terça-feira, novembro 30, 2010

Finalmente uma televisão


Finalmente, é uma televisão online algarvia que fura o boicote dos grandes canais de TV do poder. A Digital Mais TV apresenta uma excelente reportagem, com um excelente discurso do Almeida. Em frente pois!

Adenda às 23h:
Não é para 'embandeirar em arco', mas a pressão exercida sobre a AMAL, a propósito das portagens na Via do Infante, já deu os seus frutos. Da posição de cedência passou a propor a 'desobediência civil'. Ler no Região Sul.
Portanto, a luta continua, agora mais forte!

sábado, novembro 27, 2010

Teatro em Loulé


Grande parte deles e delas são meus amigos: actores, cenógrafos, encenadores. Há anos que dão vida à arte de Talma, sempre de forma crítica e na perspectiva das primeiras experiências experimentais com o Teatro Laboratório de Faro, nos idos anos 80. Hoje, estão com uma peça escrita por cá, que conta algumas das histórias de lá, do Amanhecer na Rotunda de Lisboa, no dia 5 de Outubro de 1910. A não perder esta noite, às 21.30h, no Pavilhão do NERA em Loulé, o TAL da Casa da Cultura de Loulé.

sexta-feira, novembro 26, 2010

Balanço da marcha contra as portagens

A imagem acima, de Luís Forra, mostra um aspecto da Marcha de Protesto contra a introdução de portagens na Via do Infante, que se realizou esta tarde em Faro. Apesar da comunicação social não saber fazer contas, diminuindo de cerca de 40 para 20 o número de viaturas presentes, o mais importante de tudo foi a participação de activistas de todo o Algarve, de cidadãos que não se conheciam até há um mês atrás, mostrando a capacidade de iniciativa de protesto, de cidadania e de organização que poucos movimentos mostraram, até hoje, no Algarve.
Lá estiveram as televisões todas, rádios em direto e vários fotógrafos que, espero, possam furar o boicote que se exerce sobre os movimentos sociais de protesto. Até agora apenas a Lusa mostrou o seu trabalho, que pode ser lido por exemplo aqui. Por ora, apenas a cotovelada em Obama, a presença de Moutinho no jogo em Alvalade e o casamento do príncipe William fazem as notícias do ópio que o povo gosta.
*
Adenda da madrugada: reportagem TSF sobre a marcha pode ser ouvida aqui.
Ver fotos no Blog do Almeida.

Hoje marcho na 125 contra as portagens

Depois da acção-surpresa realizada em Loulé, no Dia da Memória 2010, que obteve o total apoio dos clubes motards do Algarve e a solidariedade de autarcas e dirigentes sindicais (ver manifesto e imagens no blog da Comissão de Utentes), vamos hoje marchar e buzinar contra a introdução de portagens na Via do Infante e contra mais mortes na 125. O que estamos todos e todas a fazer é apenas assumir a nossa cidadania, e por isso a dar a cara pelo nosso protesto contra as injustiças. Sem este movimento social nada poderemos construir, pois é certo que os dirigentes políticos que nos governam país, região e autarquias, não falam a verdade e apenas lhes interessa a submissão dos fracos e dos pobres. Contra isso:

A Comissão de Utentes da Via do Infante apela a todos os automobilistas, utentes, associações, empresas e a todos os cidadãos, que estejam contra a introdução de portagens no Algarve, independentemente da requalificação da EN 125, que se manifestem publicamente no próximo dia 26 de Novembro incorporando-se na Marcha da Indignação. O ponto de concentração será na EN 125, Sítio do Arneiro – Faro (em frente à fábrica da Sumol), pelas 17.30 h, com partida marcada para as 18.00 h a caminho da rotunda do Hospital Distrital, nesta cidade.

P'lA Comissão de Utentes da Via do Infante
António Almeida – Loulé, Duarte Santos – Albufeira, Helder Raimundo - Loulé, Inácio Machado – Boliqueime, José Manuel Estevens – Monte Gordo, João Gonçalves Caetano - Portimão, João Nogueira – Almancil, João Vasconcelos – Portimão, Jorge Ramos - Lagoa, José Domingos – Castro Marim, José Ramos – Portimão, Mariette Martinho - Loulé, Mário Matos – Vila Nova de Cacela, Nuno Viana – Tavira, Paula Sotero - Boliqueime, Paulo Aguiar – Luz de Tavira, Regina Casimiro – Loulé, Richard Farr – Albufeira, Rogério Romão – Loulé, Sílvia Portal – Portimão, Tommy – Boliqueime

sábado, novembro 20, 2010

sexta-feira, novembro 19, 2010

Acção-surpresa contra as portagens na Via do Infante


A Comissão de Utentes da Via do Infante vai realizar a sua 1ª 'acção-surpresa' contra as portagens na Via do Infante, amanhã, sábado, dia 20, em Loulé, com concentração pelas 11h00, junto do Convento de S. António (na base da Igreja da Mãe Soberana).
A acção de protesto insere-se nas comemorações do Dia da Memória, organizado pelo Governo Civil de Faro e que pretende homenagear as vítimas de sinistralidade rodoviária.
Para não acrescentar mais mortes à morte na EN125, com a introdução de portagens injustas e penalizadoras na Via do Infante, o protesto será feito junto da senhora governadora civil e da comitiva que se deslocará de Faro a Loulé (Igreja da Mãe Soberana).
Contamos com o contributo de todos/as.

domingo, novembro 14, 2010

Luta contra as portagens na Via do Infante continua

(clicar na imagem para aceder ao blog da comissão de utentes)

A assembleia de utentes da Via do Infante, realizada ontem em Loulé, mostrou que a cidadania dos algarvios não está apagada e que se a luta é difícil, há uma motivação crescente para fazer ceder o governo PS, com o apoio tácito do PSD, e retirar a medida de taxar a utilização da Via do Infante. Em breve falarei mais em pormenor desta luta mas, para já, chamo a atenção para esta imagem no blogue do António Almeida. Como a memória é curta, para os governantes!

Adenda (15 novembro):
Ler notícia no Observatório do Algarve que refere algumas das acções previstas de continuidade da luta.

sexta-feira, novembro 05, 2010

Lição de Massaii a Pássaro

Quando agora se discute a futura lei dos solos, e numa perspectiva crítica para evitar o processo de apropriação e especulação fundiária que rege os diversos solos em Portugal (talvez seja bom dizer que o caso IKEA, em Loulé, é bem exemplo disso), interessa recensear aqui o engenheiro Alexandre Massaii que, nas suas Diligências de 1617, defendia o aproveitamento das terras incultas como forma de produzir riqueza e dinheiro. E mais ainda propunha o humanista, vindo de Itália:
se obriguem os donos das terras a cultivá-las, e quando eles não tenham posse, se lhes preste dinheiro, que se tornará a cobrar em arrendamento das mesmas terras, e, quando os tais donos o não queiram fazer, que as larguem (1)
(1) Guedes, L. C. (1988). Aspectos do reino do Algarve nos séculos XVI e XVII. A 'Descripção' de Alexandre Massaii (1621). Lisboa: Arquivo Histórico Militar.

terça-feira, novembro 02, 2010

Azenhas do Mar


Também no Alentejo, as Azenhas do Mar são local de pescadores, que quando o mar se revolta e enche de vagas os xistos da costa limitam-se a esperar: que o mar se acalme, que as redes se limpem de 'porqueira', que as batatas e os tomates cresçam nas hortas arenosas. Depois, logo se verá como está a lua e as estrelas...

sábado, outubro 30, 2010

O candidato do Poço

Leiam só:
«...forma “séria, equilibrada, imparcial, justa e ponderada” com que Cavaco Silva exerceu o cargo ao longo destes quatro anos, “numa altura em que o País atravessa uma das maiores crises socioeconómicas de sempre”».
Esta foi a razão que levou o executivo da Câmara de Loulé a deliberar apoiar o actual presidente da república, nascido em Poço de Boliqueime. A notícia (link) não diz se foi todo o executivo, incluindo os três vereadores do PS. Bem, agora parece que só dois porque a vereadora Hortense Morgado parece que se passou de uma ponta do centrão para a outra.
Para além do ridículo da situação (vou pedir aos meus dois peixes, ao periquito e ao gato que subscrevam de algum modo a candidatura de Alegre), esta visão paroquial dos cargos mostra a dimensão política dos seus autores. E esquece o essencial da coisa: é que Cavaco foi mesmo um dos grandes autores do lodaçal de crise que cai em cima de nós todos. Mesmo tendo nascido no poço.

quinta-feira, outubro 21, 2010

Estudantada da treta

Desculpem o desabafo, geracional eu sei, mas ver aquela cambada de estudantes de Viseu a estender tapetes e a pedir "salta Cavaco, olé!", dá-me arrepios na espinha. Nem no tempo do fascismo, quando era puto, me obrigavam a adular escravizadamente Salazares, Caetanos e Tomazes. Bem sei que os tempos são outros, mas porra, o que me dá tesão é ver os estudantes franceses a serem presos por protestarem contra as medidas reacionárias de Sarkozy. Parafraseando o João Martins, aquela carneirada não passa de 'Lupenestudantariado'.

Dendrofobia

Não é de agora o desprezo pelas árvores em meio urbano, a ‘dendrofobia’ como lhe chamam os botânicos. Nos Petits Poèmes en Prose, Baudelaire dizia sobre Lisboa que «É uma cidade à beira da água; dizem que está edificada em mármore e que o povo tem um ódio tal à vegetação que arranca todas as árvores» (ver Filomena Mónica em Turista à Força). Em Loulé tivemos um exemplo paradigmático desta dendrofobia institucional, quando a Câmara mandou abater 16 tílias, com mais de 50 anos, na Praça da República, exatamente no Dia da Árvore de 2010 (ver link).

Curioso foi o facto de, na minha investigação de doutoramento, vir a encontrar na acta de uma reunião de Câmara Municipal de Portimão, uma nota dizendo que os moradores da Rua João Lúcio tinham pedido a substituição das amoreiras «por outras que não prejudiquem o asseio local». A Câmara deliberou mandar saber quantas árvores seriam, para a sua imediata substituição (Acta de 22 dezembro 1976). Uns dias antes do Natal, portanto. A tradição ainda é o que foi.

domingo, outubro 17, 2010

Operário protesta nu na 125

A luta dos operários contra a fome, ao longo da história, já deu muitos exemplos de criatividade e de desespero. Na 6ª passada um operário imigrante ucraniano protestou nu, contra os 6 meses de salário que a empresa VDV Protrata (responsável pela construção do Hotel Conrad Algarve Palácio da Quinta, na Quinta do Lago) lhes deve, bem como a mais operários que também protestaram em Almancil, junto da sede da empresa (ler notícia).
Já se percebeu que a situação de crise económica e financeira que o país vive é sobretudo uma crise estrutural do capitalismo, que tem vivido da exploração de mão de obra dos trabalhadores no mundo inteiro. Por outro lado, sabemos que as respostas às situações de desemprego, fome e exploração, se começam em pequenos laivos de protesto, localizado e individualizado, rapidamente engrossam para explosões sociais incontroláveis. A tendência presente pode ser espontânea e desorganizada, mas depressa surgirão organizações e movimentos que aglutinam e organizam a revolta latente em muita gente explorada. Todos os trabalhadores conhecem (ou conhecerão) esta história.
Adenda de 21/10/2010:
Ler o excelente contributo do João Martins para a melhor compreensão do meu post acima. Aliás, aconselho vivamente uma atenção redobrada ao que o autor tem vindo a escrever, que considero do melhor que se escreve na blogosfera em termos de análise sobre fenómenos contemporâneos.

sexta-feira, outubro 15, 2010

Um filme indispensável

Já se falou aqui dos Velhos da Torre, sobre a sua vida e sobre a sua música. Deste casal da aldeia da Torre/Alte, são conhecidas as suas participações na cultura popular rural, sobretudo por via dos seus muitos espetáculos, pelo disco de que são os principais protagonistas («Velhos da Torre e Amigos»), editado pela Câmara de Loulé e coordenado por mim, e por terem influenciado o 1º disco das Moçoilas. Entretanto, eu e o meu amigo Adão Contreiras, metemos mãos (e pés) a um projecto de urgência, de modo a registar em suporte vídeo a sua música tradicional, enquadrada no seu contexto social e económico. De Janeiro a Agosto deste ano, convivemos entre canções, hortas e culturas, com vista a produzir o filme de que agora damos a público os primeiros 'frames'. Na Sociedade dos Gorjões, perto de Santa Bárbara de Nexe, iremos fazer a 1ª apresentação pública do filme "Tudo Vai dar em Cantigas", a que se seguirão outras passagens em circuitos alternativos, a anunciar em breve. Para já, pode contentar-se com o trailer do filme aqui.

sexta-feira, junho 18, 2010

Morreu Saramago

Saramago morreu há pouco, numa ilha do Atlântico onde vivia, longe do lugar rural onde nasceu. Essa mania da identidade nunca o preocupou e só isso tornou possível escrever romances universais que perdurarão sempre. Dele, li muito, e fui cada vez mais me aproximando das suas ideias, tal como ele das minhas. No fundo, só uma coisa nos preocupa: fazer desta terra um lugar para todos vivermos em paz e igualdade, sem sermos mais iguais uns do que outros. Até logo!

quinta-feira, junho 17, 2010

Intendência

Amigos têm-me perguntado por que não tem havido mais vida por aqui. A resposta é que há mais vida para além do PEC, claro. Uma resposta mais adequada será a de que os estudos de doutoramento, que estou a realizar, não me deixam muito tempo para pensar sobre outras coisas. E se há cortes a fazer, quem paga são os luxos supérfluos, ao contrário de Sócrates que vai cortando na gente. Como o vício da blogosfera, continua activo, tenho também andado por aqui.
Dos muitos projectos em que estou envolvido dar-vos-ei conta neste espaço, incluindo notas avulsas sobre pequenas narrativas do trabalho de investigação de doutoramento, que efectuo em Portimão.

segunda-feira, abril 12, 2010

Artistas plásticos homenageiam as tílias da Praça

Duas semanas após a acção dos cidadãos de Loulé em defesa das árvores urbanas do concelho, outro conjunto de cidadãos - entre os quais estavam alguns artistas plásticos do concelho - organizaram uma homenagem às árvores abatidas na Praça da República. Os munícipes e visitantes, que no passado sábado passeavam frente à Câmara Municipal ou faziam compras no mercado, ouviram as explicações dos organizadores da iniciativa simbólica em defesa das 16 tílias abatidas. Sobre os cepos das árvores elementos iconográficos como fotos, poemas ou flores, criavam uma ambiente afectivo de respeito pela natureza e pela vegetação arbórea, tão importante para os ambientes urbanos excessivamente poluídos e impermeabilizados e fornecedora de abrigo da avifanua e de sombreamento do espaço público. Alguns cidadãos leram poemas alusivos às árvores (foto de cima) e outros acabaram por se nos juntar, na educação ambiental e cívica tão necessária (foto de baixo).

O livro de condolências da iniciativa assinalou um conjunto de contributos que iremos divulgar, no seguimento da mensagem da pequena Sofia que aqui já se publicou.

sábado, abril 10, 2010

Poema das árvores


Poema das Árvores

As árvores crescem sós. E a sós florescem.

Começam por ser nada. Pouco a pouco

se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.

Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,

e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.

Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores,

e então crescem as flores, e as flores produzem frutos,

e os frutos dão sementes,

e as sementes preparam novas árvores.

E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas.

Sem verem, sem ouvirem, sem falarem.

Sós.

De dia e de noite.

Sempre sós.

Os animais são outra coisa.

Contactam-se, penetram-se, trespassam-se,

fazem amor e ódio, e vão à vida

como se nada fosse.

As árvores, não.

Solitárias, as árvores

exauram terra e sol silenciosamente.

Não pensam, não suspiram, não se queixam.

Estendem os braços como se implorassem;

com o vento soltam ais como se suspirassem;

e gemem, mas a queixa não é sua.

Sós, sempre sós.

Nas planícies, nos montes, nas florestas,

A crescer e a florir sem consciência.

Virtude vegetal viver a sós

E entretanto dar flores.

António Gedeão

quarta-feira, março 31, 2010

Alfarrobeira de sombra

No sábado, dia 27 de Março, estive com outros amigos, meus e das árvores da cidade e do planeta, ocupando com o corpo o que roubaram às tílias da Praça da República, em Loulé. Éramos pequenas sombras negras sobre tocos ainda a seivar, como um prolongamento de vida do solo até um céu possível. Não se distinguiam outras sombras de copas, nem se ouviam chilreios de aves. Só algum burburinho de automóveis desfilando por nós, praça acima. Depois descemos das árvores, como crianças que terminaram uma brincadeira de primavera, para entregar palavras feitas frases e frases tornadas manifesto, a quem governa o município e a quem preside ao país.
No domingo, dia 28 de Março, pude acolher-me do sol, com os meus filhos, sob a copa frondosa da alfarrobeira dos tanques de salga do Ludo, provavelmente uma das descendentes daquelas que deram sombra aos pescadores que encheram muitas ânforas de "garum".
As 16 tílias da Praça da República em Loulé, não darão mais sombra a ninguém.