora de Fátima" (Campo das Letras, 2000).
A língua portuguesa, a língua toda ela, não é só para comemorar num dia qualquer!

Nota: O livro de Fina D' Armada emprestei-o a um amigo para a sua tese de licenciatura e perdeu-se...
 

terça-feira, maio 12, 2020

Uma imagem por dia 40 e última (quaranta)

Terminam hoje os quaranta (quarenta) dias das imagens diárias, em homenagem à quarentena das embarcações que aguardavam ao largo de Veneza, antes de desembarcarem pessoas e bens nos portos e abrigos, e não, como se esperava, a minha quarentena que pouco ou nada alterou no quotidiano de vida.
Continuamos aqui, também com imagens quando for o caso.

Filmes gratuitos na Medeia

Mais uma semana de excelentes filmes no site da Medeia. Esta semana, a partir de hoje Melancholia, de Lars Von Trier, a partir de quinta Segredos e Mentiras de Mike Leigh, e a partir de sábado Minha Mãe de Nanni Moretti. E na próxima semana, algo nunca visto: três filmes do maior realizador japonês e um dos maiores do mundo - Yasujiro Ozu.
O filme de Von Trier vi-o há pouco, e na verdade é uma bela homenagem a Stanley Kubrick e à obra prima 2001, Odisseia no Espaço, com uma beleza estética dirigida pelo chileno-dinamarquês Manuel Alberto Claro, música de Richard Wagner e a enigmática Kirsten Dunst.

segunda-feira, maio 11, 2020

Uma imagem por dia 39

Todos os Natais, a veia subversiva do artista plástico Daniel Vieira assola o Roteiro de Presépios da aldeia de Alte, como uma forma de análise crítica do mundo. Usando materiais reciclados e trabalhando em partilha com amigos e curiosos, no contexto de um ritmo lento de passos e mãos, mas tão urgente na criação mental, o Daniel é sempre o último a colocar o seu trabalho à vista dos que o esperam.

Mestiçagem de ariano



A navegação à vista leva-nos sempre a paragens insólitas. Não é no mar mas é na web. Procurando perceber as formas de comunicação atuais, sobretudo as usadas pelos artistas plásticos, fui dar aos vídeos didáticos de Ariano Suassuna, nome desconhecido até verificar a autoria de uma das grandes obras do nordestino brasileiro - «Auto da Compadecida» (clicar sobre o nome do autor). Os dotes de contador de histórias é impagável, usando a linguagem popular e a imitação de pormenores linguísticos, que são uma defesa da língua, extraordinária. O trabalho conhecido de mestiçagem entre as culturas mestiças do Brasil, plasmadas em danças e músicas, são um bom exemplo.

domingo, maio 10, 2020

Uma imagem por dia 38

'Homem das colheres', foi o nome que dei à pasta onde guardei fotos e notas de campo, da recolha esporádica que fiz junto deste artesão das Azenhas do Mar, ali escondido entre as praias conhecidas da Amoreira e do Carvalhal, claro que perto de outras que aqui não revelo. Artífice de belas colheres de madeira, na altura ainda compradas por visitantes e pelo famoso restaurante do local, onde as enormes filas nunca me permitiram comer, pela pouca paciência para esperas.

sábado, maio 09, 2020

Uma imagem por dia 37

Fel da Terra (Centaurium erythraea) aqui em flor soberba, em plena primavera. Tenho-as secas e esfareladas, num frasco de vidro, sempre à espera do chá para dominar irritabilidades pandémicas e promover sonos temperados.