quinta-feira, julho 09, 2020

Aqui há gato! Ou Rita Rato?

Não tenho que concordar com os argumentos do Malomil (mas entendo-o), mas que aqui há rato, há! Uma ex-deputada do PCP, que o partido decidiu desempregar, é agora escolhida pela EGEAC (responsável pelos equipamentos culturais de Lisboa) para nova diretora do Museu do Aljube. O perfil não corresponde ao pedido de candidatura (sabemos pela SIC que foram cerca de 70 as candidaturas apresentadas, muitas de historiadores experimentados), nem na formação académica, nem no currículo de gestora cultural. Então o que poderá ser? Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa, já deve estar a preparar a sua candidatura a novo mandato e precisa das contrapartidas históricas do PCP (agora infelizmente sem Ruben de Carvalho). O que pode fazer Medina, a não ser pensar na autarquia de Lisboa ele que não tem qualquer hipótese na disputa com Pedro Nuno Santos, na liderança do PS?

quarta-feira, julho 08, 2020

Portais tecnológicos pagos a peso de ouro, pois claro!

Mais novidades sobre os contratos de aquisição de serviços do Ministério da Educação, que vão dando milhares de euros às empresas tecnológicas, e milhões de dados ao roubo tecnológico. 

A Guerra dos Mundos, de HGWells

É um dos livros mais conhecidos, mas admito que pouca gente o leu. A obra de Herbert George Wells (HGW), escrita em 1898, é mais conhecida pela reportagem radiofónica simulada por Orson Welles nos Estados Unidos, semeando o pânico com uma putativa invasão marciana, ou mesmo pelo filme de Spielberg, com Tom Cruise como eventual personagem do narrador original. Aliás, a obra de Spielberg aproxima-se bastante da ficção de HGW, acrescentando, como é plausível, o romance familiar num contexto periférico proletário de Inglaterra. Mais do que a série com o mesmo nome do livro, que recentemente passou num canal de cabo e que inventou uns marcianos robóticos em figura de cão, cuja narrativa se baralhou entre tiros e militares desavindos.
Mas a obra de Wells, que abriu caminho a quase todas as visões distópicas e de ficção científica, apresenta uma resposta comprovadamente científica para a sobrevivência da espécie humana e a morte dos marcianos na Terra: uma bactéria presente na espécie, à qual os humanos se habituaram por assimilação, mas desconhecida pelos invasores:
(...) aniquilados pela bactéria da doença e da putrefacção contra a qual os seus organismos não estavam preparados; aniquilados como o tinham sido as plantas vermelhas, depois de todos os engenhos humanos terem falhado, pelas coisas mais humildes que Deus, na sua sabedoria, colocou na Terra. (...) (p. 173)

terça-feira, julho 07, 2020

Roubo de dados na plataforma do Ministério da Educação


O Ministério da Educação deve ser ingénuo. Cria uma plataforma tecnológica para as matrículas do ensino básico e secundário no próximo ano letivo, sabe que são milhares de estudantes, milhões de dados, que valem ouro para o capitalismo da finança tecnológica, e depois fica à espera que a ataquem e roubem esses dados. Depois do ataque informático, já denunciado em todo o lado, volta atrás, e obriga apenas a realização de matrículas online, de anos iniciais de ciclo. Ora porra! 
Ler mais aqui!

Morcegos cavernícolas do Algarve

Em tempos foi uma das minhas matérias ambientais, sobretudo no conhecimento da presença de morcegos das espécies 'de peluche e 'rato-pequeno', muito presentes nas grutas e cavernas do concelho de Loulé, sobretudo nas áreas de Paisagem Protegida da Fonte Benémola e da Rocha da Pena. Há muito que a Associação Almargem vem alertando para o problema do declínio das populações destes morcegos, no Algarve e também no concelho de Loulé, com a concomitante desclassificação das suas grutas e cavernas de reprodução (ler aqui).
Há cerca de dois anos comecei a verificar a presença de morcegos, em voo alimentar, na área sul da minha habitação na cidade, pressupondo a deslocação destes mamíferos para locais com mais alimento. E há dias, uma das suas crias veio habitar um sapato na varanda durante a noite, vindo mais tarde a entrar e a pendurar-se na base da minha cama. O pequeno animal, que na noite desse dia voou para a sua habitação, pode ser visto aqui.

segunda-feira, julho 06, 2020

Mutts, uma tira de Patrick McDonnell

Não conheço todas as tiras publicadas, mas das que conheço e são muitas, Mutts é a minha preferida, como de muita gente que leio. Aqui são o cão Earl e o gato Mooch os personagens principais, que dirigem os pensamentos e os caminhos de vida daqueles que os acolhem e pensam enquanto donos. As suas narrativas são acutilantes e perentórias, marcadas pela ponderação do cão Earl ou pela irrequietude do gato Mooch. Entre eles, a máscara do self está sempre quase a cair, porque Earl pensa como um gato e Mooch quer ser um cão, apesar de os entender como demasiado obedientes. A marca política e ecológica está bem patente na tira, pela biografia do autor, Patrick McDonnell, um convicto defensor dos animais.
Da obra editada pela «Devir», entre 2003 e 2008, tenho os quatro volumes: Mutts (na imagem); Mutts2, Cães e Gatos; Mutts3, Mais Coijas; e Mutts4, Shim.

Lídia Jorge sobre momento de confronto

No programa Todas as Palavras, magazine literário da RTP3, a escritora Lídia Jorge dá uma excelente entrevista. Apesar do pretexto do seu último livro de crónicas radiofónicas, a autora mostra como compreende sociologicamente o momento que atravessamos. Fala de Musil, e da sua expressão «Todos os dias nasce uma época», para mostrar como a pandemia gerou de facto uma nova época de confronto para as novas gerações, para os que «percebem a mudança e para os que não querem mudar os carris da história». Tempo de confronto entre «revisionistas e revolucionários», campos em que todos nós se devem assumir, para combater a desigualdade brutal na distribuição da riqueza. Uma «revolta de massas» para preservar a Terra (entre aspas expressões da autora).

domingo, julho 05, 2020

Praias desertas de ingleses no Algarve, mas com muitos lusos

A comunicação social - aquela que chega repetidamente às nossas casas, repetindo até à exaustão as mesmas palavras do teleponto - dá-nos a entender a desgraça da economia do turismo no Algarve, com os coitadinhos dos ingleses a ter que decidir entre vir até cá, com a sujeição de duas semanas de quarentena no Reino Unido, ou usar a Transportadora Ibéria até Espanha e viajar de carro alugado até às 'nossas praias'. Este meio é interessante, dado o capital britânico investido na transportadora do país vizinho, sem problemas com o Covid-19. A mim, dá-me gozo voltar a ter as praias quase só para mim, como nas outras estações menos silly, mas acontece que os banhistas nacionais sabem muito bem substituir os britânicos na ocupação desenfreada das areias, como se pode ver na imagem da Praia da Falésia, hoje pelas 11:30 h, nas arribas da Rocha Baixinha Poente-Nascente.

Arquivo Municipal de Loulé abre portas virtuais a investigadores

A iniciativa do Arquivo Municipal de Loulé - de convidar investigadores de várias áreas do conhecimento a escrever pequenos comentários sobre documentos do Arquivo - é não só relevante mas também significativa, num período em que a prática científica ficou coartada no seu acesso a documentação e a trabalho de campo. 
Abrimos a porta do coração do Arquivo Municipal: um dos seus depósitos. Em período de estado de alerta solicitámos a vários investigadores para escolherem e destacarem um documento do depósito do Arquivo Municipal de Loulé.
A minha participação debruçou-se sobre um extrato de ata de uma reunião da Câmara Municipal de Loulé, que apreciou e deliberou a atribuição de um subsídio à Junta de Freguesia de Alte, para a organização da Festa do 1º de Maio de 1964, na aldeia. O texto de 150 palavras pode ser lido no cartaz acima.
Mais contributos de outros investigadores podem ser lidos aqui.

quinta-feira, junho 25, 2020

Poesia e Prosa no Eco dos Pássaros

O desafio da Make It Happen (MIH) aos poetas e prosadores para escreverem, em tempos de confinamento, os seus testemunhos literários, resultou na produção de seis tomos (zines na designação da empresa), com a diversidade e a originalidade dos cerca de uma vintena de autores que participaram, de todo o país. A iniciativa criativa da MIH, já divulgada no espaço de membros de forma gratuita, deve traduzir-se em edição de livro próximo, a cargo da editora Epopeia Books. Considerando de louvar esta iniciativa, participei em todas as zines publicadas com contos, microcontos e poesia, que podem ser lidas no meu espaço, aqui.

sábado, junho 20, 2020

Organismos gelatinosos



É comum arrojarem às praias, entre maio e setembro. Os organismos gelatinosos, conhecidos popularmente como alforrecas - com que brincávamos em putos - são comuns nas nossas águas e a Praia da Falésia, entre a Ribeira de Quarteira e Olhos de Água, recebe todos os dias algumas espécimes mortas. Muitas desenvolvem material tóxico nos tentáculos, sendo a mais conhecida a caravela portuguesa (Physalia physalis), um organismo pluricelular extremamente complexo (ver aqui).
Costumamos fotografar todos os avistamentos e enviar as imagens para o Plâncton Grupo do IPMA. É o caso destes exemplares de Rhizostoma luteum, fotografados na segunda, 15 e hoje, dia 20 de junho.

quinta-feira, junho 18, 2020

Um marxista heterodoxo

É o maior pensador marxista português e leio-o com a regularidade possível, já que a sua capacidade produtiva é imensa e a sua escrita está tarimbada desde a luta contra o fascismo, passando pela experiência autonómica do jornal «Combate», até à pedagogia marxista realizada no Brasil nos últimos anos. Por agora tem estado a escrever sobre o marxismo anti-capitalista nos tempos de pandemia. Para qualquer cidadão preocupado é obrigatório lê-lo. No destaque do sidebar (ali à direita) deixo o seu ensaio terminado ontem, São Marx, Rogai por Nós, em três textos sequentes. É só clicar na imagem do site onde publica - o «Passa Palavra».

A crise da capacidade crítica, de Berardi

Os pensadores italianos são dos mais atentos à realidade europeia e, sobretudo, ao papel da União Europeia no contexto do desenvolvimento humano igualitário e da crítica ao capitalismo. Tal como Giorgio Agamben, Franco Berardi tem pensado as estruturas de poder e os aparelhos ideológicos dos estados e o seu papel na construção de uma vida acéfala, sem capacidade de participação crítica. Apesar de ter dois anos, esta entrevista, que na verdade é um ensaio, aponta e conclui o estado da Europa por estes dias. Tem razão o Joaquim Mealha quando a envia e, particularmente, gosto de subscrever, dado o meu tempo atual, a ideia de Berardi de «tempo de vida emancipado». É nesse estado que eu estou, e bem!

Amarelo torrado

São muitos anos, mais de 50, de desenvolvimento destes fungos, líquenes secos sobre cimento velho, aduzidos pela humidade e pelo calor do Alentejo, nos muros de proteção da barragem de Odivelas. Vale a pena parar no fim da manhã, descer da bicicleta de montanha, após muitos quilómetros e fotografar...

Solidariedade na Premier League

O futebol é jogado por pessoas e isso determina tudo, o bem e o mal. Por isso deve destacar-se o facto de, na primeira partida de futebol da Premier League, os jogadores das duas equipas - Manchester City e Arsenal - terem equipado com o lema Black Lives Matter nas costas da camisola. Para além disso, um coração azul cosido no peito das camisolas homenageava o serviço nacional de saúde britânico. Alguns daqueles jogadores perderam familiares e amigos; Guardiola - treinador do City - perdeu a mãe. Bom exemplo!

quarta-feira, junho 17, 2020

A Lagoa do Sherman

«A Lagoa do Sherman», da autoria de Jim Toomey, é uma das tiras da minha eleição de 9ª arte. Ainda não vos falei de «Mutts» - que fica para outra altura - mas sobre a banda desenhada do célebre tubarão, da sua companheira Megan, da tartaruga intelectual Fillmore, do peixe informático e do caranguejo provocador Pinças, podemos dizer que coloca os humanos como reles macacos sem pelo. Na lagoa de Kapupu, perto de Tahiti, também aparece de vez em quando um urso polar para hibernar. Desta obra, o nosso conterrâneo e autor célebre de banda desenhada José Carlos Fernandes, diz de Sherman ser uma tira «muito longe de qualquer correção política». Está dito!
Editou a Devir em 2003 e 2007.

Poemas de sol e de mar


SILVES

Olho o que resta do rio,
ao fundo do vale,
correndo entre os canaviais que o escondem,
como se fosse um encantamento de sede.
E recordo
as belas palavras do poeta árabe Ibn‘Ammar,
fazendo deslizar, suavemente, os seus poemas
entre o castelo, a praça e o rio Arade.
Breve instante,
a miríade gasosa de acidez da laranja baía,
convoca-me os dedos e os lábios para o seu amargo sabor doce,
entre as argilas barrentas do rio, as enguias caracoleantes e os rouxinóis.
Que saudades, de subir as íngremes histórias da cidade,
sentindo a frescura dos laranjais e as vozes dos poetas de Silves.

(poema publicado na revista literária brasileira «Máquina do Mundo»)

Mais poemas meus estão já na 6ª zine do Projeto «Eco dos Pássaros», iniciativa da Make it Happen (ainda só para membros>ver aqui )

terça-feira, junho 16, 2020

Desentorpecer a cabeça

Foram "passos de voluptuosa dança na travagem Brusca". Tanta gente que continuou a dançar em casa, mostrou na TORPOR o que fez para não perder o jeito. Tornou-se um caso sério que vai continuar a ocupar o salão de baile. 

Obrigatório ler a experiência dirigida por João Paulo Cotrim e José Teófilo Duarte e participada por escritores e desenhadores. Clicar na imagem!

O novo terço da pandemia

Sempre à mão de semear!

segunda-feira, junho 15, 2020

Estudo dos bancos de bivalves-conquilha




No domingo lá estava o NI Diplodus, embarcação do IPMA de Olhão, a arrastar os bancos de areia na Praia da Falésia, com o objetivo de estudar amostras de bivalves, sua morfologia, quantidades e estado dos bancos de reprodução, sobretudo da conquilha. A avaliar pela sofreguidão do excesso de captura de conquilha, nas marés de baixa mar da última semana, percebe-se a importância deste estudo. Apesar de interdita a captura do bivalve, entre Quarteira e Olhos de Água, também as embarcações de ganchorra andavam a arrastar. A quantidade enorme de chocos triturados e de conchas na areia seca das praias da área, mostra o impacto deste excesso de pesca. Para conhecer mais do projeto MonteReal do IPMA, clicar aqui.