E esta frase, que apanhei por sorte num final de jornal televisivo, encheu-me de esperança. Poderá não ser a vida eterna, mas há, afinal, vida depois da morte, até para os não crentes. Basta que acreditemos na domiciliação bancária e no débito directo. Encantamentos modestos, mas acessíveis.
terça-feira, novembro 12, 2019
Um encantamento de texto
«A Metamorfose», de Kafka, é apenas um pretexto para chamar a atenção para a beleza preocupante deste texto de Carla Romualdo (a seguir apenas um extrato):
Unidas Podemos??
As eleições em Espanha, do passado domingo, aproximam os resultados das eleições legislativas de Portugal em 1995, sobretudo na situação da instabilidade governativa dos projetos hegemónicos do capitalismo. Sem maiorias absolutas, não tem havido governação absoluta dos partidos 'socialistas' em Portugal e em Espanha. Por ora, o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) mantém o mesmo discurso e hesitação, entre os acordos legislativos à direita ou à esquerda, sendo que em Espanha o parlamento, agora com a presença da extrema-direita do Vox, merece outra atenção. No entanto não é só o PSOE que tem titubeado na crise institucional do país vizinho, com eleições sucessivas e o 'tsunami' catalão. Também o Unidas Podemos, sobretudo da linha Pablo Iglésias, tem mostrado não estar à altura de acordos que livrem a direita espanhol de tomar o poder. A cisão da UP, por via do Más País, de Inigo Errejón, que alcançou 3 deputados (uma espécie de Livre do Bloco português), mostra que o caminho deve ser esse mesmo: deixar de querer lugares no governo e para já aceitar as devidas condições para uma maioria de esquerda no parlamento de Espanha.
Para uma leitura do que diz Daniel Oliveira no Expresso diário (via blog de Joana Lopes), clicar nas palavras sublinhadas.
sábado, novembro 09, 2019
O velho Melhoral
O velho Melhoral ainda existe. Recordei-me dele a propósito do desabafo de um septuagenário que, à porta do hipermercado, vinha protestando sozinho em voz sussurrada: «É sempre a mesma coisa, ontem não tinham, hoje também não!». Perguntei-lhe o que se passava, ele explicou-me, vinha à procura dos tais velhos comprimidos. Contra a minha sugestão de adquirir outros analgésicos, respondeu-me, «bah!».
sábado, novembro 02, 2019
A extinção dos passeriformes
Há algumas semanas Carla Tomás, jornalista do Expresso, assinava um texto no jornal sobre o desaparecimento de muitas espécies de flora e de fauna dos montes das serras algarvias. Ouvidos pastores e agricultores concluía pela quase extinção de algumas espécies de passeriformes [aves insectívoras de pequeno porte]. O problema, na altura em que se torna moda falar de ecologia, é preocupante, mas interessa percebê-lo num quadro de maior complexidade. Com o abandono da economia serrana (pessoas, trabalho e vida) as aves migram em busca de habitats mais favoráveis, tal como a espécie humana, e fazem-no há mais tempo do que nós. Por exemplo, é ver os bandos de pardais de vários tipos, ou de pintassilgos, junto das dunas e das praias, alimentando-se de restos de comida, sementes e o que vier ao bico.
Nas caixas-ninho, colocadas na parede norte da minha casa, na cidade de Loulé, destinadas a abrigar criações de chapim-real e mais tarde colonizadas quase sempre por pardal comum, foram criadas esta primavera-verão cerca de 4 posturas em cada caixa, dando origem aos juvenis que hoje vemos a limpar os insectos das periferias, tornando mais limpo o nosso clima.
sexta-feira, novembro 01, 2019
A moda é uma merda!
Autor convidado: Joaquim Mealha Costa
E indispensável ler.Ocasionalmente, assisti e participei no bar do Cineteatro [Loulé], a uma conversa com Vítor Belanciano. Talvez há 5 ou 6 anos, ainda no período cinzento de mando dos capatazes ao serviço dos senhores financeiros, donos dos escravos do nosso tempo, era sobre a cultura e a sua função... Não consigo precisar bem... Sei que a certa altura lancei para reflexão a crise dos valores humanistas, o primado da selvajaria liberal, o esmagamento dos mais fracos, culpabilizados, porque se assim estavam é porque não empreendiam, havia um mundo de sonho à sua frente, bastava vender pipocas, garantia o "embaixador" nomeado por Coelho... E a meu ver a arte e os artistas e criadores do vazio, da estética sem ética, sem causas, sem valores humanistas, sem propósitos de transformação, tem sido um instrumento para construir o estado comatoso em que nos encontrávamos e encontramos... Pareceu-me, estar de acordo... Não posso afirmar... Quantas vezes nos enganamos com o que nos aparenta serem assentimentos...!Este artigo mostra e demonstra o equívoco que continuamos a construir... É angustiante... O futebol que já vem do antigamente; o fanatismo das múltiplas seitas, pouco capazes de entender que a realidade tem múltiplas faces, veio superar Fátima; e a festa, branca, preta, com luzes, ruídos, supostamente com estética mas sobretudo anestésica. E tudo injetado como progresso. Numa sociedade em que a condição humana é degradada, embrulhada em realidades conceptuais, virtuais, em saladas de palavras torpedeadas no seu sentido...Para lerem e pensarem! Clicar na palavra sublinhada para ler a crónica de Vitor Belanciano no Público.
terça-feira, outubro 29, 2019
Rosa Mota
Parece uma picuinhice vaidosa de Rosa Mota, o facto desta ter recusado estar presente na inauguração do renovado Pavilhão Rosa Mota, agora designado Super Bock Arena, pavilhão Rosa Mota. A polémica tem a ver com a mudança do logótipo que menorizou o nome da atleta olímpica e ligou-a a uma marca de cerveja. Mesmo quem gosta da bebida de trigo, sabe muito bem que a mercantilização do desporto e a submissão da prática desportiva ao capitalismo financeiro é o pão nosso de cada dia, e um caminho cada vez mais perigoso na alienação popular. Razão teve Rosa, quando respondeu ao presidente da República, a propósito da afirmação deste de que ela era mais importante do que qualquer presidente: Nãoooo!
Peneireiros nas arribas
Nestas arribas, de argila e arenitos, nidificam peneireiros vulgares. Este ano, na primavera e no verão, alguns casais de peneireiros vulgares colocaram e chocaram os seus ovos nas fendas abrigadas das arribas, depois alimentando e ensinando voo e caça aos juvenis. No pico do verão, quando se instalam centenas de veraneantes nas praias e nos topos das rochas, eles seguem para outras paragens, deixando em silêncio estas escarpas, depois de fazerem ouvir os seus assobios estridentes quando caçam. No próximo ano, talvez voltem.
domingo, outubro 27, 2019
A indignação pública
O Joaquim Mealha chama-me a atenção para o texto que a Marisa Matias, eurodeputada do Bloco de Esquerda, publicou no «Diário de Notícias» no passado dia 26, a propósito da votação de uma lei sobre resgate de emigrantes, que foi chumbada com o contentamento da direita e sem a indignação da esquerda. Já o tinha lido no blogue da Joana Lopes, que o publica na íntegra e, na verdade, lembrei-me do que disse o Daniel Oliveira há uns tempos: temos que nos indignar de forma descarada, em alta voz e em público, nas ruas e nos media, tal como a direita boçal o faz.
quinta-feira, outubro 24, 2019
Refeições nas cantinas das escolas
Não é visível, à partida, a relação entre as refeições das cantinas escolares e a autonomia das escolas (ver aqui o artigo de António Nabais no 'Aventar'). O que é certo é que a partir da empresarialização das compras dos alimentos, e da entrega das cantinas a empresas, a autonomia e tudo o que ela consubstancia de proximidade, interrelação escolar e respeito pela economia local, transformou-se no seu oposto, a heteronomia. Quer dizer que tudo é imposto pelo exterior, quer ele seja o município ou as grandes empresas. Por isso, a luta contra a municipalização das escolas é um desiderato de todos aqueles que consideram a defesa da escola pública.
Como ver o Mundial de Râguebi?
Sobre o râguebi, já passou o tempo dos olhares de uma modalidade agressiva, violenta e marialva, por causa das formações ordenadas, das placagens e dos constantes pick and go. Assistindo aos jogos da bola em melão, no campeonato do mundo a decorrer no Japão, é uma beleza para os olhos ver os movimentos, o bailado da passagem da bola, os ensaios e penaltis sucessivos. E mais do que tudo, o respeito pela pedagogia dos árbitros a explicar as incorreções dos jogadores. Um mimo.
quarta-feira, outubro 23, 2019
Ciganos na comunidade
Um casal cigano vareja uma oliveira na urbanização Boa Entrada em Loulé. Sujeitos a discriminações e preconceitos, os ciganos têm vindo, paulatinamente, a ser aceites na sua diversidade cultural. Um dos meios utilizados tem sido a sua integração nas comunidades, como coletores ou respigadores, de fruta, vegetais ou mariscos. Mesmo neste caso são acusados de roubo, por estarem a usar espaços e propriedades alheias, muitas delas abandonadas. No caso presente, também eu, e mais vizinhos, aproveitamos o desperdício de figos, azeitonas e amêndoas destas árvores, quase sempre à espera de cortes, devido à expansão urbanística dos terrenos das periferias da cidade. Recordo o sapiente José Vieira que, já nas décadas de 1950-1960, entregava a apanha da alfarroba a famílias ciganas acampadas em Alte, abrindo assim caminho à inclusão de etnias discriminadas.
segunda-feira, outubro 21, 2019
AMAL: para que serve?
Parece que o atual presidente da Câmara de Loulé vai candidatar-se à presidência da AMAL (Área Metropolitana do Algarve), agora que o seu ex-presidente rumou à Assembleia da República e parece que à Secretaria de Estado das Autarquias.
É verdade que, há dias, ouvi o antigo presidente Jorge Botelho falar da dificuldade de instalar, de uma vez por todas, a Ciclovia do Algarve, uma via ciclável que conheço bem e sei do estado miserável em que se encontra. Ainda por cima sem aparentar sequer qualquer sensibilidade para a questão, como se fora alguém que nunca pisou os pedais de uma bicicleta. Se é para isto que serve a AMAL, vou ali e já volto...
sexta-feira, outubro 18, 2019
Catalunha: olhar o problema
(Portada do El País)
Quem analisa o tsunami democrático na Catalunha como se fora uma revolta juvenil, está a ver apenas as filas da frente dos milhares de manifestantes em marcha para Barcelona. Quem julga que este movimento de massas nunca visto, é apenas uma rebelião contra a condenação dos líderes catalões democraticamente eleitos, pretende apenas pôr nas mãos do poder judicial espanhol, aquele que é um problema político de fundo. Uma questão de nacionalidade, numa Espanha multinacional que nunca se enfrentou, como um abanico de identidades dispersas que deve dar a palavra ao povo sobre a sua auto-determinação. Como dizia um sexagenário catalão, há pouco na SIC, se o poder judicial e político toma decisões nos gabinetes contra o povo, o povo toma as ruas. Como fez em toda a sua história.
quarta-feira, outubro 16, 2019
Populismo: conceitos vários
O sociólogo e ativista Walden Bello esteve em Portugal para uma conferência no ISEG e aí esclareceu o seu ponto de vista atual sobre a globalização. Numa pequena entrevista ao Público, mostrou como a extrema direita se apropriou de bandeiras da esquerda em todo o mundo, conquistando eleitoralmente apoios populares e mobilização nas ruas. Particularmente, sobre o conceito de populismo - agora que a designação é usada para cobrir mecanismos e fenómenos muito diversos - esclarece que muitos destes fenómenos, a sul ou a norte, não são na verdade movimentos populistas. Por isso vale a pena citar um excerto da sua entrevista:
O populismo é um estilo de comunicação com as massas e tanto políticos de direita como de esquerda usam-no. Vejo isto mais como um movimento contra-revolucionário. Ao longo das décadas, em alguns casos, foi uma contra-revolução contra a emergência da classe baixa. Noutros casos, o que se passa é o fracasso da democracia liberal na satisfação das aspirações daqueles que inicialmente sentiram que a democracia liberal iria ser um caminho para um empoderamento e igualdade reais. Este movimento contra-revolucionário em oposição à democracia liberal põe em causa as próprias fundações da democracia , como por exemplo o secularismo, a diversidade, o estado de direito. Os movimentos de extrema-direita, não são só racistas, como colocam em causa as fundações da democracia liberal. (jornal Público, 7 outubro 2019, pp. 30-31)
sábado, outubro 12, 2019
Trabalho em revista

Ocupado com outras investigações e eventuais artigos - entretanto a próxima revista do Arquivo Municipal de Loulé, Al-Uliã, trará dois artigos meus, um deles em co-autoria com antigas alunas minhas - não tenho podido publicar na revista brasileira Trabalho necessário. Mas o facto não me iliba de chamar a atenção para a excelência dos artigos dos dois mais recentes números, cujas capas estão acima. Para ler é só clicar sobre o nome da revista que está sublinhado.
domingo, outubro 06, 2019
O equívoco das causas da abstenção nas legislativas de 2019
A ideia de que a disseminação de partidos candidatos às eleições são expressão de participação democrática e que determinam a ida às urnas, sempre foi errada e esconde a verdadeira participação por detrás do chapéu de chuva da representação. Grande parte dos 21 partidos candidatos, ao invés de serem mobilizadores, afastam claramente os eleitores. Uns por serem recauchutagem de velhos responsáveis; outros por parecerem a palhaçada visível da ignorância e da vulgaridade; outros surgindo como partidos unipessoais ou monotemáticos. Aliás, o debate radiofónico, expandido às imagens televisivas, foi um belo exemplo de stand up comedy, melhor do que o 'Levanta-te e Ri'.
Por isso, que não se estranhe a abstenção a subir aos 50%, nestas legislativas de 2019.
quarta-feira, outubro 02, 2019
Organismos gelatinosos
(fotos de Deanna Raimundo)
Conselho: Não convém tocar!
terça-feira, outubro 01, 2019
A velha agenda cultural de Loulé
(clicar na imagem para ver melhor)
Na arrumação - crónica - de velhos papéis e revistas que enxameiam arquivos mortos e prateleiras na garagem e restantes espaços da minha casa, lá encontrei alguns velhos recortes que fazem as memórias e as histórias do presente. Neste caso, trata-se de um texto de José Batista (conhecido no mundo da banda desenhada como Jobat), amigo e companheiro de várias lides, já falecido. O Batista faz, no texto, o historial daquela que foi a primeira Agenda Cultural do município de Loulé, na altura designada como «Roteiro Cultural e Desportivo de Loulé» e publicada em Novembro de 1991. Nunca lhe agradeci o encómio que nos faz, a mim, ao Luís Guerreiro (RIP) e ao Joaquim Mealha Costa, dez anos depois daquela data.terça-feira, setembro 24, 2019
Recicla-me, porra
Duas tampas de garrafa de coca-cola. Em cima, uma tampa de garrafa comprada em Portugal; em baixo uma tampa de garrafa comprada em Espanha. Todo um programa ecológico dos fabricantes e distribuidores da bebida conhecida como a bebida do imperialismo americano. Mesmo assim, Portugal mantém uma quota de reciclagem superior à do país vizinho.
sábado, setembro 21, 2019
Gajas e frangos
Um grupo de adultos maiores, conversando sobre política sexual na esplanada da avenida José da Costa Mealha em Loulé, à volta do pasquim «Correio da Manhã», aberto nas páginas voyeuristas:
Vocês perdem tempo aí a olhar para as pernas das gajas; eu não perco tempo com isso. Isso é papel. Eu prefiro uma boa perna de frango!
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