sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Um folhetim online

José Carlos Barros está a publicar um excelente folhetim, no seu blogue, sobre a descoberta da sexualidade. Chama-se Aline e o prazer e já vai no capítulo IV. A ler meus amigos-->

Big Brother

A Assembleia Municipal de Loulé aprovou voto de protesto contra as forças de segurança, por estas não protegerem o concelho e, em particular, a área turística de Vilamoura. Li no Correio da Manhã. Tudo devido à importância que Vilamoura, cite-se o voto de protesto, “assume no turismo e o seu impacto na economia local e regional”. Ora, é exactamente por este factor que a insegurança aumenta. A sociologia diz-nos isso: o desenvolvimento de megalópoles e de locais de monopólio turístico, tendem a atrair focos de insegurança, pela atracção da economia subterrânea, do roubo e da violência. Enquanto a autarquia se preocupa com “a incapacidade das forças de segurança” e afirma que o “problema tem solução permanentemente adiada”, melhor seria perceber que é a ausência de soluções municipais para a migração, o desemprego e a exclusão social, que originam esta anomia social. Durkheim, disse-o há muito. E só o ler e entendê-lo.

A propósito, parece que a Câmara pensa criar um sistema de vídeo-vigilância na freguesia de Quarteira. Espero que o não coloquem no café onde habitualmente leio os jornais, ou trabalho pela manhã. Seria indiscreto da parte da autarquia observar as minhas fontes. Ou as minhas companhias matinais.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Edital

1. Por mero acaso, quando estava a recolher dados para a construção da agenda da 1ª emissão do Socializar, por aí, programa de rádio de Educação Social na Rua Fm, descobri uma síntese do meu post sobre o Entrudo e o Carnaval, linkado na rede local do Sapo. Muito interessante (link).
2. Ali no post abaixo, com o vídeo promocional do grupo de música Al-driça, coloquei o vídeo final já disponível no you tube. É só ir lá abaixo ver.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

O Entrudo e o Carnaval

Agora que , finalmente, se questiona o figurino do chamado carnaval (ver editorial de Luís Guerreiro na Voz de Loulé de 1 Fevereiro), ou se propõem novos formatos de comemoração ritual das tradições populares do entrudo, acho importante repescar o meu pequeno ensaio publicado na coluna Contrasenso, em A Voz de Loulé, de 1 de Março de 2004. Quatro anos depois, fico contente por ver que se discutem estas questões.

O Entrudo e o Carnaval
O Carnaval de Loulé costuma ser separado entre o carnaval dito “civilizado” e o outro que não o seria. São pouco conhecidos os epítetos sob os quais seriam designadas as práticas dos carnavais anteriores a 1906 – data em que a comissão de festejos, decide fazer do carnaval um recurso financeiro para a Misericórdia local – mas Freitas (1991: 166, 176) dá-nos muitas respostas. Expressões como “a brutalidade do velho carnaval”; “a machadada de morte no velho «Momo»”; “se jogava agressiva e grosseiramente ao indecoroso Entrudo”, são exemplos da transformação do Entrudo no chamado Carnaval civilizado. Esse mecanismo de transformação, assumiu desde sempre a ideologia da normalidade, da hierarquia, da disciplina, da contenção, como princípios da monarquia e, mais tarde, do Estado Novo. A própria expressão de carnaval, é de origem erudita e importada dos festejos urbanos de países centrais da Europa.


Ler ensaio integral-->

domingo, fevereiro 03, 2008

A identidade da freguesia

Um post do Almeida, sobre a abertura de uma loja gratuita da Net em pleno Largo de S. Sebastião, na nossa freguesia, desbravou uma troca de comentários sobre as reivindicações dos fregueses, em busca de comparações e simetrias culturais. Interessante acompanhar, para perceber o jogo político da construção cultural que é a identidade, sobretudo a territorial.

Al-Driça

São amigos meus. E excelentes músicos:

sábado, fevereiro 02, 2008

Treinador de Bancada #1

A partir de 1 de Fevereiro, e com a regularidade do quinzenário,
mantenho, na secção de Desporto, uma coluna intitulada
Treinador de Bancada
.
Deixo abaixo a minha primeira contribuição:

A Voz de Loulé, 1 Fevereiro 2008
(Clicar na imagem para expandir)
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Para os leitores que preferem ler em post e não em formato jpeg:


A MALDIÇÃO DO LAGOA


Iniciámos, neste número, uma coluna sobre desporto. Qualquer que seja esse entendimento antropológico do dito, pois se Miguel Sousa Tavares, Ricardo Araújo Pereira, Eduardo Barroso, Rui Santos, e outros, têm páginas à sua disposição, porque não nós? Treinadores de bancada há muitos e eu pretendo representá-los, sobretudo aqueles que estão mesmo no banco, fumando o cigarro da dissonância cognitiva, ou pontapeando garrafas de água sem marca, para os relvados. Por outro lado, já repararam que estas duas páginas estavam entregues ao amigo António Montes? Sozinho! E há muito tempo. Começava a ser discriminatório, ele estar aqui sem qualquer contraditório. Por isso já sabem, a partir de hoje, e todas as quinzenas, treinarei alguma coisa. E não pensem que só de futebol vive o nosso espanto.
A propósito disso, é melhor começar a primeira crónica por falar de futebol, não? O desporto-rei, pois claro. No último fim-de-semana jogou-se Taça. Com letra grande, pois. Então não é habitual, os jornais escreverem “aconteceu Taça”, quando o Salirense ganha ao Freixo de Espada à Cinta?
A Taça de Portugal é uma espécie de rebuçadinho dado aos pobres do futebol e foi inventada para isso mesmo. Por exemplo, para o Grupo Desportivo de Lagoa pensar que chega aos calcanhares do Sporting Club de Portugal. Na verdade, a Taça só serve para legitimar os privilégios dos grandes, que só existem se houver pobres, percebem onde quero chegar!? Foi o que se viu, na derradeira jornada. O Lagoa apanhou quatro bolas a zero, sem espinha, e deu ao Sporting a sua primeira vitória este ano. Portanto, o Lagoa cumpriu o seu papel de vassalo na Taça: deu ao adversário a possibilidade de se afirmar entre os grandes e continuar na Taça até sucumbir. Com outro dos grandes, claro. Mas os lagoenses, que foram em peso até Lisboa (parece que pararam no caminho para merendar, escondendo-se dos media que os esperavam de microfone aberto), não têm culpa nenhuma disso. Eles foram apenas para se divertir. Sair um sábado de manhã, com sandocas e cerveja a bordo, é o melhor que se pode ter depois de uma semana de trabalho no turismo. Porque a mística do futebol é feita disto. De claques que levam o nome da terra a todo o lado. Regionalismo chamar-lhe-ia António Ferro.
Por falar em mística, ao Lagoa é que eu nunca perdoarei. Melhor, ao guarda-redes do Lagoa. Explico. Jogava eu no Silves Futebol Clube, quando defrontámos o Lagoa no seu campo. Lembro-me bem que o campo (pelado, claro), estava mais enlameado que um chiqueiro, as botas enterravam-se até aos artelhos (bela palavra) e o frio de Janeiro era de rachar. Eu jogava a extremo-esquerdo (acho que, agora, o Luís Freitas Lobo designa-os como alas esquerdos), pois apesar de ser dextro, só eu chutava bem à esquerda (esta mania esquerdista), dizia o treinador. Sei que, nessa manhã, o Henrique me passou a bola no enfiamento da linha de meio campo para a frente. Dei-lhe um toque, só para a aconchegar no mau terreno de jogo, e marimbei-me para a transição defesa-ataque. O que fiz foi aplicar-lhe toda a força com a parte de dentro do pé direito, com o maior sentido de efeito possível (o contrário da trivela, percebem, que parece que inventaram agora). Como eu esperava, a bola descreveu um arco em meia-lua e se parecia sair pela linha de fundo, dirigiu-se mesmo para o ângulo superior esquerdo do Marreiros (não sei se este era o nome dele, mas para a história tanto faz). Eu não me desloquei mais, do terreno encharcado. Nem podia, a olhar enternecido para aquele arco de volta e meia, que levava a bola para golo. Surpresa, meus amigos. O Marreiros, não sei como, apesar de estar pegado ao chão, voou até à bola e agarrou-a, como se fosse um docinho de côco. Nunca vi defesa assim. Talvez mesmo só do Damas, que por acaso jogou no Sporting, o tal clube que deu quatro ao Lagoa, na passada jornada. Mas nesta crónica eu queria era falar do Marreiros, que me roubou um golo, e que se jogasse agora não deixaria o Moutinho (que nasceu na mesma cidade que eu) fazer-lhe aquele chapéu, como fez ao coitado do Botelho.
Moral da história: a história nunca se repete. Sobretudo na Taça.