«O que defendo é que Alte nunca precisou desse prémio, inventado (como todas as tradições) pelo Estado Novo, para se afirmar como aldeia cultural no presente. E ser aldeia cultural, hoje, é diferente do velho e conservador conceito de "típico", também inventado pela propaganda de Salazar para impedir o desenvolvimento e a participação popular...». Ler comentário completo a propósito de outro meu texto aqui.
quinta-feira, maio 26, 2005
Alte: tradição e modernidade
«Não há um "estilo aldeia mais portuguesa", é evidente. Sobre o tema publicarei em breve uma investigação, para mostrar como esta história está mal contada. Daí que se deva perceber que a tradição e a modernidade são a simbiose de qualquer aldeia e da de Alte, também. Por isso se deve perceber que os elementos escultóricos, mais clássicos como a estátua do Vieira ou mais modernistas como a escultura do Picanço cabem, ambos, na aldeia». Ler o texto integral clicando na palavra sublinhada.
quarta-feira, maio 25, 2005
Bicho Carpinteiro
«Portugal parece um navio encalhado. Uma parte está submersa e ferrugenta, a outra empina-se e mantém a fleuma, mesmo que a água lhe regele os tornozelos ou o sal lhe coza a vontade. Nem há tesouro de galeão, nem os ratos abandonam o navio. Ciclicamente os mesmos temas. Na Páscoa os acidentes de viação, no Verão os incêndios, no Natal os brinquedos perigosos e a caridade aos sem-abrigo. Pelo meio, o ensino e as fracas universidades, os médicos e os hospitais, a pobreza, o desemprego, os toxicodependentes, as Áfricas abandonadas, os menores em risco, a cauda da Europa, o défice, o betão, a corrupção». Joana Amaral Dias e Medeiros Ferreira estão lado a lado, todas as terças, no «Diário de Notícias». Agora é vê-los também juntos na blogosfera armados em Bicho Carpinteiro.
terça-feira, maio 24, 2005
O Seinfeld português
Alguém tem dúvidas de que Pinto da Costa é o melhor actor de stand up comedy a falar em português? Ouviram-no, ontem, no Palácio da Bolsa no Porto? Então? Qual Seinfeld qual carapuça?
barlavento
Então não é que o jornal «barlavento» publicou, na passada quinta, um conjunto de posts meus para documentar as técnicas de escrita para colunistas. Não, desculpem, não posso fornecer o link!
segunda-feira, maio 23, 2005
Aqui d'el rei
Os adeptos do Benfica são agredidos, por apaniguados do fundamentalismo portista, apenas por um motivo: a polícia, agora, só aparece quando há mortes.
"Contrasenso" convida
«A nova era política iniciada com o 25 de Abril de 1974 irá centrar-se na descoberta do país e na conquista do povo, em oposição à retórica marcadamente folclorista, de pendor nacionalista e excessivamente patriótica, que caracterizou os tempos precedentes. O mito «Portugal Uno e Indivisível do Minho a Timor», elemento congregador da Comunidade portuguesa, dá lugar a um slogan muito ouvido neste período «Falta cumprir Portugal», um verso de Fernando Pessoa retirado do poema «A Mensagem». Privado da sua dimensão imperial, Portugal vira-se para a sua população. As campanhas de Dinamização Cultural e Esclarecimento Político, iniciadas em Outubro de 1974 sob a égide da 5ª Divisão do Estado Maior General das Forças Armadas, com o apoio do poder político e de artistas e técnicos de diversos organismos públicos, inserem-se nesta estratégia que nos seus traços gerais estava prevista no programa do MFA. (...)»
Esta crónica, de Luís Guerreiro, é a primeira das colaborações na minha coluna “Contrasenso” em «A Voz de Loulé» e pode ser lida no jornal do passado dia 15, na página 14, acompanhada de duas ilustrações de João Abel Manta.
Esta crónica, de Luís Guerreiro, é a primeira das colaborações na minha coluna “Contrasenso” em «A Voz de Loulé» e pode ser lida no jornal do passado dia 15, na página 14, acompanhada de duas ilustrações de João Abel Manta.
sábado, maio 21, 2005
Non, petit nom
Já há muito tempo que o “não” ao tratado da constituição europeia está posto na ordem do dia pela esquerda. A tentativa de consagrar uma união de estados, onde o domínio da centralidade do eixo franco-alemão se acentua, onde é ainda mais marcante o peso da matriz política de centro e a retirada dos direitos sociais dos trabalhadores, são motivos mais que suficientes para contrariar a aprovação do dito tratado. Mas as oposições ao mesmo são de muitos tipos, umas convergentes e outras divergentes. Prova de que a Europa – como aliás mostra a história, pelos vários exemplos gorados de federalismo – não tem solução enquanto estado supranacional. Agora foi a vez da blogosfera apostar no movimento pelo não. Um caminho abrupto da direita identitária, a querer marcar a história.
sexta-feira, maio 20, 2005
Dia dos museus
O problema da atracção dos museus é um problema de política cultural. Mas, estruturalmente, é, sobretudo um problema de política.
quinta-feira, maio 19, 2005
?
Se for verdade o que se transcreve a seguir, e inserto no blogue “Rábanos”, o problema das obras da Fonte Grande em Alte, deixa de ser apenas uma questão arquitectónica:
«Estava sentado num conhecido café da minha cidade onde, na mesa ao lado, conversavam descontraidamente dois elementos da actual camara municipal.
«Estava sentado num conhecido café da minha cidade onde, na mesa ao lado, conversavam descontraidamente dois elementos da actual camara municipal.
" - epá tu já sabes que a obra de Alte, aquela que o pintor das barbas anda sempre a chatear, não tem o estudo de impacto ambiental?
- Sério? Mas isso é uma merda caraças!
- Pois é. Mas que se lixe . É melhor avancar já sem ninguém saber disto do que aquele merda ficar embargada e depois nunca mais se sai dali."».
quarta-feira, maio 18, 2005
Dia mundial contra a homofobia
Hoje é o Dia Mundial contra a Homofobia. Um dia que em Portugal é marcado pela contestação à violência que se abateu sobre homossexuais na cidade de Viseu. Venho aqui para falar da petição online, que já assinei, e que está a correr para consagrar este dia no calendário da ONU, em defesa dos direitos sociais de gays e lésbicas. Para repetir as palavras do antropólogo Miguel Vale de Almeida, no «Público» de sábado, 14 de Maio: «O movimento LGBT e os partidos políticos (sobretudo da esquerda) deveriam olhar com atenção não só para o que está a suceder em Espanha, como para a História: as lutas mais dignas e entusiasmantes sempre foram as lutas pela igualdade plena de direitos». E para explicar que este post é pintado de cor de rosa, a cor do movimento LGBT.
terça-feira, maio 17, 2005
A profanação da arte e da poesia
Penso que todos perceberão o simbolismo das palavras do Daniel Vieira, na história, verdadeira, que conta sobre a opinião do poeta Cândido Guerreiro a propósito de umas obras que o seu pai (José Vieira) estaria a fazer na Fonte Grande (ler aqui). O que ele quer dizer é que, simplesmente, dever-se-ia ouvir as opiniões de pessoas entendidas na matéria que habitam em Alte e que têm defendido a sua terra, não impedindo o desenvolvimento dela mas fazendo-o de forma a respeitar a natureza e sobretudo o lugar sagrado, o santuário, que é a Fonte Grande. E não me digam que as pessoas não querem saber, ou não querem participar. A história de Alte mostra o contrário: se abrirmos todos os problemas à discussão as pessoas aparecem e dão ideias. O problema, meus amigos, é que a participação é uma marca decisiva que divide uns de outros. Há quem o queira e há quem o evite a todo o custo. O poder mantém-se e perdura assim: escondendo-se da arraia-miúda e decidindo em gabinetes.
No sábado, visitei a Fonte Grande com o Daniel e vi a escultura do poeta Camões que o Vieira construiu, profanada com um capacete das obras, como se simbolizasse a morte da poesia e da arte pelo betão e ambos (eu e o Daniel ) pensamos que se o José Vieira fosse vivo hoje só teria duas opções: ou impedia esta obra ou morreria de desgosto. E qualquer pessoa que o tenha conhecido sabe que eu não estou a exagerar.
No sábado, visitei a Fonte Grande com o Daniel e vi a escultura do poeta Camões que o Vieira construiu, profanada com um capacete das obras, como se simbolizasse a morte da poesia e da arte pelo betão e ambos (eu e o Daniel ) pensamos que se o José Vieira fosse vivo hoje só teria duas opções: ou impedia esta obra ou morreria de desgosto. E qualquer pessoa que o tenha conhecido sabe que eu não estou a exagerar.
Cidadania só para alguns
Parece que o Clube Política e Cidadania realizou um debate no Hotel de Alte, com 34 participantes, para discutir o desenvolvimento do interior e em particular da freguesia de Alte. Os jornais deram ao evento grande destaque citando todos eles excertos das declarações de Rui de Sousa (ex-presidente de Junta de Alte) e Vitor Aleixo (ex-presidente da Câmara de Loulé). O povo de Alte, potencial interessado no debate, não soube de nada. Podemos concluir que foi um fórum de ex-presidentes ou que o Clube é de “política e cidadania” só para alguns.
segunda-feira, maio 16, 2005
O louva-a-deus
Hoje, de manhã, os meus filhos viam um programa na Sic, com notícias ditas irreais. Sem os óculos não vi lá muito bem, mas parecia-me aquele puto, um tal de Francisco, que levou uns anos a faltar à escola para filmar uma série cujo nome me parece ter sido “Médico de Família”. Ora, o jovem anunciava a história de um gafanhoto que ganhou um concurso de piano. As imagens mostraram, então, um pequeníssimo piano onde tocava, batendo ritmadamente as patas, um louva-a-deus, segurado por uma mão qualquer. Este é o resultado de quem não vai à escola, não pisa "bunicos" de burro, nem apanha agudias no campo.
Jerusalém
A propósito de um post de Luis Ene, recordo que a única coisa que li de Gonçalo M. Tavares foi o poema "Carpo, Metacarpo e Dedos" que está inserido nos «Textos para Carlos Paredes-Movimentos Perpétuos». Lembro-me de ter sentido um arrepio e pensado quem seria aquele gajo que escrevia quase sobre o gume duma faca, fazendo das palavras farpas soltas lançadas no texto como se fossem barcos à toa. Mas tudo aquilo fazia sentido, Carlos Paredes estava lá no âmago dos versos. Depois, nunca me motivou ler o poeta dado que em todo o lado ele estava e isso aborrece-me. Por acaso, há momentos, na Bertrand, peguei no «Jerusalém» mas não o quis trazer para casa.
sábado, maio 14, 2005
A saloice "estruturante"
«Quando se decide remodelar uma praça, uma rua, um jardim, autarcas e arquitectos são unânimes: há que derrubar. Os autarcas, por um crónico ódio ao verde e natural desejo de refundação (em nome da história). Os arquitectos, porque resulta mais fácil trabalhar na folha em branco.» RAA no blogue da «periférica». Bem que se podia aplicar a Loulé, não é? Ou a Alte, salvo seja!
O disfarce
José Carlos Fernandes, desenhador de BD e ilustrador do «Diário de Notícias» na secção de opinião “Geração de 70”, surge hoje completamente disfarçado de óculos e camisinha, com ar de escritor. Ora veja aqui.
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