quarta-feira, janeiro 22, 2020

Dos Santos, Marx e a acumulação do capital



 (foto-arquivo ASantos)

As relevações do Luanda Leaks, está a causar estranheza a muita gente. Para quem leu um módico de Marx facilmente percebe o que está em causa. O capitalismo adaptou-se aos novos tempos, batizado ou não de neoliberalismo, fazendo dos capitalistas, empreendedores ou empresários, mesmo quando estes já nada têm de ligação a fábricas e aos trabalhadores. Mas a exploração é a mesma, mesmo que disfarçada de pobreza, desemprego e ruína. O caso Isabel dos Santos mostra como o capital continua a ser alvo de uma acumulação capitalista primária, escondida hoje nos paraísos off-shores no Dubai, ou na conivência com os gestores do capital em Portugal. Francisco Louçã denuncia-o bem, e como não se espera vergonha nem de gestores, nem de políticos reprodutores do capital, o que nos resta é denunciar esta desfaçatez.

O texto de Francisco Louçã, publicado no Expresso-Diário e só acessível a leitores registados, pode ser lido via Brumas, aqui!)

[Atualização] Ver também o desabafo de João Rodrigues no Ladrões de Bicicletas (aqui)! E também no Vias de facto (aqui)

sexta-feira, janeiro 17, 2020

Imprensa: papel e rede

 (clicar sobre a imagem para ler melhor)
A propósito do post do João Martins, nos seus 14 anos do blog MacLoulé, lembrei-me do texto que escrevi, na Voz de Loulé, há cerca de 12 anos sobre o futuro que se adivinhava para a imprensa: um misto de comunicação em papel, mas a caminhar paulatinamente, e de seguida mais aceleradamente para o nível digital, nas plataformas disponíveis. Hoje, quase só leio no computador ou no telemóvel, o Expresso (diário ou semanário) entra-me pela tela móvel e, vejam lá, até o New York Times - nas suas reportagens internacionais que me interessam - me chega no formato semanal em série televisiva através do The Weekly.
É bom reler e concordar, que ainda não acertamos em tudo...

quarta-feira, janeiro 15, 2020

Hanna Arendt talvez...

O homem escreve, todos os dias, uma pequena coluna no Correio da Manhã. No seu blogue esperamos um mês para as ler, todas de seguida. Quase sempre encontramos pequenas pérolas de escritor; como esta:
A banalização do mal é um dos horrores da nossa história – mas a “banalização do bem” desvaloriza-nos a todos.
(clicar aqui para ler todo o post)

sábado, janeiro 04, 2020

Sagrado

Dias sem  vento, coisa estranha e inexplicável.  Aqui onde a terra acaba e o mar começa num canto da Europa que é a minha casa,  muitas vezes por ano.

sexta-feira, dezembro 20, 2019

Sul Informação discrimina

Queria eu comentar o artigo do Sul Informação sobre a aprovação na Assembleia Municipal de Loulé da suspensão do Plano Diretor Municipal na área referente ao terreno do mercado semanal de fruta em Quarteira, mas eis que o jornal online não me deixa comentar, a não ser por via da merda do feicebuque (como diz o RAP). Discriminação estúpida, digo eu, para um jornal tão moderno que não respeita as opções livres de cada leitor. E eu, que tenho o jornal nas minhas leituras de sidebar, em conjunto com outros bem mais sérios...

sexta-feira, dezembro 13, 2019

Medronhos

Aí estão eles, os arbustos do barrocal e da serra do Algarve, cheios de frutos laranjas e vermelhos, enquanto o sol tímido do outono não traz algum calor aos montes. São redondos e picados de rugosidade, tenros ao contacto dos dedos e brilhantes no desejo de os colher e comer. Quando era puto, dizia-se da sua bebedeira; eram os mais velhos guardando para si os sabores ácidos dos medronhos. Colhidos, limpos de folhas e pedúnculos, depois fermentados em tinas várias, eles são o conduto dos alambiques de cobre, aquecidos a lenha, até se despejarem em líquido escorreito, transparente e quente até às goelas a queimar de quem o bebe. Em jovem trabalhei numa moagem e destilaria em Lagos, mas lá só se destilava o engaço da uva e o figo, transformados em bagaços e aguardentes. Ao sair do alambique para o copo, vinha solícita até à nossa boca sequiosa de adolescente. Mais tarde, em adulto, colhi muitos medronhos nas serras de xisto do nordeste, com o mesmo frenesim com que sabia os iria beber em líquido de fogo.

quinta-feira, dezembro 12, 2019

Crónicas de Assis Pacheco

Numa investigação que estou a fazer, nos jornais locais e regionais no Centro de Documentação da Câmara de Loulé, deparei-me com as minhas crónicas publicadas no jornal A Voz de Loulé. Insertas com vários formatos e designações eram, de certa maneira, devedoras deste blog e suas causadoras também. É o ovo e a galinha da filosofia. Mas vem isto a propósito de este estímulo me ter levado a voltar à leitura de livros de crónicas. Ao livro de Nelson Rodrigues, A Vida Como Ela É... e a este caso, quase surrealista de Assis Pacheco, Tenho Cinco Minutos para Contar uma História. Pequenos contos de 5 minutos, lidos aos microfones da rádio, entre 1977-1978, sobre tudo o que merece ser contado e partilhado, palavras, frases e expressões nas quais nos revemos sempre.
(Clicar na imagem para aceder ao livro)

quarta-feira, dezembro 11, 2019

José Lopes

José Lopes tinha menos dois anos do que eu. Morreu na rua, de tristeza e de miséria. Tinha sido ator e colaborador da extinta Cornucópia, o projeto de teatro excecional de Luís Miguel Cintra. O blogue de Eduardo Pitta, pergunta: ler aqui!

Liberais sem iniciativa

Confrangedora, foi a intervenção do deputado da Iniciativa Liberal no debate quinzenal parlamentar com o governo. Mal preparado, sem dados para argumentar no pouco tempo de debate, foi gozado e enxovalhado, pelo humor pouco habitual, mas repescado, do primeiro ministro. As promessas da ideologia liberal cada vez conquistam mais detratores.

quarta-feira, dezembro 04, 2019

Tirem a pata de cima!

Estiveram bem, e coerentes, com a defesa de uma política de paz e de solidariedade entre os povos, o Bloco e o PCP na Assembleia da República, ao questionarem a reunião, ao que parece clandestina, entre o secretário americano Mike Pompeo e o primeiro ministro israelita Benjamin Netanhiu. Empurrados pelo esperto Boris Jonhson, que deu a desculpa de estar muito ocupado para assegurar segurança e custos em Londres, aqueles dois colonizadores e fazedores de guerras, vêm encontrar-se em Portugal, não como turistas, mas para cozinhar algo, Ambrósio! Razão tem o líder parlamentar do BE, quando afirma que isto nos faz lembrar a cimeira das Lajes, nos Açores, quando a direita europeia se encontrou, sob o beneplácito de Durão Barroso, antes da invasão e da guerra do Iraque.

segunda-feira, dezembro 02, 2019

O Anjo Pornográfico

Volto à segunda leitura de O Anjo Pornográfico, A Vida de Nelson Rodrigues, a biografia do cronista e dramaturgo mais importante do Brasil. A obra, do maior biografista de língua portuguesa é, na verdade, sobretudo um quadro quase cinematográfico do Brasil das primeiras sete décadas do século XX. Ruy Castro faz uma investigação pormenorizada, sem cedências metodológicas, que cruza pesquisa documental, entrevistas e conversas informais, e que coloca no lugar a interpretação insuspeita sobre uma figura controversa e marcante desse período: progressista e reacionário, génio e louco, anticomunista e socialista. A não perder, e para ler mais do que uma vez. Para quem fica viciado, aconselho as belas crónicas dos anos 1940-1960 de Nelson Rodrigues, obra editada pela Tinta da China, com o título A Vida como Ela é... (clicar sobre o nome da editora).

segunda-feira, novembro 25, 2019

José Mário Branco militante

O percurso militante e ativista de Zé Mário Branco é conhecido, mas não tanto. Aqui, já falamos do site que congrega o seu trabalho de musicólogo mas, por ora, salientamos o seu papel de construtor de amizades, projetos e militâncias, tão político-sociais quanto estéticas. Uma delas foi a sua participação na criação do site e jornal Mudar De Vida, um jornal popular pouco conhecido. A outra, a sua colaboração na construção de um dos mais interessantes projetos teóricos do marxismo, o Passa-Palavra. Neste, escreveu textos magníficos sobre a ética e a estética da canção, num conjunto que intitulou de 'Oficina da Canção'.
Aconselhamos vivamente a sua leitura, clicando nas palavras sublinhadas!

The Weekly, uma série do New York Times

O The New York Times, um dos jornais mais famosos do mundo, lançou recentemente uma série televisiva, um verdadeiro jornal de investigação em série. Supervisionado pelos editores do NYT, The Weekly é uma aposta interessante, feita por jornalistas locais ou investigadores com tarimba nos temas abordados. Já traduzida para emissão portuguesa, passa no canal Odisseia (posição 118), às terças, no horário das 23 horas. No caso de Portugal, os editores decidiram começar pelo episódio 3, que trata  do papel do «You Tube» na manipulação ideológica e política das eleições presidenciais brasileiras, e no quotidiano virtual do país. A não perder (clicar em The Weekly).

Para onde vai o Brasil?

Para onde vai o Brasil, pergunta-se no título, agora que tem Bolsonaro na presidência, Deus no céu e Jesus na terra? Esperemos que apenas seja a vitória, latino-americana, de um clube de regatas do princípio do século passado.

sexta-feira, novembro 22, 2019

A ainda vida de Cláudio Torres

(fonte: RTP2)

A vida de Cláudio Torres dava um filme; e deu mesmo. A RTP2 começou a transmitir a série documental Cláudio Torres, arqueologia de uma vida, um documentário de 3 episódios da responsabilidade de Ricardo Clara Couto, baseado no livro de Manuela Barros Ferreira, sua mulher e companheira de sempre. 
Atenção que já passaram os dois primeiros episódios (para quem tem box ou outro sistema de gravação ver dias 14 e 21, pelas 23:05h.). O próximo e último passa no dia 28 à mesma hora. Uma oportunidade para conhecer muitos episódios, desconhecidos de quase todos, do Prémio Pessoa de 1991.
Atualização: a RTP Play já disponibilizou os dois primeiros episódios.

Arquivo de José Mário Branco

(fonte: FCSH)

José Mário Branco sempre disse que o seu património artístico seria de todos, mesmo em vida. Pouco dado a direitos de autor, e usando apenas o mínimo para viver, deixa um património artístico e estético, cultural e musical imprescindível, hoje confiado ao CESEM, Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical, da Universidade Nova de Lisboa, coordenado pelo professor Manuel Pedro Ferreira. Esse espólio, quase completo, pode ser acedido aqui. vamos lá clicar na palavra sublinhada!

terça-feira, novembro 19, 2019

José Mário Branco e as inquietações



Só a morte obriga ao consenso das homenagens, como se todos nos sentíssemos órfãos de alguma coisa, seja da amizade ou da presença vívida. Gosto muito pouco destas manifestações, e se José Mário Branco - que conheci e com quem tive as maiores proximidades políticas, em quase todos estes tempos político-sociais - precisa também da minha homenagem, é esta que deixo, aquela que perdura na voz de Camané e nos instrumentos dos Dead Combo. Que venham mais e mais inquietações!

quarta-feira, novembro 13, 2019

Abrupto no banco de jardim

Durante vários anos, o blog Abrupto (de José Pacheco Pereira) foi leitura obrigatória da blogosfera nacional, até por ser dos primeiros a surgir na época da moda dos blogs, que ocorreu nos princípios deste milénio. Entre tantos textos de interesse, havia a participação regular de um leitor que enviava fotos e pequenos textos de referência climatérica, sobre «a passagem do tempo num banco de jardim de Santo Amaro». Recordei esses posts, quando fotografei este banco de jardim na urbanização da Boa Entrada, em Loulé.

terça-feira, novembro 12, 2019

'Acuerdo' de esquerda em Espanha




(fonte: publico.es)

Bueno! Tinha acabado de escrever este post, sobre a eventualidade e a necessidade de acordo à esquerda no parlamento de Espanha e parece que a realidade me deu razão, a mim e a outros. Sanchéz e Iglesias negociaram um preacuerdo para a investidura do dirigente do PSOE como primeiro-ministro e o dirigente do Unidas Podemos será, tudo indica, vice-primeiro-ministro. A ver...

Um encantamento de texto

«A Metamorfose», de Kafka, é apenas um pretexto para chamar a atenção para a beleza preocupante deste texto de Carla Romualdo (a seguir apenas um extrato):
E esta frase, que apanhei por sorte num final de jornal televisivo, encheu-me de esperança. Poderá não ser a vida eterna, mas há, afinal, vida depois da morte, até para os não crentes. Basta que acreditemos na domiciliação bancária e no débito directo. Encantamentos modestos, mas acessíveis.