quarta-feira, fevereiro 01, 2006

O primeiro dia...[actualizado]


Hoje é o dia em que duas mulheres, corporizando o direito de igualdade de género consagrado na Constituição, vão desafiar o anacronismo e a discriminação da Código Civil que proíbe o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Dia 16 será o dia em que a direita e o centro direita, no Parlamento, vão ser obrigadas a tirar a cabeça da areia.
*
Perante a entrega do pedido de casamento o Conservador pede para pensar, mas lá vai dizendo que o que se pretende é harmonizar a Constituição com o Código Civil.
O ministro da justiça, Alberto Costa, vem dizer que se espera que se cumpra a lei. Percebem? O homem não quer que se cumpra a Constituição.
Entretanto, todas as televisões promovem debates sobre o assunto. Bom sinal. A luta pela igualdade de direitos sempre se fez com debates de ruptura, conflitos de interesses e franjas minoritárias. E o que é preciso é que as minorias se vão impondo à sociedade, seja lá o que essa entidade vácua for.

terça-feira, janeiro 31, 2006

Larry David himself


Hoje não foi neve que caiu do céu. Curb your Enthusiasm desceu, às 22.30h na 2:, balsâmica como um manto branco. Uma epopeia de gargalhada inteligente por causa de um nonsense vulgar: um raio de umas calças que "pregam" uma partida em área púbica.

FCP

Longe vão os tempos em que os adeptos do FCPorto batiam nos adversários!

segunda-feira, janeiro 30, 2006

"Declaração de interesses"

Confesso que, ontem, não vi a neve no meu telhado, nem sequer falei ou brinquei com ela!

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Mozart em BD (actualizado)


Hoje, dia de Mozart * (faz 250 anos que nasceu), o Diário de Notícias publica, no seu suplemento "6ª", uma banda desenhada de José Carlos Fernandes sobre o imortal compositor do séc. XVIII. Uma prancha a preto e branco, como merece, sobre a chegada da morte à porta do músico: 35 anos de produção de obras primas que a morte, ansiosa da imortalidade, nunca perdoa. Prelúdio para os nossos olhos.

* Não esquecer o filme "Amadeus" na RTP

quinta-feira, janeiro 26, 2006

A minha 4ª classe vale mais do que a tua licenciatura!

Jornal da Tarde da RTP1, há momentos. A jornalista anuncia: "O sindicato da construção civil do norte afirma que as propostas do governo vão de encontro às suas". De seguida a peça passa as declarações do responsável do sindicato: "Na verdade, as propostas do governo vão ao encontro das nossas ideias". O que é que está aqui mal meus amigos?

Blogues de madrugada III

«José, Herman: 1. Na penúltima década do século passado até tinha piada. 2. Entretanto, tornou-se o pai espiritual da falange mais javarda da stand up comedy lusa, o que só o enternece. 3. Os efeitos colaterais do affaire Casa Pia deixaram-lhe o cabelo louro-palha. 4. Apesar de as suas piadas serem, a 99%, sobre paneleirices, não tem nada a ver com isso e assume-o». Osvaldo M. Silvestre no Casmurro.

Blogues de madrugada II

«Só que, em Portugal, a cidadania é do contra e manifesta-se, apenas, em momentos eleitorais. É uma espécie de castigo que o sistema recebe com um susto fingido. Em todas as eleições, há sempre alguém que chama gravemente a atenção para a vitória dos que não se revêem nos partidos. Depois a cidadania desaparece, no meio dos problemas do dia-a-dia, e os partidos ficam. Iguais a si mesmos». Constança Cunha e Sá n' O Espectro.

Blogues de madrugada

«Regressando ao gosto na boca ( ou na alma), recordo-me de alguém que morreu há dois anos. Tinha-a ajudado em psicoterapia, ficámos amigos, pediu-me para a ir ver nos dias do fim. Disse-me: Filipe, isto está pronto: já não terei tempo de te mandar a abóbora. Ele há pessoas assim, como os árabes do estudo, desejam deixar os seus assuntos em perfeita ordem.E você, como quer que seja o seu último dia?». Filipe Nunes Vicente no Mar Salgado.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

VATE

O dia inteiro a tratar de avaliações, pautas e lançamento de notas do final de semestre não me deixou tempo para grandes leituras e escritas. Consultadas as caixas de correio electrónico (expressão redundante, hoje) fico contente com a notícia que me envia o Região Sul: saber que o autocarro da ACTA que se transformou em teatro ambulante tem o nome do velho amigo José Louro.

terça-feira, janeiro 24, 2006

Presidenciais (ainda)

Em vez de actualizar o post de ontem ("Presidenciais") deixo aqui o link para as leituras dos posts do LA-C na Destreza das Dúvidas sobre o tema: nonsense Monthy Pyton, meus amigos.

Bandeiras

Sim, já há tempo que eu queria organizar uma coisa destas. Mas não tenho tido tempo. Por isso aproveito a boleia do Miguel. Sim, porque se de alguma coisa estou farto é dessa bandeira!

DoMelhor



O logo não me parece o melhor, mas é um excelente projecto de Paulo Querido e Miguel Vitorino, a acompanhar. Trata-se de um painel de notícias de interesse que são editadas e promovidas à primeira página, de acordo com as votações dos leitores. Já participei, com o texto de ontem, sobre o estádio do Algarve. Clique na imagem acima para ver.

Xarém com conquilhas

O que é mais que certo é que o Henrique Raposo nunca comeu xarém. Se o tivesse feito, sobretudo se o tivesse comido com conquilhas, talvez falasse de Negri de outra maneira.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Decamegalomania


O jornal Público traz, hoje, uma reportagem sobre os estádios do Euro 2004 [pp. 34-35]. O estádio do Algarve é um dos “elefantes brancos” do texto de Manuel Mendes: 320.000 € de receita anual contra 3.200.000 € de despesas anuais com encargos financeiros e de manutenção. Fazendo as contas, 10 vezes mais despesas do que receitas. Tudo a cargo da Associação de Municípios de Faro/Loulé. Explicando, tudo a cargo das Câmaras de Faro e de Loulé e portanto, do erário dos munícipes. Mas para o actual presidente da AMLF e recém eleito presidente da CMFaro nada disso é problema, porque a sua visão estratégica vai para além do estádio e suporta um projecto inexistente chamado Parque das Cidades. Entretanto, no estádio joga o Louletano da II Divisão B, de 15 em 15 dias e os fantasmas do Farense, nos outros dois domingos do mês. Quando este projecto foi acusado de megalómano foi o que se viu. Agora, só se pode acusá-lo de decamegalómano.

Crónicas

Ali ao lado, nos arquivos das crónicas do "barlavento", os meus dois últimos textos.

Presidenciais

O que é que há a dizer das eleições presidenciais?
1. Cavaco ganhou. O que prova que o populismo está cá para ficar ainda durante muitos anos.
2. Sócrates também ganhou. Não tinha interesse nenhum em ter Soares na presidência e por isso – depois dos tabus Guterres e Vitorino – o lançou às feras, usando como leit-motiv a vaidade do soarismo.
3. O PS perdeu as eleições e enterrou toda a esquerda, com a divisão que criou junto dos socialistas e do centro. Essa foi também a decisão de Sócrates. Vingar-se de Alegre e obrigá-lo a tomar um de dois caminhos: formar um novo partido ou ficar caladinho até ao próximo congresso, desbaratando a putativa democracia participativa.
4. Vitorino perdeu e ainda não percebeu que o povo não é estúpido. Não quis ser candidato, apoiou Soares e ontem dizia que afinal o seu candidato não foi derrotado. Nem como comentador terá qualquer audiência.
5. A propósito de audiências, a TVI deu cartas como a mais rápida nos directos dos candidatos e dos responsáveis políticos. Todas as televisões andaram em zapping permanente sobrepondo declarações umas em cima das outras. A mais vergonhosa foi terem cortado a palavra a Alegre (2º candidato mais votado) quando Sócrates começou a falar. O primeiro ministro foi descarado e mostrou o seu desprezo pelos socialistas que votaram maioritariamente em Alegre. Depois, o p-m veio dizer que não sabia e que não pretende ajustes de contas. Alguém acredita?
6. A Eurosondagem falhou em toda a linha: não só deu resultados muito acima do real para Cavaco como colocou sempre Alegre abaixo de Soares. Parece-me que Balsemão vai correr com Oliveira e Costa como fez há anos com a Euroexpansão. Pelo contrário, Pedro Magalhães mostrou o que são sondagens sérias e científicas.
7. Finalmente, como Louçã disse, amanhã estaremos cá!
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Adenda às 15h.:
Ler com atenção (e sem qualquer sectarismo, porque bem escritos e inteligentes) os postes de JPP, FJV, JG, PQ e MVA, sobre as presidenciais.

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Crónica no jornal "barlavento"

A Capital, resgata ou afunda?
(publicada em 19 de Janeiro de 2006)

Sim, a Capital da Cultura acabou em Faro. E eu que estou tão farto de bater no céguinho, ganho um apetite voraz pela coisa.
O pão e o circo levantaram alas, e agora muita gente faz balanços e contas: quantos espectáculos e espectadores, qual a média por concerto, quais os perfis e as motivações. Já agora, quantos almoços servidos, quantas senhas de gasolina pagas, quantos sacos de cimento gastos no Teatro Municipal, quantas horas de espera, quantos programas impressos?
Tudo isto serviu para resgatar o Algarve da marginalidade cultural, comissário dixit. Eu rio-me! Eu prefiro continuar marginal. Digam lá se não é melhor ser marginal, em Alcoutim, em Loulé, em Cachopo, em Pechão, vivendo o quotidiano entre quadros de Miró, palavras de Pessoa, músicas de Vivaldi?
Pois, pois, os algarvios são agora a fina flor dos novos públicos da cultura, uma espécie de consumidores culturais de élite, aqueles que enchem teatros e cinemas, bibliotecas e conservatórios. Uma espécie de arruaceiros da bola (mas bem comportados) que se sentam a ver e ouvir os produtores de cultura e no fim da festa descortinam prazeres e consequências estéticas. Mas, trôpegos e falhos regressam logo ao ramerrão da sua vivência: novelas, concursos e futebol, à espera do próximo evento de resgate.
Para seu bem têm, a bater-lhes à porta, os velhos amigos (os agentes culturais esquecidos) que dia-a-dia vão construindo peças de teatro, fazendo o ensino da música, lendo e editando poesia, contando histórias e contos, ensaiando músicas e cantos, discutindo filmes. Esses amigos estão cá sempre, presentes em vãos de escada, em casas caídas, em praças e jardins, todo o ano, todos os anos. Em 2005, estiveram cá, apesar de se ter falado pouco deles, na Capital. E depois dela, eles vão continuar a fazer os seus trabalhos de Hércules: levar a palavra ao Algarve. Esses, os amigos, resgatam verdadeiramente. A Capital afunda!
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Para ler online clicar na imagem acima!

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Louçã

Frio. Mesmo com frio, há uma palavra a dizer. Uma decisão a tomar. Uma decisão ao lado da coerência, da luta, da solidariedade. Já sabem, quem me conhece e quem me lê, que não será preciso dizer muito mais: esta noite estarei com Francisco Louçã, no Conservatório, em Faro. Sérgio Godinho, esse, ouve-se a toda a hora: Espalhem a notícia!

Machado de Assis

Pelo correio chegou-me, hoje, as «Memórias póstumas de Brás Cubas» do Machado de Assis, o maior escritor da língua portuguesa. Tenho prazer para muitos dias, meses talvez, enquanto os livros de cabeceira lá se mantêm e a tese anda, anda... Mas o leitor pode acompanhar-me na leitura do livro, online, por aqui.