quarta-feira, maio 02, 2018

Edital de blogues

A lista de blogues, aqui ao lado, foi alterada. Alguns deles, sem atividade, foram apagados apesar de se manterem no éter; outros, ficaram a cuidar das memórias antigas de laços blogosféricos. Entretanto, novos ocuparam lugares devidos na vida presente que me interessa. É lê-los!

Sous le pavés, la plage!

Grande palavra de ordem simbólica, a do título, que permaneceu como a expressão da revolta estudantil que arrastou o operariado francês para aquela que foi a insurreição mais interessante da Europa no pré-Avril.
Manuel Pereira escreve sobre o tema, e é um gosto publicá-lo:



MAIO  DE  68  EM  PARIS
Grandes Manifestações de Estudantes e Operários

          Em Maio de 1968, uma revolta estudantil em Paris veio a tornar-se numa crise social e política de grandes dimensões, que alastrou a toda a França, e também teve efeitos noutros países europeus.
No período de 1960 a 1968, o número de estudantes em França duplicou, e em áreas como Letras ou Sociologia, os alunos começam a temer que quando terminarem os seus cursos não vão conseguir emprego.
Em 1968 o sector estudantil em França, considerando os alunos com idades entre os 16 e os 24 anos, era constituído por cerca de oito milhões de estudantes, o que representava 16,1 % do total da população francesa.
As Universidades não souberam adaptar-se à mutação do mundo contemporâneo, pois as suas estruturas não se modificaram, como não mudou a sua pedagogia nem se alteraram as suas disciplinas. 
Algumas ocorrências anteriores apontavam para uma juventude procurando novos horizontes, como, por exemplo, quando em Janeiro de 1966 após vários meses de disputa em volta de questões sexuais num complexo de dormitórios estudantis, um director introduziu o que para a época era um regime radical:
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segunda-feira, abril 30, 2018

A memória do 25 de Abril de 1974...



 (1º de maio de 1974 em Portimão, organizado pela extrema esquerda)

Alguém que me venha questionar sobre a importância do 25 de Abril de 1974, para nós portugueses, mas também para Europa e outros recantos do Mundo, é para mim tido como uma agressão. Pode ser uma agressão inconsciente, resultante do desconhecimento, mas é uma agressão.
Há 44 anos, quando cheguei a Loulé para mais um dia de aulas, no curso de administração e comércio da escola técnica, deparei com os colegas na rua, os comentários de que algo teria acontecido em Lisboa, uma revolta, um golpe de estado...
Para mim, com 16 anos vividos no campo, tudo aquilo era algo impensável, desconhecido... Levei tempo a entender, a compreender o que de facto se estava a passar. Ouvia muito a rádio, não tinha televisão e raramente comprava jornais, não havia dinheiro para esse extras.
O que me levou a entender o processo que o 25 de Abril nos trouxe foi o passado, até então incompreendido.
Desde os 11, 12 anos que eu assistia regularmente à semana de exercícios dos furriéis milicianos que vinham para a área que eu habitava, antes da mobilização para África. Era uma semana terrível, com o ecoar de rajadas de metralhadora e disparos dia e noite. Uns eram os "turras" outros o exército português.Tudo se devia assemelhar ao contexto real que iriam encontrar na Guiné, Angola ou Moçambique. Por vezes apareciam-nos, às escondidas, a pedir um pouco de comida. A ração de combate que lhes havia sido distribuída era exígua e a fome fazia sentir-se.   
Eu cresci fisicamente cedo, então raro era o exercício em que nos encontros fortuitos que tinha com os soldados que não lhes ouvia o conselho, entredentes:
- foge daqui o mais cedo que possas!
Eu sabia e conhecia jovens que tinham fugido para França. Ouvia falar dos mais diversos expedientes para evitar ir para a tropa e com grande probabilidade de ir parar a África e lá morrer, ou vir deficiente fisicamente, ou com profundas alterações mentais. O meu raio de vivência era pequeno, mas conhecia de tudo.
Eu aos 16 anos estava aterrorizado com a aproximação do que me ia acontecer.
Além disso eu ia assistindo ao desaparecimento de muitos dos homens que via diariamente. Algum tempo depois as mulheres tinham ficado, após terem recebido carta de que tudo estava bem, lá relatavam que o marido tinha ido para França.
Na generalidade dos casos uma emigração clandestina, a salto, com desembolso de elevadas quantias aos "passadores". Era a busca de conseguir condições de vida para si e para as famílias.
Apenas estes dois apontamentos, para não ser exaustivo, foram âncoras para a minha compreensão posterior do País em que vivia e da importância do 25 de Abril.
Esse elevado momento da nossa vida enquanto povo, desde então todos os dias minado por quem usa as palavras como máscaras - a democracia, a liberdade, a justiça - impondo que sejam algo feito à sua medida, à medida dos poderosos, merece uma atitude que não temos tido.
De fato, se os mais novos hoje não entendem o 25 Abril de 74 porque não o viveram e se os mais velhos o parecem esquecer, hipnotizados e asfixiados pela aldrabice a que pomposamente chamam pós-verdade, isto só pode querer dizer que há algo que nós vivemos, que temos que ser capazes de transmitir, com certeza  de forma diferente.

Pode parecer descabido, mas reflictam sobre o tempo em que estamos com Huxley…

[Joaquim Mealha Costa, abril 2018]

segunda-feira, abril 23, 2018

Sous le pavés, la plage!



MAIO  DE  68  EM  PARIS
Grandes Manifestações de Estudantes e Operários

          Em Maio de 1968, uma revolta estudantil em Paris veio a tornar-se numa crise social e política de grandes dimensões, que alastrou a toda a França, e também teve efeitos noutros países europeus.
No período de 1960 a 1968, o número de estudantes em França duplicou, e em áreas como Letras ou Sociologia, os alunos começam a temer que quando terminarem os seus cursos não vão conseguir emprego.
Em 1968 o sector estudantil em França, considerando os alunos com idades entre os 16 e os 24 anos, era constituído por cerca de oito milhões de estudantes, o que representava 16,1 % do total da população francesa.
As Universidades não souberam adaptar-se à mutação do mundo contemporâneo, pois as suas estruturas não se modificaram, como não mudou a sua pedagogia nem se alteraram as suas disciplinas. 
Algumas ocorrências anteriores apontavam para uma juventude procurando novos horizontes, como, por exemplo, quando em Janeiro de 1966 após vários meses de disputa em volta de questões sexuais num complexo de dormitórios estudantis, um director introduziu o que para a época era um regime radical:
             - As raparigas e rapazes com mais de 21 anos podiam, a partir de agora, receber membros do sexo oposto nos seus quartos no dormitório.
Os que tinham menos de 21 anos também podiam fazê-lo, mas mediante autorização escrita dos pais. Em mais lado nenhum foram concedidas tais liberalizações no âmbito sexual.
Além disso, vinha aumentando a divulgação junto dos jovens de ideias revolucionárias, sobretudo com base em Mao, Trotski ou Ernesto Che Guevara.
Foi uma época em que a nível internacional foram barbaramente eliminados alguns defensores dos direitos humanos e símbolos da luta pela liberdade:
De facto, Che Guevara foi assassinado na Bolívia no dia 9 de Outubro de 1967, e o activista americano Martin Luther King é assassinado a 4 de Abril de 1968, em Memphis (USA).
Em França, para descongestionar a emblemática Universidade Sorbonne, foi criado, em 1963, o Campus Universitário de Nanterre, situado num subúrbio de Paris, nas proximidades de bairros de lata (bidonvilles), onde viviam muitos emigrantes portugueses, incluindo, naturalmente, algarvios.
A 22 de Março de 1968, a seguir à prisão de estudantes radicais que tinham atacado uma agência da American Express, no centro de Paris, em repúdio para com a intervenção americana no Vietname, começa a forma-se um grande movimento contestatário.
No mesmo dia, os estudantes ocupam as instalações universitárias de Nanterre, dando o primeiro sinal de revolta. Rapidamente o movimento aumenta, passando a incluir milhares de estudantes, e em volta do qual se unem diversas tendências esquerdistas.
Destacam-se então diversos dirigentes da revolta, como Daniel Cohn-Bendit, um estudante de Sociologia de origem alemã a frequentar o Campus de Nanterre.
Contestavam a autoridade, a desigualdade e o emprego da violência.
Os alunos reclamam sobretudo a destruição do sistema de ensino vigente, que era na época um dos pilares da sociedade burguesa, procurando novas formas que após os estudos lhes permitam emprego estável e o progresso técnico.
As comemorações do 1º de Maio vêm dinamizar ainda mais os jovens, e a Universidade de Nanterre acaba por ser encerrada no dia 3 de Maio, sendo os estudantes atacados pela polícia com gases lacrimogéneos, tendo respondido com uma chuva de pedras arrancadas da calçada.
Pouco depois, os estudantes realizam um meeting na Sorbonne, no centro de Paris. Em consequência deste encontro, vieram a ser presos cerca de 500 alunos, e os próprios professores decidem entrar em greve, e a Sorbonne é também encerrada.
No conhecido Quartin Latin, a tensão sobe entre manifestantes e polícias, vindo a culminar em violentos confrontos na noite de 10 para 11 de Maio, uma das chamadas “noite das barricadas”, do que veio a resultar cerca de milhar de feridos, e onde não faltaram viaturas em chamas.
Para tentar restabelecer a calma, o primeiro-ministro Georges Pompidou deu ordem, no dia 13, para reabrir a histórica Sorbonne. Contudo, o movimento de revolta universitário já se tinha estendido a outros extractos da vida social, nomeadamente à classe operária.
Assim, nesse mesmo dia 13 junta-se uma multidão em Paris, e os trabalhadores começam a ocupar as fábricas. Cerca de uma semana depois, no dia 21, já eram entre oito a dez milhões de grevistas.
Em viagem pela Roménia e Alemanha desde 14 de Maio, como se de nada se passasse no seu país, o general De Gaulle propõe um referendo e reformas. Mas em França ninguém reage à voz do presidente, parecendo que o  governo está de férias.
No dia 22 de Maio o movimento estudantil/operário fragmenta-se.
Com efeito, os comunistas boicotam uma manifestação de apoio a Daniel Cohn-Bendit, cuja expulsão para a Alemanha Federal havia sido decretada pelos governantes.
Pouco depois, há mais uma noite de barricadas em Paris, de 24 para 25 de Maio, com forte repressão policial.
Na prática, a ocupação dos estabelecimentos universitários e subsequentes barricadas, foram essencialmente conduzidos por anarquistas, embora tenha havido também a participação da Juventude Comunista Revolucionária (de base trotskista), assim como de funcionários de sindicatos afectos aos estudantes e professores assistentes.
Foi um movimento espontâneo, que de algum modo escapou ao controle do Partido Comunista Francês (PCF), que se sentiu ultrapassado, e só depois, quando viu milhões de trabalhadores em greve, entrou nas manifestações. 
Entretanto decorreram negociações entre sindicatos, patrões e governantes, e no dia 27, em Grenelle, no Ministério dos Assuntos Sociais, foram conseguidos os seguintes resultados:
              - Aumento de 7 % nos salários;
              - Aumento de 35 % no salário mínimo.
Satisfeito com os aumentos salariais obtidos, o Partido Comunista Francês preconiza o regresso à normalidade. Na realidade, objectivo da direcção do PCF era tentar manter a sua influência no movimento operário, e desprezava claramente os estudantes mais radicais. Mas os militantes de base recusaram esta estratégia.
Curiosamente, as multidões de estudantes eram, na sua maioria, pertencentes à classe média, e muitos pertenciam à própria burguesia parisiense.
Esta revolta de 1968 falava muito de sexo, mas não estava essencialmente preocupada com as desigualdades de género. Basta verificar que não havia mulheres entre os dirigentes do movimento estudantil.
Maio de 68 foram manifestações que marcaram uma geração, constituindo uma experiência extraordinária para quem participou ao vivo, durante um mês num ambiente de grande liberdade e solidariedade entre estudantes e operários.
Ultrapassou em muito as fronteiras de França, sendo um fenómeno que se expandiu a quase todos os países europeus.
Também surgiram movimentos reivindicativos femininos, sobretudo entre 1968 e 1970, onde se destacam obras de autoras como Kate Millet e Gloria Steinem.
Os nossos emigrantes na região de Paris, trabalhavam 12 a 14 horas por dia, e o seu estado de despolitização era quase total, vivendo num meio muito fechado, difícil de penetrar. Só viam o trabalho, procurando enviar o máximo de dinheiro para Portugal, e praticamente mais nada os preocupava.
As suas diversões e tempos de lazer eram quase zero. Por vezes, ouviam o folclore da sua região em Portugal, e também os fados de Amália Rodrigues e Alfredo Marceneiro.
Por sua vez, cantores de intervenção iam aos bairros de lata, e a música conseguia juntar os trabalhadores, mas a sua mensagem era difícil de passar.
Os emigrantes portugueses não faziam ideia do que era a situação política em Portugal, nem compreendiam a atitude dos movimentos de libertação em África.
Era evidente o atraso cultural e político em que se encontravam os emigrantes.
Durante as cerca de três semanas das manifestações na região de Paris, juntavam-se vários cantores e músicos que percorriam as fábricas ocupadas pelos operários, actuando e convivendo pela noite dentro.
Intelectuais, cantores e exilados políticos portugueses era hábito encontrarem-se no café Select Latin, no Quartier Latin, perto da Sorbonne.
Curiosamente, um grupo incluía a cantora francesa Collete Magny, o português Luís Cília e Paco Ibañez, compositor e intérprete espanhol, natural da região de Valência. Também se encontravam em Paris nessa altura os cantores José Mário Branco e Sérgio Godinho.
Para muitos emigrantes portugueses que trabalhavam nas fábricas, foi uma oportunidade para terem contacto com outra realidade, e se aperceberem da força de uma greve.  
Em Portugal, José Afonso, expulso do ensino no princípio do ano lectivo de 1967/68, prepara o trabalho “Cantares do Andarilho”, um disco marcante na obra do grande compositor e intérprete, por ser o primeiro que é estruturado e concebido de raiz.

Manuel J. Pereira

domingo, abril 01, 2018

A grande desmatação...?



Começa a ler-se e ouvir-se alguma reflexão sobre o disparate das medidas que estão a ser aplicadas, e que conscientemente ou não, apenas servem o negócio do fogo, a coberto de uma campanha de medo, naturalmente ancorada em evidencias reais dos incêndios passados, sendo mais um contributo para a destruição de 2/3 do País e do seu espaço rural. 
 Joaquim Mealha Costa põe o dedo na ferida, num problema que tem o olhar de políticos e de técnicos enviesado pela árvore, que tapa a visão da floresta (aqui, serve muito bem o saber popular). Diz ele, que algumas vozes dão nota da verdadeira dimensão do problema. E aqui está uma, bem próxima de nós e muito acertada!

sábado, março 31, 2018

Feicebuque

Pois é, pois é. Depois de alguns anos a contestar a falsa indulgência do feicebuque (como escreve RAP) e dos objetivos confessáveis e pouco 'transparentes' do seu patrão capitalista (que estranho nome nos tempos que correm), eis que a privacidade de milhões estão de caras com o esgoto da política da direita inglesa e dos fascistas do Trump. Nunca é bom ter razão antes do tempo. Mas é sempre melhor ter razão antes do tempo, não é?

Nómadas e sedentários



Eu sou um nómada, tu és uma sedentária! Eu sou um sedentário, tu és uma nómada!
Mas sei de nómadas que são tão sedentários na cabeça, no pensamento. Sei disso, e também sei que há sedentários que viajam mais em pensamento do que muitos dos nómadas, que correm desertos e cidades sem nada ver e ouvir. Foi o que disse.
Disse também Lídia Jorge em «Os Memoráveis».

quarta-feira, março 21, 2018

Uma escultura literária

 (cartaz de Jorge Manhita)

É a terceira escultura que convido o Adão Contreiras a executar. Depois de Um Abraço a Timor (Loulé, 1991) e de As Correntes de Água (Alte, 1995), desta vez O Jornal do Pau (Gorjões, 2018).
A escultura em chapa de aço pretende testemunhar os contributos das memórias coletivas dos gorjonenses, que se sentaram e conviveram no pau de telefone, durante décadas, socializando a economia, a política e a sociedade local. 
O trabalho artístico é resultado do projeto de Educação Social de final de licenciatura da Petra Carlos e da Cátia Pereira, alunas que orientei durante três semestres, e legitima bem o caráter de participação social e de inserção comunitária que pautou a sua conduta.

terça-feira, março 20, 2018

A minha rua é de poeta


Natália Correia é nome de rua. De muitas ruas em Portugal. O jornal Público dá conta de que é a 5ª personalidade feminina com mais nomes de ruas em Portugal. Também é nome da minha rua, entre dois nomes masculinos, claro: Fernando Namora e Miguel Torga. Assim, cumpre a quota de 33%, apesar de em Portugal a diferença ser muito maior. Diz o artigo referido que "Só 15% das ruas com nomes próprios são de mulheres" (8 março 2018).
No meu bairro não cumprimos ainda a paridade, mas apenas a lei!

sexta-feira, outubro 06, 2017

Edital



Houve um tempo em que, durante o sono, os posts sucediam-se como gotas de chuva na corrente. Nos tempos de seca que correm, as páginas do blog teem estado em branco como o céu visto de dentro da água salgada. Ao procurar alguns blogs de eleição, vejo-os na mesma. A porra do facebook, ainda por cima com minúsculas rasteiras, anda a dar cabo das boas prosas...
Já agora, acabo de ler uma boa dose delas: aqui e aqui.

domingo, maio 29, 2016

Miniconto publicado no Brasil

A morte
Quando o pai dele morreu, levei-o silencioso. Andamos sem destino, mas a estranheza da morte levou-me a caminhar para a mata, uma pequena floresta de eucaliptos, onde lembro de ter disposto alguns sacos pretos com sementes.
Ali, sentia-me protegido das desgraças inapercebidas do mundo. Parando junto a um eucalipto, já muito alto e magro, o meu amigo chorou. Teríamos nove, dez anos? Não me lembro bem.
Mas sei que depois de termos olhado o rio, ali mesmo à nossa frente, ele voltou a lembrar-se de como era a vida. Só muito mais tarde compreenderia o seu regresso. A noite passada tinha dormido debaixo do mesmo teto, perto de um pai morto. A mãe mantivera-se acordada ao lado do pai morto, sem apelar aos vizinhos a dor da alma; e ele cumprira o prometido: só chorar no dia seguinte.

[publicado na revista brasileira de minicontos VEREDAS (aqui) ]

quarta-feira, setembro 16, 2015

DesGosto

Este blog Não Gosta (nem nunca gostou) do facebook! (ler aqui)

terça-feira, setembro 01, 2015

A importância da História na sociologia

A análise política também se faz de um acúmulo sociológico do pensamento contemporâneo. Por isso todo o cuidado é pouco quando falamos por exemplo da crise grega, e das suas concomitantes pragmáticas. Por exemplo, uma análise das políticas do Syriza, e em particular de Alexis Tsipras, parece requerer não só um conhecimento dos presentes contextos sociais e políticos mas também uma análise cuidadosa da história, mais ou menos demarcada no seu tempo de longa duração. É isso que nos propõe Rui Bebiano. A ler (aqui) com atenção, mesmo com o sintoma das divergências ideológicas.

A crise da crítica

Se há uma crise que me preocupa deveras, ela é sobretudo a crise da crítica. Provavelmente, é a capacidade e competência em exercer uma crítica inteligente aquela que mais sofre com o mundo arrasador da crise ideológica e política. Sem ela podemos assistir à agitprop perigosa do primeiro ministro, às manifestações imberbes da discriminação e xenofobia social sobre os processos migratórios, à devastadora mobilização do pão e circo das festas de verão pagas com as 'dívidas soberanas'. Restam, no pensamento crítico, os cidadãos que se recusam a deixar de ler, pensar e fazer umas simples contas, ou os sociólogos ou cientistas sociais, que remam contra a corrente e que muitas vezes sem remos são acusados de malucos e radicais.
A propósito do que nos entra pelos olhos dentro, ou que buscamos entender do que se esconde nos bastidores da administração política, quer seja no governo da direita austeritária, ou na Câmara socialista de Loulé obriga-nos, com toda a sinceridade, a afirmar a total concordância com o João Martins. É esse caminho, da resistência inteligente, que temos que prosseguir e perguntar-mo-nos: não há ninguém que se revolte pelo facto de a tribuna do salão nobre da Câmara de Loulé ter servido de discoteca ambulante na Noite Branca? Não há ninguém que se pergunte para que serve um IKEA a devastar a  reserva agrícola em terrenos próximos da via das portagens? Se não há ninguém, bardamerda! Então, temos que voltar à revolução.

domingo, agosto 30, 2015

Cidade lacustre de Vilamoura: milhões de destruição



A 'velha' cidade lacustre de Vilamoura tinha caído por terra, sobretudo pelo impacte ambiental de destruição das dunas, praias e mar entre as Falésias de Vilamoura e de Albufeira. Os novos donos, o Fundo norte-americano Lone Star - mais expeditos e competentes do que os antigos patrões da Catalunya Banc, que já se sabe serem uns abeclas a fazer dinheiro - mudaram a paisagem, e agora em vez do mimetismo do Dubai teremos os lagos de Vilamoura. Os argumentos são dois: o primeiro foi para satisfazer os críticos do impacte ambiental ou os cidadãos e políticos que se opuseram à destruição da interface que resta naquela área. O outro é financeiro, claro. Sempre seriam 100 milhões de euros para infraestruturas. Mas o que irão os promotores fazer? Bom, 315 mil metros quadrados de construção, 1900 unidades residenciais e uma área hoteleira com 3600 camas. Uma área quase igual à que já lá está construída e a que eu fujo sempre (ver com olhos de ver, aqui). 
Para + informações vale a pena ler o Expresso/Economia de 29 agosto 2015.

Governo sombra

Talvez a mais interessante novidade da reentré televisiva tenha sido a presença do programa "Governo Sombra", da TVI, em horário decente ao sábado à noite. Ontem, passou à meia noite e agora em direto e com espetadores ao vivo, na mesma altura do Eixo do Mal, na Sic Notícias. Ontem, ainda sem concorrência pois o Eixo ainda está de férias e com um convidado de exceção: o brasileiro de origem portuguesa, Gregório Duvivier que conhecemos do "Porta dos Fundos" da Fox. Esperamos que, tal como vaticinou Ricardo Araújo Pereira, daqui a umas semanas este excelente programa de comentário político e humor não esteja a passar às 4 da matina.

sexta-feira, agosto 21, 2015

Paraísos

Não,  as praias dos Alteirinhos e do Carvalhal já não são paraísos para ninguém.  A não ser para quem traz a vida urbana onde  viveu todo o ano para as areias da costa. Bom, de qualquer maneira os percebes e o mexilhão, que apanhei para o manjar, estavam supimpas.

domingo, agosto 16, 2015

desenvolvimento à beira mar

Em Mira há vinte e três anos as estradas florestais tinham carros de bois carregando milho. Hoje estão cheias de carros de emigrantes e de turistas espanhóis.

quarta-feira, julho 29, 2015

O IKEA a criar empregos em Loulé

A avaliar pela campanha intermitente de marketing, o IKEA já deve ter criado 15 mil empregos na sua nova instalação junto do Parque das Cidades em Loulé/Faro (ler + no «sul informação»). Razão tinha eu, quando escrevi no «barlavento» que se tratava de um case study do capitalismo global (não há outro capitalismo!). Para não vos maçar mais com análises já feitas, deixo-vos aqui o que escrevi (ler+).

domingo, julho 26, 2015

Olha, golfinhos!


A costa do Algarve era o caminho habitual para a navegação do atum, do roaz corvineiro e de espécies semelhantes. As empresas capitalistas do século XVIII instalaram-se em tudo o que era baía e praia acessível, com as companhas das almadravas atuneiras sedimentadas nas areias e  nos arraiais durante meses a fio. O aquecimento das águas e a captura excessiva de atuns obrigou-os a correr a desova noutros mares e paragens. Por ora, avistam-se os golfinhos em grupos mais ou menos numerosos, à volta dos cardumes de carapau e sardinha ou juvenis de outras espécies, com os pais a ensinarem os filhos a pescar a safra diária. Em frente da costa algarvia, na península do Ancão, a espécie tem demonstrado a sua proximidade e afetividade a cada um de nós, por estes dias mais quentes de sueste (ver+).