quinta-feira, outubro 13, 2005

eleições

sim, eu sei que devia falar das eleições na minha terra. mas dizer o quê? talvez a expressão "é a cultura, estúpido!".

Reflexão

Compreendo que a reflexão seja necessária. Mas uma reflexão nunca poderá ser eterna, sob pena de se tornar a confissão eterna do pecador. Ora, uma reflexão exige uma evidente flexão, uma descida terrena aos crentes que precisam de ler para crer. Mesmo que tenha acontecido um desastre.

terça-feira, outubro 11, 2005

Mais leituras

Uma das minhas revistas de leitura na Net: Semana 3. Este mês com uma entrevista a Paulo Francis, sempre divino, feita pelo seu melhor colunista. Claro, Alexandre Soares Silva.

Leituras castas

Jeitinho
Sou proselitista. Creio que o cristianismo é a única religião verdadeira e que toda a pessoa deve converter-se ao Senhor Jesus. Mas sou um proselitista gentil. Não meto conversa com ninguém para lhe falar das coisas espirituais. É pouco educado e de estilo tem zero (o cristianismo converte com estilo).O apelo dos evangélicos à conversão dos outros chega a ser abjecto. Uma extrema-unção a meio da vida. Parecem desesperados para que todos emitam a mesma prática litúrgica, mastiguem a mesma hóstia, sincronizem o mesmo aleluia. A vantagem de um proselitista gentil é que sendo calvinista e descrendo do livre-arbítrio, como eu, concede que nem todos nascemos para o mesmo. Que é como quem diz, posso sentir-me bem mas tu podes sentir-te bem sem te sentires bem do modo como eu me sinto bem. Não é relativismo moral. É tratar a vontade das pessoas com jeitinho.

Regressos

É bem sabida a dificuldade de encontrar jaquinzinhos no mercado blasfemo do Porto...

segunda-feira, outubro 10, 2005

Sim, a chuva caiu

lavou o pó do chão e reverdeceu as árvores. estava fria no dorso. mas ainda não lavou tudo. faltam as almas penadas.

sábado, outubro 08, 2005

Leitura de fim de semana

Para ler neste fim de semana de reflexão e eleição, nada melhor que a obra completa de Margarida Rebelo Pinto, com a arguência pachequiana de João Pedro George.

Trabalhos de Hércules

1. O arquivo do Lobo foi acrescentado de mais três crónicas antigas: sobre Maria Rosa Colaço, pedagoga; as mulheres no sistema político; e democracia, futebol e apito dourado (tudo publicado em A Voz de Loulé).
2. O estudo sobre o folclore em Alte foi acrescentado com as pequenas biografias dos três homenageados nas comemorações do 67º aniversário do Grupo Folclórico de Alte.
3. O meu blogue académico mudou de nome.

Os piores cartazes da campanha

O Algarve consegue colocar quatro (4) nomeados no conjunto dos 14 piores cartazes da campanha eleitoral autárquica. O primeiro nomeado é mesmo o cartaz de Fialho Anastácio do PS de Tavira. Pode ver os piores cartazes e votar no seu eleito aqui.

Esclarecimento do "Público"

O livro de estilo do Público permite que exijamos do jornal uma resposta a esta micro-causa:

sexta-feira, outubro 07, 2005

À espera dos trabalhos de Hércules

Distante destas folhas: a tese de mestrado, mais uma das investigações, mais o trabalho com os alunos. Prazer, muitos prazeres. Em breve novidades.

quarta-feira, outubro 05, 2005

67 anos do Grupo Folclórico de Alte

Faz hoje 67 anos que a aldeia de Alte andava em polvorosa. A terra participava no Concurso da Aldeia mais Portuguesa de Portugal e era o dia em que o júri nacional a visitava, para deliberar sobre a sua eventual selecção. Essa é outra história para outros locais. Nesse dia, um grupo de gente dançou as modas de roda, o baile mandado e o corridinho em vários sítios da aldeia. Foi a primeira actuação pública daquele que viria a designar-se como Grupo Folclórico de Alte (GFA), hoje ainda existente e, por isso, a comemorar exactamente 67 anos.
Vem isto a propósito da investigação que estou a realizar, há meio ano, sobre a história do GFA, a convite da sua direcção e com vista à publicação de um livro. Acontece que a investigação – de acordo com a minha ética – tem estado no campo privado, sendo do conhecimento de alguns amigos e dos membros do GFA, naturalmente. Como a minha opção metodológica se inscreve numa perspectiva participativa, os dados da investigação são partilhados com muitas pessoas, tendo alguns deles sido já publicados (os que estão prontos para o efeito). Parte desse material tem estado guardado num suporte cibernético como reserva da investigação. Hoje, exactamente no dia do aniversário do GFA, decido abrir o blogue Folclore em Alte à curiosidade alheia e à sua eventual participação.

terça-feira, outubro 04, 2005

Intelectual leninista

Para que raio precisavam os bejenses, ouvintes de Jerónimo de Sousa, de saber que Jorge Coelho em tempos pertencera ao radicalismo pequeno-burguês?

segunda-feira, outubro 03, 2005

O anonimato da cobardia

O aparecimento do Folhadalte foi uma lufada de ar fresco no jornalismo online no Algarve. Se pensarmos nas pequenas aldeias do país, esta experiência pode ser considerada pioneira e de vanguarda na cidadania tecnológica. Mas estes suportes estão sujeitos a vilipêndios de todos os tipos. Em geral de gente sem auto-estima, que habitualmente se esconde no anonimato e em pseudónimos abstrusos, com vista à ofensa e ao boato. Tive a oportunidade de colaborar com o Folha, deixando vários comentários e alguns artigos. Sempre assinados, e com o link para o meu blogue onde também está o meu nome. Muitas destas participações deixaram lastros de polémica. E aí apareciam sempre os cobardolas, escondidos na insídia, na maledicência e até na ameaça. Por isso era de esperar que o Folha, neste contexto de eleições autárquicas, sofresse um ataque na caixa de comentários. Esperemos que o Zé e o Rui expliquem melhor o que se passou e que, apesar de algumas dificuldades, possam identificar e proceder judicialmente os seus autores.

domingo, outubro 02, 2005

Alegre na 2ª volta

Quando o jornalista lhe perguntou se apoiaria Soares caso este passasse à 2ª volta, Alegre foi contido: Claro, não teria problema em votar nele. Mas, de seguida, foi lapidar e talvez premonitório: Mas parece-me que é ele que vai ter de votar em mim. Entretanto Carvalhas, ex-secretário geral do PCP, apoia Alegre. Entretanto, ontem, José Fanha declamou um poema de Alegre perante a Casa do Povo de Alte, bem cheia. Não quererá dizer nada, mas pode dizer tudo.

sábado, outubro 01, 2005

"Contrasenso" convida

Maria Amália Cabrita é a convidada da coluna Contrasenso, em «A Voz de Loulé» de 1 de Outubro:
*
A metáfora dos incêndios

A propósito dos fogos que queimaram uma boa parte do país durante os três últimos meses, naturalmente que muito se falou, escreveu e – talvez mesmo – ouviu em Portugal.
Em várias dessas comunicações, os incêndios ganharam um conteúdo simbólico, que os tornou ainda mais assustadores e negativos do que já eram. Graças a esse conteúdo, tornaram-se numa espécie de reflexo da debilidade nacional. A sua existência, o seu número e mesmo a sua extensão provaram – mas quem precisa agora de provas? – a incapacidade da sociedade portuguesa para prevenir e remediar catástrofes, bem como a descoordenação dos serviços do Estado. Indo um pouco mais longe, em algumas opiniões os fogos já não se limitavam a reflectir essa anomia social: eram vistos como sua punição, tal como se algum Jeová reformado e já sem a capacidade de expedir cometas os tivesse enviado para fazer reentrar os portugueses no caminho da “ordem e progresso”.
Em resumo, os fogos abriram e fecharam os noticiários, foram as figuras do mês e quase todos os candidatos a escrutínios próximos os visitaram (metaforicamente, como se compreenderá dadas as altas temperaturas que irradiam das matas durante a combustão).
Poderá valer a pena averiguar o que há de instrutivo nesta piromania colectiva. Não à maneira dos Plutarcos e das lições da História (da qual nem o próprio Plutarco fazia assim tanto caso) mas com a ilusão de encontrar pequenas verdades domésticas.
Está fora de dúvida que a consciência colectiva identificou bem o objecto e viu bem porque é que com os fogos não se brinca. Os fogos estivais já são o nosso ex-libris, aquilo por que somos conhecidos em todos os países que sintonizam a Euro-News (quanto aos outros, é impossível dizer como ou se nos recordam).
Também é um facto que os ditos fogos só acontecem em Portugal porque a nossa sociedade é na Europa aquela que mais se parece com a que Thackeray descrevia como “anarquia completa, tendo só a polícia a mais”. Para que isto não pareça muito excessivo, bastará recordar-nos:
1º, do que foi a compra desenfreada de terrenos por parte das celuloses nos últimos 25 anos e a correspondente eucaliptização do país que o tornou um previsível coktail molotov desde 1985 (!). Temos a maior mancha de eucaliptos da Europa e veja-se sobre isto um dos relatórios da OCDE desse ano sobre Portugal, que alertava para a combustibilidade acelerada que o país estava a ganhar;
2º, do que foi o abandono quase completo da agricultura, que aliás está na base da florestação comercial do ponto anterior, sem ninguém ligar um chavo ao que ia acontecer quanto à limpeza das matas (e que matas!) no futuro;
3º, do ordenamento territorial e dos famosos PDM, outro dos nossos ex-libris que, da forma libertária que nos caracteriza, só excluem a construção de casas nos braços de mar e nos lagos (em certos cursos de água, quando secos, existe direito consuetudinário favorável);
4º, do pormenor pitoresco de Portugal ser o único país da Europa do sul sem frota aérea de combate a fogos, não sendo este facto consensualmente negativo (muitas empresas de aluguer de helicópteros acham isto natural);
5º, do zelo com que todos os anos se reformam os serviços de coordenação e se vão acrescentando instâncias, órgãos (com as correspondentes siglas e postos de chefia) e centros de comando;
etc, etc.
Quando se pensa nisto tudo, não há que fugir, os fogos ganham um estatuto de consequência inevitável. Estiveram aí porque não podiam deixar de aparecer, tudo estava a pedi-los. Ah, e nem é preciso ir buscar os efeitos de estufa ou coisa que o valha, mesmo que isso se possa provar. Estavam reunidas todas as condições e a verdade é que o país, lá no fundo, estava à espera deles.
Mas isto basta para fazer deles metáforas? Talvez ainda não. As borbulhas são um sintoma do sarampo, não são a metáfora do sarampo. Os fogos de verão são as consequências do nosso estado civilizacional, não o simbolizam.
Mas há um aspecto em que talvez legitime o uso metafórico que a nossa comunicação social fez deles e que aí sim, representam bem a nossa sociedade. É o seu carácter meteórico, efémero (flamejante aqui parece um adjectivo um pouco de mau gosto) e sazonal. Os fogos tiveram a sua hora de glória mas – sic transit gloria mundis - já passou. Agora já a Casa Pia e tuti quanti recuperaram o seu lugar. Em Dezembro teremos, espera-se, o protagonismo de Reguengo do Alviela e das zonas baixas do Ribatejo. Os fogos terão de esperar por Junho e pela nova época balnear para voltarem a ser entrevistados.
Enfim, se há metáfora é esta: os fogos são previsíveis, como tudo o que acontece por cá.

O regresso do Marquês de Pombal

Sebastião José de Carvalho e Melo não faria melhor slogan de campanha.

quinta-feira, setembro 29, 2005

A magistratura de Soares

«Podemos imaginar a "magistratura de influência" de Soares abrir as portas a tudo o que é contestação ao Governo, apoiando ajuntamentos de rua, manifestações unitárias, congressos vagamente "de reflexão", além de conspirar para mudar o PS e expulsar Sócrates, os herdeiros de Guterres e, agora, de Alegre.Porque, a verdade é esta se Soares não vem fazer isso, que é o que sabe fazer bem, que vem Soares fazer a estas eleições? É preciso saber. É por isso que os jornalistas, "eles", devem fazer perguntas.».
[Francisco José Viegas no Jornal de Notícias de hoje]

Spam

A partir de agora, e durante algum tempo, até o spam esquecer as referências deste blogue os comentários ficam fechados. Quando a paz voltar ou encontrar algum filtro para o lixo, a caixa retornará. Até lá o Email, que tem alguma protecção, pode ser usado pelos leitores.

Quem é que querem convencer?

Jorge Coelho, ainda há pouco na Quadratura do Círculo, lá afirmava a contento que o PS só tem um candidato à presidência. Que se saiba Manuel Alegre não é militante destacado do PS, uma das suas referências históricas, vice-presidente da AR, ex-candidato a líder do partido e falante num comício da campanha. Portanto, diferente de Soares, que segundo Coelho deve ser tudo isso.