O Brasil tem dos melhores escritores da língua de Camões; já se sabia. Na blogosfera o país também dá cartas. Nos meus links lá está um dos seus lídimos representantes (ASS). Mas queria falar-vos do blogue de uma vereadora do PT na cidade de SamPa (São Paulo). A Sónia faz do seu cargo político uma lição de democracia partilhada. E o jornal onde escreve (a Folha de S. Paulo) ainda lhe dá um blogue. Para além disto tudo - que não é pouco - ela é lindíssima.
sexta-feira, março 10, 2006
A 4ª república do PSD
O PSD tomou, ontem, posse do palácio cor-de-rosa. Cavaco inicia, assim, na assessoria da presidência a quarta república. Lá estão na Educação e Juventude, Suzana Toscano e nos Assuntos Sociais, David Justino. Ambos escrevem no blogue "4ª República". Para que se perceba.
quinta-feira, março 09, 2006
Concurso
Repararam que Manuel Alegre andou sempre colado atrás de Cavaco Silva? Porquê? Dou-vos três hipóteses de escolha múltipla:1. Por ser vice-presidente da AR?
2. Por ter sido o 2º candidato mais votado?
3. Porque Sócrates não tinha canadianas?
Respostas para o Email: comunitario@sapo.pt
No fim de semana um prémio para o vencedor!
Inteiro
Cavaco Silva inaugurou um novo conceito nas tomadas de posse presidenciais: serei o presidente de Portugal inteiro.
Ósculo
O que retive do vislumbre televisivo da tomada de posse do presidente da república foi a sessão de cumprimentos. Vi que a primeira pessoa a cumprimentar o nóvel presidente foi a senhora Cavaco Silva. E vi que ela não o beijou na boca, mas sim na cara. Desculpem lá, mas antes de continuar tenho que ir ler o protocolo da Assembleia da República.
Bernardo de Passos

A minha crónica no barlavento de hoje:
(Para ler online clicar na imagem)
Bernardo de Passos, poeta da bandeira e da alimentação saudável
É um facto que os poetas portugueses estão esquecidos. Explicando, tirando Pedro Mexia, que aparece em tudo o que são jornais, editoras, blogs e colóquios, quem se lembra dos outros? Na verdade só quando fenecem e o coro do país entristece-se.
Mas se há dias poéticos, hoje foi um deles. E tudo por causa de um poeta algarvio, de S. Brás de Alportel, Bernardo de Passos. Não sei se direi que o poeta é de S. Brás natural! Parece que o governo quer acabar com as freguesias que correspondem a concelhos; e nesse caso...
Bom, mas vamos ao que interessa. Antes de separar a “Notícias de Sábado” - revista do DN do dia - para o contentor do ecoponto, entretenho-me a recortar uma ou outra crónica para leituras dos meus alunos. E lá aproveito para ler a crónica do Francisco José Viegas sobre restauração. Mas eis que dou com uma pequena notícia no fundo da página sobre o ensino do estômago. Leram bem! Trata-se de um projecto do Gabinete de Nutrição do Centro Regional de Saúde Pública que avalia a qualidade da alimentação nas escolas públicas. O que interessa aqui, e que tem a ver com o poeta de «Ecos da Serra», é que é justamente a Escola do Poeta Bernardo de Passos, de S. Brás de Alportel, que merece a distinção do Diário de Notícias. Tudo porque a cozinheira da Escola promove o peixe grelhado, o arrozinho de polvo e – manjar dos deuses – a massada de tamboril. Da sopa já eu tinha ouvido falar, muito e bem. De parabéns está a D. Maria Otília Neto e o poeta Bernardo de Passos, um bom garfo neste caso.
Mas esta história cruza-se com outra. Deram pelos novos equipamentos da selecção de futebol para o mundial 2006? Camisolas marrons e calçanitos verde tropa?! E equipamento alternativo preto? Não é que eu me perca de amores pela bandeira verde-rubra, cheia da coloração dos países pós-coloniais e já gasta de tantos anos de dinastias republicanas. O caso que me trouxe aqui, é que o poeta Bernardo de Passos também foi um defensor acerado desta bandeira, no seu tempo de arrojo patriótico. E esgaravatando nas simbologias da república encontro-o a versejar assim:
[...] Ela é tão nossa já, a guiar-nos os passos...
De tal forma diz Pátria, essa bandeira bela,
Que ou esta Pátria vive erguendo-a bem nos braços
Ou esta Pátria morre amortalhada nela! *
Vejam lá se a bandeira também não nos alimenta, de forma saudável?
* esta quadra devo-a ao trabalho de Teixeira, N.S. (1991). A Memória da Nação.
quarta-feira, março 08, 2006
Gaivotas
Uma voz pouco conhecida, mas exímia e cuidadosa na arte das frases lapidares. Gregório Salvaterra com dois anos na blogosfera, a contar gaivotas.
Solista
De saudar as palavras a solo de Tiago Barbosa Ribeiro, depois dos colectivos LaPlage e a.estrada. Esperam-se muitos Kontratempos.
A morte do CDS
Paulo Portas trouxe, segundo ele próprio, a voz da direita para a televisão. Depois de Rebelo de Sousa, na TVI e agora na RTP e de António Vitorino também na RTP, a televisão privada equilibra o espectro político com o ex-líder do PP. Realmente a TV andava infestada de esquerdistas!
Munique
Qualquer boa reportagem sobre os acontecimentos dos Jogos Olímpicos de Munique seria melhor que o filme. Fui ver “Munique”, de Spielberg, para tirar umas dúvidas. É claro que é uma ficção e pensar-se que o filme desmascara alguma coisa da política israelita dos anos 70 é não perceber que o filme não tem nada, mas mesmo nada, de anti-semitismo. E que as opacas organizações internacionais (CIA, Mossad, o “Papá” francês?) também não são nada de novo para quem anda no cinema em 2006. No fim, só resta a competência fílmica de Spielberg que, mesmo com pergaminhos afirmados, se deixa cair na tentação de terminar o filme sobrepondo o orgasmo do principal personagem às memórias dos crimes da retaliação contra os árabes. Um pouco ridículo.
O milagre da PT
Digam lá se não deu pena ver Horta e Costa, dono da PT, enfatado, enfatuado e enfastiado, enfaticamente acentuando que a PT era o melhor dos mundos da comunicação e que iria distribuir dividendos aos seus accionistas que nunca, mas nunca deveriam alinhar na OPA da Sonaecom. Temos a PT que merecemos!
terça-feira, março 07, 2006
Nada como as prisões
Toda a gente sabe que há muito tempo que o CDS pretende mexer na legislação penal para os adolescentes. A propósito dos acontecimentos que originaram a morte da transexual Gisberta, acorrem ligeiros a propor alterações à lei penal para criminalizar os actos de menores a partir dos 14 anos. Se o Direito se caracteriza pela universalidade e intemporalidade, mudar a lei a reboque da prática social nunca deu muitos nem bons resultados. Mas sabemos que ao CDS o que o preocupa é a criminalização pura e simples.
Falta de entusiasmo
Mas a 2: não explica por que é que tira da emissão o episódio de Curb your Enthusiasm, de Larry David e o troca pelos lamas dos Andes?
segunda-feira, março 06, 2006
Periferias cá dentro
Depois do nada angélico Rui Ângelo Araújo, mais um dos periféricos entra no centro da blogosfera: Fernando Gouveia com o “Não Tenho Vida Para Isto”. Aguardemos o José Ferreira Borges, nosso antigo colaborador no a cultura é para se comer.
Voz do deserto
Tiago Cavaco, que não escreve aos sábados, fez três anos de blogosfera. No sábado! Parabéns, baptista e panquerockeiro!
domingo, março 05, 2006
Micro-textos
*
O Millieu. Há uns dois anos, talvez, um amigo que queria editar um livro de poesia sobre a "sua" guerra em África, dizia-me que o millieu estaria dominado pelos Mexias, Lombas, Coutinhos, etc. Na altura não percebi, dado que estava assoberbado de trabalho com a coordenação da Comissão de Comemorações do Centenário de José Vieira (Alte) e não tinha muito tempo para ler jornais. Mais tarde percebi, pois fui encontrando os cronistas referidos, primeiro na blogosfera, depois nas crónicas de jornais portugueses e brasileiros. Devo aqui explicar que, independentemente dos seus pontos de vista, leio-os com prazer e refiro-os regularmente. Mas vem esta prosa a propósito de ter ouvido o comentário - ainda há pouco na SicNotícias - de Pedro Lomba sobre a imprensa do dia. E ter verificado que, tal como aconteceu com Pedro Mexia no "Eixo do Mal" do mesmo canal, quase sempre um bom cronista é um mau comentador. E que o facto de escreverem - e bem - em vários jornais (Lomba, por agora, deixou a crónica do Independente na última semana e mantém-se ainda no DN) não é seguro de uma concomitante dinâmica comunicacional. E com essa presença recorrente e supletiva quem perde são os leitores/ouvintes. Aqui anda o célebre amiguismo, um círculo fatídico da comunicação.
Multiculturalismo. Ontem, de manhã, fui com a família ver um jogo de basquetebol entre iniciados. Dum lado os "Tubarões" de Quarteira, do outro o Sporting Clube Farense. A claque do SCF era maioritária e sentava-se na área de ataque do adversário. Sentamo-nos no lado dos Tubarões a apoiar a equipa do concelho em que vivemos. Com o apoio da claque que veio do futebol (ora desaparecido nos pergaminhos do clube) a equipa do Farense, melhor vestida e cheia de salamaleques esteve sempre, desde o início do jogo, à frente do marcador. Quase no fim do jogo, os Tubarões (cheia de miúdos dos bairros sociais de Quarteira, retintos de negros) pegaram na bola e deram um banho aos farenses: 73-69. A mim parece-me que foi por terem visto, na bancada, as jovens branquelas farenses a gritarem e imitarem como macacas, quando eles pegavam na bola para encestar três pontos. Ora toma, aqui, o multiculturalismo!
Decamegalomania. O jornal Público traz, hoje, uma reportagem sobre os estádios do Euro 2004 [pp. 34-35]. O estádio do Algarve é um dos “elefantes brancos” do texto de Manuel Mendes: 320.000 € de receita anual contra 3.200.000 € de despesas anuais com encargos financeiros e de manutenção. Fazendo as contas, 10 vezes mais despesas do que receitas. Tudo a cargo da Associação de Municípios de Faro/Loulé. Explicando, tudo a cargo das Câmaras de Faro e de Loulé e portanto, do erário dos munícipes. Mas para o actual presidente da AMLF e recém eleito presidente da CMFaro nada disso é problema, porque a sua visão estratégica vai para além do estádio e suporta um projecto inexistente chamado Parque das Cidades. Entretanto, no estádio joga o Louletano da II Divisão B, de 15 em 15 dias e os fantasmas do Farense, nos outros dois domingos do mês. Quando este projecto foi acusado de megalómano foi o que se viu. Agora, só se pode acusá-lo de decamegalómano.
Multiculturalismo. Ontem, de manhã, fui com a família ver um jogo de basquetebol entre iniciados. Dum lado os "Tubarões" de Quarteira, do outro o Sporting Clube Farense. A claque do SCF era maioritária e sentava-se na área de ataque do adversário. Sentamo-nos no lado dos Tubarões a apoiar a equipa do concelho em que vivemos. Com o apoio da claque que veio do futebol (ora desaparecido nos pergaminhos do clube) a equipa do Farense, melhor vestida e cheia de salamaleques esteve sempre, desde o início do jogo, à frente do marcador. Quase no fim do jogo, os Tubarões (cheia de miúdos dos bairros sociais de Quarteira, retintos de negros) pegaram na bola e deram um banho aos farenses: 73-69. A mim parece-me que foi por terem visto, na bancada, as jovens branquelas farenses a gritarem e imitarem como macacas, quando eles pegavam na bola para encestar três pontos. Ora toma, aqui, o multiculturalismo!
Decamegalomania. O jornal Público traz, hoje, uma reportagem sobre os estádios do Euro 2004 [pp. 34-35]. O estádio do Algarve é um dos “elefantes brancos” do texto de Manuel Mendes: 320.000 € de receita anual contra 3.200.000 € de despesas anuais com encargos financeiros e de manutenção. Fazendo as contas, 10 vezes mais despesas do que receitas. Tudo a cargo da Associação de Municípios de Faro/Loulé. Explicando, tudo a cargo das Câmaras de Faro e de Loulé e portanto, do erário dos munícipes. Mas para o actual presidente da AMLF e recém eleito presidente da CMFaro nada disso é problema, porque a sua visão estratégica vai para além do estádio e suporta um projecto inexistente chamado Parque das Cidades. Entretanto, no estádio joga o Louletano da II Divisão B, de 15 em 15 dias e os fantasmas do Farense, nos outros dois domingos do mês. Quando este projecto foi acusado de megalómano foi o que se viu. Agora, só se pode acusá-lo de decamegalómano.
sexta-feira, março 03, 2006
Olhai por nós
A tomada de posse de presidente, de Cavaco Silva, contará com a presença do ex-presidente dos EUA, Bush pai. Que saudades que tínhamos de ser um interlocutor de peso na política mundial.
terça-feira, fevereiro 28, 2006
O Entrudo e o Carnaval [3]
Terceira e última parte do texto sobre o Entrudo e o Carnaval, publicado na Voz de Loulé a 1 de Março de 2004 (leia primeiro os posts anteriores):
(...)
Ora, é a esta prática social, a esta função excomungatória, necessária ao renascimento social e cultural, que o Carnaval civilizado põe fim. Neste, o povo não participa, assiste; não se integra, desfila; não se amotina, ou se enraivece, submete-se; não é actor, mas público. O rei Momo, que se destruía como um rei antigo, para dar lugar ao novo, é agora o rei da festa, que de cima do seu trono impõe as suas regras: o horário da brincadeira, o território fechado da peleja, a separação das classes.Hoje, este carnaval não é uma prática popular de tradição rural, mas um cartaz turístico do efémero, como aliás foi pensado nos anos 60, como resultado, ainda, das tentativas de hegemonização e controlo da cultura popular rural, como manifesta Augusto Santos Silva.E assim, o carnaval civilizado vai conseguindo aquilo que a igreja, desde a Idade Média, nunca conseguiu: opôr-se aos “costumes dos gentios” e fazer de uma festividade cíclica agrária, de esconjuramento popular, uma manifestação religiosa de abertura da Quaresma.É claro que estas mudanças não são pacíficas e talvez seja por isso que, opondo-se a uma crescente aculturação estrangeira do Carnaval - processo consequente da turistificação carnavalesca -, muitos optem por chamar a si a detenção da expressão de uma maior portugalidade.
*
Notas:
Freitas, Pedro de (1991). Quadros de Loulé Antigo. Loulé: Câmara Municipal de Loulé.
Espírito Santo, Moisés (1999). Comunidade Rural ao Norte do Tejo, seguido de Vinte anos depois. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa.
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