quarta-feira, novembro 30, 2005
terça-feira, novembro 29, 2005
Periferias
Também a Periférica - revista de culto mas pouco preocupada com isso - vai acabar. Para nosso descontentamento só teremos mais um número, lá para Janeiro. Entretanto podemos, online, saborear a última aqui.
sábado, novembro 26, 2005
Outras músicas!
Está pronto. Em breve a Câmara de Loulé terá à disposição, de amantes e investigadores da música tradicional, o 3º CD do catálogo "Tradição Musical de Loulé", desta feita contendo 47 temas recolhidos entre 1981-1987, nas freguesias de Alte, Benafim e Salir. Outras Músicas, portanto, nome de disco. Deixo-vos os textos do booklet aqui no Folclore. E um cheirinho do CD com o tema "Esta noite é de Janeiras", cantado pelo Daniel Vieira e tocado pelo artista plástico Giga, que pode descarregar para ouvir, no FolhadAlte. É só clicar na palavra sublinhada e escolher depois em "música de Portugal".
sexta-feira, novembro 25, 2005
De novo Casimiro de Brito

«No próximo ano, 2006, passam 50 anos do aparecimento do "Prisma de Cristal". Tempo para encontrar formas de comemorar condignamente o evento. Casimiro de Brito merece-o. E Loulé tem essa dívida!»
Extracto da minha crónica sobre Casimiro de Brito e o "Prisma de Cristal", págima literária do jornal A Voz de Loulé, nos anos 50. Pode ler no barlavento online, clicando na imagem.
quinta-feira, novembro 24, 2005
Gatos Pretos
A nossa vida nas aulas tem destas coisas. Passamos pelos alunos e quase sempre nada fica, nem uma cara para recordar, palavras, cheiros, tempos de compromisso da aprendizagem colectiva. Tudo isto é algo que eu nego, tento evitar. Fui para o ensino superior já adulto e agora encontro muitos caminhos iguais aos meus, muito mais agora quando o ensino superior parece caminhar para servir mais os activos que os jovens do secundário em formação inicial. Claro que, por isso, não pretendo das aulas um mero receptáculo bancário para depositar conteúdos (ah velho Paulo Freire, como tu sabias), mas percebendo que esses são os momentos gloriosos da descoberta colectiva, plasmada entre todos. Este é o campo da troca de amizades, muitas vezes disfarçada da formalidade dos papéis de professor/aluno(a), no qual se descobrem os segredos dos melhores saberes para além das matérias das aulas (conceitos que evito). Vem isto a propósito de um poema que posto em baixo, de um aluno, que retirei de entre muitos outros, processados em computador, mas escritos por todo o lado, em toalhas de papel, por exemplo, quando vem o desejo inexorável da escrita. Aliás, isso é fortemente visível neste poema:
SAVIMBI E MATATEU
Savimbi e Matateu,
duas personagens importantes,
dois pretos importantes,
dois gatos importantes...
dois gatos pretos importantes.
*
SAVIMBI E MATATEU
Savimbi e Matateu,
duas personagens importantes,
dois pretos importantes,
dois gatos importantes...
dois gatos pretos importantes.
*
Agradecimento
ao Tiago Cavaco que me linkou enquanto estive por fora... Agradecido à Voz do Deserto.
E chamar à atenção para os novos escritos do Luís Ene. Todos sabíamos que ele não aguentava sem pôr os dedos no teclado; e nos livros.
domingo, novembro 20, 2005
Peter

CAFÉ SPORT
*
Aquele é o café,
visível no azul ferrete e no amarelo
velho, as cores que nos inebriam no calor.
Lá dentro, bem no seio da alma dos cachalotes,
só um gin tónico apaga todas as mágoas,
as dores da distância, o peso plúmbeo do tempo.
É ali, entre aquelas paredes humanas,
que os homens podem morrer,
olhando o velho mar.
visível no azul ferrete e no amarelo
velho, as cores que nos inebriam no calor.
Lá dentro, bem no seio da alma dos cachalotes,
só um gin tónico apaga todas as mágoas,
as dores da distância, o peso plúmbeo do tempo.
É ali, entre aquelas paredes humanas,
que os homens podem morrer,
olhando o velho mar.
*
Escrito em Fev.04. Hoje em homenagem a José Azevedo-"Peter".
sábado, novembro 19, 2005
Casimiro de Brito
Ontem, em Loulé, realizou-se uma conferência sobre Casimiro de Brito, no âmbito da Capital da Cultura. Álvaro Manuel Machado traçou um excelente perfil da obra poética e literária do poeta, em torno da ideia central de pleno e de vazio, que considera serem as marcas filosóficas de Casimiro. Aproveitei essa deixa, no final da Conferência, para metaforicamente sublinhar o contraste entre a vasta e qualitativa obra do poeta e o número de pessoas na sala (6 e mais 3 pessoas da organização). Casimiro, sendo louletano, não é conhecido em Loulé. Aliás entre a terra e ele há ainda muita coisa por esclarecer. E, notoriamente, estamos perante um fenómeno de rejeição recíproca, muito mais por obra da terra do que pela obra do poeta. Sobre este assunto aliás, já publiquei uma coluna na Voz de Loulé, para a qual remetia para uma leitura detalhada a quem quisesse analisar o tema, aqui.
Mas a conferência teve outro dado esperado. Álvaro M. Machado assentou o ponto de partida poética do autor no movimento da Poesia 61, em Faro, em torno dos célebres "Cadernos do Meio Dia". Mantém-se ainda muito pouco conhecida, portanto, a experiência de Casimiro de Brito, em Loulé, onde em 1956 lançou a página literária "Prisma de Cristal" na Voz de Loulé, em torno da qual se juntaram Ramos Rosa, Gastão Cruz, Maria Rosa Colaço e outros. E foi no seio desta experiência pioneira e primacial que Casimiro de Brito escreveu e publicou os seus primeiros poemas e dirigiu os seus primeiros cadernos de poesia. Sobre este assunto pode ler o meu pequeno estudo no arquivo do Lobo.
Manifesto do silêncio
As noites essas alimentam-se
pela excessiva luz do dia
Como se um raio de sol tivesse
ficado esquecido
na metálica planície do sul
*
[Algarve Lugar Onde, 1964-1969
in Ode & Ceia, 1985]
*
Este poeta não é candidato a nada!
A tese
não é tudo!
*
*
Agora que o trabalho de análise de conteúdo dos dados recolhidos está quase, quase no fim, e a escrita se aproxima fulgurante, é tempo de voltar aqui. Apenas e só de acordo com o ritmo do desejo de deixar palavras suspensas no ar. Para os muitos amigos que me falaram da ausência (neste blogue, porque outros, noblesse oblige, receberam muito trabalho meu) um abraço amigo. Em breve...
quarta-feira, novembro 16, 2005
Contrasenso convida
É meu convidado no "Contrasenso" desta quinzena em A Voz de Loulé, Luís Ene:
*
Brincar com a língua
Contar uma história é como jogar um jogo, um qualquer jogo, quer se pense no jogo do berlinde (às três covas, por exemplo) ou no jogo do xadrez. Existem regras, existem dificuldades e até existem adversários. Mas o essencial num jogo é que nos possamos divertir.
Este é o terceiro de três artigos (é portanto o último) em que vos falo aqui de contar histórias, e vou tentar mostrar-vos como tal actividade pode ser divertida, realçando um aspecto que nada mais é que a superação de várias dificuldades. Quando se conta uma história, quando se a escreve, temos de ter em conta todas as histórias que já foram contadas e, no entanto, contar a nossa história, contar uma nova história. E contamos e escrevemos contra a língua, a sua ambiguidade, a sua sonoridade, a sua gramática. A superação dessas dificuldades traz sem dúvida prazer a quem escreve e a quem lê. Do que vos quero falar é de como podemos brincar com a língua.
Tomemos por exemplos os lugares comuns, ou as frases feitas. Se por um lado é bom ter essas expressões sempre à mão, por outro lado é ainda melhor parodiá-las, subvertê-las, brincar com elas, como se de um jogo se tratasse. Conhecem a expressão “ir desta para melhor”? É curioso como diz tanto da nossa mentalidade e será sem dúvida divertido usá-la. Vejamos então uma pequena história, que é afinal delas que aqui temos tratado.
1. Quando a morte veio para o levar, ele recebeu-a com um sorriso aberto: finalmente ia desta para melhor.
Será que a morte nos leva desta para melhor? Tenho dúvidas, e mesmo que assim seja, não me parece que recebesse a morte com agrado. Mas isso é outra história.
E quanto a dizeres populares, sempre tão expressivos e vivos? É claro que também se pode brincar com eles. Vejam lá se conhecem os que empurrei para a seguinte história, todos eles com um denominador comum.
2. Par de botas
Era um borra-botas sem emenda e um incorrigível lambe botas. E, como se isso não bastasse, tinha uma mulher feia como uma bota da tropa. Mas não se preocupem com ele pois cedo bateu a bota.
Estão a ver como consegui em muito pouco espaço meter quase tudo e ainda um par de botas! Foi divertido para mim escrevê-lo e espero que o tenha sido para vocês lê-lo.
Mas se a ideia principal é brincar com a língua, cedo percebi que era fácil brincar mesmo com ela, a palavra língua e os seus diversos significados, usando sobretudo essa ambiguidade para criar efeitos divertidos. Pois bem, língua tem basicamente três significados: órgão principal da articulação da palavra, da deglutição e da gustação; linguagem e idioma. É com estes três significados que podemos jogar, bem como com as expressões populares que a eles se referem, como por exemplo “soltar a língua” ou “tropeçar na língua”.
3. Era um homem muito calado mas adorava trava-línguas. Este era na verdade o único tema que lhe soltava a língua e o fazia falar durante horas.
4. Tropeçava muitas vezes na língua, razão que o levou a deixar de falar enquanto andava.
E pode-se fazer mais, muito mais, sempre a brincar com a língua.
5. O gato comeu-lhe a língua, e não foi em sentido figurado. Felizmente, ele estava já estava morto e nada mais tinha para dizer.
6. Adorava tanto a língua materna que a conservou até ao fim da sua vida em formol.
7. Falava português fluentemente, com excepção das raras vezes em que mordia a língua.
8. Tantas vezes deitou a língua de fora que um dia ela não voltou para dentro.
9. Tinha uma língua porca. Um dia lavou-a e nunca mais conseguiu dizer um palavrão.
10. Estavam a falar quando ela lhe meteu a língua no ouvido com sofreguidão. Depois ela nada mais disse e ele nada mais ouviu.
Brincar com a língua, espero estar a convencê-los disso, é não só divertido mas também importante, porque nos dá a conhecer a língua que usamos e a tirar dela mais prazer e utilidade.
11. Lengalenga
O que é importante é distinguir o que é importante do que não é importante.
Perceberam alguma coisa? Perceberam pelo menos que me diverti a usar numa frase tão curta a palavra importante três vezes!
Para terminar, uma brincadeira com a língua que usa não só a nossa língua mas também a dos nossos vizinhos espanhóis, aqui tão perto. Sem dúvida que conhecem a palavra embaraçar, e já uma vez ou outra o ficaram. Agora se pensarmos em “embarazar”, que se pronuncia da mesma forma (pelo menos foi o que me garantiram) aí as probabilidades serão menores, pois embaraçar significa engravidar. E olhem que acontece aos melhores. Quando a Parker Pen começou a vender uma caneta esferográfica no México, os anúncios deveriam dizer "it won't leak in your pocket and embarrass you", ou seja, “não vazará no seu bolso e não o embaraçará”. No entanto, a empresa pensou que a palavra "embarazar" tivesse o mesmo significado que embaraçar, de modo que o anúncio acabou por dizer, depois de traduzido, qualquer coisa como: "Não vaza no bolso e você não engravida".
Então até qualquer dia. Deixo-vos com um abraço e a última brincadeira com a língua.
12. Conselho aos homens
Em Espanha, tenta nunca embaraçar uma mulher, a não ser que o desejes mesmo, e ela também.
*
Contar uma história é como jogar um jogo, um qualquer jogo, quer se pense no jogo do berlinde (às três covas, por exemplo) ou no jogo do xadrez. Existem regras, existem dificuldades e até existem adversários. Mas o essencial num jogo é que nos possamos divertir.
Este é o terceiro de três artigos (é portanto o último) em que vos falo aqui de contar histórias, e vou tentar mostrar-vos como tal actividade pode ser divertida, realçando um aspecto que nada mais é que a superação de várias dificuldades. Quando se conta uma história, quando se a escreve, temos de ter em conta todas as histórias que já foram contadas e, no entanto, contar a nossa história, contar uma nova história. E contamos e escrevemos contra a língua, a sua ambiguidade, a sua sonoridade, a sua gramática. A superação dessas dificuldades traz sem dúvida prazer a quem escreve e a quem lê. Do que vos quero falar é de como podemos brincar com a língua.
Tomemos por exemplos os lugares comuns, ou as frases feitas. Se por um lado é bom ter essas expressões sempre à mão, por outro lado é ainda melhor parodiá-las, subvertê-las, brincar com elas, como se de um jogo se tratasse. Conhecem a expressão “ir desta para melhor”? É curioso como diz tanto da nossa mentalidade e será sem dúvida divertido usá-la. Vejamos então uma pequena história, que é afinal delas que aqui temos tratado.
1. Quando a morte veio para o levar, ele recebeu-a com um sorriso aberto: finalmente ia desta para melhor.
Será que a morte nos leva desta para melhor? Tenho dúvidas, e mesmo que assim seja, não me parece que recebesse a morte com agrado. Mas isso é outra história.
E quanto a dizeres populares, sempre tão expressivos e vivos? É claro que também se pode brincar com eles. Vejam lá se conhecem os que empurrei para a seguinte história, todos eles com um denominador comum.
2. Par de botas
Era um borra-botas sem emenda e um incorrigível lambe botas. E, como se isso não bastasse, tinha uma mulher feia como uma bota da tropa. Mas não se preocupem com ele pois cedo bateu a bota.
Estão a ver como consegui em muito pouco espaço meter quase tudo e ainda um par de botas! Foi divertido para mim escrevê-lo e espero que o tenha sido para vocês lê-lo.
Mas se a ideia principal é brincar com a língua, cedo percebi que era fácil brincar mesmo com ela, a palavra língua e os seus diversos significados, usando sobretudo essa ambiguidade para criar efeitos divertidos. Pois bem, língua tem basicamente três significados: órgão principal da articulação da palavra, da deglutição e da gustação; linguagem e idioma. É com estes três significados que podemos jogar, bem como com as expressões populares que a eles se referem, como por exemplo “soltar a língua” ou “tropeçar na língua”.
3. Era um homem muito calado mas adorava trava-línguas. Este era na verdade o único tema que lhe soltava a língua e o fazia falar durante horas.
4. Tropeçava muitas vezes na língua, razão que o levou a deixar de falar enquanto andava.
E pode-se fazer mais, muito mais, sempre a brincar com a língua.
5. O gato comeu-lhe a língua, e não foi em sentido figurado. Felizmente, ele estava já estava morto e nada mais tinha para dizer.
6. Adorava tanto a língua materna que a conservou até ao fim da sua vida em formol.
7. Falava português fluentemente, com excepção das raras vezes em que mordia a língua.
8. Tantas vezes deitou a língua de fora que um dia ela não voltou para dentro.
9. Tinha uma língua porca. Um dia lavou-a e nunca mais conseguiu dizer um palavrão.
10. Estavam a falar quando ela lhe meteu a língua no ouvido com sofreguidão. Depois ela nada mais disse e ele nada mais ouviu.
Brincar com a língua, espero estar a convencê-los disso, é não só divertido mas também importante, porque nos dá a conhecer a língua que usamos e a tirar dela mais prazer e utilidade.
11. Lengalenga
O que é importante é distinguir o que é importante do que não é importante.
Perceberam alguma coisa? Perceberam pelo menos que me diverti a usar numa frase tão curta a palavra importante três vezes!
Para terminar, uma brincadeira com a língua que usa não só a nossa língua mas também a dos nossos vizinhos espanhóis, aqui tão perto. Sem dúvida que conhecem a palavra embaraçar, e já uma vez ou outra o ficaram. Agora se pensarmos em “embarazar”, que se pronuncia da mesma forma (pelo menos foi o que me garantiram) aí as probabilidades serão menores, pois embaraçar significa engravidar. E olhem que acontece aos melhores. Quando a Parker Pen começou a vender uma caneta esferográfica no México, os anúncios deveriam dizer "it won't leak in your pocket and embarrass you", ou seja, “não vazará no seu bolso e não o embaraçará”. No entanto, a empresa pensou que a palavra "embarazar" tivesse o mesmo significado que embaraçar, de modo que o anúncio acabou por dizer, depois de traduzido, qualquer coisa como: "Não vaza no bolso e você não engravida".
Então até qualquer dia. Deixo-vos com um abraço e a última brincadeira com a língua.
12. Conselho aos homens
Em Espanha, tenta nunca embaraçar uma mulher, a não ser que o desejes mesmo, e ela também.
*
Eu, vou socializando por aí...
domingo, outubro 30, 2005
Contrasenso convida
Apenas para vos deixar online o texto do meu convidado na coluna "Contrasenso" da Voz de Loulé de 1 de Novembro. Joaquim Mealha Costa fala sobre:
Tempo de angústia, tempo de esperança
A vida é assim. Um somatório de alegrias e tristezas. De momentos desagradáveis a que se sobrepõem outros de satisfação. Em cada tempo, podemos viver bons e maus momentos e uns compensam os outros. Afinal a vida é o equilíbrio de tudo isso, o que nos acontece de bom e de menos bom.
Também na nossa vida colectiva se aplica esse mesmo princípio.
Ouvindo e lendo o que a comunicação social nos vai fazendo chegar sobre a realidade do País, sobre as medidas do Governo, em curso, sobre o estado de espírito dos Portugueses, somos forçados a constatar que o momento é de depressão colectiva, de descrença em soluções de curto prazo, nem a chamada luz ao fundo do túnel se vislumbra.
Mas, após um acto eleitoral, em que apesar da significativa abstenção, muitos Portugueses foram votar, demonstrando que apesar de tudo, ainda acreditam um pouco que algo pode mudar, é também tempo de ter esperança.
Lendo os manifestos de campanha ou ouvindo os discursos de tomada de posse dos autarcas, mesmo os reconduzidos em novo mandato, contactamos que é seu propósito fazer mais e melhor do que até aqui. Afirmando mesmo que: é preciso adequar os serviços à sua função de servir com eficiência o cidadão, é preciso que as populações, os agentes económicos, sociais, culturais sejam chamados a participar e decidir sobre a sua terra, é preciso melhorar a qualidade de vida nas cidades e no campo…
A maior proximidade entre os autarcas e as populações ainda permitem que se estabeleça algum nível de confiança. Mas essa confiança também, rapidamente se perderá, se não houver efectiva correspondência entre o que se diz e o que o cidadão pode constatar no dia a dia, como efeitos da gestão autárquica.
Estamos pois num momento, em que perante a descrença nas soluções sistematicamente repetidas pela governação do País, se apresenta a esperança de um mandato autárquico que responderá de forma mais adequada às necessidades de desenvolvimento do município e de qualidade de vida da população.
Este será no entanto um tempo curto. Tal como o governo do Eng. Sócrates passou rapidamente de esperança a pesadelo, também no governo autárquico se exigem no curto prazo medidas que confirmem o sentido da esperança.
Hoje não é possível dar tempo ao tempo, deixar que o tempo resolva. Vivemos tempos de decisão.
Esse é o nosso grande problema, o de termos que tomar decisões sem esquecer no caso da governação, seja ela nacional ou autárquica, que os destinatários do seu trabalho são as pessoas, as de hoje e as de amanhã, que anseiam por uma vida melhor.
Esperemos que à angústia, à descrença, se sobreponha a esperança. Mas também, cabe a cada um de nós cultivar e contribuir para inverter este estado de espírito, esta realidade por vezes dolorosa.
A vida é assim. Um somatório de alegrias e tristezas. De momentos desagradáveis a que se sobrepõem outros de satisfação. Em cada tempo, podemos viver bons e maus momentos e uns compensam os outros. Afinal a vida é o equilíbrio de tudo isso, o que nos acontece de bom e de menos bom.
Também na nossa vida colectiva se aplica esse mesmo princípio.
Ouvindo e lendo o que a comunicação social nos vai fazendo chegar sobre a realidade do País, sobre as medidas do Governo, em curso, sobre o estado de espírito dos Portugueses, somos forçados a constatar que o momento é de depressão colectiva, de descrença em soluções de curto prazo, nem a chamada luz ao fundo do túnel se vislumbra.
Mas, após um acto eleitoral, em que apesar da significativa abstenção, muitos Portugueses foram votar, demonstrando que apesar de tudo, ainda acreditam um pouco que algo pode mudar, é também tempo de ter esperança.
Lendo os manifestos de campanha ou ouvindo os discursos de tomada de posse dos autarcas, mesmo os reconduzidos em novo mandato, contactamos que é seu propósito fazer mais e melhor do que até aqui. Afirmando mesmo que: é preciso adequar os serviços à sua função de servir com eficiência o cidadão, é preciso que as populações, os agentes económicos, sociais, culturais sejam chamados a participar e decidir sobre a sua terra, é preciso melhorar a qualidade de vida nas cidades e no campo…
A maior proximidade entre os autarcas e as populações ainda permitem que se estabeleça algum nível de confiança. Mas essa confiança também, rapidamente se perderá, se não houver efectiva correspondência entre o que se diz e o que o cidadão pode constatar no dia a dia, como efeitos da gestão autárquica.
Estamos pois num momento, em que perante a descrença nas soluções sistematicamente repetidas pela governação do País, se apresenta a esperança de um mandato autárquico que responderá de forma mais adequada às necessidades de desenvolvimento do município e de qualidade de vida da população.
Este será no entanto um tempo curto. Tal como o governo do Eng. Sócrates passou rapidamente de esperança a pesadelo, também no governo autárquico se exigem no curto prazo medidas que confirmem o sentido da esperança.
Hoje não é possível dar tempo ao tempo, deixar que o tempo resolva. Vivemos tempos de decisão.
Esse é o nosso grande problema, o de termos que tomar decisões sem esquecer no caso da governação, seja ela nacional ou autárquica, que os destinatários do seu trabalho são as pessoas, as de hoje e as de amanhã, que anseiam por uma vida melhor.
Esperemos que à angústia, à descrença, se sobreponha a esperança. Mas também, cabe a cada um de nós cultivar e contribuir para inverter este estado de espírito, esta realidade por vezes dolorosa.
*
[Amanhã nas bancas a edição em papel]
segunda-feira, outubro 24, 2005
Contagem decrescente,
no caminho ascendente da tese: zero horas. aqui voltarei só quando o chão parar de tremer. e o relógio reiniciar a marcha.
Nota: excepção à publicação online das colunas "Contrasenso" dos meus convidados-dias 1 e 15 de cada mês.
Nota: excepção à publicação online das colunas "Contrasenso" dos meus convidados-dias 1 e 15 de cada mês.
domingo, outubro 23, 2005
Ler:
«Quantas mulheres, mesmo aquelas que conhecem perfeitamente o seu corpo e todos os botões e reostatos, que exploram e deixam explorar todos os milímetros de pele que estão disponíveis e mais alguns que ficam menos à mão, são capazes (sem sentir qualquer desconforto) de dizer ao parceiro agora vou aqui bater uma e tu ficas a ver?». No Sociedade Anónima.
Similitudes
«Existe um blogue “não oficial de apoio à candidatura de Mário Soares à Presidência da República” chamado Super Mário. A coisa não deixa de ter graça e ser …infinitamente reveladora. É uma tentativa de reeditar o “Soares é fixe” de 1985...».
Pacheco Pereira (PP) no Abrupto.
«E qualquer governo, mesmo o de Sócrates, sabe que terá mais hipóteses de prolongar a sua vida útil com um Cavaco que resistiu a "presidências abertas" do que com a "magistratura de influência" de Soares.».
Francisco José Viegas (FJV) no JN .
*
O que diz PP, acima, já eu tinha dito aqui.
O que diz FJV, acima, já eu tinha dito aqui.
Ou estes homens andam a ler-me às escondidas, ou é melhor eu fechar o blogue...
Antologia de José Carlos Fernandes no "Correio da Manhã"
Como não tenho o reles hábito de guardar as pérolas só para mim, deixo-vos esta, oferecida a todos nós pelo nosso amigo Zé Carlos Fernandes. Não vá a correr às bancas sem eu ter comprado o meu exemplar. Se assim for, escondo já a preciosidade!:
«No próximo domingo, dia 23 de Outubro, vou aparecer no "Correio da Manhã" sem q para tal tenha que atacar uma velhinha com um taco de baseball ou roubar o carro do padre de Querença e ir conduzir em contramão para a Via do Infante, após assaltar uma bomba de gasolina famosa na Fonte de Boliqueime.
Por outras palavras, nesse dia, o infame pasquim "Correio da Manhã" vai "oferecer" (no esquema jornal + livro: x euros) aos seus leitores a possibilidade de adquirirem uma não menos infame antologia de 200 pg deste vosso rastejante criado, incluída numa colecção de "Clássicos da BD: Série Ouro" (não sei bem o q quer isto dizer: julgava q para se ser clássico era rigorosamente indispensável estar-se morto, mas parece que agora basta ter o cabelo a rarear; quanto ao ouro é mais fácil de explicar, pois está visto q este golpe me vai deixar podre de rico). (...)». Zé Carlos.
sábado, outubro 22, 2005
estórias do cavaquismo futuro
A apresentação da candidatura de Cavaco Silva, também foi fértil em fait-divers:
1. Anabela Neves, da Sic, a chamar Maria Aníbal Cavaco Silva à mulher do candidato;
2. No final do discurso do candidato independente e profissionalmente apolítico, a JSD a gritar: "Cavaco amigo, a Jota está contigo!";
1. Anabela Neves, da Sic, a chamar Maria Aníbal Cavaco Silva à mulher do candidato;
2. No final do discurso do candidato independente e profissionalmente apolítico, a JSD a gritar: "Cavaco amigo, a Jota está contigo!";
3. Na apreciação do PS ao discurso de Cavaco, Vitalino Canas - tal como Valentim Loureiro nos tempos de Guterres: "... não ficou claro o que o Pres ....ââ ... Professor Cavaco...".
quinta-feira, outubro 20, 2005
Atenção:
Hora de parar tudo: a tese, as aulas e mais prosaicamente, o almoço. É que Cavaco Silva chegou mesmo agora para almoçar no Grémio Literário. E pediu espargos, sargo e vinho da herdade do seu director de campanha. O mundo parou e até a gripe das aves congela até às 20 horas, em Belém. Só não gostei de ver a minha fadista preferida na mesa do almoço. Do resto gostei tudo, como se percebe.
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