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quarta-feira, maio 21, 2008

Memória de José Vieira

O último Laboratório da Memória, iniciativa da Divisão de Cultura e História Local da Câmara de Loulé (CML), foi dedicado a José Cavaco Vieira. Este altense é sobejamente conhecido e, por isso, a conversa à volta da biografia e significado social desta personalidade assentou mais numa leitura sócio-antropológica do que na narração de datas e acontecimentos significativos da sua vida. O problema é que a sua cronologia de 98 anos foi tão preenchida que não se pode interpretar a personalidade sem perceber a sua circunstância, como defendia Ortega y Gasset. No encontro, tive a oportunidade de alinhavar algumas ideias que me parecem chave para perceber José Vieira, e o seu papel na história de Alte e do Algarve. A propósito, recordo algumas palvaras que escrevi, como coordenador da edição, na introdução à obra «Conversando a Vida Toda», lançada no âmbito das comemorações do centenário de Vieira, em 2003, e que a CML distribuiu graciosamente no encontro:

José Cavaco Vieira nasceu em Alte, em 1903 e morreu na mesma aldeia, no ano de 2002. Faria 100 anos no dia 23 de Novembro do corrente ano.
A propósito das comemorações do centenário do nascimento de José Cavaco Vieira, ilustre cidadão altense, ocorreu-me pensar no, também ilustre, poeta que abriu caminho àqueles que por obras valorosas se foram da lei da morte libertando. Talvez porque Vieira tenha percorrido todo o século XX, vivendo diversos contextos sociais e políticos, sempre, mas sempre, com um valor intrínseco e elevado: fazer o bem! A sua vida pautou-se por uma multifacetada diversidade histórica, equilibrando diversas dimensões humanas: por um lado uma dimensão humanista; por outro lado uma dimensão comunitária; ainda uma dimensão artística ecléctica; e finalmente, uma dimensão ecológica e histórica.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Investigando

Quase 40 anos antes de cair da cadeira e prenunciar a sua morte, este estafermo já andava a dar quedas desastrosas [fonte: Folha de Alte, 1 Junho 1929].

domingo, dezembro 30, 2007

Contrafacção cultural

O consumismo cultural tem destas coisas. São conhecidas as imagens simbólicas dos magotes de turistas japoneses, deslocando-se sem pisar o chão (são tantos e tão apertados que a sua deslocação é feita pelo suporte dos corpos dos mais altos), nas salas do Museu do Louvre, em Paris.

Oiçam esta agora: o Museu de Hamburgo fechou as suas portas depois de ter verificado que a sua exposição “O Poder da Morte” era composta por guerreiros Xian de terracota falsificados, e não obras construídas dois séculos antes de cristo. Os 10.000 visitantes da exposição podem receber o dinheiro das entradas de volta, por terem visto oito guerreiros de terracota, com dimensões, materiais e técnicas da altura da dinastia Qin. Só que não são os originais. E então, qual é o problema da contrafacção cultural?

domingo, dezembro 23, 2007

Best of 2007

Até ao final do ano irei destacar aqui algumas escolhas do ano de 2007: blogues, músicas/cantores, revistas, media, tecnologia, literatura, etc, que marcaram o ano com o seu rasgo, aparecendo ou desaparecendo ao meu olhar. Quem quiser contribuir com novidades pode escrever para: comunitario arroba sapo ponto pt

Que fado!

Depois de muitas hesitações – começa a ser uma atitude intrínseca – o Ministério da Cultura de Portugal adquiriu a colecção fabulosa de gravações de fado, ao coleccionador inglês Bruce Bastin. Uma vergonha se tal não acontecesse, pois são mais de oito mil fonogramas. O facto de o advogado do coleccionador ser José Alberto Sardinha (um amigo e colega das recolhas etnomusicológicas) deve ter pesado na decisão da ministra. Para bem do espólio musical, espero bem que sim, pois sempre são 1,1 milhões de euros.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Prestar contas

Há uns dias que não venho aqui. Agora que estou a ouvir o podcast de um dos programas de Francisco José Viegas na Antena 1, "Escrita em dia", devo dizer-vos que o meu tempo tem andado por aí: estudando podcasts, vídeos e outros multimedia que conto usar no meu trabalho de pesquisa e de docência (o raio do teclado é lento e tenho que esperar para ver). Deixo aqui alguns exemplos do trabalho das últimas semanas: 1 e 2.
Entretanto, estou a criar um catálogo de música tradicional, de registos pessoais que tenho em diversos suportes magnéticos, do qual darei breve informação. Já que a Câmara de Loulé não os disponibiliza online, fá-lo-ei, como autor da pesquisa/espólio. A propósito, aproveito para vos dar a conhecer um registo de 1962, de Adolfo Contreiras, em plena guerra colonial, a partir de um monocórdico de trabalhadores africanos nas roças. Imperdível, ainda se pensarmos que, nesse ano, Giacometti, o corso romântico, andava pelo Algarve a gravar romances e instrumentais de flauta de cana (ouvir aqui).
Também a investigação para o Grupo Folclórico de Alte me tem ocupado muitos dias. Nas últimas semanas, à volta do jornal Folha de Alte (1922-1934), aparecem-me verdadeiras pérolas que conto mostrar-vos nos próximos dias. Se houver tempo.
Contas prestadas, até já.

sábado, outubro 20, 2007

As árvores morrem de pé

no concelho de Loulé:

quarta-feira, outubro 17, 2007

terça-feira, outubro 09, 2007

Apagar a história

Alguém retirou do éter o vídeo de Durão Barroso, por volta de 1975, a clamar contra o serviço cívico estudantil. Percebe-se como os hábitos de apagar a história não se perdem tão facilmente. De qualquer modo, no you tube, do Brasil, é possível ainda visionar.

sexta-feira, outubro 05, 2007

O líder da linha vermelha do MRPP

O vídeo é magnífico. Não tanto por mostrar José Manuel Durão Barroso, recém-entrado na Faculdade de Direito de Lisboa, a contestar o Serviço Cívico Estudantil, em linguagem típica do esquerdismo da altura, mas sobretudo pela imagem a sépia e pelo caloroso ruído do celulóide a retinir na máquina de projecção. Um documento histórico que já fez história.

terça-feira, julho 17, 2007

Modéstia à parte

Hoje, de manhã, realizei as provas públicas de defesa da minha dissertação de mestrado na Universidade de Sevilha. A tese, com o título "Encruzilhadas do desenvolvimento comunitário. Memória social numa aldeia do barrocal do Algarve (Portugal)", obteve do júri internacional a classificação máxima de sobresaliente. Como passei muitas horas a vogar por aqui, a blogosfera merece também o meu agradecimento particular.

sábado, julho 07, 2007

A memória reconstruída

Zita Seabra, ex-militante do PCP e actual deputada do PSD, publicou recentemente um livro de memórias sobre o tempo da sua militância no partido de Cunhal. Ainda não o li (espero fazê-lo no verão a que tenho direito), mas na entrevista que deu a Judite de Sousa percebeu-se o óbvio. Zita Seabra narra as suas recordações como se elas tivessem acontecido ontem, com uma descrição e efabulação prodigiosas. Não podemos acreditar. Mesmo entendendo que muitos dos acontecimentos estarão documentados, o que se prova é que Zita Seabra o que faz é interpretar os factos do passado à luz do presente. Aliás, o que os estudos sobre a memória têm vindo a provar. O que ela faz (como qualquer um de nós faria, perceba-se) é elaborar uma interpretação do passado de acordo com os seus quadros político-ideológicos do presente. Por isso, aquela história da caixa de bombons oferecida a Cunhal é tão metafórica e romanesca. Quando penso nas minhas memórias desse período de há 30 anos atrás, o meu discurso mental conduz-me inevitavelmente a uma elucubração de manipulação da memória. Também o que pretendo provar, na minha tese de mestrado sobre a memória social numa aldeia do concelho de Loulé, é que a memória é sempre reconstruída de forma a definir um cariz identitário mais de acordo com a modernidade do presente. O livro de Zita Seabra deveria chamar-se: “Eu penso que foi assim”.

quarta-feira, julho 04, 2007

Lodge

Estou lendo, pela primeira vez, David Lodge, apesar de ter quase todos os seus romances. "O Museu Britânico ainda vem abaixo" é uma obra de 1965, da altura da revolução sexual. Uma das melhores leituras de verão, à inglesa: parágrafos curtos, sem empáfia e cheios de dados culturais fundamentais. Ah, se Mário Cláudio soubesse escrever assim!

Festival Med

Em breve escreverei sobre o Festival Med, enquanto paradigma de uma certa mercadorização cultural das raízes mediterrânicas. Um equívoco, a meu ver e que não durará muito. Entretanto, pode-se ir lendo algo por aqui.

terça-feira, julho 03, 2007

No mínimo


Era uma das minhas revistas online favoritas e estava ali no sidebar há muito tempo. Lia-a com muita regularidade. Finou-se no dia 29 de Junho, com muita pena nossa (soube-o pelo FJV).

terça-feira, junho 26, 2007

Vozes antigas ©

Tocador de concertina, Serra da Lousã, 1989.

domingo, junho 17, 2007

Ivo Cruz

Domingo sem missa, mas com muita preguiça. Muita chuva à noite, lavando as calçadas e as almas pobres, deixando algum sol brilhar à tarde, para ver melhor os pequenos montes do barrocal a norte. Música de câmara do maestro Ivo Cruz, um olhanense, que nasceu no Brasil e viveu em Lisboa. "Palácio em ruínas", "Miosotis caindo", e "Cantar ao luar", tudo nomes que lembram o sul, o azul a norte do mar.

sábado, maio 26, 2007

Andar à chuva nestes dias

Nuno Crato tem, hoje no Expresso, um texto interessante sobre a técnica de "andar à chuva". A questão é saber se nos molhamos mais andando devagar ou correndo. Crato termina o artigo defendendo que é sempre melhor correr. Esta história lembra-me sempre o Tio Lázaro, que sempre recusava andar mais depressa ou correr quando se dirigia, da fábrica onde trabalhava ou da taberna da Ti Gertrudes, para casa. Quase sempre o invectivava, porque adorava ouvir a sua resposta: "Qual quê, menino. Assim, apanho a chuva de trás e a da frente.". Sempre pensei que ele teria razão. Mas quando chovia, e chove, preferia e prefiro andar depressa ou correr. Como o matemático Nuno Crato prova.

quinta-feira, maio 17, 2007

Vozes antigas ©

[Vales de Pera, Silves, Agosto de 1985-foto HFR]

domingo, maio 06, 2007