quinta-feira, abril 12, 2007

DN, o novo Correio da Manhã

Afinal, a purga dos cronistas do Diário de Notícias não pára. Para além do que disse abaixo, o nóvel director do jornal continua a fazer uma limpeza à esquerda, nunca vista com outros directores.
Ler aqui.

quarta-feira, abril 11, 2007

Medeiros Ferreira fora do DN

Apesar de ser "em bons termos", José Medeiros Ferreira foi corrido do Diário de Notícias, onde cronicava há cerca de 15 anos (20 com interrupções). Eu já desconfiava disto, depois do que aconteceu a Mário Mesquita, ou a José António Barreiros. Com João Marcelino à frente do jornal, vamos ter um remake do Correio da Manhã. Ali abaixo, eu disse o que disse, também por isto.

O abate de árvores em Loulé

António Almeida fala, no seu blogue, do abate de árvores na avenida José da Costa Mealha, em Loulé. Lá deixei um comentário, a propósito de outro abate, o que se efectuou na R. Sacadura Cabral, aquando do início das obras do Arquivo Municipal.










Como um dos comentários refere este abate, e solicita fotografias a propósito, deixo aqui duas imagens que colhi na altura, pouco tempo depois das árvores terem sido cortadas rente, como se vê na imagem da direita. À esquerda, mostram-se seis cepos resultantes do corte. No lado direito da rua, podem somar-se mais seis. Doze árvores abatidas sem que ninguém tivesse discutido isto (refiro-me, claro, a ouvir pareceres de responsáveis - autarquias e associações, por exemplo).
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(clicar nas fotos para expandir)

Antecipar a entrevista

Também vi e ouvi o debate sobre o tabu de Sócrates. João Marcelino, director do DN e antes director do Correio da Manhã, estava cheio de incómodos por estar no jornal de referência conotado com o governo. Os directores do Público e da Renascença mostraram-se preocupados com a reforma da administração pública. É que isto é tudo uma chatice. Se Sócrates se demite então é que não há reforma nenhuma. Que pena! Louçã foi citado algumas vezes. Parece ter sido o único dirigente da oposição a pôr as coisas a claro: saber se Sócrates favoreceu ou foi favorecido pela Universidade Independente. Pois claro. PS, PSD, CDS e PC estão calados, à espera do repasto de mais logo à noite.

terça-feira, abril 10, 2007

Tempo de Timor V

O médico e artista plástico Vicente de Brito foi um dos pintores convidados para a iniciativa que estou a recordar há uns dias [ver este post]. No fim da manhã, depois de pintores, escultores e performers terem desenvolvido os seus trabalhos - de que se dará conta em próximas entradas - fomos todos almoçar ao restaurante Flor da Praça, local habitual de comida e tertúlias do pessoal da Câmara. Aliás, julgo que foi a autarquia que custeou as refeições, pois claro. Durante o almoço o Vicente de Brito desenhou-me de perfil, ainda com o boné vermelho da CIN, a empresa que nos ofereceu todas as tintas e pincéis, necessários ao evento.

Um possível retrato de Portugal

É claro que se podem fazer muitos retratos de Portugal. Uma das formas de abordar o país, do ponto de vista sociológico, é colocarmo-nos também do ponto de vista de uma classe social. Daquela a que pertencemos, por exemplo. O programa de António Barreto faz isso. Já no segundo episódio fez isso (não vi o primeiro). Falar do trabalho e dos sectores económicos, sem tocar nas políticas de desenvolvimento para as várias áreas, é fazer um documento descomprometido, como se isso fosse possível. Como se o ponto de vista do autor fosse asséptico e descomprometido com o poder simbólico, de quem lê o problema. Aliás, recordo que António Barreto foi o ministro da agricultura do tempo da reforma agrária, lembram-se? Seria uma oportunidade para desenvolver uma 'reflexividade' sobre o tema. Mas a oportunidade foi perdida, de forma propositada.
Hoje, no terceiro episódio, o problema colocou-se de novo. A certa altura diz o autor, em voz off: "Será difícil para nós pensarmos o tempo dos nossos avós, de candeeiro a petróleo...". Para muitos de nós, para mim também, apenas preciso de retornar à geração dos meus pais, à minha infância, para lembrar a luz que me alumiava quando lia. Para o autor, esse tempo foi há muito mais tempo. Um ponto de vista de classe, portanto, a fazer de estudo sociológico.

segunda-feira, abril 09, 2007

Tempo de Timor IV



Foi esta a canção que serviu de base à performance do artista Afonso Rocha, na iniciativa de apoio a Timor, que fizémos em Loulé, em 1992, uma história que vos estou a contar há alguns dias. Tive que repetir a mesma música, na cassete (Ah, velhos tempos), imensas vezes. Só assim o Afonso poderia acompanhar, com música, as pinceladas doidas que esbatia na prancha de aglomerado de madeira, colocada no passeio da avenida José da Costa Mealha nessa manhã de sábado, 8 de Fevereiro. Depois das pinceladas a vermelho e negro, o Tó Zé, um amigo nosso, simulava uns disparos contra uns estudantes que tinham vindo da Escola Secundária (gente boa, esta), os quais caíam para dentro de um caixão. O caixão foi o tour de force do Afonso, que nos obrigou a arranjá-lo. Foi o Albano que o conseguiu, em Loulé, pedido estranho a que a funerária depressa aludiu. Sem tal peça, ele (artista sempre exigente) nada faria. Mas a malta lá providenciou o caixão e a música "Timor", dos Trovante, que aqui se dá a ouvir para acompanhar esta memorialística.
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[nota às 9.49h de 3ª: parece que Ramos Horta lidera a contagem de votos nas eleições para a presidência de Timor]

Desenhos de viagem (C)


[desenho de Adão Contreiras, Minas de S. Domingos, Mértola]

domingo, abril 08, 2007

Tempo de Timor III

(clicar na imagem para ver em tamanho maior)

A iniciativa de solidariedade com Timor, de que tenho vindo a falar, mobilizou um vasto conjunto de artistas plásticos (pintores e escultores), de poetas, músicos e performers, que fizeram do sábado, dia 8 de Fevereiro de 1992, um dia realmente excepcional em Loulé. No grupo da instalação escultórica, participou ainda Afonso Rocha, que nos obrigou a arranjar um caixão para uma performance na avenida José da Costa Mealha, e a tocar vezes sem conta o tema "Ai Timor", dos Trovante. Mas isso é uma história que contarei mais tarde.
Lembro-me de ter reunido com o Vitor Picanço, o Adão Contreiras e o Hermínio Pinto da Silva, na Galeria Margem, já um prestigiado espaço cultural de Faro, dirigido pelo meu amigo Adão. A conversa girou mais à volta dos materiais a utilizar, porque eu queria materiais diferentes (madeira, pedra, ferro), mas eles foram mais do que solidários comigo. Quanto ao Afonso Matos, fui encontrar-me com ele no bar de um amigo meu, o Morbidus, ali na rua do crime, em Faro, ainda nessa noite e com umas cervejas a ajudar. A história das instalações, muito activas, destes meus amigos será contada em breve. Sei que o Adão pode começar por dar o pontapé de saída.
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[Adenda: o Adão deu início à sua história]

sábado, abril 07, 2007

Tempo de Timor II

Ali abaixo, falava do cartaz da iniciativa de solidariedade com Timor-Leste, realizada em Loulé, em Fevereiro de 1992. Que me lembre, foi das primeiras manifestações de solidariedade que aconteceram no país. E a sua origem foi tão prosaica quanto uma conversa a uma esquina pode ser. A ideia foi fabricada ali perto da rotunda da Praça da República, em Loulé, mesmo debaixo da entrada da CGD, por mim, pelo Joaquim Mealha, meu colega do Gabinete de Desenvolvimento Rural da Câmara de Loulé e pelo José Teiga, à época julgo que presidente da Casa da Cultura de Loulé e encenador do seu Teatro Análise de Loulé. O cartaz, de que vos queria falar, foi desenhado pela Erundina, por sugestão julgo que do Daniel Vieira, também professor e artista plástico, que me acompanhou a casa da artista ali para os fins da avenida José da Costa Mealha. As recusas foram quase inexcedíveis. Aquilo que os artistas dizem sempre: não têm tempo, julgam-se incompetentes, o desafio é muito exigente. Acho que a convenci quando disse que Timor é que não tinha tempo e que por isso muitos artistas iriam colaborar, o que foi mesmo verdade. E a Erundina cumpriu o prometido: fez o cartaz a tempo e horas que o Guanito, da Gráfica Comercial, imprimiu (bem como o programa). Ainda por cima um excelente cartaz.

Onde vou, muitas vezes


Esta história lembra-me o que aconteceu na Ria de Alvor, no concelho de Portimão, o ano passado. A mesma devastação feita por patos bravos do turismo, a ausência de controlo das autarquias, o silêncio demorado dos responsáveis do ambiente. No caso da imagem acima, o Público, de hoje, referia a contra-ordenação que o ICN (Instituto de Conservação da Natureza) já tinha accionado. Mas multas é o que menos custa a esta gentinha. As plantas e os arbustos endémicos da região é que se foram, provavelmente, de vez.

sexta-feira, abril 06, 2007

Tempo de Timor

Em tempo de eleições democráticas em Timor, ocorre-me a memória deste cartaz e do trabalho que me deu, convencer a artista plástica, Erundina, a desenhá-lo. Amanhã conto-vos a história.

terça-feira, abril 03, 2007

Retrato-episódio 2

O povo unido

Ramos Rosa premiado


Poema dum Funcionário Cansado

A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder num quarto só
Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço
Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música
São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo numa só noite comprida
num quarto só

[mais]

domingo, abril 01, 2007

sábado, março 31, 2007

Rali sobre a Rede Natura

Depois do acidente do primeiro dia da prova, o Rali de Portugal soma mais um problema. Desta vez é o ICN (Instituto de Conservação da Natureza) que vem dizer que não emitiu parecer sobre a prova, que atravessa muitas áreas da Rede Natura 2000, na Serra do Caldeirão. O que se estranha é que o ICN só agora o faça, depois de várias denúncias, sobretudo das organizações ambientalistas. Outra novidade é o facto de a Câmara de Faro dizer que desconhecia a necessidade deste parecer, que é obrigatório. Incompetências nos dois lados. Mas como disse ali em baixo, é assim que a marca Allgarve se vende.

Coração despido

O hino do Allgarve

Não me parece que valha a pena todo o corrupio à volta da chamada marca Allgarve, que identifica uma campanha de promoção turística que o governo lançou, pela mão de um ministro um tudo ou nada ignorante. O deputado Mendes Bota vem, agora, dizer que a marca já tinha sido criada, na Net, por um holandês que vive em Lagoa. É claro que isto é ainda mais estapafúrdio, pois sabemos que já ninguém inventa nada de novo, desde o dadaísmo. Ou melhor que a invenção é o pão nosso de cada dia, como veremos adiante. Para além de uma zanga de comadres partidária, mais que evidente, sabemos que aos algarvios tudo isto entra por um ouvido e sai por outro. Na verdade, a representação de um Algarve cristalizado de belezas tradicionais está apenas na cabeça da classe dirigente da região, herdeira do romantismo liberal de oitocentos. E é esse Algarve tradicionalizado que há muito se vende aos turistas. O Allgarve é o resultado dessa perspectiva romantizada elevada a marketing mais descarado. E por isso não tem de ser mais criticável do que a campanha de criação de um hino do Algarve, patrocinada por Macário Correia - presidente da AMAL -, há uns tempos atrás.

E agora Lula?

Pois é, o Lula tem sido o saco de pancada de muita gente, sobretudo pela corrupção evidente do seu Partido dos Trabalhadores. Mas eis que finalmente um dos seus projectos mais emblemáticos dá frutos: mais de metade da população brasileira deixa o limiar da pobreza. São só 8 milhões, quase tanto quanto nós.