quarta-feira, agosto 17, 2005

Sin City

Vejo Sin City, baseado nos contos gráficos de Frank Miller, um dos meus banda-desenhistas preferidos da actualidade. A escolha do preto e branco torna New York ainda mais visível, nas cores dos lábios sensuais de Goldie, ou nos sapatos de Dwight. A mão de Tarantino está lá, como em Rain Dogs: selvagem, elegante, pérfida. E nunca Mickey Rourke esteve tão bem, a fazer de herói.

A agência de viagens Lemming

Longe de Loulé, uma notícia da santa terrinha: José Carlos Fernandes continua a espalhar o seu grande talento, todos os dias, na penúltima página do DN: A Agência de Viagens Lemming já vai no nº 47 (quando edito).

Um fogo que arde sem se ver

O Bloco de Esquerda propôs ao governo a negociação com as televisões para que estas evitassem imagens de incêndios em desenvolvimento, passando apenas imagens de áreas ardidas. Sabe-se que as televisões já conversaram sobre a medida, cujos efeitos podem diminuir os estímulos nefastos em indivíduos sensíveis do ponto de vista psicológico ou mesmo social. Sabe-se de um caso em que uma octogenária pega fogo para que as televisões falem da sua aldeia. Um realitty show em chamas. Uma boa medida quando se conhece o elogio consensual às imagens das cadeias de TV britânicas no tratamento das notícias sobre os atentados de Londres.

Publicidade ou informação

Pois é, o BPI teve publicidade gratuitíssima com o programa da BBC em que Gary Linneker entrevistou José Mourinho. Em vez do título original “The Special One”, a RTP, não se sabe ainda porquê, mudou o título para “Ganhe Como Eu”, exactamente o tema da campanha do banco em causa, em que o treinador é a principal personagem.

Civilizações

Paulo Varela Gomes (PVG), em excelente artigo no Público (11/8), defende que os problemas do país não se compadecem com paliativos, quer sejam no campo da prevenção dos incêndios, ou nas medidas de ordenamento do território ou ainda na poupança de energia. A sua tese – muito interessante diga-se – é a aposta numa alteração substancial de civilização, a única capaz de, com medidas estruturais, modificar a facies do país empobrecido, a morrer em lume brando. Uma mudança de regime, com novos políticos, que deixassem para trás as hesitações daquilo que ele chama a III República. A acompanhar a ideia.
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[Link para a transcrição do artigo do PVG, por gentileza do José Pimentel Teixeira]

terça-feira, agosto 16, 2005

Big brothers

Carrilho pretende colocar câmaras de vídeo-vigilância nalguns bairros de Lisboa, entre os quais o Bairro Alto. Armado em big brother, o candidato quer mostrar que isso defende a segurança dos cidadãos. Uma medida populista de um filósofo que gosta de se armar em provinciano em Lisboa, tal como se arma em doutor em Viseu. Uma ideia que lembra um dos seus émulos: Santana.

Calor frio

A passar férias no distrito que mais ardeu este ano, ainda não vi as cinzas sobre as pedras, nem as árvores em carvão vegetal. Mas sinto-lhe o cheiro, um odor que circula nas aragens baixas. Mas sobretudo um calor frio nas faces das pessoas.

Opinion makers

Os editoriais dos jornais de referência, DN e Público, que normalmente são escritos pelos seus directores, são pródigos em lavra opinativa sobre a democracia e sobre os meandros da governabilidade. Normalmente são pequenas redacções sobre factos quotidianos retalhados em patchwork para compor uma narrativa com um final surpreendente. Mas, quase sempre, só o final surpreende. O que não deixa de ser sintomático para quem quer ser opinion maker.

Regressos

Fátima Rolo Duarte regressa, provisoriamente, às páginas do DNA, suplemento do DN. Ainda não posso lê-la como Camila Coelho, um pseudónimo que esconde uma jornalista que sabe escrever sobre as ruas de Lisboa, os belos cafés e as estéticas humanistas das cidades. Quando regressar, avisem.

Uma história mal contada

Numa biografia de Fidel Castro, no DN, a autora resume a luta dos revolucionários cubanos a uma noite do ano de 1958 e a um dia do ano de 1959: na noite de fim de ano Fulgêncio Batista foge de Cuba; no dia de ano-novo Fidel entra em Havana. Está contada a história.

Lula

Lula, no Brasil, está a ser pescado com uma toneira?

quinta-feira, agosto 11, 2005

BES

Não há dúvida: o Banco Espírito Santo honra o pai e o filho.

quarta-feira, agosto 10, 2005

O Direito à Preguiça

Este é o meu manifesto durante todo o mês de Agosto. Mas não se fie nele. O melhor é copiá-lo e guardá-lo a sete chaves dentro da sua máquina. E todos os santos dias ler um parágrafo, de modo a saboreá-lo com felicidade. E no fim do mês não receba salário nem regresse ao trabalho.
[E obrigado pela casmurrice]

Deve e haver

Esta tornou-se uma moda irritante e estúpida. Não são só os divinos locutores das Tv's. São os colegas professores e os alunos a debitar miseravelmente "não tem a haver" ou "tem a haver" referindo-se à relação entre qualquer coisa. Explicar-lhes que o deve e o haver são conceitos da contabilidade e não da interrelação semântica, é o esforço. Mas a culpa é dos media que tudo atropelam e tudo contagiam.

terça-feira, agosto 09, 2005

Estatísticas

Sabes que aquilo que gosto mais de ler são as tuas entradas sobre a tese: desmistifica-a, torna-a vulgar, embrulha-a em histórias de vinhos, mulheres bonitas, neve, inureses que batem à porta. É isso que torna bela qualquer entrada sobre a tese. E eu quero lá saber se o sitemeter declina.

Proximidades selectivas

Pois. Lá estavam eles, branquelos, a esfregar creme, suavemente, sobre os ombros e sobre as costas. Sentadinhos à sombra das palhotas de esparto, liam os jornais do dia. Um, que já foi líder do partido que agora se opõe, talvez lesse um suplemento do Notícias, um daqueles que falam das férias, das praias do Algarve onde se brozeiam os próximos candidatos presidenciais. O outro, uma espécie de dom Sebastião do mesmo partido, homem de finanças que sabe o que quer para a nação, lia o Público, a última página, talvez a coluna do Vasco Pulido Valente a cascar no Sócrates, mais ou menos a única coisa que ele sabe fazer. Estavam ali os dois na proximidade geográfica das dunas. Mas nunca uma proximidade foi tão longínqua.

A ler

um manifesto de leitura do Comércio do Porto. De como se amou um primeiro ardina.

Tolerâncias

«(...) É um balanço difícil de ser alcançado, reconheço: entre tolerância real, e secreta, e intolerância fingida e ostensiva. Mas leitores inteligentes deveriam ser capazes de perceber isso, nossa secreta tolerância charmosa, em qualquer bom texto – sem que tenhamos que cometer a grosseria espantosa de afirmá-la com clareza.». Todos os tipos de tolerância na coluna de Soares Silva na revista Semana 3. Leia tudo aqui.

domingo, agosto 07, 2005

Palha seca

É verdade que o sueste acalmou em terra e no mar. Mas em terra continuam os fogos e a endémica auto-comiseração sobre os meios e a prevenção. Apenas os pobres trabalham, ao sol dos 40 graus, limpando terras e apagando fogos, quase num dever de sobrevivência. Se não morrem à fome, morrem do fogo. E o governo? O primeiro-ministro passa férias no Quénia, o ministro dos incêndios calado que nem um rato. Certo, certo é que se percebe que o partido socialista não dá conta do recado, não percebe o mundo rural e portanto as verdadeiras causas dos fogos. Sobre isto não vale a pena dizer mais nada. A intelectualidade e os bem pensantes do PS querem o campo para mostrar o folclore dos ranchos e das compotas, andar a cavalo e dar uns tiros nas perdizes. O resto é conversa seca, palha que arde nos incêndios que nos queimam a alma.

Levante

Inevitavelmente ele chega, trazendo a calma nocturna: as árvores ficam estáticas de vento, as aves descansam o voo rasante do dia, apenas os grilos saltitam assustados nas canoiras. O ferrado do levante marca o fim das aragens dunares do Magrebe. E nós já podemos descansar.