Mostrar mensagens com a etiqueta história. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta história. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, setembro 01, 2015

A importância da História na sociologia

A análise política também se faz de um acúmulo sociológico do pensamento contemporâneo. Por isso todo o cuidado é pouco quando falamos por exemplo da crise grega, e das suas concomitantes pragmáticas. Por exemplo, uma análise das políticas do Syriza, e em particular de Alexis Tsipras, parece requerer não só um conhecimento dos presentes contextos sociais e políticos mas também uma análise cuidadosa da história, mais ou menos demarcada no seu tempo de longa duração. É isso que nos propõe Rui Bebiano. A ler (aqui) com atenção, mesmo com o sintoma das divergências ideológicas.

sexta-feira, abril 04, 2014

O património de Tavira

O título do post é só para chamar a atenção. O que me interessa verificar é a constante tendência histórica para a 'patrimonialização' da história, corrente que deve ter começado com o renascimento. E é mesmo um renascentista, um humanista se quisermos, que assume uma crítica ao facto de os moradores mais pobres de Tavira terem construído as suas pobres casas anexas aos muros arruinados das muralhas da cidade, quer por dentro quer nos arrabaldes, "o que não se devia permitir, ao menos em cidades e outras terras marítimas e fronteiras aos inimigos..." (Frei João de S. José, Corografia do Reino do Algarve, 1577) 
Há poucos anos, também as casas adossadas às muralhas do castelo de Loulé - recuperadas pela política do espírito do estado novo nos anos 40 do século XX - foram destruídas para dar lugar ao pano de muralha e a uma relva contemporânea.

sexta-feira, março 28, 2014

25 de abril em Loulé

Confesso que este ano as comemorações do 25 de abril não me aquecem nem me arrefecem. Pergunto-me porquê. E talvez encontre a resposta na legitimação que a burguesia e o capitalismo fizeram da revolução. Diria melhor, da sua revolução. Sim, talvez fosse melhor falar, como sugere Bourdieu, de revoluções. E na verdade, o que  se comemora hoje (este hoje representa muitos anos) não é a revolução do PREC (quem não sabe o que é, pesquisa), nem a do poder popular, mas a da 'normalização', como referia Stoer. Eu, que a vivi em «acto», naquele dia, custa-me ver alguns dos seus heróis colocados no palco, deixando a plebe na plateia, sujeita a convite democrático, plasmado em bilhete, para assistir à nomeação da revolução. 
Por tudo isto, tem toda a razão o João Martins, que faz da 'arruaça' a sua arma democrática. E eu quero dizer que estou com ele, e apoio o seu grito em defesa da democracia e não deste 'abril'.

1º de maio de 1974 em Portimão

sexta-feira, março 14, 2014

Algarvios e castelhanos

A coisa não é de agora. Já em 1571, vinte embarcações castelhanas capturavam ostras na costa de Tavira, duas milhas em frente, num monte de carcanhóis que parecia uma serra, segundo os pescadores. Usavam, como hoje, ancinhos de ferro a que chamavam rastros, com saco de rede que puxavam a remos. O bergantim defensor da cidade lá navegou, aprestando velas e ostras, mas os castelhanos habituados a negociar com os algarvios - e  a tê-los como mareantes nas suas costas andaluzas - prometeram boa soma de dinheiro e a venda de ostras na cidade de Tavira, em troca da licença. A conversa fiada não foi aceite, porque os pescadores reivindicavam a sua pesca*. Os olhanenses, esses mais espertos, lá pescavam na costa marroquina de Larache, muitas vezes sem licença. E muitos outros  algarvios, em pequenas embarcações, faziam o mesmo nas costas da Andaluzia, entre Ayamonte e Cádiz. Foi esse comércio que fez a interação económica durante séculos, no triângulo hispano-luso-marroquino, como diria Romero Magalhães e que construiu o que algarvios e andaluzes são nos dias de hoje.

*A história é inspirada na Corografia do Reino do Algarve, de Frei João de São José, de 1577.

quarta-feira, dezembro 04, 2013

Grupo Folclórico de Alte em destaque na agenda de Loulé

A Agenda da Câmara Municipal de Loulé destaca, neste mês de dezembro na sua secção Cultura/Livros, o meu estudo sobre a história do Grupo Folclórico de Alte, apresentado no passado dia 4 de outubro em Alte. Quem estiver interessado deve contactar a Casa do Povo de Alte, editora da obra (linque da Agenda).

quarta-feira, novembro 20, 2013

Cunhal a nú

Pacheco Pereira faz, neste post (linque), uma autêntica descrição da epistemologia da história. A propósito da sua conhecida obra sobre a vida de Álvaro Cunhal discorre sobre o trabalho do investigador, a análise das fontes, o fechamento dos arquivos políticos. Algo que os investigadores conhecem bem, quando se trata de contar outras histórias, que assentam em dados rigorosos e que cruzam várias fontes, documentais e orais e que muitas vezes as próprias fontes enviesam, ingénua ou deliberadamente. O PCP e o próprio Cunhal não estão imunes a isso. Pacheco Pereira percebeu-o bem e, não tendo um acesso seguro a uma eventual autobiografia de Cunhal, fez da sua escrita ficcional uma fonte não deliberada. A ler com cuidado e atenção.

sexta-feira, novembro 01, 2013

Grupo Folclórico da Casa do Povo de Alte

Quem me visita aqui, tem encontrado algum vazio. Na verdade tenho andado a escrever (e a ler muito) noutros lugares e suportes. De um deles dá-se aqui registo, o livro sobre a história do Grupo Folclórico de Alte (GFA), que terminei recentemente após cerca de 8 anos de investigação e que foi apresentado no dia 4 de outubro passado em Alte, no dia do 75º aniversário do GFA. O livro, cartonado, de 144 páginas e cerca de 100 imagens de fotos e documentos, pode ser adquirido na Casa do Povo de Alte que o editou.
Agora vou partir para outra: o meu doutoramento em educação popular vai sendo atrasado mas está sempre em andamento, como as velhas automotoras.

quinta-feira, abril 04, 2013

O ministro Relvas e a História

O ministro Relvas demitiu-se do governo de Passos Coelho, a sua criação política. Na declaração aos jornalistas escudou-se na 'História', pois só essa ciência o poderá julgar em tempos futuros. Relvas deveria saber que a História faz-se no futuro sobre o passado e os dados que analisará serão os vários julgamentos dos factos sociais do seus presentes políticos. E esses nunca abonarão a seu favor. A História registá-lo-á como uma personagem sem honra e sem glória.

quarta-feira, outubro 03, 2012

Eric Hobsbawm

Morreu um historiador que qualquer investigador, ou leitor, se habituou a respeitar. A leitura da obra «A Invenção das Tradições», que Eric Hobsbawm escreveu em conjunto com Terence Ranger, foi uma pedrada nos estereótipos instalados e que todos os que enchem a boca para falar de tradições deveriam ser obrigados a ler. Ramada Curto diz dele, que foi o historiador que melhor percebeu e explicou a importância das estruturas longas para o conhecimento da história social, depois dos Annales. Para além do mais Eric foi um homem empenhado nas causas sociais na Inglaterra e em todo o mundo, e só isso bastaria para dele falarmos aqui. À minha espera (para o doutoramento) lá  está um dos volumes da sua célebre tetralogia «A Era..».

sexta-feira, abril 29, 2011

Aterrem em Portugal

O meu amigo Carlos Guerreiro (ex-responsável da TVI no Algarve) anda, há anos, a pesquisar histórias relacionadas com aviões ocorridas durante o 2º conflito mundial. Algumas delas aconteceram no Algarve, durante os anos negros do salazarismo, de 40 e 50, envolvendo espionagem e organizações secretas, que o Carlos publicou no livro "Aterrem em Portugal". Vale a pena dar uma vista pelo seu blogue/site e mesmo adquirir o livro editado pela Pedra da Lua (link).

domingo, abril 24, 2011

Um dedo que indica o futuro


A tentação de deixar a sua marca para a posteridade, e uma forma de prestigiar o seu trabalho, pois atrás de um vinha outro, levou o artesão das tégulas que forravam as cisternas de garum da Quinta do Lago, a desenhar com o seu indicador a ferradura da sorte, que me levou a encontrá-lo uns milhares de anos depois.

sexta-feira, novembro 05, 2010

Lição de Massaii a Pássaro

Quando agora se discute a futura lei dos solos, e numa perspectiva crítica para evitar o processo de apropriação e especulação fundiária que rege os diversos solos em Portugal (talvez seja bom dizer que o caso IKEA, em Loulé, é bem exemplo disso), interessa recensear aqui o engenheiro Alexandre Massaii que, nas suas Diligências de 1617, defendia o aproveitamento das terras incultas como forma de produzir riqueza e dinheiro. E mais ainda propunha o humanista, vindo de Itália:
se obriguem os donos das terras a cultivá-las, e quando eles não tenham posse, se lhes preste dinheiro, que se tornará a cobrar em arrendamento das mesmas terras, e, quando os tais donos o não queiram fazer, que as larguem (1)
(1) Guedes, L. C. (1988). Aspectos do reino do Algarve nos séculos XVI e XVII. A 'Descripção' de Alexandre Massaii (1621). Lisboa: Arquivo Histórico Militar.

sexta-feira, junho 26, 2009

Michael Jackson is dead

Michael Jackson, operário da construção civil de Los Angeles, Califórnia, terra dos Doors e de outro Michael Jackson, morreu esta noite quando uma pequena explosão rebentou os pilares de uma obra nos arredores pobres da cidade. O corpo do trabalhador chegou já sem vida ao hospital, dado que não se efectuou qualquer socorro à vítima.

Nota: esta é uma homenagem a todos os que verdadeiramente constroem a história.

sábado, junho 28, 2008

Para fugir do futebol, em Loulé

A partir de terça, dia 1 de Julho, a Fundação Manuel Viegas Guerreiro vai organizar um curso livre de História Contemporânea denominado “O Algarve no contexto da 1.ª República”.
Esta iniciativa pretende contribuir para um conhecimento mais aprofundado e abrangente do agitado período da 1.ª República no Algarve, traçando um retrato de época ao nível dos quadrantes social, económico, político, mental e cultural, isto na senda da política de (in)formação e difusão de conteúdos relativos à história contemporânea algarvia que a Fundação tem vindo a seguir nos últimos anos.
São treze sessões temáticas, durante o mês de Julho, entre as 18.30 e as 20.30 horas, na sala de leitura do novo Arquivo Municipal de Loulé.
Dia 1 destaco a conferência do historiador Rui Ramos (cronista do Público) sobre "A República e o seu tempo". A não perder. Os interessados podem inscrever-se neste curso através dos números de telefone 289422607 ou 916990465.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Chuva

Na RTP1 discutem-se as cheias de 1967, nas quais morreram milhares de pessoas, nos concelhos à volta de Lisboa. Tinha 10 anos na altura, mas lembro-me dos comentários sobre as desgraças, muito próximas das nossas, ali junto do leito argiloso e arenoso do Rio Arade. Se foi um motivo para os estudantes de Lisboa iniciarem um caminho de busca ideológica, pela prática da vida, para mim serviu-me, sempre, para amar a chuva, a água derramada fresca dos céus. País pobre, onde as pessoas morriam nas cheias, país de fé, que armava romarias a pedir água de Deus, país triste que censurava os números da catástrofe. Ontem, de madrugada, choveu. Agora, madrugada de segunda, chove ainda.

domingo, dezembro 30, 2007

Contrafacção cultural

O consumismo cultural tem destas coisas. São conhecidas as imagens simbólicas dos magotes de turistas japoneses, deslocando-se sem pisar o chão (são tantos e tão apertados que a sua deslocação é feita pelo suporte dos corpos dos mais altos), nas salas do Museu do Louvre, em Paris.

Oiçam esta agora: o Museu de Hamburgo fechou as suas portas depois de ter verificado que a sua exposição “O Poder da Morte” era composta por guerreiros Xian de terracota falsificados, e não obras construídas dois séculos antes de cristo. Os 10.000 visitantes da exposição podem receber o dinheiro das entradas de volta, por terem visto oito guerreiros de terracota, com dimensões, materiais e técnicas da altura da dinastia Qin. Só que não são os originais. E então, qual é o problema da contrafacção cultural?

sexta-feira, outubro 05, 2007

O líder da linha vermelha do MRPP

O vídeo é magnífico. Não tanto por mostrar José Manuel Durão Barroso, recém-entrado na Faculdade de Direito de Lisboa, a contestar o Serviço Cívico Estudantil, em linguagem típica do esquerdismo da altura, mas sobretudo pela imagem a sépia e pelo caloroso ruído do celulóide a retinir na máquina de projecção. Um documento histórico que já fez história.

sexta-feira, setembro 21, 2007

Aquilino

Enquanto conduzia e ouvia a Antena1, tive a oportunidade, surpreendente, de ouvir uma entrevista feita a Aquilino Ribeiro, por Igrejas Caeiro, nos idos de 1957. Conhecer a história do autor por leituras é uma coisa, mas ouvi-la da sua voz é vivê-la, percebem. E o autor foi justo e honesto, com a infância "aos tombos", o roubo dos ninhos de pássaros, a partida para Paris - a única terra onde foi sempre feliz -, a "crítica literária portuguesa perigosa", as leituras da moderna literatura inglesa e americana, que fazia nos livros que o filho comprava. Um portento de sedução, elogio que também fez ao entrevistador. Ah, perguntado sobre alguma história decisiva vivida, não falou de nenhum regicídio...

sábado, maio 26, 2007

Andar à chuva nestes dias

Nuno Crato tem, hoje no Expresso, um texto interessante sobre a técnica de "andar à chuva". A questão é saber se nos molhamos mais andando devagar ou correndo. Crato termina o artigo defendendo que é sempre melhor correr. Esta história lembra-me sempre o Tio Lázaro, que sempre recusava andar mais depressa ou correr quando se dirigia, da fábrica onde trabalhava ou da taberna da Ti Gertrudes, para casa. Quase sempre o invectivava, porque adorava ouvir a sua resposta: "Qual quê, menino. Assim, apanho a chuva de trás e a da frente.". Sempre pensei que ele teria razão. Mas quando chovia, e chove, preferia e prefiro andar depressa ou correr. Como o matemático Nuno Crato prova.

Os génios das ditaduras

Para quem continua a achar que Duarte Pacheco (nasceu em Loulé) foi um visionário engenheiro e genial urbanista, mesmo aqueles que se dizem de esquerda, é obrigatório ler este post de Pacheco Pereira. Para perceber que continuamos todos a mostrar que somos tolerantes com o génio, sem perceber que os génios só existem em ditaduras. Subscrevo na íntegra.