quinta-feira, dezembro 15, 2005

O quadrado

Pois é. Alegre recebeu uma lição de presidencialismo. É cada vez mais visível a sua dificuldade política (e poética também) para falar claro e seguro sobre os problemas do país. Muito tempo de caça, touradas e poesia, colocam-no num papel aristocrático que não se coaduna bem com o ar de candidato da esquerda. Está cada vez mais encerrado no seu quadrado. Cada debate que passa aguenta menos segundos antes de ir ao tapete. Ora jogue lá este jogo para ver se não tenho razão.
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nota: post inspirado no de ZMS.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Blog de Ajuda

«"Ajuda" e "partilha" são as palavras chave. Qualquer experiência poderá ser partilhada , qualquer pedido de ajuda poderá ser feito. Na base estará sempre um problema , ou a sua superação, e a convicção que partilhar é parte da solução».
Também me apetece divulgar o novíssimo projecto do Luís Ene.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Um filósofo no seu "palácio de cristal"

A propósito deste post, em que o filósofo Paulo Tunhas afirma desconhecer os mandatários para a juventude de Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã, convém educá-lo:
Ó Paulo Tunhas: eu compreendo que andar a escrever sobre cultura na "Atlântico" não deixa tempo para algumas vulgaridades culturais como ouvir por exemplo os Blind Zero ou mesmo ler a coluna «Periférico» no "Público". Porque falo destas coisas michurucas? Bom, simplesmente porque em ambos os casos está presente Miguel Guedes, o mandatário da juventude da candidatura de Francisco Louçã. Cumprimentos. HFR.

sábado, dezembro 10, 2005

A ler

«E depois, a fechar o debate, limitou-se a exibir um sorriso forçado e uma nota de optimismo bacoco, namorando pela enésima vez os jovens, os jovens, os jovens, ao melhor estilo IPJ.»
José Mário Silva no Aspirina B
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DEBATE, 3
Eduardo Pitta no da literatura

Os pobres vistos pelos ricos

Um dos argumentos da direita, para explicar as incompetências e desconhecimentos de Cavaco Silva, assenta os fundamentos culturais e sociais na "ascendência pobre" do candidato presidencial. Sobre isto só diria duas coisas: a primeira é que na verdade os seus apoiantes – designadamente a sua Comissão de campanha – são ignorantes sobre a verdadeira história do seu ídolo; a segunda é que este é um argumento a contrario senso, quer dizer, um argumento populista para conquistar votos no “povo”, entidade abstracta que como muito bem se sabe não nasceu toda filha de um empresário abastado.

Novas

Como este é o meu principal blogue, resolvi organizá-lo como uma espécie de índice. Assim, ali à direita coloquei duas novas secções: a 1ª com os meus outros blogues; e a 2ª com os blogues em que colaboro. Também na secção "Leituras" retirei os blogues que estavam há muito inactivos e coloquei um novo.
Até já!

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Personna

Finalmente a máscara de Cavaco começa a cair. Muito por culpa da argúcia e inteligência de Louçã que obrigou a que o debate fosse isso mesmo.
Ficámos a saber que Cavaco é contra a entrada de emigrantes, com medo que os mesmos dominem os 10 milhões de nacionais; que há coisas mais importantes que os direitos constitucionais de determinados cidadãos a constituir família; que o problema do desemprego se resolve com mais liberalização de despedimentos; que o aumento da idade da reforma é a solução para o colapso da segurança social.
Depois mostra não estar preparado, não conhecer estudos e relatórios (como no caso do estudo sobre a segurança social). Até no combate económico perde. Como disse Louçã, é um político pequeno.
É todo um programa neo-liberal que cai por terra, juntamente com a máscara do candidato dito suprapartidário. Agora faltam as máscaras seguintes, até que a verdadeira face de direita apareça clara aos olhos de todos.

Crucifixos

Há um ano e meio atrás – quando a Escola do 1º ciclo do ensino básico do Serradinho, em Loulé, decidiu passar a chamar-se “Mãe Soberana” – vim a público no jornal A Voz de Loulé defender a laicidade do ensino e a utilização de nomes religiosos apenas onde eles fazem sentido. Mais tarde divulguei o estudo da Associação República e Laicidade contra a presença de símbolos e práticas religiosas do catolicismo nas escolas de ensino público. Por estes dias e após a indicação do Ministério da Educação de retirar crucifixos da escolas, o debate alarga-se pelo país, desperto para a necessária liberdade do laicismo, num sentido que nos agrada discutir. Brevemente abordarei o assunto em crónica jornalística.
Entretanto pode ler o que escrevi em Junho 2004, clicando aqui.

Cassetes

No debate Soares-Jerónimo este tentou fugir da cassete paradigmática do discurso dos comunistas. Quase sempre obrigado por Soares, que o lembrou das reviravoltas e dos sapos engolidos. Mais jovem que Jerónimo, Bernardino Soares foi um inexcedível leitor de cassetes no debate com Ivan Nunes (representante da candidatura de Soares): passou todo o tempo disponível a dizer que a candidatura do seu secretário geral era a única que defendia a aplicação da Constituição. Preparava, assim, o seu eleitorado para os votos em Soares na segunda volta.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

O catenaccio dos debates

O debate Cavaco-Alegre foi a imagem da antecipação de um país presidido por homens de que o país não precisa. Cavaco – depois de impor que os candidatos ficassem lado a lado e não olhos nos olhos – lá arrastava uma carantonha triste e deprimida, mas não escondendo um vício professoral ao jogar o rabo do olho de complacência ao outro candidato. Alegre foi apenas triste, incerto, sem rasgo, um poeta despido de palavras homéricas.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Tenham medo, muito medo

Como se esperava, e eu tinha avisado há meses, Alegre vai escorregando sucessivamente para um populismo cada vez mais evidente: dizer agora que nos partidos é tudo conspiração e que a democracia está sobretudo na sociedade civil é manipulador e perigosamente antidemocrático. Alegre deve referir-se ao seu partido, à tentativa de o exorcizar na forca do confronto com Soares. Mas o que esperaria ele, se age com os provendos da sua militância no PS ( do qual é vice-presidente na Assembleia da República) e ao mesmo tempo quer estar por fora, a criticar?
Mas o povo desconfia de quem tem rabos de palha. Esperemos é que muita gente - sobretudo alguma intelectualidade da poetry - que se quer ver reconhecida em Alegre nas eleições, veja isso. A coerência do homem já foi chão que deu uvas.

sábado, dezembro 03, 2005

Autofagia

Como é que um homem que tem como paradigma de resposta a sua autobiografia política pode vir a ser presidente da república? Seria um caso de autofagia escolástica!
Este homem nem sequer é do passado.

sexta-feira, dezembro 02, 2005

a rede

Já sabíamos que a rede tecia tantos nós, como as sinapses da nossa memória mais profunda e antiga. Agora que nos trouxesse velhos e desencontrados amigos de escola mais de trinta anos depois...

La mujer gorda

Hernán Casciari fez o melhor blog do mundo “A mulher gorda”. Agora, no seu diário de bordo, continua com as melhores histórias.

A ler

«Acham que políticos se importam em serem atacados em colunas na página dois? Claro que não – ninguém se importaria. Eu sei que eu adoraria. Não, não – jogue todos para uma notinha no último caderno. Isso sim seria subversivo.». Nova coluna de ASS no Semana 3.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Contrasenso convida


Aqui está a coluna Contrasenso, na Voz de Loulé. Desta vez com a Maria Amália Cabrita:
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O Estrangeiro

Durante o mês de Novembro, o estrangeiro tornou-se a figura central em França. O estrangeiro desconhecido, bem entendido, tal como o soldado que os poderes dominantes transformaram em estátuas depois da I Guerra Mundial era desconhecido. Em ambos os casos, há qualquer coisa de póstumo: foi depois de muitos deles - pessoas com nomes e vontades próprias se terem manifestado - , uns de uma forma, outros simplesmente morrendo, que a ordem constituída se lembrou de lhes conceder o estatuto de potência anónima.
Isto, claro, por parte da imprensa, porque durante a fase em que se desenrolam os acontecimentos os estados maiores têm habitualmente designações mais operacionais e menos metafísicas. Por exemplo, em 25 de Outubro último, um ministro francês achou que “racaille” (escumalha, em tradução livre) seria mais prático. E agora, alguns factos esclarecedores. A França tem uma taxa de desemprego de 10%, que no caso da população imigrante é superior a 17%. No caso dos filhos de magrebinos, entre os 19-29 anos é de...40%. A partir daqui é facil deduzir que existe uma geração com um potencial criativo praticamente perdido porque se a estes números juntarmos as taxas do insucesso escolar e da escolaridade interrompida, que se concentra também nestes grupos, facilmente se percebe como a sociedade se prepara para perder por inteiro o seu contributo.
Agora, eles são estrangeiros relativamente a quem e a quê? Não à região parisiense e à França, visto que nasceram lá. Não às instituições administrativas, escolares, eleitorais, policiais, que os registaram por mais de uma vez e sempre que foi necessário. Não à publicidade que lhes fez entrar pelo ecrã dos seus televisores as amostras do que faz o resto da sociedade, às grandes superficies onde vão gastar os seus subsídios estatais (se e quando o recebem) e às agências de trabalho temporário que os chamam ocasionalmente. Assim, eles são nacionais para todos esses efeitos e apenas estrangeiros quanto ao seu futuro como trabalhadores franceses.
Pode a seguir perguntar-se quanto tempo levará a sociedade francesa – e já agora, alemã, inglesa, belga ou...portuguesa – a fabricar mais estrangeiros destes. Há várias projecções que apontam que daqui por 2 ou 3 gerações, a taxa de desemprego europeia vai estar próximo do que está hoje neste grupo dos jovens filhos de magrebinos em França: acima dos 30%, próximo dos 40%.
Nessa altura, vamos ser todos de Grigny-la-Grande Borne: registados em tudo quanto é repartição, estrangeiros a tudo quanto é emprego e perspectivas de futuro. Vamos ser todos “escumalha”? Provavelmente não, porque seremos nessa altura uma maioria (não um grupo “visível”) e visto que continuaremos a votar, não se dizem tais coisas do eleitorado. Mas se vivermos, ainda que anafados e com problemas de colesterol, em belos bairros periféricos, se estudarmos em escolas públicas degradadas o máximo de tempo possível (não para aprender grande coisa mas para pesarmos o mais tarde possível nas estatísticas do desemprego) e se não tivermos nunca como perspectiva de trabalho senão os 15 dias de substituição que a agência de “recursos humanos” nos enviar em cada seis meses, atenção.
Para citar um outro francês, mais polido do que Sarkozy (ele próprio um emigrado, só que do tempo das vacas gordas), De te fabula narratur. É de nós que se fala nesta história dos estrangeiros.

[Maria Amália Cabrita]
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Quase no fim o projecto "Contrasenso" na Voz de Loulé. A próxima coluna será a última.

quarta-feira, novembro 30, 2005

terça-feira, novembro 29, 2005

Periferias

Também a Periférica - revista de culto mas pouco preocupada com isso - vai acabar. Para nosso descontentamento só teremos mais um número, lá para Janeiro. Entretanto podemos, online, saborear a última aqui.

Preto no branco

O Blogue de Esquerda (BdE) - após o 25 de Novembro - está em branco. Lá se escreveram, a preto, das melhores páginas na blogosfera portuguesa. Tempo de lembrar um dos meus favoritos e apontar os caminhos de retorno dos seus mentores: aqui e aqui.