quinta-feira, junho 30, 2005

Tom Zé [2]

«Eu sou a fúria quatrocentona de uma decadência perfumada com boas maneiras e não quero amarrar minha obra num passado de laço de fita com boemias seresteiras. Pois é que quando eu abri os olhos e vi, tive muito medo: pensei que todos iriam corar de vergonha, numa danação dilacerante. Qual nada. A hipocrisia (é com z?) já havia atingido a indiferença divina da anestesia... E assistindo a tudo da sacada dos palacetes, o espelho mentiroso de mil olhos de múmias embalsamadas, que procurava retratar-me como um delinqüente. Aqui, nesta sobremesa de preto pastel recheado com versos musicados e venenosos, eu lhes devolvo a imagem. Providenciem escudos, bandeiras, tranqüilizantes, anti-ácidos, antifiséticos e reguladores intestinais. Amem».
Palavras da contracapa do primeiro disco de Tom Zé "Rozemblit 50010" de 1968.

Tom Zé

Não tenho muito tempo para escrever sobre o melhor músico brasileiro da actualidade. Acabo de vir do concerto de Tom Zé, verdadeiramente assombrado, apesar de já conhecer o músico do movimento tropicalista, exorcizado pelo seu não alinhamento e anarquismo político. Um show de poesia, história e filosofia misturados com a mais bela capacidade de improvisar uma cena musical em palco, adejado com o calor do público presente em Loulé. Ainda embevecido deixo-vos um presente: ligue bem alto as colunas e depois clique aqui.

Blackbox Stories

[De um mail do José Carlos Fernandes]

A quem possa interessar (para os que no Verão migram para paragens insalubres e para os que ficam em casa a contemplar, da janela, o alcatrão a derreter-se):

Entre 1 de Julho e 31 de Agosto, o suplemento de férias do "Diário de Notícias" irá publicar diariamente uma BD minha, em continuação, com o título "A Agência de Viagens Lemming".
Depois do cinema, invado também a rádio: no programa da manhã da Antena 2, das 8:00 às 10:00 (q por agora se chama "Acordar a 2", mas q creio irá mudar de nome) há umas "Ostras", ou seja, umas histórias curtas de carácter surreal, com banda sonora a condizer. Algumas delas fazem parte das minhas "Blackbox Stories" e enquanto elas não aparecem em livro (há desenhadores a trabalhar nisso), podem ouvi-las.
Para quem frequente o Centro Comercial Colombo, informo q a revista (gratuita) editada por este "templo do consumo" tem vindo a publicar "Blackbox Stories", com argumento meu e desenho de Miguel Rocha

abraços
zc

quarta-feira, junho 29, 2005

Saneamentos inéditos

Quase todos os dias caem, no meu e-mail da universidade, notícias enviadas pelo «Região Sul» online. Quase sempre dou uma vista de olhos, quase sempre como forma de agradecer a gentileza do serviço. Hoje dei com uma notícia surpreendente: os sociais-democratas algarvios a contestarem a onda de saneamentos políticos nas administrações regionais dos serviços do estado, dependentes do governo. Eu nunca tinha visto uma coisa destas, inédita, qual inquisição a desbastar cabecinhas pensadoras da área da saúde, da agricultura, da juventude, da cultura. Caramba! Que falta que vão fazer aqueles que, desde há dois anos, pugnavam pelo desenvolvimento das alfaces, das filas de espera nos hospitais, dos skate-parks e da programação do teatro municipal da capital da cultura. Só quando li este post do Pacheco Pereira é que percebi que isto já tinha acontecido antes.

A manipulação dos media

Desculpem, mas começa a ser indigente ver e ouvir a comunicação social insistir nas análises superficiais, no estímulo do mexerico, na divulgação da notícia sem confirmação, no alarde do mimetismo, na manipulação dos factos. Tudo em tempo de vacas magras da notícia, agora que a bola acabou e o parlamento descansa. É pena ver Conceição Lino no debate da Sic, literalmente a apanhar papéis, depois de um começo impreparado e sobranceiro na discussão dos problemas sociológicos da delinquência juvenil. Não sei quem lhe encomendou o sermão, mas este papel descaradamente manipulador e ignorante dos media televisivos começa seriamente a preocupar.

terça-feira, junho 28, 2005

Barnabé

O “Barnabé” foi um dos primeiros blogues que li. A equipa de André, Rui, Daniel, Pedro e Celso foi uma pedrada no charco dos blogues à esquerda, que não conseguiam emancipar-se do peso intelectual dos blogues mais conservadores, mas muito bem escritos. Depois do lançamento do “Barnabé” em livro fechou-se um ciclo, provavelmente sem retorno. Já há muito que não o lia com regularidade.
Hoje, arrasta-se à espera do desfecho, o que é pena. Os blogues não se compadecem com retiros e alargamentos de militância colectiva.

segunda-feira, junho 27, 2005

Na companhia de mais amigos

Repararam? Ali ao lado cresceram os links, com moradas de mais amigos da blogosfera: o Ademar do Abnóxio, professor amigo da Escola da Ponte; o José Pimentel Teixeira do Ma-Schamba, que ciranda por Moçambique; o Luís Ene, mentor destas lides, que fechou o Ene Coisas, mas pode ser lido no seu mil e uma; o João Pedro da Costa que está a lançar o seu blogue em livro; a malta da revista Sul; o António Almeida, noutras lides políticas; o Paulo Querido, o pai disto tudo em Portugal. Também lá estão o blogue da revista mais que amada, a «Periférica»; a «Folha de Alte» onde de vez em quando escrevo; e um meta-blogue, o do ensino superior, do qual fui fundador e onde escrevo, quando posso.
Divirtam-se amigos e leitores. Deixo-vos estes doces porque nos próximos tempos pouco vos irei oferecer de escrita.