sexta-feira, agosto 24, 2007

Olá,

só para dizer que não me fui embora. Estou de férias, sobretudo destes momentos sorumbáticos frente ao computador. Em breve darei novidades.

domingo, julho 29, 2007

Sem muros

Já é madrugada de domingo e mais logo quero estar cedo nas Dunas com a família, mas queria deixar-vos a leitura de Miguel Portas, mais um amigo nóvel na blogosfera.

sábado, julho 28, 2007

Exemplos

Sentei-me no banco instável de madeira, a imitar um assento de jardim, ali mesmo no centro de toda a literatura de supermercado. Enquanto os meus filhos deitavam abaixo os livros das estantes juvenis ou viam os brinquedos do consumo de massas e a minha mulher fazia as compras da semana (já sei, desculpem lá, mas eu não sou homem de andar a escolher iogurtes e a pesar batatas), eu lia avidamente os contos restantes de Max Aub nos “Crimes Exemplares” da Antígona, que tinham ficado das últimas duas surtidas:

Desde que nascera o miúdo só sabia chorar, de manhã, à tarde e até à noite. Quando mamava e quando não mamava; quando lhe dávamos o biberão e quando não lho dávamos; quando íamos passear com ele e quando não íamos; quando o embalávamos para adormecer, quando lhe dávamos banho, quando lhe mudávamos a fralda, quando saíamos e quando voltávamos para casa. E eu tinha que acabar aquele artigo. Prometera entregá-lo até ao meio-dia. Era uma obrigação para com o meu confrade Rios. E eu cumpro as minhas promessas. E o miúdo chorava, chorava, chorava, E a mãe... Bom, mais vale não falar da mãe. Atirei-o pela janela. Asseguro-lhes que não havia outra solução.

Superstars


David Fonseca canta e realiza o videoclip. O assobio é genial:

sexta-feira, julho 27, 2007

?

O que é que tenho andado a fazer? A arrumar papéis na secretária, a dar notas aos alunos, a guardar livros e fotocópias da tese de mestrado (ah Umberto, como te compreendo), a pôr papelada em ordem. Não imaginam o que fica na ressaca de leituras, escritas e boa vida. Imaginem o resto...

terça-feira, julho 17, 2007

Povo, essa entidade inóspita

Um dos elementos do júri da minha tese, hoje de manhã (ver aqui), questionou-me sobre o uso da expressão, na p. 46, "povo, essa entidade inóspita". A minha explicação foi sociológica e usou muito da teoria da nova historiografia francesa sobre o assunto. Mas, num sentido mais prosaico, poderia dizer que povo são todos aqueles que de Cabeceiras de Basto a Teixoso vieram apoiar a eleição de António Costa para a Câmara de Lisboa, depois de terem (alguns deles) passado por Fátima. Uma explicação empírica pensada a partir desta leitura.

Rir

E agora, para desanuviarmos um bocadinho (até porque me ri às gargalhadas), deixo-vos um sketch de humor verdadeiramente cinéfilo de Hugh Laurie (Dr. House, pois claro) e Stephen Fry:



[Fornecimento de mister Markl]

Modéstia à parte

Hoje, de manhã, realizei as provas públicas de defesa da minha dissertação de mestrado na Universidade de Sevilha. A tese, com o título "Encruzilhadas do desenvolvimento comunitário. Memória social numa aldeia do barrocal do Algarve (Portugal)", obteve do júri internacional a classificação máxima de sobresaliente. Como passei muitas horas a vogar por aqui, a blogosfera merece também o meu agradecimento particular.

segunda-feira, julho 16, 2007

sexta-feira, julho 13, 2007

Machado

......Quem......precisa.........de............explicações............(à moda de Brás Cubas)?

quarta-feira, julho 11, 2007

Terá sido mesmo assim?


Nuno Ramos de Almeida (5dias) propõe outro título para o livro de Zita Seabra, já comentado neste blogue. "Não foi assim" é o nome que sugere para justificar o comentário da sua leitura. Deixo-vos um extracto que confirma o que eu disse no post referido: «(...) Mais grave é a pseudo-descrição da chegada de Cunhal a Lisboa que fez na entrevista à RTP 1. Aí é garantido que Cunhal encenou a subida ao cimo do tanque para representar uma repetição da chegada de Lenine a Petrogrado. Todos os testemunhos históricos negam essa vontade de orquestrar. Cunhal subiu de facto a um Chaimite a convite de Jaime Neves, por não haver outro sítio onde pudesse falar à multidão (...)»

Seeing voices



O Artur Ribeiro, cineasta de Loulé, mas mais novaiorquino, prepara um projecto interessante. Vejam o diário de bordo [visto aqui]

terça-feira, julho 10, 2007

Ilha Deserta

Foi no "Estaminé", na Ilha Deserta, que fizémos o copo de água do nosso casamento. Combinei com o Zé Rita (José Vargas), como lhe chamamos, que só servisse produtos do mar. E assim foi: peixe grelhado, marisco, bivalves; nada de carnes. A viagem decorreu no Sultana, a embarcação que navega de Faro até à ilha, que o Rita e a Isabel transformaram num local paradisíaco, onde só se vai de barco ( e a minha família, de canoa). Nesse dia já longínquo de Outubro de 1994, havia uma brisa marítima de iodo, um golfinho morto na praia e a música dos Entre Aspas ainda inédita do 2º álbum. A noite só escureceu o dia, nunca as almas. Hoje que se fala do novo "Estaminé", eu aplaudo.

A balada do mar salgado

Tinha 10 anos, quando nasceu.

domingo, julho 08, 2007

Simbólica infantil

Restos da maré iconográfica de domingo
[escultura de Tomás e Daniel Raimundo]

sábado, julho 07, 2007

A memória reconstruída

Zita Seabra, ex-militante do PCP e actual deputada do PSD, publicou recentemente um livro de memórias sobre o tempo da sua militância no partido de Cunhal. Ainda não o li (espero fazê-lo no verão a que tenho direito), mas na entrevista que deu a Judite de Sousa percebeu-se o óbvio. Zita Seabra narra as suas recordações como se elas tivessem acontecido ontem, com uma descrição e efabulação prodigiosas. Não podemos acreditar. Mesmo entendendo que muitos dos acontecimentos estarão documentados, o que se prova é que Zita Seabra o que faz é interpretar os factos do passado à luz do presente. Aliás, o que os estudos sobre a memória têm vindo a provar. O que ela faz (como qualquer um de nós faria, perceba-se) é elaborar uma interpretação do passado de acordo com os seus quadros político-ideológicos do presente. Por isso, aquela história da caixa de bombons oferecida a Cunhal é tão metafórica e romanesca. Quando penso nas minhas memórias desse período de há 30 anos atrás, o meu discurso mental conduz-me inevitavelmente a uma elucubração de manipulação da memória. Também o que pretendo provar, na minha tese de mestrado sobre a memória social numa aldeia do concelho de Loulé, é que a memória é sempre reconstruída de forma a definir um cariz identitário mais de acordo com a modernidade do presente. O livro de Zita Seabra deveria chamar-se: “Eu penso que foi assim”.

sexta-feira, julho 06, 2007

Agradecimento devido

Há algumas semanas atrás Carlos Albino, jornalista do Jornal do Algarve e cronista do SMS no mesmo jornal, escreve de forma encomiástica sobre o meu pequeno ensaio a propósito do poeta louletano Casimiro de Brito, publicado na revista al-‘ulià, do Arquivo Municipal de Loulé. Devo agradecer e remeter-vos para o blog do SMS.

quinta-feira, julho 05, 2007

Bernardo de Passos

Pois, a blogosfera é isto. Pesquisando alguns termos, na web, para a preparação da defesa da minha tese, encontro o meu nome num blogue de S. Brás de Alportel. Em tempos tinha escrito e publicado, no barlavento, uma crónica cruzando o poeta Bernardo de Passos, a escola com o seu nome, a gastronomia e a bandeira de Portugal. É justo que a crónica seja publicada aqui (a 8 de Março). É a democracia meus amigos.

quarta-feira, julho 04, 2007

Lodge

Estou lendo, pela primeira vez, David Lodge, apesar de ter quase todos os seus romances. "O Museu Britânico ainda vem abaixo" é uma obra de 1965, da altura da revolução sexual. Uma das melhores leituras de verão, à inglesa: parágrafos curtos, sem empáfia e cheios de dados culturais fundamentais. Ah, se Mário Cláudio soubesse escrever assim!

Festival Med

Em breve escreverei sobre o Festival Med, enquanto paradigma de uma certa mercadorização cultural das raízes mediterrânicas. Um equívoco, a meu ver e que não durará muito. Entretanto, pode-se ir lendo algo por aqui.