Recupero o texto de Francisco José Viegas, que só li agora, sobre o tema em título (ler aqui). O que ele escreveu foi o mesmo que pensei, na altura quando dei pela ação de alguns jovens das escolas. Em minha casa poupa-se água e energia, separamos lixo orgânico e todos os restantes resíduos sólidos urbanos para o ecoponto, recolhemos lenha e pinhas para aquecimento, não temos ar condicionado, aproveitamos a água da chuva para limpezas e rega de plantas, usamos viaturas em segunda mão, vendemos ou oferecemos o que não nos faz falta, trocamos livros usados, andamos a pé e de bicicleta, enfim... E os meus filhos (jovens naturalmente) fazem parte desta filosofia prática. Por isso, FJV tem toda a razão! Velhos e reacionários, uma ova!
terça-feira, abril 09, 2019
segunda-feira, abril 08, 2019
Conversando de José Cavaco Vieira
O Museu Municipal de Loulé
(MML) publica regularmente um Boletim do seu Centro de Documentação, dando a conhecer
o seu património documental. O último número traz uma segunda referência ao
jornal local «Ecos da Serra» de Alte, desta vez sobre a sua rubrica mais
famosa, a crónica do altense José Cavaco Vieira, intitulada ‘Conversando’ (ler aqui,
nas páginas 6-9, texto de Sónia Silva, técnica do MML).
A qualidade dos textos
do 'Conversando' motivou a sua publicação pela Câmara Municipal de Loulé, ainda em 1997 e em
vida do autor e, mais tarde, em 2003, numa obra que tive o prazer de coordenar
e de introduzir aquando das comemorações do seu 100º aniversário, após o seu fenecimento.
A obra, intitulada «Conversando a Vida Toda», é hoje considerada rara, apesar
de ainda estar à venda nos serviços da autarquia (ver aqui).
sexta-feira, abril 05, 2019
De como o capitalismo se serve do fascismo
(Clicar na imagem para aceder à revista)
Numa altura em que o poder
militar no Brasil desenvolve um retomar protofascista da ditadura militar
(veja-se o recente vídeo da presidência Bolsonaro de elogio aos ditadores
militares do golpe de 1964), desenrolam-se, ao mesmo tempo, os inevitáveis
movimentos sociais de resistência democrática. As baterias do Carnaval carioca
são disso um bom exemplo, com o destaque para a memória política do assassinato
de Marielle Franco, feminista e defensora popular. Nas universidades, e na
escola em geral, atacadas pelo programa Escola Sem Partido, mas que entrega à
Bíblia os conteúdos científicos do ensino, são outros os meios de resistência.
Muitas vezes, servindo apenas uma franja de académicos e intelectuais mas
obrigando-se a cumprir o seu papel, as revistas académicas são um nicho de
produção de conhecimento e de teoria social que serve toda essa resistência,
dispersa e diversa. A «Trabalhonecessário»,
revista da Universidade Federal Fluminense na qual colaboro, preparou a sua
edição nº 32 (jan-abr2019) sobre o tema das categorias fundacionais do
materialismo histórico marxista, com artigos escritos e sujeitos a arbitragem
científica, até novembro de 2018. Este foi também o período de campanha,
eleição presidencial e tomada de posse do presidente do Brasil. Podemos dizer, são
ínvios, os caminhos da história. Por isso vale a pena ler os artigos pensados
com precisão a talhe de foice (e martelo?) de Emir Sader, de Gaudêncio Frigotto
e Sónia Maria Ferreira, o editorial de Lia Tiriba et. al, e muitos outros, alguns
deles meus professores e colegas. Uma justeza marxista na mouche…Eu tive o prazer de contribuir com a fatia internacional, através de um artigo sobre a ascensão do capitalismo industrial no Algarve. A minha
tese é a de que o capitalismo se serviu do fascismo para a exploração operária,
para que o fascismo se afirmasse como a ideologia do desenvolvimento industrial
e capitalista. Dizem os organizadores ( Moura & Oliveira) que a minha
interpretação é que este movimento se estabeleceu num quadro de permanentes e crescentes expressões da luta de classes. Desta forma, o texto se constitui como um contributo para melhor visualização e análise de como se expressaram diversos movimentos de resistência, os quais, na prática, foram formas diversificadas de materialização da luta de classes
Para ler o artigo clicar aqui!
terça-feira, março 12, 2019
Xenofobia em Loulé
Café Portas do Céu em Loulé. Conhecido na cidade pela presença assídua de reuniões, tertúlias políticas e culturais, foi também lá que se reuniu durante alguns anos a CUVI, Comissão de Utentes da Via do Infante, movimento informal de luta contras as portagens da A22, conhecida como Via Infante de Sagres. Há tempos o café modernizou-se e deixou o seu cunho rústico para se tornar num café aberto aos novos ricos. Há dias decidi dar uma vista de olhos e beber um café, mas dois batráquios xenófobos dentro de portas fizeram-me guardar as moedas. O Café Portas do Céu assume assim que é discriminador e racista na cidade de Loulé, reforçando o mito do medo dos ciganos daqueles sapos músicos. Se passasse por estas portas a cineasta Leonor Teles, ela dizia-vos o que era «A Balada de Um Batráquio».
terça-feira, fevereiro 05, 2019
Peixoto e Galveias
PEIXOTO REFLETE SOBRE SI
Helder Faustino Raimundo | 01-02-2019
Todos os escritores escrevem sobre si próprios. José Luís Peixoto não desmente esta asserção. O Caminho Imperfeito é o seu caminho, o caminho que trilha há algum tempo, entre a sua vida e a sua ficção. Esta não ficção, é isso mesmo, uma narrativa de ficção sobre as personagens da sua vida pessoal, social e profissional. Banguecoque e Las Vegas são o disfarce da viagem interior que o autor desenvolve sobre si, o seu passado e o seu futuro, numa teia literária entre o lugar de Galveias e o não-lugar que é todo o mundo.
(Ler aqui)
segunda-feira, fevereiro 04, 2019
A teoria das classes sociais e Olin Wright
O João Martins deu conta da morte do sociólogo Erik Olin Wright. Nas leituras para a minha tese de doutoramento lá andei à volta dos textos deste autor, quase sempre sobre a teoria das classes sociais. Considerava ele que o marxismo deveria repensar-se a partir do descalabro dos regimes ditos comunistas, e essa reflexão deveria ser feita dentro de uma nova perspetiva de análise das classes sociais. Em 1983 escreveu mesmo um texto que intitulou de "O que é neo e o que é marxista na análise neo-marxista das classes?" para explicar o seu ponto de vista. Em 1997 publicou uma importante pesquisa empírica «Class counts: comparative studies in class analysis», pela Cambridge University Press. O sociólogo português João Ferreira de Almeida escreveu um texto (1981) onde ajuda a perceber a teoria das classes sociais, citando também Olin Wright, sobretudo o seu livro anterior «Class, crisis and the State» (1978).
segunda-feira, janeiro 07, 2019
Por Timor! em Loulé, 1992
Há 26 anos deve ter sido a 1ª manifestação de apoio a Timor.
Pensada por alguns ativistas, a iniciativa juntou artistas plásticos e músicos
na Avenida José da Costa Mealha e no Cine-Teatro da cidade. No espólio do nosso amigo Venceslau
Contreiras, infelizmente já falecido, o seu irmão Adão Contreiras encontrou e
editou um documentário de 8 minutos sobre a iniciativa. Lá aparecem o Adão, o
Vitor Picanço, o Afonso Rocha, o Afonso Matos, o Hermínio Pinto da Silva, o
Daniel, não sei se o Sérgio Sousa - todos artistas plásticos. Também de passagem, e sempre a correr, eu, o
Joaquim, o Albano, e muitos miúdos da Secundária de Loulé, mobilizados e ensaiados como sempre pelo José Teiga, outro dos ativistas. Também a Filomena e
o Filhó, que apresentaram a sessão da noite.
Para perceber o contexto convém ler o conjunto de posts que escrevi há uns anos (clicar aqui).
No blog do Adão aqui!
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