quarta-feira, janeiro 16, 2008

Nicotinas

Faço, pois, votos que os fumadores descompensados acabem de ressacar rapidamente, para o bom senso regressar e nós podermos voltar a lê-los com gosto.
É por estas e por outras que nós gostamos de o ler. -->

Lula

No blogue de Reinaldo Azevedo, a impossibilidade de Portugal:
Brian McCan, chefe do Brazil Institute da Georgetown, historiador competentíssimo, colocou como um das obras obrigatórias para a aula que ele dá de história contemporânea do Brasil o livro Lula É Minha Anta.
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terça-feira, janeiro 15, 2008

Ao sul

Ora aqui está uma excelente notícia.

segunda-feira, janeiro 14, 2008

A ler

Os meus alunos escrevem sobre Vale de Silves, em Boliqueime.
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domingo, janeiro 13, 2008

Boca do Inferno

A propósito do livro de cabeceira, ali no lado direito:
Em suma, este é um livro profundamente desinteressante que lerei apenas mais uma vez, para que possa, superficialmente, aprofundar a minha crença de que RAP possui, pelo menos, os defeitos que poderão fazer dele um humorista perfeito.
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sexta-feira, janeiro 11, 2008

Olá

As aulas recomeçaram e o tempo de escrita, em troca, começa a escassear.
Volto neste fim de semana.

domingo, janeiro 06, 2008

Morreu Luiz Pacheco, o libertino

(...)
Cá em casa a nossa cama é a nossa liberdade imediata. Tem os nomes que quiserem. É a cama do pai de família, austero e mandão, ou do dorminhoco pesado quando regressa embriagado para casa. É a cama do libertino. É o leito (suponhamos!) Luís-Qualquer-Coisa, XV ou XVI, do milionário, porque nela somos reis e milionários de ternura e de abraços, de palavras ciciadas; e é o catre sem lençóis, fracas mantas, e mau cheiro, do maltês que não sabe para onde o destino o manda (e somos isto, e que de longes terras viemos! quantos naufrágios! quanta coisa fomos largando para facilitar a marcha até aqui!), a enxerga do pedinte (e nós o somos também: porque temos falta de tudo e porque acordamos de manhã sem uma bucha de pão para dar às crianças e sem saber ainda onde o ir buscar). Podia ser (dava para) um bom título de uma comédia picante, bulevardesca; UMA CAMA PARA CINCO; idem para um filme neo-realista, onde nem cama houvesse, só umas palhas podres e mijadas, com gaibéus ensonados, embrutecidos do calor e do vinho, fedor de pés, talvez um harmónio desafiando as cigarras e os grilos na cálida noite da planície alentejana. Uma cama para cinco, em herança, constituía um demorado caso de partilhas. Nós dormimos. As vezes, muitas vezes, beijos e abraços.
(...)
Extracto de Comunidade, de Luiz Pacheco, Contraponto, 1964

Falemos de roteiros

A nova lei do tabaco não é a nova lei da interrupção voluntária da gravidez. Mas há quem queira fazer dela a nova IVG. Porquê? Reparem como se presume uma divisão entre defensores da liberdade de fumar e defensores de espaços livres de fumo. Sou claramente um não fumador e não acho que isso seja uma questão identitária, tal como o fumador o não é. Por isso, acho ridículo os praticantes de fumo acharem que têm direito a soprar o fumo para cima dos outros, sobretudo às horas das refeições. A questão é simples. Quem gosta de fumar (ou de roer as unhas, praticar swing, visitar bares de alterne, ou arengar à volta da bola nacional) faz favor. Encontrem a melhor varanda, um pátio à chuva ou então fumem em casa, à mesa social com a família, ou até no quarto do bebé. Mas deixem os outros ter o direito de tomar o pequeno-almoço sem alcatrão, e ler o jornal sem baforadas de toxinas sobre o cérebro.

Nos cafés e restaurantes em que estive desde o passado dia 1, noto muitas diferenças:
O ar é muito respirável; as pessoas conversam e lêem o jornal; passam menos tempo à espera que o cigarro acabe, e assim, vejam lá, não é que contribuem para a economia nacional e a redução do défice?; não deixam porcaria nos cinzeiros e no chão de locais de alimentação; os fumadores fumam na rua, fumam menos e muitos irão deixar de fumar. Portanto, não me venham com tretas de roteiros do fumador. Dão um mau exemplo, sobretudo quem foi sempre tão pouco humorado sobre questões políticas ou sociais. E é um belo golpe de cidadania saloia. Dou um conselho: façamos então o roteiro dos bares de alterne, o roteiro dos sites com pedofilia, o roteiro dos restaurantes onde se vende gato por lebre, o roteiro do comércio tradicional de artigos importados. Teremos, assim, a verdadeira cidadania de direitos para todos, de forma equilibrada.

sábado, janeiro 05, 2008

As religiões assassinas

Élie Barnavi é historiador. Nasceu na Roménia, estudou em Israel, foi embaixador deste país em França e director do Centro de Estudos Internacionais da Universidade de Telavive. Hoje, é director científico do Museu da Europa em Bruxelas e escreveu um manifesto em oito teses. O panfleto, como lhe chama Andrés Rojo, chama-se “As religiões assassinas” e está editado em Espanha, pela Turner e em França pela Flammarion. A tese principal é a de que todas as religiões têm vocação de poder e que os fundamentalismos religiosos que se convertem em ideologias políticas têm tendência totalitária e são inimigos profundos das liberdades. Por isso, defende, a única forma de evitar perigos totalitários é dar ao Ocidente (para o autor o único corpus de pensamento que coloca a dúvida e a reflexão no centro da sua filosofia) a primazia da ideia sobre a civilização. Uma civilização baseada no laicismo e na herança do Iluminismo. A ler, sem dúvida.

terça-feira, janeiro 01, 2008

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Best of: música de 2007 [the end]

O vídeo:



Katie Melua, Picture, 2007.


Não é preciso explicação pois não?

domingo, dezembro 30, 2007

Best of: media de 2007


O jornal Público nasceu no 2º semestre de 2007, em Espanha (Madrid). Começou na rede, a partir de colaborações espalhadas pelo país, sobretudo na Andaluzia e na Catalunha. Rápido ganhou o carinho e a participação dos leitores, principais pilares do jornal. Hoje, está disponível também em papel, ao preço de 50 cêntimos na sua edição diária, já que em linha não se pode falar de uma regularidade clássica, como se sabe: as notícias não se compadecem com intermitências de 24h e o Público soube entender a diferença. Engraçado, que um dos leitores do jornal do dia 21/12 tenha dito: “No me gustó que sea en papel y de pago”.

O jornal conta com excelentes colunistas e comentadores, para além de se preocupar com áreas sociais que, em geral, os periódicos não ligam. Mesmo falando de Espanha, que conta com um dos melhores diários do mundo, o El País, como todos sabem.

Benazir ao espelho

A morte de Benazir Bhutto desencadeou uma onda de protesto e de violência no Paquistão e um carinho por todo o mundo democrático. Mas convém não alardear muito, pois o Paquistão é um país culturalmente muito complexo e politicamente muito incerto. O ponto de vista ocidental cai, com facilidade, no etnocentrismo de análise e não percebe vários aspectos:

1. Tal como os restantes partidos, o PPP (Partido do Povo do Paquistão) é pertença da família Bhutto há muito tempo, e funciona com sucessões dinásticas; veja-se como a presidência foi entregue ao filho primogénito de Benazir (19 anos) que, sendo jovem e indo estudar para o Ocidente, deixa a gestão corrente nas mãos do pai, há tempo afastado da mãe.

2. A pretensa responsabilidade do presidente paquistanês no atentado também é de acautelar, sobretudo quando se conhecem as históricas redes de compadrio, o exacerbado familismo e os conúbios entre hierarquias militares, grupos fundamentalistas e organizações criminosas, a nível internacional. Complexidade não falta no país. Pede-se complexidade na análise, também.

3. Para conhecer melhor o assunto, entre muitas outras possibilidades, ver o post de Miguel Portas, A incomparável assassinada.

4. Indispensável, é o ensaio de Christopher Hitchens, colunista da revista Vanity Fair e da Slate Magazine. Nesta última publicou uma análise muito conhecedora e acutilante sobre o caso, transcrita no El País de ontem. O artigo intitula-se “Una hija del destino”. Deixo um extracto, traduzido por mim:

Nem o mais severo crítico de Benazir Bhutto seria capaz de negar que possuía um valor físico extraordinário. (...) Resulta grotesco, desde logo, que o assassinato se tenha produzido em Rawalpindi, a cidade onde vive entrincheirada a classe militar dirigente do país. (...) Mas custa fazer uma análise cui bono cuja conclusão seja que o general Perez Musharraf, o presidente actual, seja o beneficiário de sua morte. A culpa é provavelmente do eixo Al Qaeda/Talibãs, talvez com alguma ajuda de seus numerosos simpatizantes encobertos e não tão encobertos no organismo inter-serviços das forças de inteligência paquistanesas.

Contrafacção cultural

O consumismo cultural tem destas coisas. São conhecidas as imagens simbólicas dos magotes de turistas japoneses, deslocando-se sem pisar o chão (são tantos e tão apertados que a sua deslocação é feita pelo suporte dos corpos dos mais altos), nas salas do Museu do Louvre, em Paris.

Oiçam esta agora: o Museu de Hamburgo fechou as suas portas depois de ter verificado que a sua exposição “O Poder da Morte” era composta por guerreiros Xian de terracota falsificados, e não obras construídas dois séculos antes de cristo. Os 10.000 visitantes da exposição podem receber o dinheiro das entradas de volta, por terem visto oito guerreiros de terracota, com dimensões, materiais e técnicas da altura da dinastia Qin. Só que não são os originais. E então, qual é o problema da contrafacção cultural?

sábado, dezembro 29, 2007

Ler em zapping

Uma das conclusões do estudo abaixo referido, é a de que cada vez mais se lê ao ritmo e de acordo com a metodologia do zapping. Sobretudo as crianças e os adolescentes, gente criada ao ritmo dos jogos de vídeo e da leitura em diagonal. Assim, a tecnologia tanto pode ser um estímulo e uma ferramenta para quem tem competências de leitura, como, ao invés, um obstáculo que convida os maus leitores a ler cada vez menos. Alberto Manguel, ensaísta argentino e autor do livro “Uma História da Leitura” defende a preparação do leitor e não o desejo de muitos facilitistas: simplesmente infantilizar os textos para que possam ser lidos sem esforço.

Best of: tecnologia de 2007

1. Em 2007, o portal português Sapo arrastou para as suas hostes muitos blogues. Quer por estímulo, quer por convite directo, a plataforma conquistou muitos adeptos da blogosfera, disputando com o Blogger um estatuto de primazia em Portugal. Isto lembra-me que foi nos blogues do Sapo que iniciei as minhas lides nestes terrenos.

2. O ano de 2007 também foi o ano dos podcasts. Eu viciei-me neles, pelo simples facto de que posso gerir o meu tempo a bel-prazer. E como eu gosto de ouvir rádio!

Ai Portugal, Portugal...

O El País traz um estudo indicativo do índice de leitura infantil que interessa comentar. Tomando como base o índice 300 e considerando a média em 500, vê-se o posicionamento dos países acima e abaixo da média. Lá por cima estão Rússia, Hong-Kong, Canadá, Singapura, etc. Acima da média, ainda aparecem Espanha (513), França (522), Dinamarca (546) e por aí. Abaixo da média, Noruega (498), Irão (428), Indonésia (425), Marrocos (323) e por aí. Portugal não aparece, até ao 45º lugar e, como não tenho tempo, nem o vou procurar.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

O acento que muda tudo



Mais uma forma de fundamentalismo. Bacoco, como todos.
Visto aqui.

Best of: blogues de 2007

Os meus destaques para os blogues criados em 2007*:

1. O que cai dos dias, de João Ventura - literatura servida com muitas leituras, inteligência e um trato da palavra que anda um pouco esquecido na blogosfera. Ainda bem que começou a escrever por aqui. Alguns textos do blogue dão origem a uma coluna que o autor mantem no jornal barlavento, em papel e em linha.

2. Sem muros, de Miguel Portas - um jornalista e político que não se entendia fora da web. Conhecedor das matérias internacionais é sobretudo nesta área que dá cartas, sem peias e meias palavras.

3. 69 Rumours, de aka verdocas - um blogue cá de casa, cheio de bom gosto, nas imagens, nos vídeos e na música. A ver, com um acompanhamento à la carte de 69 Rumours Lyrics.

* [Declaração de interesses: os três blogues destacados pertencem a amigos meus]

Vive la France

Aos poucos, Sarkozy vai levando a água ao seu moinho. Um moinho sem velas há já muito tempo. Não só dinamizou a chamada União Euromediterrânica, que nasceu em Barcelona em 1995 e nunca mais andou, como propôs um Conselho de Sábios para definir os fins e os limites da União Europeia. Quanto à primeira, o que o presidente francês propõe é uma ligação entre os países europeus com fronteiras marítimas no Mediterrâneo e não um projecto integrado nos programas da UE, como querem Espanha e Itália, os outros dois países dinamizadores. No Conselho de Sábios aceitou a presidência do ex-primeiro-ministro de Espanha, Felipe González.

Como se vê, o objectivo de Sarkozy não é andar a dormir nas conferências internacionais, mas estar de olho aberto contra a liderança alemã. Nem que seja através do namoro com os restantes vizinhos próximos.