domingo, abril 08, 2007

Tempo de Timor III

(clicar na imagem para ver em tamanho maior)

A iniciativa de solidariedade com Timor, de que tenho vindo a falar, mobilizou um vasto conjunto de artistas plásticos (pintores e escultores), de poetas, músicos e performers, que fizeram do sábado, dia 8 de Fevereiro de 1992, um dia realmente excepcional em Loulé. No grupo da instalação escultórica, participou ainda Afonso Rocha, que nos obrigou a arranjar um caixão para uma performance na avenida José da Costa Mealha, e a tocar vezes sem conta o tema "Ai Timor", dos Trovante. Mas isso é uma história que contarei mais tarde.
Lembro-me de ter reunido com o Vitor Picanço, o Adão Contreiras e o Hermínio Pinto da Silva, na Galeria Margem, já um prestigiado espaço cultural de Faro, dirigido pelo meu amigo Adão. A conversa girou mais à volta dos materiais a utilizar, porque eu queria materiais diferentes (madeira, pedra, ferro), mas eles foram mais do que solidários comigo. Quanto ao Afonso Matos, fui encontrar-me com ele no bar de um amigo meu, o Morbidus, ali na rua do crime, em Faro, ainda nessa noite e com umas cervejas a ajudar. A história das instalações, muito activas, destes meus amigos será contada em breve. Sei que o Adão pode começar por dar o pontapé de saída.
*
[Adenda: o Adão deu início à sua história]

sábado, abril 07, 2007

Tempo de Timor II

Ali abaixo, falava do cartaz da iniciativa de solidariedade com Timor-Leste, realizada em Loulé, em Fevereiro de 1992. Que me lembre, foi das primeiras manifestações de solidariedade que aconteceram no país. E a sua origem foi tão prosaica quanto uma conversa a uma esquina pode ser. A ideia foi fabricada ali perto da rotunda da Praça da República, em Loulé, mesmo debaixo da entrada da CGD, por mim, pelo Joaquim Mealha, meu colega do Gabinete de Desenvolvimento Rural da Câmara de Loulé e pelo José Teiga, à época julgo que presidente da Casa da Cultura de Loulé e encenador do seu Teatro Análise de Loulé. O cartaz, de que vos queria falar, foi desenhado pela Erundina, por sugestão julgo que do Daniel Vieira, também professor e artista plástico, que me acompanhou a casa da artista ali para os fins da avenida José da Costa Mealha. As recusas foram quase inexcedíveis. Aquilo que os artistas dizem sempre: não têm tempo, julgam-se incompetentes, o desafio é muito exigente. Acho que a convenci quando disse que Timor é que não tinha tempo e que por isso muitos artistas iriam colaborar, o que foi mesmo verdade. E a Erundina cumpriu o prometido: fez o cartaz a tempo e horas que o Guanito, da Gráfica Comercial, imprimiu (bem como o programa). Ainda por cima um excelente cartaz.

Onde vou, muitas vezes


Esta história lembra-me o que aconteceu na Ria de Alvor, no concelho de Portimão, o ano passado. A mesma devastação feita por patos bravos do turismo, a ausência de controlo das autarquias, o silêncio demorado dos responsáveis do ambiente. No caso da imagem acima, o Público, de hoje, referia a contra-ordenação que o ICN (Instituto de Conservação da Natureza) já tinha accionado. Mas multas é o que menos custa a esta gentinha. As plantas e os arbustos endémicos da região é que se foram, provavelmente, de vez.

sexta-feira, abril 06, 2007

Tempo de Timor

Em tempo de eleições democráticas em Timor, ocorre-me a memória deste cartaz e do trabalho que me deu, convencer a artista plástica, Erundina, a desenhá-lo. Amanhã conto-vos a história.

terça-feira, abril 03, 2007

Retrato-episódio 2

O povo unido

Ramos Rosa premiado


Poema dum Funcionário Cansado

A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder num quarto só
Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço
Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música
São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo numa só noite comprida
num quarto só

[mais]

domingo, abril 01, 2007

sábado, março 31, 2007

Rali sobre a Rede Natura

Depois do acidente do primeiro dia da prova, o Rali de Portugal soma mais um problema. Desta vez é o ICN (Instituto de Conservação da Natureza) que vem dizer que não emitiu parecer sobre a prova, que atravessa muitas áreas da Rede Natura 2000, na Serra do Caldeirão. O que se estranha é que o ICN só agora o faça, depois de várias denúncias, sobretudo das organizações ambientalistas. Outra novidade é o facto de a Câmara de Faro dizer que desconhecia a necessidade deste parecer, que é obrigatório. Incompetências nos dois lados. Mas como disse ali em baixo, é assim que a marca Allgarve se vende.

Coração despido

O hino do Allgarve

Não me parece que valha a pena todo o corrupio à volta da chamada marca Allgarve, que identifica uma campanha de promoção turística que o governo lançou, pela mão de um ministro um tudo ou nada ignorante. O deputado Mendes Bota vem, agora, dizer que a marca já tinha sido criada, na Net, por um holandês que vive em Lagoa. É claro que isto é ainda mais estapafúrdio, pois sabemos que já ninguém inventa nada de novo, desde o dadaísmo. Ou melhor que a invenção é o pão nosso de cada dia, como veremos adiante. Para além de uma zanga de comadres partidária, mais que evidente, sabemos que aos algarvios tudo isto entra por um ouvido e sai por outro. Na verdade, a representação de um Algarve cristalizado de belezas tradicionais está apenas na cabeça da classe dirigente da região, herdeira do romantismo liberal de oitocentos. E é esse Algarve tradicionalizado que há muito se vende aos turistas. O Allgarve é o resultado dessa perspectiva romantizada elevada a marketing mais descarado. E por isso não tem de ser mais criticável do que a campanha de criação de um hino do Algarve, patrocinada por Macário Correia - presidente da AMAL -, há uns tempos atrás.

E agora Lula?

Pois é, o Lula tem sido o saco de pancada de muita gente, sobretudo pela corrupção evidente do seu Partido dos Trabalhadores. Mas eis que finalmente um dos seus projectos mais emblemáticos dá frutos: mais de metade da população brasileira deixa o limiar da pobreza. São só 8 milhões, quase tanto quanto nós.

sexta-feira, março 30, 2007

Humor negro

Ontem, o Rali de Portugal decorreu na área do Parque das Cidades, no concelho de Loulé. A primeira prova originou 4 feridos, um deles grave - jornalistas autorizados a estar presentes junto das viaturas e espectadores viciados na velocidade. Provavelmente, este contributo deve justificar a criação de um hospital central junto do estádio conhecido como do Allgarve (desculpem mas não é engano).

quinta-feira, março 29, 2007

Azul mediterrânico (C)

Sapais da Ria Formosa, perto da Quinta do Lago
[foto de Deanna Raimundo-Direitos Reservados]

Esperar

Ocupado, acabei por perder o primeiro episódio da série documental de António Barreto, sociólogo responsável pelo programa "Portugal, um Retrato Social". Tenho pena, muita pena. Lembrar todas as terças, a seguir ao Telejornal da RTP1.

quarta-feira, março 28, 2007

Vozes antigas (C)

Mulheres cantadeiras de Sapeira, S. Marcos da Serra, Silves, Primavera de 1985
[foto de Helder Raimundo-Direitos Reservados]

segunda-feira, março 26, 2007

sexta-feira, março 23, 2007

Os jovens de há 60 anos


Faz hoje 60 anos que a Pide reprimiu os jovens que participavam na Semana da Juventude, em Bela Mandil, no concelho de Olhão, encontro organizado pelo MUD-Juvenil*, em 1947. Iniciativas relembram esta data. Ver aqui.

* MUD, quer dizer Movimento de Unidade Democrática e não como se escreve no "barlavento" ou em alguns blogues por aí. A história que relembra o rigor deve também relembrar com rigor. Aliás, o barlavento comporta ainda outros erros.

Cabeceira


De regresso aos castelhanos e de novo com Vila-Matas na cabeceira.

quarta-feira, março 21, 2007

Dia Mundial da Poesia

A Floresta

A floresta

não tinha outras clareiras,

senão

os nossos pensamentos.