quarta-feira, junho 22, 2005

Alteridades de espelho

«Desejo obter a imortalidade pela literatura, a filosofia é um meio de aceder a ela. Mas aos meus olhos ela não tem em si um valor absoluto, porque as circunstâncias mudarão e trarão mudanças filosóficas.». Cem anos de Sartre.
Nunca admirei muito Sartre, nas suas dimensões político-ideológicas de alteridade. Mas sempre fui um aficionado dos seus escritos literários e filosóficos.

Todos os dias um poema de Eugénio [7 e último]

Com as sete cores desenhas uma criança,
o candeeiro, a luz à roda,
não há senão este olhar,
o ramo de espinheiro, um sol de seda
impaciente por ser flor,
a noite por confidente.

Eugénio de Andrade, O Peso da Sombra.

terça-feira, junho 21, 2005

Os amigos do lado

Ali ao lado nos links poisaram, hoje, amigos da blogosfera: o Zé Carlos, o António e o Miguel, dos primeiros tempos de leituras e comentários, por volta do verão de 2003. O Gregório Salvaterra, dos idos de Fevereiro de 2004, quando criei os meus blogues no Sapo. E o Luís, vizinho do lado, uma entrada mais recente. A Voz do Deserto também lá está, porque a oiço todos os santos dias e os restantes dois são os meus blogues para o ensino na universidade e para o arquivo virtual. Quando houver mais tempo, outros favoritos se seguirão.

Não é para ter orgulho?

O Tiago, sabem, aquele piloto português de fórmula 1, ficou em 3º lugar no grande prémio dos Estados Unidos. E também em 4º , a contar do fim.

Alternativos

Já vos falei do bombix mori? E do abóbada palatina?

Todos os dias um poema de Eugénio [6]

Hoje, no DN, na sua coluna diária, Pedro Mexia questionava-se se porventura poderíamos considerar cada poeta que fenece como o mais importante depois de Pessoa. E dava os exemplos de Sophia e Eugénio. Mas também de poetas vivos como Herberto ou Cesariny. Não falava de Rosa, Ramos Rosa, mas ele também poderia lá estar no grupo dos melhores poetas portugueses de sempre. É assim que eu gosto de os considerar. E Eugénio, claro, está entre eles:
Como esse olhar que prolonga a mão
as coisas que fazem a nossa alegria
brilham
ao sol ainda de cintura fresca.

Eugénio de Andrade, O Peso da Sombra.

domingo, junho 19, 2005

Todos os dias um poema de Eugénio [5]

Agora as aves voltam, são nos ramos
altos a matéria
mais próxima dos anjos
– ousarei eu tocar-lhes,
fazer delas o poema?

Eugénio de Andrade, O Peso da Sombra.

A xenofobia

Quem, hoje, viu as imagens da manifestação da extrema direita, com saudações nazis, encenações de perseguições a negros “ladrões” e vivas a Portugal, percebe o quanto a xenofobia instalada na análise do já célebre “arrastão”, lhe abriu o caminho. Foram as indigências jornalísticas sobre o que se passou na praia de Carcavelos, as declarações do presidente Capucho e depois as aleivosias discriminatórias do PP, no Parlamento, que lavraram o campo para a sementeira da pseudo-manifestação contra a criminalidade, montada pelo Frente Nacional e pelo Partido Renovador. E há muito mais gente com culpa no cartório. Mas isso será alvo da minha próxima crónica em «A Voz de Loulé».

A ler com orgulho

Uma atenção especial para a série “capas algarvias” [com excelentes ilustrações de Roberto Nobre], no blogue de Luís Guerreiro. A seguir com orgulho.

Leituras de fim de semana

«Nós, europeus, devíamos sentir vergonha disto. Um resto de pudor. Um resto de paisagem (...) E devíamos ter vergonha desta gente que assaltou Bruxelas e que assalta a Europa, mas vinda de dentro.». Francisco José Viegas no Aviz de ontem.
«Patriota? Em quê? Peço desculpa: patriotas foram os que se bateram nas ruas pelo República, pelas eleições, pela liberdade.». Miguel Sousa Tavares, no «Público» de ontem.

sábado, junho 18, 2005

Os versos etéreos

«Ainda hoje me pergunto que poema escrevia ele naquela tarde, à minha frente, ignorando o meu olhar de leitor intrometido. Talvez poema nenhum. Talvez só a poeira vã dos versos perdidos (essa que eu conheço bem demais)». José Mário Silva em memória de Eugénio de Andrade.

Expiar pecados alheios

«eo sou de alte e vivo aqui.tenho a impreção que as listas tem data para serem divulgadas não? se estou errado peço desculpas . tenho lido muitas criticas do Sr raimundo afinal este Sr vive em alte ou nasceu em alte?é que pelo falar dele pareçe uma grãnde figura altençe com rasões de queixa. ele tem feito algo por alte? o amigo Zé só apresenta a lista na devida altura..............FORÇA ZÉ ESTOU CONTIGO......E A JUVENTUDE TAMBEM........................»

«esse helder raimundo tem a mania que é mais esperto que os outros. Basta ler os comentarios que aqui coloca. e aviso desde ja os que vao as eleições. CUIDADO esse senhor é um oportunista que se julga mais que os outros. Não divulguem nada sem ser a altura. para a outra noticia da resposta do clube do PS vejam la que respota é que ele deu? tens respsosta Helder? A »

«já vi esse helder em alte 2.........ou.....3 veses, se ele gostáce de alte não estava so a criticar isto e aquilo estava cá e ajudava com ideias criativas não era ir para loulé e de lá estar a mandar bocas, mas atenção eu reparei logo que ele quer é tácho se ele sentir aqui uma vaca com leite tambem quer a parte dele, Daniel e Zé cuidado com esse amigo da onça não lhe dêm asas, ele joga com um pau de dois bicos .»
E eu que nunca quis ser uma figura pública vejo, agora, que a Net transformou o meu nome num expiador de pecados alheios. Vá lá, a minha cruz dá para todos! Pode espiar e expiar por aqui.

Todos os dias um poema de Eugénio [4]

Fazer de uma palavra um barco
é todo o meu trabalho
ou da flor do linho o espelho
onde a luz do rosto cai
excessiva.

Eugénio de Andrade, O Peso da Sombra.

sexta-feira, junho 17, 2005

Todos os dias um poema de Eugénio [3]

Que jovem é a mão sobre o papel
ou sobre a terra.
Jovem e paciente: quando escreve
e quando ao sol
se transforma em carícia.

Eugénio de Andrade, O Peso da Sombra.

Candidatos em Alte

Já se conhecem dois dos candidatos à presidência da Junta de Freguesia de Alte: a luta já começou!

quinta-feira, junho 16, 2005

MIC

A democracia participativa constrói-se de baixo para cima, e por isso raramente se enfeuda a partidos ou é legitimada pelos mesmos. Ao contrário de alguns movimentos satélites dos partidos das lógicas de poder - disfarçados de clubes ou associações - este parece ser representativo de uma boa notícia, no campo da cidadania.

O Carnaval de Loulé

No ano em que se comemora o 1º centenário do Carnaval dito “civilizado” de Loulé [antes, o Carnaval realizava-se como uma prática etnográfica comum, no âmbito do ciclo de vida rural], LG coloca algumas questões sobre a melhor forma de o comemorar. Em tempos escrevi uma coluna sobre o tema, que aqui recordo. É o meu contributo para o assunto.

O mestre de

Aviz faz dois anos. Parabéns FJV!

Os magos das finanças

O Luís coloca uma adivinha sobre os magos das Finanças do estado: a salvação do déficit ou a bancarrota. Quando se fala em nação e fé é difícil não pensar no ditador que caíu da cadeira. Mas na verdade tanto poderia ter sido Dom Tomás Xavier de Lima Nogueira Vasconcelos Telles da Silva, 13.º Visconde da Vila Nova de Cerveira, 1.º Marquês de Ponte de Lima, em 1788, como o que nunca se enganava e raramente tinha dúvidas, ou até mesmo o benjamim, do ano da cruz de 2005. São todos iguais.

René Bértholo

Ontem tinha passado por aqui. Um nome a negro no quadrado cinzento: René Bértholo. Só hoje descobri no texto de Eduardo Pitta, que mais um artista tinha sido ceifado nos idos de Junho, tempo de colheitas, aqui tão perto de nós. Tempo de regressar a Casa, perto de onde ele morava.