domingo, janeiro 16, 2022

Chaminés do Algarve

A casa ainda resiste, agora selada e protegida de cimento pintado de branco. Não é a cal respiradora, e branca também, mas a sua brancura permite destacar a chaminé decorada e altiva projetada contra o céu, ainda muito azul.

 

sábado, janeiro 15, 2022

Chicão e as citações do neoliberal Ronald Reagan

Não se pede que o jovem dirigente do CDS Francisco, traga para os debates Noam Chomsky, Pierre Bourdieu, ou mesmo Raymond Aron ou Francis Fukuyama. Não! Ele parece só ter lido o conservador e piloto do neoliberalismo Ronald Reagan, que antes de ser presidente dos EUA foi ator mediano, muito mediano. Contra a esquerda, Chicão arremessa um conjunto de citações anti-comunistas de Reagan, já useiras e vezeiras, mas que não deixam de ter alguma piada. Tanto como a piada parva, que quis mostrar como brincadeira - aquela de Rui Rio sobre a votação em mobilidade. 

quinta-feira, janeiro 13, 2022

A diarreia da comunicação social antes do debate do centrão

Hoje, sabemos do papel dos media na construção política e ideológica das sociedades. Mas quando esse papel raia a diarreia de horas e horas a fio de emissões em todos os canais de televisão, ouvindo a vox populi e todos os comentadores (alguns deles saídos debaixo de uma pedra), gasta-se a paciência antes do debate entre os lideres dos partidos do centrão. O objetivo, então, parece ser o de construir uma solução governativa através da comunicação social, ao arrepio do voto popular.

quarta-feira, janeiro 12, 2022

O promontório de Sagres visto da praia da Mareta

Ao fundo a falésia, dito promontório, na linha do horizonte entre o céu e o mar oceano, no lugar de onde se diz terem partido caravelas e marinheiros, que sabemos ser apenas um mito da história pátria do estado novo, já desmontado por muitos dos historiadores que aprenderam a interpretar os factos à luz da Nova História, quando a cultura científica ainda vinha de França. Nestes dias, entre os blocos fragmentados dos calcários que o tempo ainda não fragmentou mais, e as águas frias e nuas, as areias esperam-nos ainda frias e finas, meses antes do verão.


 

terça-feira, janeiro 04, 2022

Posts da espuma dos dias

Ainda longe destes escritos por aqui no blog, tempos de arrumação de ideias e de práticas, olho as notas que fui tirando, na espuma dos dias, para a «Agenda do professor 2021-2022»: i) A publicação da legislação que consagra o ‘barranquenho’ como outra das línguas de Portugal, para além do mirandês, oportunidade para perceber que já chega de patrimonialização das memórias culturais, e que o que é necessário é a prática e o desenvolvimento dessa língua; parece ser esse o espírito da coisa, mas vamos ver. ii) Um filme sobre o célebre «Jornal do Fundão», que eu lia, à socapa da censura, nos tempos livres da escola em Portimão, nas salas do Boa-Esperança, sociedade recreativa da resistência; o filme de Miguel Costa (Jornal do Fundão. O sonho e as causas, 2021, RTP2) conta, num preto e branco bem contrastado, a ideia inverosímil de António Paulouro de fundar um jornal nas Beiras, que assustou a censura e marcou um momentum cultural decisivo no interior abandonado do portugal salazarento. iii) Na crónica de Gonçalo M. Tavares, na revista do «Expresso», ficamos a conhecer o povo Latuka, do Sudão, que nomeava os meses do ano com a designação das suas práticas agrícolas e culturais: outubro era ‘sol’, fevereiro ‘cavai’ e julho ‘erva seca’; nas minhas recolhas de literatura oral, nos idos da década de 1980, nas aldeias, montes e sítios algarvios, recordo nomeações denotativas semelhantes, caso de junho como ‘tempo da ceifa’ (Aljezur) ou novembro, ‘tempo da ervilha’ (Algôs). iv) Finalmente, parece que o vice-almirante se calou de vez, com o cargo na armada; já ninguém tem paciência para ouvir militares armados em sebastianistas, quer seja de botas cardadas e pingalim, quer seja de branco alvo. Por favor, leiam António José Saraiva e Vicente Jorge Silva, a cascar nos militares e, já agora, também no ‘povo’ que os segue como carneirada.