domingo, fevereiro 10, 2008

Arrumando a casa

Organizando as pesquisas na net:
1. Os meus ensaios sobre o Algarve (link) e sobre tradições musicais (link), com a colaboração do Daniel Vieira.
2. E as edições das minhas recolhas musicais, em parte também com o Daniel Vieira:
i) As Moçoilas (link)
ii) Cantares de Querença (link)
iii) Velhos da Torre (link)
iv) Outras músicas (link)
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[Em breve em permanência ali na barra do lado]

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Violência em Vilamoura

Como referi num post abaixo (link), a criação de espaços monopolizadores de turismo cria atracção de violência, roubo e outras marginalidades. Os acontecimentos noticiados pelos media de hoje, trazem um exemplo infeliz ao que afirmei: violência num bar de Vilamoura origina um morto. Os acontecimentos dão-se numa empresa privada e turística, guardada por seguranças exemplares, claro.

Fotobiografia de Manuel Gomes Guerreiro

Vim agora da apresentação do livro sobre Manuel Gomes Guerreiro, da autoria do arquitecto Fernando Pessoa, bem conhecido nas áreas da ecologia e do ordenamento do território. O livro foi lançada pela Fundação Manuel Viegas Guerreiro, de Querença, terra de onde era natural o biografado. De Gomes Guerreiro, lembro os inícios da construção da Universidade do Algarve, quando a comissão instaladora me pediu opinião (como representante de um partido político) e mais tarde das leituras dos seus trabalhos, pioneiros, críticos e poéticos sobre a ecologia do Algarve e o ambiente.

Um folhetim online

José Carlos Barros está a publicar um excelente folhetim, no seu blogue, sobre a descoberta da sexualidade. Chama-se Aline e o prazer e já vai no capítulo IV. A ler meus amigos-->

Big Brother

A Assembleia Municipal de Loulé aprovou voto de protesto contra as forças de segurança, por estas não protegerem o concelho e, em particular, a área turística de Vilamoura. Li no Correio da Manhã. Tudo devido à importância que Vilamoura, cite-se o voto de protesto, “assume no turismo e o seu impacto na economia local e regional”. Ora, é exactamente por este factor que a insegurança aumenta. A sociologia diz-nos isso: o desenvolvimento de megalópoles e de locais de monopólio turístico, tendem a atrair focos de insegurança, pela atracção da economia subterrânea, do roubo e da violência. Enquanto a autarquia se preocupa com “a incapacidade das forças de segurança” e afirma que o “problema tem solução permanentemente adiada”, melhor seria perceber que é a ausência de soluções municipais para a migração, o desemprego e a exclusão social, que originam esta anomia social. Durkheim, disse-o há muito. E só o ler e entendê-lo.

A propósito, parece que a Câmara pensa criar um sistema de vídeo-vigilância na freguesia de Quarteira. Espero que o não coloquem no café onde habitualmente leio os jornais, ou trabalho pela manhã. Seria indiscreto da parte da autarquia observar as minhas fontes. Ou as minhas companhias matinais.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Edital

1. Por mero acaso, quando estava a recolher dados para a construção da agenda da 1ª emissão do Socializar, por aí, programa de rádio de Educação Social na Rua Fm, descobri uma síntese do meu post sobre o Entrudo e o Carnaval, linkado na rede local do Sapo. Muito interessante (link).
2. Ali no post abaixo, com o vídeo promocional do grupo de música Al-driça, coloquei o vídeo final já disponível no you tube. É só ir lá abaixo ver.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

O Entrudo e o Carnaval

Agora que , finalmente, se questiona o figurino do chamado carnaval (ver editorial de Luís Guerreiro na Voz de Loulé de 1 Fevereiro), ou se propõem novos formatos de comemoração ritual das tradições populares do entrudo, acho importante repescar o meu pequeno ensaio publicado na coluna Contrasenso, em A Voz de Loulé, de 1 de Março de 2004. Quatro anos depois, fico contente por ver que se discutem estas questões.

O Entrudo e o Carnaval
O Carnaval de Loulé costuma ser separado entre o carnaval dito “civilizado” e o outro que não o seria. São pouco conhecidos os epítetos sob os quais seriam designadas as práticas dos carnavais anteriores a 1906 – data em que a comissão de festejos, decide fazer do carnaval um recurso financeiro para a Misericórdia local – mas Freitas (1991: 166, 176) dá-nos muitas respostas. Expressões como “a brutalidade do velho carnaval”; “a machadada de morte no velho «Momo»”; “se jogava agressiva e grosseiramente ao indecoroso Entrudo”, são exemplos da transformação do Entrudo no chamado Carnaval civilizado. Esse mecanismo de transformação, assumiu desde sempre a ideologia da normalidade, da hierarquia, da disciplina, da contenção, como princípios da monarquia e, mais tarde, do Estado Novo. A própria expressão de carnaval, é de origem erudita e importada dos festejos urbanos de países centrais da Europa.


Ler ensaio integral-->

domingo, fevereiro 03, 2008

A identidade da freguesia

Um post do Almeida, sobre a abertura de uma loja gratuita da Net em pleno Largo de S. Sebastião, na nossa freguesia, desbravou uma troca de comentários sobre as reivindicações dos fregueses, em busca de comparações e simetrias culturais. Interessante acompanhar, para perceber o jogo político da construção cultural que é a identidade, sobretudo a territorial.

Al-Driça

São amigos meus. E excelentes músicos:

sábado, fevereiro 02, 2008

Treinador de Bancada #1

A partir de 1 de Fevereiro, e com a regularidade do quinzenário,
mantenho, na secção de Desporto, uma coluna intitulada
Treinador de Bancada
.
Deixo abaixo a minha primeira contribuição:

A Voz de Loulé, 1 Fevereiro 2008
(Clicar na imagem para expandir)
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Para os leitores que preferem ler em post e não em formato jpeg:


A MALDIÇÃO DO LAGOA


Iniciámos, neste número, uma coluna sobre desporto. Qualquer que seja esse entendimento antropológico do dito, pois se Miguel Sousa Tavares, Ricardo Araújo Pereira, Eduardo Barroso, Rui Santos, e outros, têm páginas à sua disposição, porque não nós? Treinadores de bancada há muitos e eu pretendo representá-los, sobretudo aqueles que estão mesmo no banco, fumando o cigarro da dissonância cognitiva, ou pontapeando garrafas de água sem marca, para os relvados. Por outro lado, já repararam que estas duas páginas estavam entregues ao amigo António Montes? Sozinho! E há muito tempo. Começava a ser discriminatório, ele estar aqui sem qualquer contraditório. Por isso já sabem, a partir de hoje, e todas as quinzenas, treinarei alguma coisa. E não pensem que só de futebol vive o nosso espanto.
A propósito disso, é melhor começar a primeira crónica por falar de futebol, não? O desporto-rei, pois claro. No último fim-de-semana jogou-se Taça. Com letra grande, pois. Então não é habitual, os jornais escreverem “aconteceu Taça”, quando o Salirense ganha ao Freixo de Espada à Cinta?
A Taça de Portugal é uma espécie de rebuçadinho dado aos pobres do futebol e foi inventada para isso mesmo. Por exemplo, para o Grupo Desportivo de Lagoa pensar que chega aos calcanhares do Sporting Club de Portugal. Na verdade, a Taça só serve para legitimar os privilégios dos grandes, que só existem se houver pobres, percebem onde quero chegar!? Foi o que se viu, na derradeira jornada. O Lagoa apanhou quatro bolas a zero, sem espinha, e deu ao Sporting a sua primeira vitória este ano. Portanto, o Lagoa cumpriu o seu papel de vassalo na Taça: deu ao adversário a possibilidade de se afirmar entre os grandes e continuar na Taça até sucumbir. Com outro dos grandes, claro. Mas os lagoenses, que foram em peso até Lisboa (parece que pararam no caminho para merendar, escondendo-se dos media que os esperavam de microfone aberto), não têm culpa nenhuma disso. Eles foram apenas para se divertir. Sair um sábado de manhã, com sandocas e cerveja a bordo, é o melhor que se pode ter depois de uma semana de trabalho no turismo. Porque a mística do futebol é feita disto. De claques que levam o nome da terra a todo o lado. Regionalismo chamar-lhe-ia António Ferro.
Por falar em mística, ao Lagoa é que eu nunca perdoarei. Melhor, ao guarda-redes do Lagoa. Explico. Jogava eu no Silves Futebol Clube, quando defrontámos o Lagoa no seu campo. Lembro-me bem que o campo (pelado, claro), estava mais enlameado que um chiqueiro, as botas enterravam-se até aos artelhos (bela palavra) e o frio de Janeiro era de rachar. Eu jogava a extremo-esquerdo (acho que, agora, o Luís Freitas Lobo designa-os como alas esquerdos), pois apesar de ser dextro, só eu chutava bem à esquerda (esta mania esquerdista), dizia o treinador. Sei que, nessa manhã, o Henrique me passou a bola no enfiamento da linha de meio campo para a frente. Dei-lhe um toque, só para a aconchegar no mau terreno de jogo, e marimbei-me para a transição defesa-ataque. O que fiz foi aplicar-lhe toda a força com a parte de dentro do pé direito, com o maior sentido de efeito possível (o contrário da trivela, percebem, que parece que inventaram agora). Como eu esperava, a bola descreveu um arco em meia-lua e se parecia sair pela linha de fundo, dirigiu-se mesmo para o ângulo superior esquerdo do Marreiros (não sei se este era o nome dele, mas para a história tanto faz). Eu não me desloquei mais, do terreno encharcado. Nem podia, a olhar enternecido para aquele arco de volta e meia, que levava a bola para golo. Surpresa, meus amigos. O Marreiros, não sei como, apesar de estar pegado ao chão, voou até à bola e agarrou-a, como se fosse um docinho de côco. Nunca vi defesa assim. Talvez mesmo só do Damas, que por acaso jogou no Sporting, o tal clube que deu quatro ao Lagoa, na passada jornada. Mas nesta crónica eu queria era falar do Marreiros, que me roubou um golo, e que se jogasse agora não deixaria o Moutinho (que nasceu na mesma cidade que eu) fazer-lhe aquele chapéu, como fez ao coitado do Botelho.
Moral da história: a história nunca se repete. Sobretudo na Taça.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

O presidente descobriu a pólvora

Parece que o presidente da república descobriu, agora, a eficiência energética. A sua residência oficial passa a reduzir o consumo energético e a emissão de CO2. Mas foi preciso pagar uma auditoria de 6 meses, a empresas de investigação do estado, para o perceber. Ora, lembro-me eu, de ter iniciado a recolha separativa de lixo, muito antes da Algar (empresa responsável pelos resíduos sólidos urbanos) começar a operar no Algarve. E de ter iniciado a produção de compostagem, a partir de restos de alimentos e de podas de vegetação, com a colaboração de alunos e formandos meus. Na altura, muita gente em Portugal achava despiciendo e, às vezes, ridículo. O primeiro-ministro desse período era – espantem-se – Cavaco Silva. Como diz o povo, mais vale tarde que nunca.

terça-feira, janeiro 29, 2008

Azul mediterrânico (C)

Patos reais, corvos marinhos e galeirões, na Ria Formosa, Loulé.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Chief fire

Se alguma coisa falta fechar, são mesmo os cemitérios:

domingo, janeiro 27, 2008

O sagrado e o profano de mãos dadas

Os pais-natal que pejam, ainda, a cidade, nas muralhas, nas rotundas ou em simples habitações, ficaram mais umas semanas, já que o carnaval está para breve e não vale a pena separar o sagrado do profano. Sobretudo, quando as duas faces da cultura religiosa judaico-cristã se misturam, hoje, tão bem na política nacional.

sábado, janeiro 26, 2008

Afrodite

Desculpem a insistência (link):

“O poder. Uma palavra afrodisíaca. Nunca caminha só, no entanto. Incorporada por um ser humano, coexiste com a personalidade deste. É bom saber que o poder e a coragem coexistem. Com o poder e a sabedoria. É assustador saber que vivem juntos poder e medo. Ou pior, poder e insensatez. Os clubes de futebol são hoje um meio fácil de teorizar sobre estas correlações entre o poder e os que os rodeiam…” *

Se isto não é psicologia para o Nobel do futebol, é a pior arenga da bola nacional. Numa página inteira, tamanho berliner.

* Luís Freitas Lobo, Expresso, 19/1 (p. 35)

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Leitura na praia, ao som de música


Ali, ao meu lado, na esplanada do café, em Quarteira, ela e ele. Ela lia, concentrada, o romance de amor, como só uma mulher sabe fazer. Ele, ouvia música nos headphones e a certa altura cantou, eu ouvi: "...de pernas para o ar...". Ela mandou-o calar e cantar só para ele. Ele parou e começou a bater com o cartão do menu na mesa. Ela retirou-lhe o cartão e poisou-o com cuidado, não interrompendo a leitura do romance de amor.

Mercearia Aliança, em Faro

Sobre a mercearia Aliança de Faro, fechada pela ASAE e que comento (aqui), vale a pena ler o que diz Paulo Querido, especialista na compra de fiambre para sandes e cataplanas, ali perto.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Imigrantes marroquinos expulsos e presos

Os imigrantes clandestinos que vieram de Marrocos, à bolina, até à costa da Ilha da Culatra, foram há dias repatriados, sem qualquer cuidado pelo governo português. José Magalhães (secretário de estado da administração interna e ex-militante do PC, digo-o aqui expressamente) diz que o governo limitou-se a cumprir a lei. Acontece que esses imigrantes estão, desde hoje, presos na cadeia de Casablanca, em Marrocos, o país exótico preferido dos românticos algarvios, alguns deles amigos meus. E estão presos com criminosos comuns, roubados e espoliados pelos guardas, sujeitos às máfias da imigração clandestina e aos ditames do governo "democrático" de Rabat. Em Portugal, não foi accionado nenhum mecanismo para proteger estes imigrantes, que vieram em busca de melhores condições de vida, o que representa um atentado aos direitos humanos, que Portugal tanto apregoa. Vergonha, diremos nós.

Autarquias vão mandar nas escolas

O Governo vai transferir, para as autarquias, diversas competências na área da educação, até ao fim do 3º ciclo do básico. Em breve, aprovará um diploma de modo a efectivar a transição a partir do próximo ano lectivo. Exceptuando a área pedagógica (vulgo professores), as autarquias passam a gerir e administrar equipamentos, parque escolar e funcionários não docentes. Parece que as associações de pais não forma ouvidas para o efeito, mas isso também não interessa muito. Para quem quer, a toda a força, a regionalização este é um bom sinal. Sabem porquê? Simples. A partir de agora a rede de compadrios e benesses recíprocas são estimuladas, e a carteira de prosélitos aumenta. Como se percebe, a nova lei eleitoral das autarquias não cai em saco roto. Mais poder para o presidente de câmara eleito que pode escolher os vereadores a seu bel-prazer; e as juntas de freguesia, que estão próximas dos cidadãos e das escolas, que se lixem.
Ler notícia -->

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Treinador de bancada

Em breve aqui:


A Taça de Portugal é uma espécie de rebuçadinho dado aos pobres do futebol e foi inventada para isso mesmo. Por exemplo, para o Grupo Desportivo de Lagoa pensar que chega aos calcanhares do Sporting Club de Portugal. Na verdade, a Taça só serve para legitimar os privilégios dos grandes, que só existem se houver pobres, percebem onde quero chegar!? Foi o que se viu, na derradeira jornada.