Para os media, há uma grande surpresa nos contratos leoninos com as parcerias público-privado no setor das águas. Claro que os media reproduzem, muito a posteriori, o que os pensadores alertam. Neste caso também se sabia que os contratos de atribuição da distribuição da água de consumo aos capitais privados só tinha um desiderato: encher os bolsos dos privados amigos das autarquias e dos governos. Os privados ganharam percentagens acima dos 15% e as autarquias ficaram com os riscos, por exemplo o facto de o consumo naturalmente diminuir com o aumento do preço da água. Quando defendemos a recusa de privatização da água de consumo, é também isto que queremos dizer.
terça-feira, março 04, 2014
Um país que recupera o capital explorador
A crónica de Vitor Malheiros, como é habitual, desmonta o significado da campanha do PSD sobre o estado de 'desenvolvimento e crescimento' de Portugal, na verdade a recuperação do capital e a destruição da classe média e da juventude:
O que Luís Montenegro quis dizer foi que "A vida do povo não está melhor, mas a vida da oligarquia que manda no país está muito melhor". Foi por isso que se congratulou. Porque ele faz parte dela (ler aqui).
domingo, março 02, 2014
Carnaval de Loulé
Se há um padrão nas festividades de carnaval deste ano, é o da tristeza. Os desfiles, quer sejam de samba ou de santos populares de junho, são uma demonstração do frete que é andar no corso, transformado há muito tempo em espetáculo de inverno pago para assistir. E o problema não é da austeridade, da crise ou da depressão gripal deste ano. É a morte do carnaval dito civilizado (o paradoxo mais evidente da sua morte), que destronou o entrudo como tempo de exorcização dos tempos negros do inverno e da espera dos tempos frugais da páscoa. Resta, para consolo, os caretos de Podence, na velha Trás-os-Montes, o entrudo chocalheiro que, para sobreviver, apresenta-se também como a velha tradição nos novos tempos do turismo de massas.
quarta-feira, fevereiro 26, 2014
Paco de Lucia, Castro Marim
Depois deste concerto a música nunca mais foi a mesma, no campo instrumental. A sua influência foi tal que inspirou grupos e composições em todo o mundo. Paco de Lucia, Al di Meola e John McLaughlin encantaram o mundo com as suas cordas. De todos, Paco de Lucia era o mais próximo de nós. A sua origem situava-se deste lado do Guadiana, dado que a sua mãe era originária de Castro Marim, aliás o nome de um dos seus mais conhecidos álbuns. Morreu hoje, numas férias no México entre os seus netos.
segunda-feira, fevereiro 24, 2014
10 anos de blogagem
Na madrugada de 19 de fevereiro de 2004 (ainda se escrevia
com inicial maiúscula), na casa de onde se obteve hoje esta vista, nascia o
Contrasenso, no servidor do Sapo. Durou só o tempo de esgotar o espaço
disponível, até o transferir para o atual servidor, no qual se mantém ainda
hoje, depois de mais de 1600 posts, 74 mil visualizações de páginas e 10 anos de vida.
Disfarçar as praxes com as tunas
Sábado de manhã, a Tuna do INUAF atuava em pleno mercado municipal de Loulé. Não é desabitual, mas desta vez a Tuna cumpria um desiderato nacional das comissões de praxe: mostrar como as praxes são práticas saudáveis e puramente culturais. Nesse mesmo dia, nalguns pontos do país, também os movimentos anti-praxe denunciavam os abusos e práticas medievais e de submissão nas academias.
A prática das tunas, por mais que se queira mostrar como um exemplo paradigmático das praxes, não o é, e nem tampouco ofusca o que se critica no fenómeno tradicional inventado e desenvolvido nos últimos tempos em muitas universidades públicas e privadas.
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