segunda-feira, dezembro 19, 2011

O conceito de desobediência civil #1

Parece ser necessário começarmos a chamar os bois pelos nomes, e a desmascarar aqueles santinhos que querem perpetuar a ditadura dita democrática sobre a maioria popular. Melhor do que eu, aquele que inspirou Gandhi e Luther King, entre outros, um senhor chamado Henry David Thoreau, explica nesse célebre livro chamado exatamente «A Desobediência Civil», escrito em 1848:
Ao fim e ao cabo, a razão prática pela qual, tendo o povo o poder na mão, o entrega a uma maioria, que o conserva durante um longo período, não é porque essa maioria tenha razão, ou porque a minoria o considere justo, mas só porque a maioria dispõe de muita força. Mas um governo em que domina sempre a maioria não pode basear-se na justiça, tal como os homens a entendem. (p.17)
[Ler+ ali no sidebar clicando sobre a imagem da capa da edição da Antígona].

Respigos da entrevista gravada por telefone...

[Diário de Notícias de 6ªfeira, 16 dezembro 2012 | clicar sobre a imagem para ler melhor]

domingo, dezembro 18, 2011

Como a cultura se enriquece



Cesária Évora não era ainda conhecida em Portugal. Em Cabo Verde era mais uma das cantoras de bar, ouvida sobretudo pelos turistas das ilhas. Foi nessa altura que estando em Lyon, no âmbito de um projeto de parceria de desenvolvimento ambiental, vi e ouvi a projeção desta mulher de voz doce e pé descalço, cantando entre cigarros e copos de uísque. Na FNAC da cidade comprei esse memorável CD de 1997, prosaicamente chamado "Cabo Verde", a sua terra sempre. Sôdade, portanto. Também para Vaclav Havel, cidadão checo e do mundo, que nos deixou.

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Edital da casa

O correr dos dias não nos deixa tempo, vontade, paciência e outras qualidades, para aqui estarmos, com a regularidade que gostaria, junto de vós. O trabalho da CUVI - claro que entre tudo o que nos puxa o corpo, a palavra e a voz - está a tornar-se intenso, o que só significa que a nossa luta de mais de 15 meses está a tornar-se um dos maiores exemplos de movimento social há muito tempo desconhecidos no Algarve. Por isso, para além do que vou aqui deixando "na espuma dos dias", para todos os amigos e amigas que queiram acompanhar o combate do Algarve contra a cobrança das taxas de portagem na Via do Infante deixo à disposição a página FaceBook da CUVI, Comissão de Utentes da Via do Infante. Vão lá, expressem a vossa opinião, participem e reforcem a cidadania de que o país está deficitário. E voltem cá sempre que quiserem!

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Pórtico arde na Via do Infante, no Algarve

Acabei de dar uma entrevista para a Antena1. Parece que tinha ardido um pórtico de portagens na Via do Infante, em Albufeira. Para a Comissão de Utentes as coisas são claras: condenamos todos os atos que fujam à legalidade democrática, tal como dissemos aquando do incêndio nos 3 pórticos da Via em Abril deste ano e temos reafirmado em diversos momentos. No entanto temos avisado: a insatisfação dos utentes, agravada sistematicamente com as medidas de austeridade previstas no Orçamento de Estado para 2012, vai recrudescer, de variadas formas, que se tornarão incontroláveis. Por isso, a nossa proposta de indignação aos algarvios e algarvias é esta: boicote à Via do Infante, em duas formas: passar sem pagar, para mostrar a injustiça de uma medida que causa mais desemprego e fecho de empresas; viajar na EN 125 para denunciar o caos de tráfego e a permanente sinistralidade de uma via que não foi sequer reclassificada, como prometido. Desde o passado dia 8 é isto que acontece: a Via do Infante está vazia e a 125 cheia de tráfego.
O governo só tem uma medida a tomar: suspender de imediato a cobrança de portagens na Via do Infante.

domingo, dezembro 11, 2011

Viviane: uma voz depurada em concerto.



Viviane, no concerto do Teatro Municipal de Faro, ontem à noite, mostrou que não é só dona de uma das vozes mais interessantes da atual música que se faz em Portugal. Não se trata apenas da depuração de uma voz que atenuou alguns timbres residuais de outras influências, mas de uma postura vocal sóbria e expansiva quanto baste, para encher os instrumentos que a acompanham.
Os recursos vocais e corporais, que ganhou em anteriores experiências na música tradicional e no pop, são usados com parcimónia na cenografia de cada canção e a diversidade vocal torna o repertório atrativo para várias gerações. Desde os temas mais pop dos velhos "Aspas", que puseram a trautear a gente nova, até aos tangos e musetes que encantaram os mais seniores, o concerto serviu para isso mesmo: provar que Viviane não se refugia num espaço contido do fado, agora tornado foco musical de exaustão, com a confirmação da UNESCO. E que intérprete tem a possibilidade de mostrar dotes de instrumentista e de uma dicção irrepreensível na língua francófona, digam lá?
Das homenagens a grupos e autores da canção, foi bom ouvir um tema clássico dos "Heróis do Mar", agora a comemorarem 20 anos de fundação.
Talvez eu próprio gostasse de ouvir um pouco mais de guitarra portuguesa a solar nos temas mais fadistas, só isso.