Volto a falar dos media, sobretudo dos meios televisivos, porque parece que os jornalistas aprendem cada vez mais numa cartilha paupérrima sobre o que é a sua profissão. Esclareço. Em reportagem da Sic sobre as facturas de consumo de água, a jornalista tenta entender o que pensam os consumidores sobre o detalhe técnico das mesmas. Há teorias de desconstrução: "uma factura divide-se em três partes, a primeira com um gráfico, blá, blá, blá". Eu tenho aqui à minha frente uma factura da água e para que raio quero eu saber, a partir da primeira vez concedo, o que significam esses hieróglifos? Pago e pronto. A peça até me mostrou que pago menos do que a água custa ao M3 (metro cúbico, bem se vê). Mas o mais engraçado, e é para isso que levo o leitor, a jornalista queria saber à força porque não trazia a factura notas sobre a qualidade da água. Reparem: dava a resposta na pergunta. Crime de qualquer pesquisa, digo eu aos meus alunos de investigação. Pergunto-vos, agora: e quem sabe o que é o Ph e como se medem os coliformes fecais e totais? Já estou como o jovem no ER: "já estou a sentir a toxina a subir ao coração".
sábado, outubro 14, 2006
Nobel da Paz
Aos media daria muito jeito que o Nobel da Paz fosse para Bono ou Geldof. Bem, eu sei quem são estes tipos e na verdade pouco me interessam. Geldof como músico é uma nulidade e é quase opaco a defender causas. Bono vive do prestígio da música apesar de, confesso, gostar dos seus primeiros álbuns. Mas o comité do Nobel tem ouvidos moucos e vistas curtas para a comunicação e deu o prémio ao criador do conceito de microcrédito, Muhammad Yunus. Sobre ele já escrevi, há tempos, a propósito de uma aula para a qual convidei um agente local deste tipo de financiamento popular. Pode ler-se a partir deste link. sexta-feira, outubro 13, 2006
Loulé, first
Ontem fiquei a saber que metia nos cofres do fisco, 617 euros todos os anos. E fiz as contas: se a minha mulher põe outro tanto, dá 1234 euros anuais (em IRS e IMV). Segundo o CM estou a pagar os défices das outras regiões do país, do norte sobretudo, lá onde estão o Loureiro, a Felgueiras, o Pinto da Costa, etc e tal. Aliás, somos nós, algarvios, que parece que estamos a dar a maior contribuição: Lagos, Albufeira, os pobres de Vila do Bispo, por aí. Loulé, claro, está em primeiro lugar. O presidente da Câmara apressou-se a esclarecer que é devido ao facto de o concelho ter muita segunda habitação. Eu sei que vivo aqui e não tenho mais casa nenhuma.
quinta-feira, outubro 12, 2006
Rio Arade
Portimão ainda tem esgotos a escorrer para o Rio Arade. É verdade que isso não importa nada. Não é verdade que o rio é o esgoto da cidade? Mesmo que as piscinas de água salgada da marina utilizem a mesma água, é e será sempre água salgada e não a caca que sai das casas da cidade. O presidente diz que a fiscalização detectou muitas casas com esgotos ligados às redes pluviais. Certo! E de quem é a culpa? Não é muito melhor reordenar a Praia da Rocha do que colocar uma rede de esgotos, em 2006?
quarta-feira, outubro 11, 2006
Luis Buñuel
"Quatro dos filmes do mais importante realizador espanhol de todos os tempos – Pedro Almodóvar – vão estar em destaque no Cine-Teatro Louletano, ao longo do mês de Outubro, num ciclo de cinema dedicado a esta figura que Hollywood aclamou." - no barlavento online.Oiçam lá, já ouviram falar de Luis Buñuel?
terça-feira, outubro 10, 2006
E não o querem contratar para a campanha da PT?
"O governo é dirigido por uma cambada de loucos..." - Alberto João Jardim, presidente do Governo Regional da Madeira, à frente de barricas de vinho.
Prémio La Palisse
"Se arriscarmos, vamos correr mais riscos..." - José Couceiro, treinador dos sub-21 em futebol.
domingo, outubro 08, 2006
Madeira
Já vimos muitas vezes o homem iritado. O troglodita da Madeira, agora, esbraceja e vomita contra o «colapso social que aí vem, por culpa do Sócrates». Agora que a teta está a fechar-se vamos ver quanto tempo dura no poder. Não percebo é como o PS só agora percebeu a maneira de o alijar do governo.
Três a zero
Na verdade esqueci-me que Portugal jogava com o Azerbeijão, uma equipa assim equiparada ao Clube Desportivo de Freixo de Espada à Cinta (sem ofensa). Três a zero é muito pouco para esta diferença cultural!
sábado, outubro 07, 2006
Câmara Clara
Querem uma boa discussão e um programa sério sobre cultura? Penso que conhecem a «Câmara Clara», sextas às 22.30h na 2:
Liedson
Há horas, Portugal apanhou uma batatada de 4-1 com a Rússia nos sub-21. Mais logo, a vingança deve vir gelada: Costinha e Maniche sabem bem do assunto. O declíneo do futebolês está a acentuar-se. Está na altura de Liedson se naturalizar português.
sexta-feira, outubro 06, 2006
american way of live

Sem tempo e paciência para ler jornais e revistas, sou viciado compulsivo em colunas e crónicas: em papel, em linha, onde for. Uma das hipóteses mais interessantes é a compilação de textos de velhas colunas de jornais, em livro. Como poderia resistir à compra de Notas sobre um país grande, do Bill Bryson?
Carnivàle
Ainda não tinha lido, nem visto nada sobre Carnivàle, a série da HBO. Um mail do amigo António, recorda-me que a Sic Radical, pelas 23 horas, iniciava a I série de 12 episódios desta mágica e lúgubre história, "uma espécie de mistura de As Vinhas da Ira com TwinPeaks". Esperemos.
quinta-feira, outubro 05, 2006
Um burro da infância
Quando o pai dele morreu, levei-o silencioso. Andámos sem destino, mas a estranheza da morte levou-me a caminhar para a mata, uma pequena floresta de eucaliptos, onde lembro de ter disposto alguns sacos pretos com sementes. Ali, sentia-me protegido das desgraças inapercebidas do mundo. Parando junto a um eucalipto, já muito alto e magro, o meu amigo chorou. Teríamos nove, dez anos? Não me lembro bem. Mas sei que depois de termos olhado o rio, ali mesmo à nossa frente, ele voltou a lembrar-se de como era a vida. Só muito mais tarde compreenderia o seu regresso. A noite passada tinha dormido debaixo do mesmo tecto, perto de um pai morto. A mãe, mantivera-se acordada ao lado do pai morto, sem apelar aos vizinhos a dor da alma; e ele cumprira o prometido: só chorar no dia seguinte.
*
O caso de Setúbal e as TVs
No caso do sequestrador da delegação do BES em Setúbal, não se viram as televisões a toda a hora a cheirar o cú do caso. A polícia também não deu muito fogo à palha. Várias vezes procurei saber o que se passava e só o conseguia nas publicações em linha. Satisfeito.
Praxes
No julgamento da aluna do Piaget, que apresentou queixa por causa de praxes violentas, lá estavam os seus ex-colegas. Faziam fila à frente do tribunal com faixas pretas aos pés que diziam: "Pisem-nos, mas não acabem connosco!". Confuso, hem? Eu pisava-os.
quarta-feira, outubro 04, 2006
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