quarta-feira, janeiro 23, 2008

Esclarecimento

Já há muito tempo que cortei o pio aos comentadores. Claro que muitos leitores perdem a oportunidade de colaborar, com as suas opiniões, mas é assim. O que pretendo é evitar os estropícios que pouco mais sabem do que debitar asneiras. De qualquer modo, quem quiser pode sempre deixar a sua opinião escrevendo para o meu Email: comunitario[arroba]sapo.pt

terça-feira, janeiro 22, 2008

lua, luar

Lua a nordeste de Loulé, há duas horas atrás.

Mercearia Aliança

Não tinha dado por isso. Mas mesmo assim, convém ler o que se diz por aqui sobre a mercearia Aliança, de Faro, mandada encerrar pela ASAE. Também eu, enquanto vivi em Faro, a frequentei. Foi lá que comprei os primeiros produtos macrobióticos da Próvida, muito bom pão cozido a lenha e alguns vinhos generosos da adega de Lagoa. Por fim, a degradação era tanta que nunca mais lá fui. Se, em minha casa, jornais não se misturam com queijo e as alfaces não se expõem ao sol, nada compro onde isso se passe. Simples.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Aqui há gato

O título do primeiro (?) programa de reposição da série de humor "Diz que é uma espécie de magazine", dos Gato Fedorento, que a RTP1 ontem emitiu, chamou-se "Aqui há gato". Fez-me lembrar, logo, o que o meu professor de alemão colocou num dos meus pontos, quando descobriu o copianço entre mim e outro colega (fizémo-lo a meias, percebem?). Aqui há gato, disse eu, quando comecei a ver o programa. Aquilo era só crítica social, da mais pura e dura, à igreja, melhor, a conventos, freiras e doces conventuais. E o Marcelo ainda diz que os Gato só não se meteram ainda foi com a igreja? Não sei se a RTP não vai desgastar os Gato, ou seja, repor até Setembro tudo o que lá tem gravado. Quando o grupo começar a emitir na SIC, que os foi buscar a peso de ouro à estação pública, vamos ver como se aguentam. Eu, por mim, confio neles. E espero que os primeiros sketches ponham a RTP ainda mais a nú.

domingo, janeiro 20, 2008

Adormecer a ler

Vou despachando os livros de cabeceira. Leio-os mais depressa do que mudo aqui no blogue. O livro de crónicas de Ricardo Araújo Pereira - «Boca do Inferno» - já se foi. Escreverei algo sobre ele, quando puder. Por estes dias leio Baudelaire, «O Spleen de Paris» (belo nome), que o escreveu para servir de pendant ao livro «As Flores do Mal». Outros livros lá estão, na cabeceira, que é maior do que o sidebar que aqui disponho: Gógol, Sebald, Camilo, Kafka, por aí...

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Publicidade

Declaro que tenho interesses económicos
nesta publicidade da Cão Azul.

Participação

Por aqui discute-se participação e cidadania. Muito bem, vamos lá. Porque não, talvez, discutir em Loulé o orçamento participativo. Esqueçam. O Partido Socialista (ponho por extenso) e o PSD (coloco apenas o acrónimo) preparam-se para aprovar hoje, na Assembleia da República, a nova lei das autarquias. O que tem ela? Entre outras coisas retira aos presidentes de Junta, presentes na Assembleia Municipal, o direito de voto no Plano e Orçamento do município. Se isto não é participação e cidadania, o que é?

A osga

Pois é, Carmona Rodrigues está indiciado com tendo cometido "prevaricação" na sua função, enquanto presidente da Câmara M. de Lisboa; o seu vice e mais alguns colaboradores alargam o rol. O homem não sai da Câmara, nem ele, nem o Fontão de Carvalho. Parecem aquelas osgas (eu adoro este rastejante) que depois do combate partem para um telhado soalheiro, mas deixam lá o rabo a rabiar, a rabiar, a rabiar...
Isto não é problema de independentes nas autarquias. Os autarcas do PS e do PSD fazem o mesmo. Os outros também.

Um verdadeiro Lobo

Quem anda pelos programas desportivos encontra-o em todo o lado. Não sei como se construiu este mito, mas Luís Freitas Lobo é o grande expert da bola nacional (pensavam que estava a falar de Rui Santos, não?). Bota discurso sobre estratégia e táctica com o vocabulário de quem nunca jogou à bola, nem sabe bem o que isso é. Mas no Expresso, ele é impagável:
O futebol é, na essência, um processo emocional. Qualquer tentativa de racionalizar tudo o que se passa dentro de um relvado é quase uma missão contranatura. Vivemos, no entanto, tempos confusos. Uma simples imagem vende muito mais facilmente do que a profundeza do jogo*.
Pois vivemos. Tão confusos que é impossível ler estes tropeções filosóficos-futebolísticos. Confesso que só consigo ler os primeiros parágrafos dos seus textos. Sim, porque ele tem uma página inteira, para ensinar futebol, com o português mais macarrónico possível. Um verdadeiro Eça da bola, desculpem, do Expresso.

* 12 Janeiro 2008

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Preservativos nas escolas?

Vinha para casa e ouvia no rádio: a distribuição de preservativos nas escolas estava a ser bem acolhida pelos alunos: sim, para evitar doenças como a sida, e isso; pois, serve para nos precavermos contra as doenças sexualmente transmissíveis. No final, a peça referia que a Confederação das Associações de Pais estaria contra. É melhor lerem a notícia para se perceber o que são os Gabinetes de Educação Sexual nas escolas, propostos pelo grupo de trabalho chefiado pelo psiquiatra Daniel Sampaio, e deixar de enterrar a cabeça na areia. A medida propõe-se para jovens acima dos 16 anos e muitos acham que poderia ser mais cedo. Pois é, pois é...
Lembro que a minha escola, a Escola Superior de Educação em Faro, já há muito tempo que tem preservativos à disposição de todos, ali mesmo em cima do balcão do bar, junto da registadora. Banal. Como deve ser esta questão.

Nicotinas

Faço, pois, votos que os fumadores descompensados acabem de ressacar rapidamente, para o bom senso regressar e nós podermos voltar a lê-los com gosto.
É por estas e por outras que nós gostamos de o ler. -->

Lula

No blogue de Reinaldo Azevedo, a impossibilidade de Portugal:
Brian McCan, chefe do Brazil Institute da Georgetown, historiador competentíssimo, colocou como um das obras obrigatórias para a aula que ele dá de história contemporânea do Brasil o livro Lula É Minha Anta.
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terça-feira, janeiro 15, 2008

Ao sul

Ora aqui está uma excelente notícia.

segunda-feira, janeiro 14, 2008

A ler

Os meus alunos escrevem sobre Vale de Silves, em Boliqueime.
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domingo, janeiro 13, 2008

Boca do Inferno

A propósito do livro de cabeceira, ali no lado direito:
Em suma, este é um livro profundamente desinteressante que lerei apenas mais uma vez, para que possa, superficialmente, aprofundar a minha crença de que RAP possui, pelo menos, os defeitos que poderão fazer dele um humorista perfeito.
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sexta-feira, janeiro 11, 2008

Olá

As aulas recomeçaram e o tempo de escrita, em troca, começa a escassear.
Volto neste fim de semana.

domingo, janeiro 06, 2008

Morreu Luiz Pacheco, o libertino

(...)
Cá em casa a nossa cama é a nossa liberdade imediata. Tem os nomes que quiserem. É a cama do pai de família, austero e mandão, ou do dorminhoco pesado quando regressa embriagado para casa. É a cama do libertino. É o leito (suponhamos!) Luís-Qualquer-Coisa, XV ou XVI, do milionário, porque nela somos reis e milionários de ternura e de abraços, de palavras ciciadas; e é o catre sem lençóis, fracas mantas, e mau cheiro, do maltês que não sabe para onde o destino o manda (e somos isto, e que de longes terras viemos! quantos naufrágios! quanta coisa fomos largando para facilitar a marcha até aqui!), a enxerga do pedinte (e nós o somos também: porque temos falta de tudo e porque acordamos de manhã sem uma bucha de pão para dar às crianças e sem saber ainda onde o ir buscar). Podia ser (dava para) um bom título de uma comédia picante, bulevardesca; UMA CAMA PARA CINCO; idem para um filme neo-realista, onde nem cama houvesse, só umas palhas podres e mijadas, com gaibéus ensonados, embrutecidos do calor e do vinho, fedor de pés, talvez um harmónio desafiando as cigarras e os grilos na cálida noite da planície alentejana. Uma cama para cinco, em herança, constituía um demorado caso de partilhas. Nós dormimos. As vezes, muitas vezes, beijos e abraços.
(...)
Extracto de Comunidade, de Luiz Pacheco, Contraponto, 1964

Falemos de roteiros

A nova lei do tabaco não é a nova lei da interrupção voluntária da gravidez. Mas há quem queira fazer dela a nova IVG. Porquê? Reparem como se presume uma divisão entre defensores da liberdade de fumar e defensores de espaços livres de fumo. Sou claramente um não fumador e não acho que isso seja uma questão identitária, tal como o fumador o não é. Por isso, acho ridículo os praticantes de fumo acharem que têm direito a soprar o fumo para cima dos outros, sobretudo às horas das refeições. A questão é simples. Quem gosta de fumar (ou de roer as unhas, praticar swing, visitar bares de alterne, ou arengar à volta da bola nacional) faz favor. Encontrem a melhor varanda, um pátio à chuva ou então fumem em casa, à mesa social com a família, ou até no quarto do bebé. Mas deixem os outros ter o direito de tomar o pequeno-almoço sem alcatrão, e ler o jornal sem baforadas de toxinas sobre o cérebro.

Nos cafés e restaurantes em que estive desde o passado dia 1, noto muitas diferenças:
O ar é muito respirável; as pessoas conversam e lêem o jornal; passam menos tempo à espera que o cigarro acabe, e assim, vejam lá, não é que contribuem para a economia nacional e a redução do défice?; não deixam porcaria nos cinzeiros e no chão de locais de alimentação; os fumadores fumam na rua, fumam menos e muitos irão deixar de fumar. Portanto, não me venham com tretas de roteiros do fumador. Dão um mau exemplo, sobretudo quem foi sempre tão pouco humorado sobre questões políticas ou sociais. E é um belo golpe de cidadania saloia. Dou um conselho: façamos então o roteiro dos bares de alterne, o roteiro dos sites com pedofilia, o roteiro dos restaurantes onde se vende gato por lebre, o roteiro do comércio tradicional de artigos importados. Teremos, assim, a verdadeira cidadania de direitos para todos, de forma equilibrada.

sábado, janeiro 05, 2008

As religiões assassinas

Élie Barnavi é historiador. Nasceu na Roménia, estudou em Israel, foi embaixador deste país em França e director do Centro de Estudos Internacionais da Universidade de Telavive. Hoje, é director científico do Museu da Europa em Bruxelas e escreveu um manifesto em oito teses. O panfleto, como lhe chama Andrés Rojo, chama-se “As religiões assassinas” e está editado em Espanha, pela Turner e em França pela Flammarion. A tese principal é a de que todas as religiões têm vocação de poder e que os fundamentalismos religiosos que se convertem em ideologias políticas têm tendência totalitária e são inimigos profundos das liberdades. Por isso, defende, a única forma de evitar perigos totalitários é dar ao Ocidente (para o autor o único corpus de pensamento que coloca a dúvida e a reflexão no centro da sua filosofia) a primazia da ideia sobre a civilização. Uma civilização baseada no laicismo e na herança do Iluminismo. A ler, sem dúvida.

terça-feira, janeiro 01, 2008