Regressado de férias, devo agradecer à Junta de Freguesia de Monte Real que, apesar de abrir só uma vez por semana, à noite, me facultou o acesso à Rede. E à biblioteca da Marinha Grande. E a todos os leitores e amigos que leram, deixaram comentários e colocaram excelentes contributos na caixa.
quarta-feira, agosto 31, 2005
Prós e Contras
Só para referir que o debate do Prós e Contras de ontem na RTP1 e repetido hoje na RTPN, acerta as agulhas no sentido da análise do que escrevi aqui mesmo em baixo. O que prova que está a acontecer um consenso muito interessante na sociedade que pode permitir uma compreensão da verdadeira origem do problema do fogo: razões civilizacionais do nosso povoamento social. E pouco mais que isso. O que tenho tentado pensar sobre o assunto é um ponto de vista sociológico e não meramente técnico.
quinta-feira, agosto 25, 2005
Causas estruturais dos fogos
Agora toda a gente anda a descobrir a pólvora: o problema dos incêndios não se resolve com mais meios e melhores prevenções. Finalmente as causas do problema são equacionadas pelo presidente da república e pelo governo. Até os jornais começam a aceitar que a floresta precisa ser reordenada, talvez até mesmo repensada se necessitamos dela ou não. Sem atacarmos as causas estruturais - que passam por plantar floresta, com as espécies adequadas e descontinuada de regadio e sequeiro, limpa e ordenada - não se resolverá nunca os incêndios e o país continuará a plantar combustível para queimar bens e vidas. Mas perante isto, a direita já vem bradar que o estado tem medo e está sem soluções. Este é um conflito permanente entre esquerda e direita. A direita pretende atacar as consequências com meios e vidas. A esquerda pretende atacar as causas, poupando bens e vidas. É uma grande diferença que há muito vimos defendendo, sobre este e outros problemas sociais.
Ilegalidade na Ria Formosa
A história da demissão do director do Parque Natural da Ria Formosa, devido à desautorização de que foi alvo por parte dos responsáveis do estado (ministro do ambiente e director do ICN) com a alegada pressão do presidente da Câmara de Tavira, precisa de explicação. Macário Correia é ainda presidente da Área Metropolitana do Algarve e já foi secretário de estado do ambiente. Na altura defendia a demolição das casas ilegais na Ria Formosa. Agora aparece a defender o contrário: a implantação de um apoio de praia na duna primária da ilha de Tavira é contra a lei e uma provocação ao Plano de Ordenamento da Orla Costeira. E o mais grave, é que o ministro do ambiente do governo PS foi a favor.
quarta-feira, agosto 24, 2005
Piano Man
Como já se previa, o Piano Man era uma farsa. Claro que a farsa foi montada pelo próprio, fruto de uma personalidade marcada por frustações várias – de género, fundamentalmente – mas o que nos interessa aqui foi a farsa montada pelos media, num misto de sensacionalismo e de falso altruismo. Foi a blogosfera que mais uma vez acertou nas suposições e nas análises sobre o caso. A propósito, é interessante ler a coluna de Vital Moreira no Público de hoje, sobre o chamado quinto poder.
Monodocências
Um estudo da Universidade de Coimbra mostra que a transição do 1º para o 2º ciclo é traumática, deixando muitos dos alunos retidos no 5º ano de escolaridade, em escolas onde convivem com alunos mais velhos, normalmente até ao 3º ciclo. Alguns dos sintomas dos traumas e conflitos da transição são apontados como sendo a pressão para a iniciação no álcool e nas drogas. As estratégias de resolução admitem a necessidade de um maior envolvimento dos pais no acompanhamento dos filhos, um maior contacto com os professores e uma relação saudável com os colegas de turma. O estudo não toca – e seria interessante ter dados científicos neste campo – na situação das escolas básicas integradas, nas quais os alunos circulam entre o 1º e o 3º ciclos no mesmo espaço físico e escolar. Sobretudo, o estudo não aborda um aspecto decisivo no âmbito da transição entre ciclos e que tem vindo a ser defendido por vários pedagogos, sobretudo em experimentações no 1º ciclo. Referimo-nos ao fim da modocência no 1º ciclo, que permitisse a assunção de mimetismos e modelações dos alunos a partir, não de um professor mas de vários, como acontece quando ingressam no 2º ciclo. A introdução do inglês no 1º ciclo poderia ser uma oportunidade para a reformulação deste aspecto. Talvez seja mais uma oportunidade perdida, do actual governo, na área da educação.
terça-feira, agosto 23, 2005
Blair's
Nada que não tivéssemos previsto: o caso do assassinato de Jean Charles de Menezes, cidadão brasileiro morto em Londres, foi uma invenção da Scotland Yard e do seu principal responsável Ian Blair. Afinal não havia fuga, gabardine ou movimentos suspeitos. A polícia inglesa portou-se mal, mas os directores da polícia criaram uma fachada para os jornais que agora é desvendada. Tal como com o Iraque – salvo as devidas distâncias – a manipulação das informações, sobretudo quando ligadas a problemas de terrorismo ou guerra, ocultam outros interesses tão maléficos e pérfidos como os que se afirmam combater.
Alegre ma non tropo
Sei pelo Público que Alegre reune um jantar de apoiantes no Algarve. A sul nada de novo sobre a candidatura à presidência da república, mas o putativo candidato lá vai dizendo indirectamente que Soares não é o rei da democracia e que espera um sinal dos seus apoiantes, que Soares diz não ter. Seria interessante ver até que ponto o papel de Alegre neste combate possa vir a ser o mesmo das primárias do PS: servir de lenitivo a algumas consciências do partido que estão fartos de Soares, como estavam de Guterres et pour cause, de Sócrates. O exemplo de Carrilho, que disse e desdisse a sua discordância de Soares é essa ponta de iceberg. Será?
sexta-feira, agosto 19, 2005
quarta-feira, agosto 17, 2005
Monoculturas
Continuam as lamentações, cíclicas, da crise do turismo, no Algarve em particular. Menos procura, baixa de clientes, as culpas do 11 de Setembro, seca, incêndios. Mas alguém vê a falência das empresas ligadas a este sector? Eu continuo a ver crescer o betão nas falésias, os greens a invadir o barrocal e a serra e cafés e restaurantes por tudo o que é casinha trespassada. Sempre avisámos que a monocultura daria nisto.
Sin City
Vejo Sin City, baseado nos contos gráficos de Frank Miller, um dos meus banda-desenhistas preferidos da actualidade. A escolha do preto e branco torna New York ainda mais visível, nas cores dos lábios sensuais de Goldie, ou nos sapatos de Dwight. A mão de Tarantino está lá, como em Rain Dogs: selvagem, elegante, pérfida. E nunca Mickey Rourke esteve tão bem, a fazer de herói.
A agência de viagens Lemming
Longe de Loulé, uma notícia da santa terrinha: José Carlos Fernandes continua a espalhar o seu grande talento, todos os dias, na penúltima página do DN: A Agência de Viagens Lemming já vai no nº 47 (quando edito).
Um fogo que arde sem se ver
O Bloco de Esquerda propôs ao governo a negociação com as televisões para que estas evitassem imagens de incêndios em desenvolvimento, passando apenas imagens de áreas ardidas. Sabe-se que as televisões já conversaram sobre a medida, cujos efeitos podem diminuir os estímulos nefastos em indivíduos sensíveis do ponto de vista psicológico ou mesmo social. Sabe-se de um caso em que uma octogenária pega fogo para que as televisões falem da sua aldeia. Um realitty show em chamas. Uma boa medida quando se conhece o elogio consensual às imagens das cadeias de TV britânicas no tratamento das notícias sobre os atentados de Londres.
Publicidade ou informação
Pois é, o BPI teve publicidade gratuitíssima com o programa da BBC em que Gary Linneker entrevistou José Mourinho. Em vez do título original “The Special One”, a RTP, não se sabe ainda porquê, mudou o título para “Ganhe Como Eu”, exactamente o tema da campanha do banco em causa, em que o treinador é a principal personagem.
Civilizações
Paulo Varela Gomes (PVG), em excelente artigo no Público (11/8), defende que os problemas do país não se compadecem com paliativos, quer sejam no campo da prevenção dos incêndios, ou nas medidas de ordenamento do território ou ainda na poupança de energia. A sua tese – muito interessante diga-se – é a aposta numa alteração substancial de civilização, a única capaz de, com medidas estruturais, modificar a facies do país empobrecido, a morrer em lume brando. Uma mudança de regime, com novos políticos, que deixassem para trás as hesitações daquilo que ele chama a III República. A acompanhar a ideia.
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terça-feira, agosto 16, 2005
Big brothers
Carrilho pretende colocar câmaras de vídeo-vigilância nalguns bairros de Lisboa, entre os quais o Bairro Alto. Armado em big brother, o candidato quer mostrar que isso defende a segurança dos cidadãos. Uma medida populista de um filósofo que gosta de se armar em provinciano em Lisboa, tal como se arma em doutor em Viseu. Uma ideia que lembra um dos seus émulos: Santana.
Calor frio
A passar férias no distrito que mais ardeu este ano, ainda não vi as cinzas sobre as pedras, nem as árvores em carvão vegetal. Mas sinto-lhe o cheiro, um odor que circula nas aragens baixas. Mas sobretudo um calor frio nas faces das pessoas.
Opinion makers
Os editoriais dos jornais de referência, DN e Público, que normalmente são escritos pelos seus directores, são pródigos em lavra opinativa sobre a democracia e sobre os meandros da governabilidade. Normalmente são pequenas redacções sobre factos quotidianos retalhados em patchwork para compor uma narrativa com um final surpreendente. Mas, quase sempre, só o final surpreende. O que não deixa de ser sintomático para quem quer ser opinion maker.
Regressos
Fátima Rolo Duarte regressa, provisoriamente, às páginas do DNA, suplemento do DN. Ainda não posso lê-la como Camila Coelho, um pseudónimo que esconde uma jornalista que sabe escrever sobre as ruas de Lisboa, os belos cafés e as estéticas humanistas das cidades. Quando regressar, avisem.
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