
Adenda às 23h:


A imagem acima, de Luís Forra, mostra um aspecto da Marcha de Protesto contra a introdução de portagens na Via do Infante, que se realizou esta tarde em Faro. Apesar da comunicação social não saber fazer contas, diminuindo de cerca de 40 para 20 o número de viaturas presentes, o mais importante de tudo foi a participação de activistas de todo o Algarve, de cidadãos que não se conheciam até há um mês atrás, mostrando a capacidade de iniciativa de protesto, de cidadania e de organização que poucos movimentos mostraram, até hoje, no Algarve.
Depois da acção-surpresa realizada em Loulé, no Dia da Memória 2010, que obteve o total apoio dos clubes motards do Algarve e a solidariedade de autarcas e dirigentes sindicais (ver manifesto e imagens no blog da Comissão de Utentes), vamos hoje marchar e buzinar contra a introdução de portagens na Via do Infante e contra mais mortes na 125. O que estamos todos e todas a fazer é apenas assumir a nossa cidadania, e por isso a dar a cara pelo nosso protesto contra as injustiças. Sem este movimento social nada poderemos construir, pois é certo que os dirigentes políticos que nos governam país, região e autarquias, não falam a verdade e apenas lhes interessa a submissão dos fracos e dos pobres. Contra isso:A Comissão de Utentes da Via do Infante apela a todos os automobilistas, utentes, associações, empresas e a todos os cidadãos, que estejam contra a introdução de portagens no Algarve, independentemente da requalificação da EN 125, que se manifestem publicamente no próximo dia 26 de Novembro incorporando-se na Marcha da Indignação. O ponto de concentração será na EN 125, Sítio do Arneiro – Faro (em frente à fábrica da Sumol), pelas 17.30 h, com partida marcada para as 18.00 h a caminho da rotunda do Hospital Distrital, nesta cidade.
P'lA Comissão de Utentes da Via do InfanteAntónio Almeida – Loulé, Duarte Santos – Albufeira, Helder Raimundo - Loulé, Inácio Machado – Boliqueime, José Manuel Estevens – Monte Gordo, João Gonçalves Caetano - Portimão, João Nogueira – Almancil, João Vasconcelos – Portimão, Jorge Ramos - Lagoa, José Domingos – Castro Marim, José Ramos – Portimão, Mariette Martinho - Loulé, Mário Matos – Vila Nova de Cacela, Nuno Viana – Tavira, Paula Sotero - Boliqueime, Paulo Aguiar – Luz de Tavira, Regina Casimiro – Loulé, Richard Farr – Albufeira, Rogério Romão – Loulé, Sílvia Portal – Portimão, Tommy – Boliqueime

se obriguem os donos das terras a cultivá-las, e quando eles não tenham posse, se lhes preste dinheiro, que se tornará a cobrar em arrendamento das mesmas terras, e, quando os tais donos o não queiram fazer, que as larguem (1)
«...forma “séria, equilibrada, imparcial, justa e ponderada” com que Cavaco Silva exerceu o cargo ao longo destes quatro anos, “numa altura em que o País atravessa uma das maiores crises socioeconómicas de sempre”».
Não é de agora o desprezo pelas árvores em meio urbano, a ‘dendrofobia’ como lhe chamam os botânicos. Nos Petits Poèmes en Prose, Baudelaire dizia sobre Lisboa que «É uma cidade à beira da água; dizem que está edificada em mármore e que o povo tem um ódio tal à vegetação que arranca todas as árvores» (ver Filomena Mónica em Turista à Força). Em Loulé tivemos um exemplo paradigmático desta dendrofobia institucional, quando a Câmara mandou abater 16 tílias, com mais de 50 anos, na Praça da República, exatamente no Dia da Árvore de 2010 (ver link).
Curioso foi o facto de, na minha investigação de doutoramento, vir a encontrar na acta de uma reunião de Câmara Municipal de Portimão, uma nota dizendo que os moradores da Rua João Lúcio tinham pedido a substituição das amoreiras «por outras que não prejudiquem o asseio local». A Câmara deliberou mandar saber quantas árvores seriam, para a sua imediata substituição (Acta de 22 dezembro 1976). Uns dias antes do Natal, portanto. A tradição ainda é o que foi.
Saramago morreu há pouco, numa ilha do Atlântico onde vivia, longe do lugar rural onde nasceu. Essa mania da identidade nunca o preocupou e só isso tornou possível escrever romances universais que perdurarão sempre. Dele, li muito, e fui cada vez mais me aproximando das suas ideias, tal como ele das minhas. No fundo, só uma coisa nos preocupa: fazer desta terra um lugar para todos vivermos em paz e igualdade, sem sermos mais iguais uns do que outros. Até logo!
Poema das Árvores
As árvores crescem sós. E a sós florescem.
Começam por ser nada. Pouco a pouco
se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.
Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,
e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.
Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores,
e então crescem as flores, e as flores produzem frutos,
e os frutos dão sementes,
e as sementes preparam novas árvores.
E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas.
Sem verem, sem ouvirem, sem falarem.
Sós.
De dia e de noite.
Sempre sós.
Os animais são outra coisa.
Contactam-se, penetram-se, trespassam-se,
fazem amor e ódio, e vão à vida
como se nada fosse.
As árvores, não.
Solitárias, as árvores
exauram terra e sol silenciosamente.
Não pensam, não suspiram, não se queixam.
Estendem os braços como se implorassem;
com o vento soltam ais como se suspirassem;
e gemem, mas a queixa não é sua.
Sós, sempre sós.
Nas planícies, nos montes, nas florestas,
A crescer e a florir sem consciência.
Virtude vegetal viver a sós
E entretanto dar flores.
António Gedeão