quinta-feira, novembro 16, 2006

A propósito do post abaixo

"Das complexidades inadmissíveis da nova terminologia linguística para os estudantes do ensino básico e secundário (TLEBS) já se tem falado com mais ou menos pormenor. Da dificuldade de adaptação dos professores à nova terminologia, bem como ao seu manuseio, e da impossibilidade prática de os alunos a compreenderem, também já se falou, antevendo-se as piores catástrofes. Da preparação de manuais que a apliquem tem-se falado menos".
Ler o resto da crónica de Vasco Graça Moura no DN
*
Também Francisco José Viegas escreve sobre o assunto:
"Tenho estado a tentar exercitar-me na TLEBS, ou terminologia linguística para os ensinos básico e secundário (disponível aqui). O trabalho não tem sido fácil, porque a TLEBS é absurda. Vasco Graça Moura tem sido uma das vozes, senão a principal, a insurgir-se contra esse desmando a perpretar contra o ensino do Português. Recentemente, Maria Alzira Seixo na Visão (o que permitiu um pequeno post scriptum a E. P. Coelho no Público) escreveu um artigo notável".

Protesto estudantil em Loulé

Há minutos tive de parar o carro na rua de acesso à Escola Duarte Pacheco, em Loulé (2º e 3º ciclos). Os alunos desfilavam gritando "Queremos uma nova ministra!". Eram miúdos de 13 a 15 anos agitando cartazes coloridos sobre as aulas de substituição. Marcavam presença nos protestos nacionais que estão a decorrer hoje.
Do alto do seu paternalismo evidente temos ouvido os desabafos dos mais velhos, criticando o jeito juvenil de fazer política. Mas há uns anos nós éramos assim: protestos, coesão, partilha do gosto da ofensa e da crítica. E aprendemos muito do que hoje sabemos. Acreditemos que estes miúdos constroem o seu caminho de cidadania, desta e de outras formas velhas ou por inventar.

quarta-feira, novembro 15, 2006

Todos temos o nosso Amadeo

De cara destapada

O Remexido, José Joaquim de Sousa Reis, desde que debutou na igreja de SB de Messines, deu a cara pelo miguelismo na revolução liberal. Em Faro foi julgado, condenado e executado de cara destapada. A história nunca se repete!

sexta-feira, novembro 10, 2006

O moço Saramago

Em entrevista ao Estado de S. Paulo (Brasil) Saramago disse:

"Chegou a hora de fazer a minha confissão. Eu pertenci à juventude salazarista, que se chamava Mocidade Portuguesa. Pertencíamos todos: alunos da instrução primária, do ensino secundário, do ensino superior, todos sem exceção. Era, por assim dizer, automático. Digo no livro como consegui escapar a usar o fardamento e creio que essa foi a minha primeira vitória contra o fascismo. Mais não podia fazer. E para a revolução ainda era cedo" [sublinhado meu].

O facto de gostar da obra de Saramago, não me coíbe de mostrar a minha perplexidade pelo rídiculo de algumas ideias manifestadas na entrevista e mais pelo revisionismo que ele faz do seu passado. Nem todos fomos membros da Mocidade; nem todos marchamos de botas cardadas sem excepção. Entre muitos, eu fui um dos que aquela escumalha não apanhou. Nem que para isso tivesse de desaparecer uns dias da escola do ciclo preparatório (tinha 11 anos); nem que para isso tivesse que rumar, aos 15 anos a outra cidade e a outra escola, quando o liceu estava infestado de fardas e de bivaques. E não me ando a gabar de vitórias sobre o fascismo. Shame on you!

quinta-feira, novembro 09, 2006

A "Cartilha" dos media

A alguns media, daria muito jeito que o Nobel da Paz fosse para Bono ou Geldof. Bem, eu sei quem são estes tipos e na verdade pouco me interessam. Geldof como músico é uma nulidade e é quase opaco a defender causas.
Bono vive do prestígio da música apesar de, confesso, gostar dos seus primeiros álbuns. Mas o comité do Nobel tem ouvidos moucos e vistas curtas para a comunicação e deu o prémio ao criador do conceito de microcrédito, Muhammad Yunus.

[Ler a minha crónica, completa, no «barlavento».]

quarta-feira, novembro 08, 2006

Clifford Geertz

Também eu queria ter falado dele há dias, quando soube da sua morte. É uma das minhas referências intelectuais mais recentes. As suas perspectivas do conceito de 'cultura' são extremamente inovadoras; as suas teorias sobre as interpretações da cultura denotam uma frescura essencial na actualidade. É um dos meus marcos teóricos incontornáveis na tese que estou a desenvolver. Dele, usei algumas concepções na comunicação que fiz, no passado fim de semana, no Encontro sobre Tradições Orais, em Querença.

sexta-feira, outubro 27, 2006

Lobo Antunes

Vi ontem a entrevista de Judite de Sousa a Lobo Antunes. Poderia dizer ouvi, porque o autor pensa e filtra muito bem o que diz. Expressa-se como se estivesse a escrever, muito lhe deve vir do hábito, da rotina, da memória física. Mas a mim sempre me parece tudo demasiado plástico, uma humildade fabricada. E aquela modéstia, parece-me sempre falsa. Por tudo isto nunca o li. Confesso que já tentei, mas lembro-me sempre de uma frase sua dos primeiros romances, uma das metáforas exageradas em que era exímio (quase sempre metáforas médicas), que não refiro por pudor de leitor, pudor que o autor, ontem, tanto prezou.
Adenda às 15.51h: ver a entrevista de Lobo Antunes como um reles panfleto anti-comunista parece-me desonesto e pouco abonatório.

O Norte

Já vos falei aqui de António de Sousa Homem. Ele escreve todas as semanas na revista "Notícias de Sábado" do DN. É das poucas coisas que leio. Em geral leio-o online, no seu blogue, que pode ser acessado ali em cima. É uma escrita conservadora, que circula entre os invernos de Ponte de Lima e os verões da praia de Moledo. Mas é também um bom naco da história do Norte, vista pelo olhar de uma certa elite rural - não tanto intelectual do Douro (lembrem-se de Camilo, pois) - onde se pode incluir também Agustina (a tal que sabe separar muito bem os maricas dos gays).

quarta-feira, outubro 25, 2006

Publicidade (clique na imagem para ver)

Os árbitros, chefes de família

«Por trás daquele senhor que anda com um apito na boca ao fim de semana e que nós chamamos árbitro, está um cidadão, está um ser humano, um pai de filhos, um chefe de família...». Vitor Pereira, responsável da arbitragem na Liga de Clubes.
É por esta e por outras que as mulheres deveriam apitar na liga profissional de futebol. Só assim o Código Civil entraria definitivamente na cabeça de muita gente.

segunda-feira, outubro 23, 2006

Sol à chuva

«Portanto, o "Sol" não é um jornal sério. De mim não voltará a ter a mínima cooperação.»
Mais uma baixa que o Sol faz em dia de chuva!

domingo, outubro 22, 2006

Norte

Em dia de chuva e com buracos no asfalto do Porto, Filipe Menezes diz que o PSD tem de deixar as férias e o fim-de-semana prolongado. Entretanto, também a norte, a voz sibilina de Agustina acha que os "maricas" são o lumpen-proletariado da homossexualidade. O Sol deve estar a dar-lhe cabo da cabeça. Para que o dia acabe bem só falta o Liedson mostrar a vara da tolerância cá do sul.

sexta-feira, outubro 20, 2006

Indispensável ler

O meu apelo a que no referendo da descriminalização do aborto não votem os homens e os senhores padres deve incluir as mulheres que confundem a post menopausa com a post modernidade.
Ler tudo aqui.

quinta-feira, outubro 19, 2006

Editando a Wikipedia

Estive nestes dias à volta da Wikipedia, a editar elementos sobre Casimiro de Brito. Para além de completar os dados do poeta - sobretudo em momentos pouco conhecidos da sua adolescência poética em Loulé - acabei por editar outros dados que me parecem importantes desse período e que constituem entradas novas na plataforma: a página literária "Prisma de Cristal"; a colecção de poesia «A Palavra»; referências da revista efémera Poesia 61; e uma entrada sobre o poeta Candeias Nunes. Espero, em breve, editar uma entrada sobre Maria Rosa Colaço. Todas as entradas referidas podem ser acedidas internamente na página de Casimiro de Brito, clicando ali acima no nome sublinhado.

quarta-feira, outubro 18, 2006

Candeias Nunes

Já que estamos em tempos de memórias do nascimento da página literária "Prisma de Cristal" em «A Voz de Loulé» e dos 82 anos de Ramos Rosa, deixo aqui outro poeta - Candeias Nunes de Portimão -, editado em1964 na colecção «A Palavra», dirigida por Casimiro de Brito. Estávamos na ressaca dos Cadernos do Meio-Dia, proibidos pela censura e do movimento Poesia 61.

Quando

Quando palavra
das sílabas exactas
o grito medonho
por fora da pele
calor de medronho
batuque de latas
e eu dentro dele

Quando ribeiro
ora manso ora bravo
e seixos no centro
libertas o escravo
que dentro tenho

terça-feira, outubro 17, 2006

Ramos Rosa

O António homenageia-o e eu também. No dia do aniversário do poeta António Ramos Rosa, deixo aqui um poema que ele publicou na página literária de «A Voz de Loulé», “Prisma de Cristal”, nº 24, dirigida por Casimiro de Brito, no dia 3 de Agosto de 1958:

Os dias, sem matéria,
caem na eternidade,
na vaga eternidade
de cada vida humana.

Num calendário, as datas
falam dos mesmos dias?
E em cada mesma vida,
acaso os dias passam?

Acaso eles existem?

Não haverá apenas
um só dia que vemos
e que nunca vivemos
por falta de coragem?

A coragem enorme
para dizermos: hoje!

segunda-feira, outubro 16, 2006

"Prisma de Cristal"

[desenho de José Batista (Jobat)]

Há 50 anos, a 16 de Outubro de 1956, «A Voz de Loulé» iniciava uma página cultural, mais tarde designada página literária, com o título "Prisma de Cristal". A página, que durou 26 números e foi publicada até 15 de Fevereiro de 1959, era organizada pelo poeta louletano Casimiro de Brito. Sobre este tema já escrevi algumas vezes e, por estes dias, sairá na revista do Arquivo Histórico Municipal de Loulé, «al~ulyã», um artigo meu sobre o assunto.


Os grandes portugueses

A RTP iniciou hoje o passatempo - como lhe chamou Maria Elisa - "Os grandes portugueses". Depois do programa, antecedido pelas notas de Marcelo, a televisão pública passou um filme sobre Churchill, interpretado brilhantemente por Albert Finney. Sabemos que Winston Curchill, primeiro-ministro inglês durante a 2ª grande guerra, foi o vencedor de um programa do género em Inglaterra. A RTP só pode querer duas coisas com isto: mostrar que Salazar, ao tempo presidente do conselho de ministros em Portugal, ombreava com Churchill; ou então que Salazar nem serviria para lhe engraxar as botas; e, por isso, nem deveria figurar num passatempo democrático.
Ou então, foi apenas uma escolha de programação. O que acha?

sábado, outubro 14, 2006

A factura da água

Volto a falar dos media, sobretudo dos meios televisivos, porque parece que os jornalistas aprendem cada vez mais numa cartilha paupérrima sobre o que é a sua profissão. Esclareço. Em reportagem da Sic sobre as facturas de consumo de água, a jornalista tenta entender o que pensam os consumidores sobre o detalhe técnico das mesmas. Há teorias de desconstrução: "uma factura divide-se em três partes, a primeira com um gráfico, blá, blá, blá". Eu tenho aqui à minha frente uma factura da água e para que raio quero eu saber, a partir da primeira vez concedo, o que significam esses hieróglifos? Pago e pronto. A peça até me mostrou que pago menos do que a água custa ao M3 (metro cúbico, bem se vê). Mas o mais engraçado, e é para isso que levo o leitor, a jornalista queria saber à força porque não trazia a factura notas sobre a qualidade da água. Reparem: dava a resposta na pergunta. Crime de qualquer pesquisa, digo eu aos meus alunos de investigação. Pergunto-vos, agora: e quem sabe o que é o Ph e como se medem os coliformes fecais e totais? Já estou como o jovem no ER: "já estou a sentir a toxina a subir ao coração".