No outro dia em Lisboa, no trânsito entre estações do metro, livros à solta, sujos do pó das carruagens. Entre eles um Casimiro de Brito, do ano de 2001, «Na barca do Coração» de que o António gosta muito. Só o sopesei, mas tive de comprar outros. Doutoramento oblige. Lá veio o Strindberg (falar-vos-ei dele em breve) e uma colectânea do O'Neill.
Agora, algo completamente diferente:
Agora, algo completamente diferente:
4
O "bem feito" incomoda-me, o demasiado limpo. Sinto-me mais livre dentro das metáforas porosas. Mais nu. Mas nada de algodão, de areia.
O pó da morte, saltando de um lado para o outro como se fosse
um insecto louco, basta. Quero dizer, não se pode evitar, nem há que ser evitado. Olhá-lo, comê-lo, viajar nele.
5
Não se pode explicar o que nasce puro, num só traço,
saído do coração.
6
Vou na cidade e depois salto para dentro do texto.
Mas o texto expulsa-me e fico de novo perdido no ruído da rua.
Casimiro de Brito, Fragmentos para o Dia Mundial da Poesia, 2009