domingo, novembro 18, 2012

A dança universal em Angola

Luso Doc, um nome arrojado para divulgar uma mostra de cinema documental dos países lusófonos, que decorreu nos últimos dias em Loulé. Ontem dispus-me a ver "Oxalá Cresçam Pitangas", de Kilunaje Liberdade e Ondajki (este um jovem autor do novo romance africano, bastante lido em Portugal). Uma troca técnica de filmes mostrou-nos o da noite, "A Minha Banda e Eu", do mesmo Kiluanje e de Inês Gonçalves. Um documento sobre as danças urbanas angolanas Kizomba e Semba, muito bem tratadas pelas imagens coreográficas e dinâmicas do autor. O que se prova é a criação artística de jovens angolanos, a partir de uma universalidade da expressão corporal, lembrando valsas e tangos, mas que é outra coisa qualquer. Ritmo e harmonia da tradição africana e mestiçagem europeia do pós-colonialismo. O filme também não enjeita uma abordagem do racismo negro, ao dar a palavra a um jovem coreógrafo branco e luso, que se apropria da dança crioula, mas que se manifesta no desejo de aprender e de ensinar afetos e abraços universais. O remate é justo: 'a dança é de todos' diz o dançarino/soldado angolano ao lado do seu par, uma jovem soldado que rejeita os traumas da guerra civil e prefere o amor da dança. Excelente trabalho.
Pode ver aqui o trailler do documentário:

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