sábado, dezembro 22, 2007

Contra o fumo, marchar, marchar

Parece que mais de 80% dos restaurantes e cafés – para além dos hotéis – vão proibir o fumo no seu território. Está na altura de respirar um ar menos poluído quando comemos ou simplesmente bebemos um café. A partir de 1 de Janeiro começa a denúncia popular da patrulha ecológica. Eu alinho. Detesto fumar os cigarros dos outros. Ali à direita já está o meu manifesto.


Recortes de imprensa

J.L. Saldanha Sanches, no caderno de economia do Expresso, 15 Dezembro 2007:

As aparências iludem: as máfias a trovejarem violência e morte são plantas muito delicadas; só conseguem crescer em certos climas. Depois de crescerem ganham raízes e tornam-se mais fortes. Mas serão sempre plantas de estufa que não suportam o frio ou os ventos fortes (...)

sexta-feira, dezembro 21, 2007

A carta da Farinha Amparo

Em viagem até à fronteira espanhola, hoje, devo ter visto cerca de uma dezena de carros parados na berma da Via do Infante. Pelo menos três estavam acidentados. Mesmo assim, e apesar da chuva intensa e neblina cerrada, muitos condutores circulavam a mais de 120 à hora, alguns deles de luzes apagadas, com medo de gastar energia, certo? Bem dizia José Megre há vários anos: o problema da sinistralidade rodoviária não é causado pelo mau estado das estradas ou pela ausência de sinalização. Nem nessa altura nem muito menos agora. O problema, qual é então? A azelhice dos condutores. Essa é a verdade. Grande parte das cartas de condução saíram na farinha Amparo como sabemos e, por isso, se saúdam as novas medidas a implementar no próximo ano. Entre outras coisas, uma carta com pontos, que se retiram à medida que se multiplicam infracções, até à derrota final. E era bom que, no vidro dianteiro, as asneiras destes condutores estivessem bem assinaladas, através de cores apropriadas. Com a vida dos outros não se brinca.

Girando o dedinho

As crónicas de Luís Fernando Veríssimo, no Expresso, são obrigatórias. Para além de um humor inteligente o cronista é um excelente contador de histórias, quer sejam de ficção quer sejam de realidades bem presentes. Da última – que aborda os gestos relacionados com o acto de telefonar – respigo este excerto:

Outro gesto datado é girar o dedo no ar. Do tempo em que os telefones tinham discos, lembra? Você introduzia o dedo no buraco correspondente ao número desejado e rodava o disco. Fazer isso em forma de mímica deixava claro para a pessoa distante que você se referia ao telefone (…) a não ser que você a estivesse convidando para dançar. (…) Já existe toda uma geração que nasceu, cresceu e se tornou adulta na era pós-disco e para a qual o dedo girando no ar também perdeu qualquer sentido.

Lendo isto, veio-me à cabeça que o telefone do meu gabinete na Escola Superior de Educação, em Faro, é um telefone de disco. Seja por falta de dinheiro ou por qualquer outro motivo trivial, o que é certo é que ele respeita a minha geração: a que usava o dedo girando no ar para convidar a moça para dançar.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Em dia de chuva,

a praia do Amado/Aljezur.
[foto de Deanna Raimundo]

Minguante em crescendo

Há tempos que queria falar da revista minguante. Pequena, como convém, a albergar pequenos contos (microcontos) de várias paragens, já do Brasil e de Espanha, alfobres das pequenas histórias e de famosos cultores do género. Lembram-se de Cortázar?
Entre outros, por detrás do trabalho da Minguante, está o meu amigo Luís Ene, incansável a respirar texto por todos os poros. Gosto sempre de o ler e sei o trabalho que dá manter uma revista on-line com uma qualidade mínima, aberta a participações várias.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Acuerdo

O acordo ortográfico entre Portugal e Brasil volta a atacar. E bem. Depois das palhaçadas com a língua que muitos dos nossos escritores fizeram (lembro textos de Baptista Bastos) agora, Graça Moura mantém a defesa da honra, explicando que quem ganha com isso é a indústria do livro brasileiro. And so what? Não estamos todos fartos de desperdiçar letrinhas que bem poderiam ir parar a uma bela sopa? Ação pois, na direção de um acordo moderno.
Entretanto, enquanto alguns portugueses defenderem Eça como o maior escritor da língua portuguesa e “Os Maias” como a melhor obra da língua, estaremos mal. Peguem lá n’ “As Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis e vejam se aprendem.

terça-feira, dezembro 18, 2007

Máquina de desenhar a lápis

No último Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA), a Fábrica de Lápis Viarco apresentou uma magnífica exposição sobre a história, o processo de fabrico e o uso do lápis produzido em Portugal. Pascal Nordmann, a convite da empresa, concebeu uma instalação curiosa, "Uma máquina de desenhar a lápis". Veja o clip:


[vídeo de Deanna Raimundo]

Fundo negro

Para quem estranha os fundos negros dos blogs, ou de outros sítios na net, convém ler este artigo no Observatório do Algarve.

Leitura de imprensa

O texto que publiquei na Voz de Loulé de 15 de Dezembro,
na rubrica Prática Social, pode ser lido aqui.

Ler também a crónica de João Miguel Tavares, no Diário de Notícias, sobre "a criança" como centro do mundo nas histórias infantis da modernidade.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Imigrantes no Algarve

Junto à Ilha da Culatra, ali mesmo frente a Olhão, 23 marroquinos foram retirados de um pequeno bote depois de quatro dias à deriva nas correntes de levante. Têm entre 25 e 30 anos e são dos dois géneros, mais homens que mulheres, claro. Os responsáveis do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, apressaram-se a declarar o carácter excepcional do facto, bem como a acentuar que o Algarve não é uma "zona de risco". Alguns imigrantes entrevistados referiram o seu desejo de rumar a Espanha, mas outros mostraram que ficar cá não os desagradaria. Não vai ser a última vez. Preparemo-nos para isso, alertando para os perigos da imigração clandestina, mas lembremo-nos de que fomos emigrantes, de "salto", em toda a Europa e deixemo-nos de xenofobias.

Ainda sobre a Cimeira UE-África

Parece que houve uma cimeira UE-África lá em cima em Lisboa. Kadhafy apascentou camelos e o camelo do Mugabe apascentou-se a ele próprio. Mas, na verdade, quem fez figura de bom pastor foi a presidência portuguesa.

O cartoonista Luís Afonso, no Público, propõe um olhar pós-colonial sobre o tema:


domingo, dezembro 16, 2007

E viva a série B

Bee Movie (pode traduzir-se como uma homenagem a filmes da série B) nasce de uma ideia de Jerry Seinfeld. Pois é, o cómico da televisão que transformou uma série sobre coisas banais da vida, numa série de culto. Agora, por ter escrito o argumento do filme da abelha, é levado muito pouco em conta pela crítica, o que é estúpido (ver o “Actual” do Expresso de hoje, ou a Time Out).
O filme assenta na ideia de uma abelha reformadora que coloca os humanos em tribunal, para contestar a roubalheira do mel que produzem há milénios. Apesar de pequenos momentos mais lamechas, o filme é inteligente e vive muito mais do humor verbal do que dos gags da própria animação. A comissão de espectáculos não sabe como classificá-lo e com razão. Os diálogos são muito adultos, apesar de serem perceptíveis por crianças a partir dos 6 anos, se acompanhados como deve ser pelos pais, claro. E a animação ajuda. As vozes de Barry B. Benson (a abelha protagonista), quer na versão original, com Seinfeld, quer na versão portuguesa, com Nuno Markl, dão um toque maduro q.b. e retiram a infantilidade que se espera, sempre, das vozinhas dos desenhos animados destas histórias.
No fim, podemos confirmar o génio de Seinfeld, na fala do mosquito Black, que aparece de pasta na mão, como advogado substituto de Barry e que responde à vaca malhada que protestava contra a roubalheira do seu leite pelos humanos: “Bom, eu sempre fui um parasita, só me faltava mesmo uma pasta para também ser um advogado”. Genial, não vos parece?

sábado, dezembro 15, 2007

Pop retro

Ouviu-os há uns dias, de manhã, no programa do João Adelino Faria no Rádio Clube Português. Deram uma entrevista a defender a música portuguesa de antanho: Max, Amália, etc. Os Donna Maria são três: Miguel Majer e Ricardo Santos, nos instrumentos; e Marisa Pinto, uma voz feminina a lembrar alguns efeitos vocais dos primeiros temas dos Entre Aspas. O grupo respira muita fusão por ali, cheio das boas influências da pop portuguesa dos anos 90. Hoje ouviu-os, de novo, no programa Nuno & Nando (Nuno Markl e Fernando Alvim) nas manhãs de sábado, na Antena 3 e tanto que me soou a Amélia Muge. Mas é bom, bastante bom. Um dos clips do álbum de estreia, “Música para ser Humano”, tem realmente um design cinematográfico retro, que se elogia. Vamos vê-lo e comprovar o que digo:




[Há Amores Assim]

Lets look at a trailer

Hoje fui com a família ver o Bee Movie (História de uma Abelha). Já aqui tinha postado um trailer do filme, de qualidade muito próxima do último que vi, Ratatui. Amanhã falo-vos dele.

Créditos

Deixem-me dizer-vos que o desenho, ali à direita, é da autoria de Adão Contreiras. Ele fê-lo na tasca Molhó Bico em Serpa, em 1993. Há que tempos hem?

sexta-feira, dezembro 14, 2007

A negro

Hoje, este blogue aderiu à ideia da redução de energia, na luminosidade do écrã dos monitores que o lêem e na redução progressiva da emissão de CO2, por via da sua navegação. Como já tinha feito em tempos com outro blogue, este passa a ter fundo negro. A alteração de template obrigou-me a actualizar na nova versão, o que provocou algumas decàlages no side bar. Em breve actualizarei os elementos que já tinha alterado em tempos.

Entretanto aproveite para responder à sondagem, ali ao lado, sobre a Emissão de Co2 para a atmosfera.

Aniversários


Dois amigos fizeram um ano de actividades na blogosfera, este mês. É bom lê-los, e vê-los. Parabéns.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Gente verdadeiramente singular

Um amigo - grande amigo - e alguns conhecidos lançaram a editora Gente Singular. Paradoxo da história, pronunciei-me eu, em tempos aqui no blogue, sobre o autor da minha terra, Teixeira Gomes e a sua ausência nas missões da Faro, Capital da Cultura (FCNC). Tudo isto a propósito do facto do antigo chefe de missão da FCNC, Rosa Mendes, meu colega na Universidade do Algarve, ser agora editor e autor da/na Gente Singular.

sábado, dezembro 08, 2007

Safei-me de boa

Relação do abastecimento que transportei de Ayamonte, no passado dia 1 de Dezembro:
Peixe: camarão, biqueirão, conservas, patés, lulas;
Carne: vaca, porco;
Bebidas: sumo, águas, refrigerantes, leite, iogurtes, vinho, cervejas muitas;
Pequeno-almoço: flocos, pão, queijo, fiambre, capuccino;
Diversos: chocolates, papel higiénico, etc.
Não me lembro de muito mais e não me apetece ir buscar a factura.
Bom, atestei o depósito de gasolina e comprei umas roupas baratas, nas lojas.
Tive pena de não precisar, ainda, de botijas de gás.
Não me cruzei com a ASAE, a governadora civil de Faro ou a polícia. Talvez um dia.